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Brittany Murphy
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Brittany Murphy morreu a 20 de dezembro de 2009 e a sua morte continua envolta em mistério

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Brittany Murphy morreu a 20 de dezembro de 2009 e a sua morte continua envolta em mistério

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Brittany Murphy: a atriz de “Clueless” deu origem a um documentário. Bolor, negligência ou envenenamento, o que lhe aconteceu?

As teorias são inúmeras e há, de facto, muitas questões que ficaram suspensas. O novo documentário da HBO “What Happened, Brittany Murphy?” explora o mistério à volta da morte da atriz em 2009.

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“Mãe, estou a morrer. Eu amo-te”. Foram talvez das últimas palavras que a atriz Brittany Murphy dirigiu à sua mãe Sharon, que vivia com a filha e o genro Simon Monjack numa mansão em Hollywood. Foi nela que a atriz — conhecida por ter protagonizado “Clueless” ou “8 Mile” — morreu a 20 de dezembro de 2009, uma morte prematura e inesperada aos 32 anos que criou uma nuvem de mistério sobre as causas da morte. Envenenamento? Bolor tóxico? Negligência? Teorias há demasiadas. Respostas? Poucas, muito poucas. Algumas delas são expostas na mais recente produção documental de dois episódios da HBO, “What Happened, Brittany Murphy?”. A história que é conhecida e confirmada publicamente conta que a autópsia determinou como causa da morte uma combinação letal de pneumonia, anemia e medicamentos prescritos. Contudo, o novo documentário aprofunda as circunstâncias misteriosas e nefastas em torno da sua trágica morte e da perturbada relação com Monjack, que morreu meses depois de Brittany.

Deixou o mundo cedo demais, mas também foi cedo, aos 14, que Brittany teve a sua primeira grande oportunidade de carreira, na sitcom “Drexell’s Class”. Em 1995, quando integrou o elenco de “Clueless”, seria por fim catapultada para a fama, pelo papel de Tai Frasier, ao qual sempre será associada. De repente, Brittany era uma estrela. A atriz integrou depois filmes como “Girl, Interrupted” (1999), com Winona Ryder e Angelina Jolie, “8 Mile” (2002) com o rapper Eminem, e “Sin City” (2005), com um elenco que incluía Bruce Willis, Mickey Rourke e Jessica Alba.

Murphy tornou-se, ao longo dos anos, uma das jovens estrelas mais promissoras da sua geração, mas isso não impediu que acabasse por personificar uma tragédia sombria, sem explicação, e que ainda hoje, quase 12 anos depois, deixa muitas perguntas no ar. Segundo a HBO, “What Happened, Brittany Murphy?” é um “retrato íntimo e profundo da personagem” da atriz, que vai para além das manchetes que a objetificavam e das que tentavam desvendar depois as “circunstâncias misteriosas” que rodearam a sua morte em 2009.

Brittany Murphy ao longo dos anos

Ron Galella Collection via Getty

No documentário, a realizadora Cynthia Hill, vencedora de Emmy, centra-se tanto na vida e carreira de Murphy, recordando também o seu percurso emocional — como uma mulher que sofreu uma série de desgostos profissionais e pessoais que a deixaram vulnerável, tudo através de testemunhos de colegas e amigos dos elencos pelos quais Brittany passou.

“A primeira coisa que me chamou a atenção foi que a sua vida e carreira tinham sido eclipsadas pelo mistério em torno de como ela morreu. Parece tão infeliz que é assim que as pessoas se referem a ela — como esta mulher que morreu tão misteriosamente aos 32 anos”, explica Hill numa entrevista à Vanity Fair.

Mas apesar do drama que rodeou a sua morte, a realizadora enfatiza que todos com quem falou para o documentário mencionaram a importância de recordar a bondade de Murphy. “Todos foram tão consistentes quando a descreveram. Ela era tão generosa, atenciosa e sempre a pensar em todos os outros e penso que por vezes isso é esquecido devido a todo o mistério que rodeava a sua morte”, disse Hill à People. “Ela era amada por todos.”

