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“A Rainha Isabel vai mudar-se para o Canadá.” A notícia — falsa — foi dada pelo Borowitz Report, conhecida coluna satírica da revista norte-americana New Yorker, após a nomeação de Boris Johnson como novo primeiro-ministro britânico. “A Rainha disse ‘não ter arrependimentos’ sobre a decisão de abdicar em favor do filho Carlos. ‘A esta altura, não há nada que ele possa fazer que estrague mais o Reino Unido do que já está’, disse ela”, contava o artigo humorístico, em julho. Na verdade, nada disto aconteceu. Mas se há dia em que a Rainha Isabel II talvez tenha pensado, por uma fração de segundo, na possibilidade de abdicar e partir para o Canadá, esse dia deverá ter sido esta quarta-feira, 28 de agosto. Afinal, não é todos os dias que um primeiro-ministro a força a tomar uma posição pública que o presidente da Câmara dos Comuns interpreta como “uma afronta constitucional”.

De férias no castelo de Balmoral, na Escócia, a Rainha não começou o dia com a sua rotina habitual: abrir a famosa caixa vermelha que contém documentação oficial trazida pela sua equipa, sobre todos os assuntos do Reino. Desta vez, havia primeiro um encontro com os membros do seu Conselho de Estado, o Privy Council. Em causa estava o pedido de prorrogação do Parlamento até 14 de outubro feito pelo primeiro-ministro. Ou seja, Boris Johnson pediu à Rainha para suspender o Parlamento, como é seu poder quando um novo primeiro-ministro quer apresentar o programa governativo numa nova legislatura. Uma formalidade que em nada seria estranho, não fosse o facto de a suspensão ter uma duração maior do que o normal (23 dias — a mais longa nos últimos 74 anos) e de impedir o Parlamento de discutir aprofundadamente formas de impedir um Brexit sem acordo — que deverá acontecer a 31 de outubro.

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