Rita Matias considera que tem de haver um “limite” de imigração em Portugal, de tal forma que reconhece que a remigração, mesmo de imigrantes legais, é “o caminho” que o país “tem que fazer”. “Temos mesmo que começar a discutir como é que vamos reduzir o número de emigrantes em Portugal e enquanto não existem outros tipos de respostas”, refere a candidata do Chega a Sintra, depois de ter assumido que o país não deseja “ver mais mulheres a desfilar de hijabs e de lenços por Sintra, pela Amadora, por Loures”.
Em entrevista no Carpool do Observador, Rita Matias reitera que “preferia não estar em autárquicas pela dimensão pessoal”, tal como tinha dito em fevereiro, mas assegura que “a idade não é sinónimo de qualidade” e exemplifica até com Basílio Horta, constatando que é “um dos autarcas mais idosos do país” e acusando-o de “não [ter tido] qualquer tipo de ação no concelho ao longo dos últimos anos”.
Quanto à questão da segurança, assumiu ter “algumas dúvidas” sobre os dados que deixam Sintra fora dos concelhos com mais criminalidade violenta e grave e justifica-o, dizendo que as pessoas já “desistiram” de apresentar queixas, o que faz a candidata levantar questões sobre a real dimensão dos números oficiais.
“Por mais que o Chega esteja consolidado do ponto de vista eleitoral, ainda há estigma”
Estamos na Mãe D’Água em Belas, numa ponte, foi a Rita Matias que quis passar aqui.
Por duas razões, desde logo porque este é um dos acessos mais complicados em Belas que, em hora de ponta, seja de manhã ou ao final da tarde, é absolutamente insuportável para um troço de pouco mais de um quilómetro e meio as pessoas conseguem ficar paradas 01h00 ou 01h30, o que dificulta imenso a sua dinâmica pessoal, mas acima de tudo porque a Mãe D’Água em Belas é um património que está classificado e tem uma construção romana que ligava ao aqueduto.
Em Lisboa.
Exatamente, os romanos identificaram que existiam cerca de 50 minas de água distintas que se concentravam aqui e através daqui levavam a água para Lisboa. Isto é um património lindíssimo. Infelizmente não é limpo. Houve tempos em que se faziam algumas visitas aqui anuais, mas nunca mais foi requalificado. Está degradado, abandonado. Quem passa aqui nem imagina a importância histórica e cultural.
Podia ajudar na mobilidade desta zona?
Uma das soluções que temos é pensar uma rotunda que possa fazer o trânsito confluir com maior celeridade e com menos impacto, que um cruzamento representa sempre, para que o acesso à autoestrada seja mais fácil. Do ponto de vista do património, infelizmente Sintra está muito voltada só para a vila, mas é um concelho riquíssimo e aqui era mais uma oportunidade de dinamizarmos uma vila como Belas que já foi um concelho também, que tem imenso património histórico e que infelizmente foi esquecido.
Em fevereiro assumiu, numa entrevista ao Observador, que preferia não estar envolvida nas eleições autárquicas devido àquilo que queria fazer na esfera familiar este ano. Arrepende-se dessa declaração?
Não, não me arrependo, porque acredito que os políticos têm que ser sinceros e que as pessoas também valorizam essa franqueza. Todas as pessoas compreendem que queremos estabelecer família, ter filhos, dar certos passos e penso que só veem a responsabilidade que damos aos cargos que desempenhamos. Se é difícil ser autarca? Acredito que sim. É mais difícil com um filho nos braços, mas também sei que não hei-de ser a primeira nem a última pessoa. Estar ao serviço é estar ao serviço sem condicionantes.
Neste momento não haveria outros desafios que lhe fizessem mais sentido. Está feliz com este?
Estou muito satisfeita com este desafio, não só pelo simbolismo que Sintra tem para o Chega, que acaba por ser um dos berços do partido, também porque muitas das reivindicações assentam na perfeição à realidade de Sintra, mas também [porque], sendo o segundo maior concelho do ponto de vista populacional e pelo que representa na área metropolitana de Lisboa, é ter um dos desafios mais interessantes para abraçar. Portanto, preferia não estar em autárquicas pela dimensão pessoal, foi a declaração que fiz em fevereiro, mas estando gosto que seja um desafio que me leve mesmo a crescer, a desenvolver capacidades e a constituir equipas como a que temos hoje, que certamente vão ser úteis para os cidadãos, que é isso que é necessário.