Os primeiros sinais de crise à vista

Brittany estava a subir rapidamente a escada da fama, e com isso veio também um escrutínio inevitável por parte dos meios de comunicação social. Um dos temas que veio à baila nos tempos antes da sua morte foi a sua aparência visivelmente mais magra que a que tinha quando era estrela em “Clueless”. Na altura, a própria Brittany recordou com vergonha um episódio da sua vida quando um agente lhe disse que ela era “pessoa para abraçar, mas não para ir para cama”, o que a conduziu a uma perda de peso considerável.

brittany murphy

Brittany ficou conhecida por ter entrado em "Clueless" que a catapultou para a fama

Patrick McMullan via Getty Image

O documentário revela que a anemia diagnosticada no relatório de óbito foi, para o médico, determinante na morte de Murphy e que esta pode ser sido causada também pelo facto de a atriz estar extremamente abaixo do peso. E, em vez de receber apoio em casa, enfrentou mais críticas de Monjack, que alegadamente a encorajou durante todo o seu casamento a fazer uma cirurgia plástica e a perder ainda mais peso. “Para desenvolver uma anemia desta natureza, ela não estava a comer”, diz o médico-legista aos cineastas citado pela Rolling Stone.

Em janeiro de 2010, um mês depois da morte da atriz, numa aparição no programa “Today”, Monjack e Sharon disseram que Murphy estava bem até à sua morte, que estava “perfeitamente saudável”, dizia Simon, e que tinha apenas uma “pequena laringite”. Porém, o jogo mudou no mês seguinte. As duas figuras voltam a marcar presença na televisão e, desta vez, Simon mudou o discurso: “nessa manhã, ela acordou e não conseguia respirar. Saiu para apanhar um bocado de ar lá fora e a Sharon seguiu-a”, contou Monjack a Larry King. O então viúvo acabou por dizer que as últimas palavras para Sharon nesse momento tinham sido: “Mãe, estou a morrer. Eu amo-te”. As declarações pareciam confirmar que tanto Brittany, como Simon, estavam cientes da situação e de que a atriz precisava de cuidados médicos.

Brittany Murphy

Simon Monjack e Sharon Murphy

Getty Images

Outros relatos iam sendo tornados públicos e vindo a ser reforçados com o documentário, sobretudo no que toca às relações de Brittany, que começaram a ser controladas também por Monjack que monopolizava o seu tempo livre. Kathy Najimy, uma das atrizes de “King of the Hill” onde entrou Brittany, conta que a atriz tinha sucumbido à proteção e controlo excessivo de Simon. “Cada vez que havia uma pausa, ela saía e ia para o carro com ele, e isso tornou-se cada vez mais restritivo”, conta Najimy. “E tornou-se cada vez mais evidente para todos nós que ela não estava a sair ou a almoçar connosco ou a conversar”.

Também a personal trainer Harley Pasternak diz ter tentado contactar Brittany para a preparação de um papel e que os seus representantes tinham sido despedidos, uma vez que Simon tinha assumido o seu papel de agente e que tudo tinha de passar por ele.

O realizador Alex Merkin, que dirigiu Brittany em “Across the Hall” em 2008, revelou que a atriz não tinha sequer acesso ao seu email. “Soube que ela não tinha acesso ao seu próprio telefone, e se eu queria contactá-la, tinha de a contactar através dele [Simon]”, disse. Merkin não poupou as palavras e disse que aquele casamento parecia um “um estratagema manipulador da sua parte [de Simon] para a controlar e para manter os seus ganchos dentro dela”.

Elizabeth Ragsdale confirma que já durante o seu noivado com Simon Monjack este mantinha uma rédea curta, tendo optado por isolá-la de todos os seus amigos durante a gravidez. A ex-companheira conta mesmo que adoeceu durante a gravidez e que Simon recusou que ela fosse vista por médicos.