Estamos a gravar num período pós-apresentação da candidatura presidencial de André Ventura. Tem-se feito muito uma pergunta que é ‘e se ganhar’. Pergunto-lhe agora a si: e se ganhar em Sintra?
Vai ser extraordinário tomar posse neste concelho com a equipa que trago comigo. As pessoas olhem [e veem uma pessoa de] 26 anos, [dizem que] tem tanto para viver, ainda está a construir a sua própria família. Mas idade, por um lado, não é sinónimo de qualidade. Aliás, se calhar Basílio Horta é um dos autarcas mais idosos do país, mas que não teve qualquer tipo de ação no concelho ao longo dos últimos anos.
Não percebe as críticas que lhe são apontadas no sentido de não ter experiência autárquica, não tanto pela idade.
Percebo as críticas porque as pessoas são exigentes e é bom que o sejam. É pena que muitas das vezes essa exigência não se tenha aplicado ao longo das últimas décadas. Por acaso, ao nível da minha formação individual, quando me licenciei em Ciência Política, escolhi uma especialização em políticas públicas precisamente na gestão autárquica, mas foi mera coincidência. Nunca me imaginei a enfrentar este desafio. Mas para lá das competências do presidente e do candidato número um, são as competências da equipa. Rodeei-me de pessoas altamente qualificadas e capacitadas: empresários, gestores, pessoas com experiência no urbanismo de Sintra, que é um dos principais desafios que o concelho enfrenta.
Tem a equipa que queria ou ficou alguém pelo caminho?
Ficam sempre pessoas pelo caminho, nem que seja pelas circunstâncias pessoais. Muitas vezes as pessoas não olham para estes momentos como um serviço abnegado, têm as suas questões legítimas. E dar a cara pelo Chega é difícil, há muitas consciências…
Isso ainda é uma realidade sentida dentro do partido?
Ainda é uma realidade sentida dentro do partido. Há muitas pessoas que acabam por ter consequências ao nível pessoal e ao nível profissional, acima de tudo. Por mais que o Chega esteja consolidado do ponto de vista eleitoral, ainda há um estigma. E a violência política que tem acontecido em todo o mundo não deixa Portugal imune a isso mesmo.
Noutros países tem-se visto o crescimento de partidos da família europeia do Chega, que não tem tantos problemas em trazer pessoas para as batalhas políticas. Ainda agora, André Ventura assumiu uma falha por não ter conseguido encontrar um candidato à Presidência da República como desejava. Continuam a sentir que esse é um problema para o partido?
Não acho que seja só um problema para o Chega. A direita portuguesa sofre de um mal por, durante algumas décadas, ter-se demitido da vertente cultural, da vertente civilizacional e por isto foi perdendo a oportunidade de criar atores relevantes. Claro que há nomes relevantes, pessoas marcantes, mas essas mesmas pessoas também não se colocam agora, neste caso das presidenciais e alguns também nas autárquicas, na predisposição de estar ao serviço do seu país e por isto há muito demérito da direita. André Ventura acaba por ter que ser candidato na ausência de nomes mais fortes e capazes de aglutinar pessoas à sua volta. E o mesmo se passa depois, muitas das vezes também nestas dimensões autárquicas. O que não quer dizer que vamos coxos para as mesmas, vamos com toda a vontade e toda a disponibilidade.
Se não houvesse tantas pessoas a não querer entrar para o Chega, os deputados não teriam todos de ter ido a votos?
Não são tantas pessoas a não querer entrar, são tantas pessoas a não poder. Portugal também é um país muito menos desenvolvido do ponto de vista económico e de oportunidades. Infelizmente há muito dedo do Estado, seja na vertente académica, seja na vertente empresarial e, portanto, há algumas pessoas que não vêm por chantagens e há n jornais, nomeadamente regionais, que estão a documentar desistências de candidatos ou candidatos que ficaram pelo caminho por pressões de câmaras municipais, de fundos públicos, etc. E isso mostra porque é que há menos pessoas nestes processos.
Segurança? “Tenho algumas dúvidas que os dados que temos sejam realmente fidedignos”
Aproveitando esta passagem pela Avenida Miguel Bombarda, perto da estação de Queluz, vamos falar sobre a questão da segurança. O seu slogan é “Pôr Sintra na linha”. O que é que isso significa?
Na linha significa desde logo um trocadilho com a linha de Sintra que, infelizmente, deixou de ser vista como um lugar de oportunidades, mas é sempre vista nesta lógica de um espaço de insegurança, de desorganização, de sujidade. e colocar Sintra na linha é atuar na área da segurança, reforço de autoridade, na área da higiene e da limpeza, no devolver a qualidade aos espaços públicos com iluminação, com elementos que às vezes são básicos, mas que fazem a diferença no dia a dia das pessoas. A questão da segurança está cada vez mais na boca dos cidadãos e quando andamos na rua, a primeira coisa que nos dizem é ‘por favor, devolvam-nos a segurança’.
A nível político muito se tem falado sobre perceções, mas na verdade Sintra nem sequer está entre os concelhos sinalizados devido à criminalidade violenta e grave. Qual é a razão que a leva a acreditar que esta é uma preocupação?
Temos tido bastantes reuniões com PSP e GNR e sabemos que, de acordo com os relatórios, aparentemente, há um decréscimo de criminalidade violenta em Sintra. Mas digo aparentemente porque Sintra devia ser um estudo de caso… pelas reuniões que estabelecemos com as várias autoridades, forças e serviços de segurança, as pessoas sentem uma imponência tal e uma impunidade tal que muitas delas já nem participam as ocorrências que acontecem, já desistiram. Tenho algumas dúvidas que os dados que temos sejam realmente fidedignos, na medida em que há pessoas que nem se dirigem às autoridades. E os postos da GNR e da PSP têm condições miseráveis, os meios são escassos e muitas vezes as pessoas não estão para perder horas e horas em queixas que acabam por não ter qualquer tipo de consequência posterior.
Em que é que se traduz este “Sintra na linha”, mais polícias de proximidade, mais câmaras de vigilância. Como é que pretende devolver essa sensação de segurança de que fala?
É dar capacidade, desde logo, às forças de segurança por se mostrarem próximas, porque sabemos que há vontade quer da PSP quer da GNR, como também da Polícia Municipal, mas não há meios. Estamos a pensar Queluz e a esquadra mais próxima da PSP tem apenas uma viatura. Basta que exista uma ocorrência de violência doméstica, um dos crimes mais tipificados aqui no concelho, e um furto ou um assalto nas imediações, que já não há capacidade de resposta. Há quatro bicicletas para que as polícias se dirijam… Isto, sinceramente, é risível para não dizermos qualquer coisa pior. Queremos estabelecer ou até reaproveitar protocolos que já existiam de carros atribuídos pela Câmara Municipal às forças de segurança, para que percebam que o Chega tem uma postura construtiva e não estamos só a dizer mal por dizer. Já há protocolos que foram estabelecidos que têm de ser reforçados. Não basta entregar um veículo por por esquadra, porque um veículo que esteja permanentemente em circulação tem um desgaste brutal. Também temos que olhar para as condições e para os espaços e perceber que são indignos, que as condições para pernoitar são horríveis. Neste momento só há uma cela, portanto, se for preciso fazer uma detenção e a pessoa ficar detida para ser presente a juiz, só há uma cela disponível em todo o concelho de Sintra. Temos que reforçar estes espaços também para que os polícias e militares da GNR, na primeira oportunidade, não queiram sair de Sintra.
Um dos seus principais adversários, Marco Almeida, tem falado na questão dos gratificados para a polícia. Já a ouvi dizer que discorda, mas tendo em conta os poderes que uma Câmara tem, o que pretende fazer com aquilo que existe? Os gratificados não poderiam ajudar?
Atenção, os gratificados ajudam e muitos agentes de autoridade olham para os gratificados como uma forma de poder aumentar o seu salário, que é profundamente baixo, mas também acaba por ser profundamente desumano. Entre o horário regular estabelecido em escala e os gratificados, muitas das vezes há polícias que dormem duas ou três horas e voltam.
O problema é estrutural?
É um problema estrutural. Não quer dizer que com o Chega em Sintra que não vão existir gratificados, pelo contrário, claro que são necessários, mas não podemos dizer que esta é a nossa ferramenta principal. É verdade que as competências da Câmara Municipal são reduzidas ou parcas no que toca à segurança, mas sabemos fazer-nos valer e há outros autarcas à volta que têm capacidade de se sentar junto dos ministros da Administração Interna, juntas, das entidades responsáveis na GNR e na PSP e de bater o pé e dizer que queremos mais.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Marco Almeida mostrou muitas preocupações, até na entrevista que fez aqui no Carpool do Observador, por causa das lojas de conveniência estarem abertas até tarde, por haver pessoas a queixarem-se de barulho nas ruas e de distúrbios. Também gostava de fechar as lojas mais cedo?