Sharon Monjack e Brittany Murphy casaram-se em 2007

WireImage

O controlo tornou-se doentio. Simon assumiu as finanças de Brittany, isolou-a das pessoas tanto no seu trabalho como na sua vida pessoal, tomava decisões grandes e pequenas sobre tudo, desde a sua dieta até à maquilhagem no cenário.

“Era um indivíduo perturbado que estava habituado a enganar as pessoas e a Brittany foi uma das suas últimas vítimas”, disse à People a realizadora Cynthia Hill sobre Monjack. “Havia um padrão de comportamento que se tornou muito óbvio à medida que mais pesquisa fazíamos”.

Nos anos anteriores à sua morte, Murphy estava a tornar-se cada vez mais magra e frágil, o que só vinha a alimentar rumores de desordens alimentares e de abuso de drogas.

Brittany Murphy

Naquela noite de 20 de dezembro de 2009, os bombeiros foram chamados à sua casa pela mãe da atriz depois de esta ter caído inconsciente na casa de banho. Perante o cenário, ainda foram feitas manobras de reanimação cardiorrespiratória no local, tendo Brittany depois sido transferida para o Cedars-Sinai Medical Center na cidade, onde acabou por ser declarado o óbito. O gabinete do médico legista declarou a morte como um acidente, citando que ela tinha sofrido de uma grave pneumonia e que os medicamentos prescritos não reagiam bem com o seu “estado enfraquecido” e anemia por deficiência de ferro.

A morte do marido cinco meses depois e o “bolor tóxico”

Apenas cinco meses depois da morte de Brittany, o seu marido Simon Monjack morreu. Morreu depois de ter alegadamente caído inconsciente exatamente na mesma casa de banho da atriz, e com um relatório do médico legista que enumerava a pneumonia e a anemia como algumas das causas, as mesmas que as da sua falecida mulher. Os contornos misteriosos da morte de Murphy, e o facto de o seu marido ter morrido da mesma maneira, levaram o público a questionar-se se haveria algo mais na história do que o que foi revelado nos resultados do relatório da autópsia.

E, com esse mistério, rapidamente se seguiram rumores e teorias conspiracionistas sobre as possíveis razões da morte da atriz. O facto de terem adoecido e morrido segundo as mesmas causas e na mesma casa, fez crescer a ideia de que a mansão do casal em Hollywood estava cheia de bolor tóxico, que em excesso pode causar problemas respiratórios — como os identificados nos relatórios. Na altura, Sharon Murphy apelidou essa teoria do bolor tóxico de “absurda”. “Nunca me foi pessoalmente pedido pelo médico legista ou por alguém do Departamento de Saúde para vir inspecionar a minha casa à procura de bolor”, disse a mãe da atriz, que morava com o casal.

Brittany e a sua mãe, Sharon Murphy, que vivia com a atriz e o genro

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No entanto, em 2011, a mãe de Brittany interpôs uma ação judicial contra os advogados que a representavam num processo contra os construtores da casa onde a atriz morreu, alegando que os advogados nunca lhe falaram de um possível processo de morte por bolor na casa. Isto porque Sharon não estava convencida com a teoria do bolor na mansão de Hollywood Hills até ter entrado num processo de venda da casa quando alegadamente descobriram bolor dentro das paredes.

De acordo com Ed Winter, médico legista chefe do condado de Los Angeles, o gabinete de saúde procurou especificamente provas de bolor durante as autópsias de Murphy e Monjack e não encontrou nenhuma. Winter disse ao The Hollywood Reporter em 2011 que, na altura da morte de Monjack, Sharon Murphy disse-lhe que não acreditava que o mofo fosse a causa e que não permitiria uma inspeção da casa pelo departamento de saúde de LA como o médico legista tinha solicitado.