Acompanho essa preocupação e sobretudo a preocupação de vermos que há uma substituição daquilo que era o comércio tradicional por novas formas de exploração de negócios, novas nacionalidades, novas formas de estar. E isso gera muita insegurança. Estas lojas de conveniência tornam-se espaços para bebida noturna tardia, com aglomerados em avenidas, nomeadamente a Avenida Miguel Bombarda, com iluminação escassa, frequentemente com luzes apagadas e as pessoas deixam de sair à rua com este receio. Por outro lado, o comércio português, os pequenos cafés que ainda se mantêm e as pequenas mercearias fecham mais cedo com receio dos aglomerados que se estabelecem.
A que horas é que as lojas de conveniência deviam fechar?
Devemos acompanhar o comércio normal, a partir das 21h00 ter ali um fecho, até porque, pela lei do ruído, as pessoas só podem permanecer até às 22h00 fazendo barulho na rua. Tendo em conta o fenómeno que está a acontecer, temos que pôr a bitola antes para garantir que cumprem o tempo legal e que as pessoas têm o seu tempo de descanso.
Há 144 câmaras de videovigilância aprovadas pela Câmara que não estão ainda a funcionar.
A bem da justiça até houve uma atualização para 166, se não me falha o número. Mas [o processo] estava parado na Administração Interna, parece que houve agora um parecer positivo para avançar, mas é um processo que já está moroso. Tenho alguma preocupação por ver que candidata a herdeira de Basílio Horta, Ana Mendes Godinho, conseguiu trazer para dentro da coligação partidos que são contra a videovigilância, nomeadamente o Livre, que tem posicionamentos públicos a nível nacional de ser contra esta forma de segurança e de controlo. O que é que vai acontecer se for o Partido Socialista a vencer? Esperemos que não, Deus livre os sintrenses dessa desgraça, mas o que é que vai acontecer com o projeto que está para ser implementado? Neste momento já há forças de segurança a prepararem-se para poder recebê-los. Isto volta para trás porque o Livre assim vai exigir?
Sintra é, há muitos anos, um concelho dormitório e a IC19 é fundamental as pessoas se deslocarem principalmente para Lisboa e para regressarem do trabalho. Tem muitos problemas, o trânsito é o pior deles. Tem alguma solução para que deixe de ser assim?
A solução seria mesmo invertermos o sentido do IC19. Temos que ter capacidade de atrair empresas e postos de trabalho para Sintra, 50% da população trabalhadora de Sintra desloca-se para fora do concelho para poder dirigir-se para o seu espaço de trabalho e portanto, enquanto não invertermos a tendência, vamos continuar a ter congestionamentos que podem ser colmatados com a construção de novos acessos ao IC19 e à A16 e numa aposta também de complementar a rede viária em torno destes acessos. Mas passa também por olharmos para os transportes públicos e não ficarmos aquém de alguns projetos que estão a unir Cascais, Oeiras e que passam à margem de Sintra porque Basílio Horta assim entendeu e não quis trazer a si o que é conhecido como como o SATU, que poderia também dar uma resposta distinta na mobilidade. Mas a oferta pública de transportes é insuficiente, muitas pessoas procuram o carro porque não querem estar na confusão das carruagens da CP, que n vídeos que ilustram o caos que é, [e queremos apostar] numa rede do município, à semelhança de Cascais, não tem receio de elogiar o trabalho feito por autarcas vizinhos, que possa complementar aquilo que existe…
Tem sido um clássico nestes Carpool em Sintra ouvir falar bem de Cascais e de Oeiras. Marco Almeida também elogiou muito aquilo que se passa em Cascais. Nisso, pelo menos, estão alinhados.
A única preocupação, se calhar não tanto com Cascais, mais com Oeiras, é que para fazer não é preciso ter certas suspeições sobre nós e acho que isto é uma linha que nos separa. O apoio que Marco Almeida dá a Isaltino Morais faz-me lembrar aquele slogan de um candidato brasileiro que era ‘eu roubo, mas faço’. Não quero estar a trazer suspeições, é alguém que já esteve preso por corrupção e é lamentável que haja a perceção de que para fazer os concelhos dinamizar, podemos também ter benefícios pessoais.