Também Lisa Scheinin, médica legista que esteve envolvida na autópsia de Brittany, afirma não ter encontrado provas de que o bolor estivesse a afetar negativamente a estrela “Clueless”. “Sei que havia rumores de que o bolor tóxico pode ter desempenhado um papel na morte da Brittany e possivelmente na morte do seu marido, mas na minha autópsia não vi qualquer prova de bolor nos seus pulmões ou outros órgãos”, disse a médica citada pelo ET Online aos produtores do documentário, acrescentando que, normalmente, essas provas são visíveis.

Nos anos anteriores à sua morte, Brittany já mostrava sinais de decadência

BuzzFoto/FilmMagic

Ao longo dos anos, Sharon Murphy mudou a sua posição sobre o assunto e alegou que o “bolor tóxico” na sua casa pode ter sido a causa do declínio da sua filha. “Uma das causas que agora conhecemos pode ter sido o bolor tóxico que acabou por ser descoberto naquela casa — que pode ter sido o que realmente a matou. Nunca saberemos com certeza”, escreveu Sharon numa carta aberta no The Hollywood Reporter em resposta às acusações de envenenamento que tinham surgido por parte do pai de Brittany.

As teorias de envenenamento do pai de Brittany

Foi precisamente nessa carta que Sharon Murphy vem negar um relatório apresentado por Angelo Bertolotti, o pai da atriz, dizendo que este “homem até pode ser o seu pai biológico mas nunca foi um verdadeiro pai para ela na sua vida”. Em 2013, Bertolotti disse no “Good Morning America” que acreditava que a sua filha tinha sido intencionalmente envenenada. “Tenho a sensação de que houve aqui uma situação de homicídio”, disse, citado pela ABC, e apresentado um relatório de laboratório encomendado por si que mostrava a presença de metais pesados no seu sistema quando morreu.

O relatório, a que a ABC teve acesso em 2013, era independente e tinha testado cabelo, sangue e tecido da atriz.  “Testando a amostra de fio de cabelo identificada como ‘parte de trás da cabeça’ detetámos dez metais pesados a níveis acima da recomendação de níveis elevados da OMS. Se eliminássemos a possibilidade de uma exposição acidental simultânea a metais pesados ao doador da amostra, então a única explicação lógica seria uma exposição a estes metais (toxinas) administrada por um terceiro infrator com provável intenção criminosa”, podia ler-se segundo a ABC.

Bertolotti nunca aceitou as causa da morte apontadas pelo médico legista. E, em janeiro de 2013, apresentou queixa contra o departamento de polícia de Los Angeles para obter amostras de cabelo da sua filha para testes. “Não vou descansar enquanto a morte prematura da minha filha não for devidamente investigada, o que ainda não aconteceu até agora. O seu caso merece mais do que um olhar superficial”, disse Bertolotti num comunicado de imprensa citado pela ABC News.

“Boatos espalhados por tablóides mancharam injustamente a reputação da Brittany. A minha filha não era nem anorética nem viciada em drogas, como eles repetidamente implicaram”, afirmou ainda. “Não descansarei até que a verdade sobre estes trágicos acontecimentos seja dita. Haverá justiça para a Brittany”. Segundo Bertolotti, Murphy e Monjack sofriam de dores de cabeça, cólicas abdominais, sibilos, desorientação, congestão e pneumonia — alguns dos mesmos sintomas causados por envenenamento por metais pesados, de acordo com o canal norte-americano.

Perante as insinuações do pai da atriz, Sharon Murphy insinuou nessa carta aberta que Bertolotti só queria lucrar com a carreira e fama da sua falecida filha. “Agora não tenho outra escolha senão apresentar-me perante os esforços indesculpáveis para manchar a memória da minha filha por um homem que pode ser o seu pai biológico mas nunca foi um pai verdadeiro para ela durante a sua vida”, escreveu a mãe no The Hollywood Reporter. “Angelo Bertolotti mudou-se para a Califórnia na sua velhice para afirmar que está aqui pela Brittany, como nunca foi em vida. Fez declarações ultrajantes nos últimos anos, culminando nesta última loucura: que a minha querida filha foi assassinada.”

Sharon reclama que as alegações do ex-companheiro se baseavam “em provas frágeis” e que eram “mais um insulto do que uma visão do que realmente aconteceu”.

“Este relatório ignora convenientemente o que qualquer bom cientista dirá: uma amostra de cabelo pode ser afetada por muitos fatores externos, incluindo tinta de cabelo, spray para cabelo, medicamentos de prescrição, alimentos, fumar o cigarro ocasional e fatores ambientais”, pode ler-se. “Sabemos que o Los Angeles County Coroner fez testes extensivos e descobriu que ela morreu de causas naturais. E agora ela é um verdadeiro anjo vivo no céu.”

Bruce Goldberger, toxicologista da Universidade da Florida, disse à ABC News que os resultados do tal laboratório não significam necessariamente que uma pessoa tenha sido envenenada. O especialista afirmou que Murphy não tinha as linhas nas unhas que são normalmente vistas em casos de envenenamento por metais pesados.

A negligência. A morte de Murphy podia ter sido evitada com cuidados médicos?

No novo documentário são lançadas algumas suspeitas sobre o próprio Simon Monjack, suspeitas de negligência que já haviam sido faladas ao longo dos anos em que se especulou sobre a morte de Brittany.

A cineasta Cynthia Hill acaba por traçar o percurso emocional de Murphy — como uma mulher que sofreu uma série de desgostos profissionais e pessoais que a deixaram vulnerável a Monjack, que é descrito como um manipulador. No documentário, Cynthia conseguiu por Linda, a mãe de Simon, e James, o seu irmão, a falarem para a câmara, e apesar da lealdade que mantiveram a Simon, não o absolvem completamente de mentir e manipular as pessoas.

A própria mãe descreve-o para o documentário como sendo “económico com a verdade”, já James insiste em dizer “não sou a mesma pessoa que ele”, o que, para a realizadora, significa que o irmão não aprovava as atitudes de Simon, confessou Hill à Vanity Fair.

O cineasta britânico era conhecido por ser um mentiroso patológico, tanto que um vez mentiu sobre ter sido diagnosticado com cancro cerebral terminal, como confirma Allison Burnett no documentário, uma história que já corria pela internet. Monjack alegou que “estava a morrer de cancro e que tinha comprado um tratamento experimental derivado de barbatanas de tubarões e que lhe salvou a vida”, refere citada pela USA Today.

Brittany Murphy

Getty Images

A mesma mentira foi confirmada pela ex-companheira de Monjack, Elizabeth Ragsdale, que no documentário revela que também lhe disse que tinha cancro. Mas, não ficou por aí. Ragsdale revelou que partilha um filho com Simon, Elijah, algo que Brittany nunca soube em vida — nem desse nem de outra filha, Jazmyn, que Monjack também teve. A ex-companheira acusa Simon de já ser manipulador com ela e ameaçou-a com a guarda da criança caso Elizabeth contasse a Brittany sobre o filho de ambos. “O risco era muito maior, sendo ele casado com a Brittany”, disse Ragsdale citada pela Bustle. “Ele não queria que ninguém soubesse que eu andava por aí com um filho seu.”

As acusações de negligência vieram, de forma mais veemente, da parte de Ragsdale que questionou a razão de Brittany não ter ido para o hospital mais cedo. Lisa Scheinin, a médica legista assistente que fez a autópsia de Murphy, explica que a atriz morreu de facto de pneumonia com anemia — e que a deficiência de ferro era uma situação “de risco de vida” e que Brittany já estaria a combater um caso grave de pneumonia “durante algum tempo”. Embora Murphy tivesse no seu sistema medicamentos prescritos e de venda livre, Scheinin confirma que “não tinha provas de álcool ou quaisquer drogas de abuso no seu sistema”. Dito isto, a médica acredita que uma intervenção poderia ter salvado a vida à atriz, caso esta tivesse ido mais cedo para o hospital onde lhe poderia ter sido detetada a pneumonia precocemente.