“Tem que existir uma demonstração de força para desconvidar máfias”
Estamos na Serra das Minas, um dos bairros mais conhecidos aqui em Sintra. Uma das propostas para a Habitação que tem sido mais discutida é da sua adversária do PS, Ana Mendes Godinho, das 10 mil casas prometidas para este mandato. Considera o número irrealista?
Acima de tudo, considero o número infundado, porque a candidata do Partido Socialista não tem um documento onde se apoie e explica como é que o vai fazer. Faz uns vídeos para o TikTok… Aliás, estes candidatos têm sido muito curiosos: Marco Almeida tenta adotar o léxico do Chega para seduzir o eleitorado que o Chega aqui tem… Tenta engrossar a voz, mas as pessoas notam sempre quando é que é original, sincero e quando é um pouco mais forçado. Já Ana Mendes Godinho tem feito uma grande aposta nos vídeos, mas depois falta assim concretizar, explicar como é que vai abolir as portagens…
Acha que toda a gente está a tentar imitar a estratégia política do Chega?
Parece-me que sim, porque de facto também é um estudo de caso. O Chega tem sido bem-sucedido na sua estratégia, um pouco contra tudo e contra todos, mas que resultados estão à vista. Não percebo como é que a candidata vai construir mais casas, mas sei que de facto é preciso mais construção para dar resposta aos desafios de habitação em Sintra. E os projetos na área da habitação não são há quatro anos, são talvez a 12. Mas parece-nos fundamental olharmos para o PDM que, em muitas zonas, nomeadamente na zona Norte, foram feitos literalmente a régua e esquadro, há terrenos que eram urbanos anteriormente e onde podia existir construção, que deixaram de estar disponíveis porque passaram a ser classificados como área agrícola, de reserva, onde não pode existir construção. Isto penaliza o desenvolvimento de empresas, penaliza a capacidade de construção e poderia aliviar estas zonas que estão sobrecarregadas, parece que não há margem para crescer aqui apesar de existirem cerca de 1800 hectares disponíveis em Sintra para construção. Era muito mais interessante equilibrarmos o concelho e dinamizar aquelas regiões onde é possível construir e comprar terrenos de forma mais acessível.
Já percebi que considera as 10 mil casas prometidas pelo PS. Mas qual é a ambição do Chega em termos de construção de casas novas?
O Chega quer olhar para o problema de raiz, a burocracia, a dificuldade de ter respostas. Queremos pegar em algumas ferramentas que já existem, municipais, onde as pessoas conseguem consultar o PDM e onde é que são as áreas de atividade económica e ter algum tipo de informação e concentrar isso tudo numa nova plataforma, com inteligência artificial, também para cumprir as metas de digitalização que até 2027 requerem que os municípios estejam atualizados a este nível, e ter uma forma de processamento mais célere das candidaturas. Muitas das vezes há projetos de licenciamento a nível particular que ficam parados por pequenos detalhes.
Não vão arriscar um número para construção?
Não, porque mais do que chutar números para a frente, parece-me que o compromisso tem de ser solucionar aquilo que está a impedir a construção. E queremos apoiar construções mais céleres disponibilizando um catálogo de terrenos disponíveis para construção e de modelos de construção já pré-definidos, seja para moradia, seja para prédios. Queremos que exista uma arquitetura da Câmara Municipal que disponibilize imediatamente… Sou jovem, quero casar, quero ir viver para São João das Lampas e a Câmara Municipal diz-me [que lá] são estes terrenos que estão disponíveis e quais os modelo de moradia T1, T2, T3, o que acaba por poupar imensos recursos.
Mas em termos de habitação pública não há um número fixado?
Os compromissos que vamos ter é de olhar para as profissões nobres e críticas do concelho, que são médicos, polícias, bombeiros e as próximas construções serão para priorizar estas estas profissões e garantir que aqui se estabelecem.
A prioridade deve estar na reabilitação de devolutos e não na construção nova?