“Porque não foi ela para o hospital?”, atirou Elizabeth Ragsdale. “Creio que o Simon Monjack – mesmo que ele não tenha matado a Brittany – permitiu que ela morresse porque não a levou ao médico nem conseguiu ajuda para ela”, disse no documentário citada pelo USA Today. “E acredito que ele fez o mesmo a si próprio.”

A cronologia amorosa. Eminem, Ashton Kutcher, três noivados e o seu funeral

Como estrela em ascensão, Brittany acabou por ser escrutinada também na sua vida amorosa. Teve vários nomes conhecidos ligados a si romanticamente ao longo dos anos 90 e início dos anos 2000, incluindo três casamentos — o último com Simon Monjack.

Por várias vezes se falou de Eminem como o primeiro namorado de Murphy aos olhos do público, ainda que não tenha havido confirmação de nenhuma das partes. Os dois conheceram-se nas filmagens de “8 Mile” onde Eminem interpretava o rapper B-Rabbit e a atriz fazia de Alex, uma jovem que se envolvia com a personagem do músico. Este eventual romance foi alimentado pelos fãs, sem que nenhum dos dois dissesse com todas as palavras que namoravam, falando apenas um do outro na impresa e com rodeios. “Ele é um dos atores mais engraçados, honestos, profissionais e trabalhadores com quem já trabalhei, se não o mais”, disse Murphy à MTV em 2002, citada pela Bustle. Eminem acabou também por dizer ao canal que os dois “se tornaram amigos”, sendo que o rapper voltou a falar em 2010, já depois da morte de Brittany: “A certa altura, éramos muito próximos, e ela era uma pessoa muito boa. É uma loucura quando se veem coisas destas não só com ela, mas todas estas coisas que estão a acontecer em Hollywood com pessoas da música, da representação.”

Brittany terá namorado com Eminem e com Ashton Kutcher

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Logo depois de Eminem vieram os rumores — estes mais sólidos que os do relacionamento com o rapper — de uma relação amorosa com Ashton Kutcher, em 2003, quando filmaram juntos “Just Married”. Na altura, o ator disse que ele e Murphy eram apenas amigos enquanto filmavam o filme e não estabeleceram uma relação até ao final da produção, algo que a mãe de Kutcher acabaria a confirmar quando disse que os dois estavam “a ir devagar, vendo para onde vai”. O suposto romance terá durado menos de um ano.

O documentário inclui um áudio de uma entrevista de Howard Stern com Ashton Kutcher em que Howard se dirige ao ator como o que namora “com a miúda gorda” de “Clueless”, um comentário que Kutcher tenta remediar e que vinha a provar a cobertura mediática que a atriz vinha sendo alvo. “É uma daquelas coisas que são tão reveladoras da época e da forma como as atrizes eram tratadas. Era como se elas nem sequer fossem humanas”, conta a realizadora à Vanity Fair.

Em 2004, Brittany envolveu-se com o gestor de talentos Jeff Kwatinetz, do qual ficou noiva ainda que esse mesmo noivado tenha durado apenas quatro meses depois de uma separação amigável. No ano seguinte, o assistente de produção Joe Macaluso — que Murphy já conhecia dos tempos em que esteve com Kwatinetz — entra na cronologia amorosa da atriz pouco tempo depois de ter terminado a relação anterior. O casal também ficou noivo, mas romperam o noivado amigavelmente em 2006.

O noivado seguinte aconteceu em 2007, já com Simon Monjack, e apanhou toda a gente de surpresa, tendo o casal namorado apenas durante quatro meses sem nunca terem feito uma aparição pública juntos antes de darem o nó. Em 2009, Brittany morreu e o casamento viu o seu fim. O resto é história.

Num artigo de opinião para o The Hollywood Reporter, em 2001, Alex Ben Block, amigo da família de Brittany, escreveu que Monjack entrou na vida de Brittany “numa altura muito vulnerável”. “De certa forma, Simon amava-a, mas isso era parte da sua doença”, disse.

*Ainda não há data de estreia para o documentário na HBO em Portugal*

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