Pode passar também pela reabilitação de devolutos e há imenso património municipal que está parado e que poderia ser requalificado para dar resposta a estas profissões. E também não temos medo de dizer que queremos olhar para os regulamentos municipais, para o incumprimento, e sabemos que há milhões de euros em dívidas de pagamento de rendas à Câmara. Não percebemos como é que isto acontece, há pessoas que têm rendas de 1 euro, 1,5 euros, 5 euros… Não percebemos como é que conseguem não cumprir o pagamento de renda, mas depois conseguem ter demonstrações de riqueza, carros luxuosos à porta. Nós temos sugestões de como é que isto acontece…
Quem vive em casas municipais e não paga renda deve ser expulso?
Exatamente porque tem que existir um compromisso. Nós somos humanistas, queremos ter respostas sociais, mas também tem que existir um compromisso. Se a comunidade dá algo ou alguém, essa pessoa tem que estar disponível para dar qualquer coisa de volta. Se há capacidade de ter um telemóvel caro e um carro caro parado à porta, também há capacidade de pagar rendas de cinco, seis, sete euros.
Mas primeiro deve ser feito um plano de pagamento ou às pessoas que têm essa demonstração de riqueza não deve ser dada essa possibilidade?
Estes processos já são antigos, quem consecutivamente permaneceu nesta situação de prevaricação, já não tem mais oportunidades a ser dadas. É sempre a mesma conversa de piedade para com os mesmos de sempre, de pessoas que não tiveram o mínimo de piedade. A partir de outubro queremos ter uma nova página. Não quer dizer que em situações pontuais, onde de facto exista uma dificuldade evidenciada, que essas pessoas não estejam naturalmente enquadradas em respostas que vamos continuar a manter.
Se existir habitação ilegal enquanto for presidente de Câmara, é para demolir?
É para demolir e vamos exigir à Polícia Municipal que esteja muito atenta aos novos aglomerados que estão a existir nas habitações. Queremos olhar para o Regulamento Urbanístico Municipal e restabelecer a limitação máxima nas habitações, porque infelizmente têm-se multiplicado garagens que estão a ser convertidas para habitação, o número de lojas que durante o dia são lojas e à noite funcionam em sistema de cama quente. Enquanto não colocarmos um fim a isto e não mostrarmos que estamos a combater estes flagelos sociais, continuamos a atrair este tipo de situações. Portanto, tem que existir uma demonstração de força por parte do município para desconvidar este tipo de máfias e de entidades operarem no concelho de Sintra.
Estamos a passar aqui na Tapada das Mercês. Um dos seus adversários, Marco Almeida, disse que este é um dos sítios onde há mais “regabofe”…
Vê a linguagem? Regabofe…
Onde há divisão de apartamentos em subassoalhadas… Qual é o problema desta zona e como é que pode ser resolvido?
Pode ser resolvido com estas medidas que dizia de revermos o regulamento municipal e de garantirmos mais fiscalização, presença e acompanhamento das situações no terreno, mas também porque esta é uma área que está profundamente abandonada do ponto de vista do ordenamento da higiene urbana, da qualidade dos espaços públicos, uma das zonas onde nós temos nota de que não há iluminação pública frequentemente, mas também onde há um abandono dos espaços sociais, das escolas, das creches e, por outro lado, um exemplo daquilo que foi um crescimento desregulado, sem qualquer tipo de proposta estrutural do município para o espaço. Não é agradável aos olhos do cidadão, mas também não é seguro e as pessoas dizem que não se sentem seguras.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Remigração para imigrantes legais? “É esse o caminho que temos que fazer”
Aqui na Tapada das Mercês houve uma polémica por causa da construção da mesquita. Na altura havia uma publicação de André Ventura que dizia que o PRR é que iria pagar essa construção, depois veio dizer-se que afinal era apenas a parte do refeitório e da cozinha social. Acha que não deve haver nenhum tipo de apoios a este tipo de infraestruturas de religião?
Não me choca que existam este tipos de apoios, mas quando sabemos que na Serra de Casal de Cambra estão à espera de poder construir a sua igreja há décadas, a Igreja Católica, num país que é de matriz cristã, choca-me que a prioridade seja para apoiar [estes projetos]. E também sabemos que no quadro das candidaturas dos PRR e dos fundos comunitários, muitas das vezes utilizam-se subterfúgios para nos candidatar a outro tipo de coisas. A construção do refeitório é uma forma de requalificação e de expansão do espaço que ali já existe.
Se fosse para uma igreja Católica ou para uma associação apoiada pela Igreja Católica já deveria haver esse fundo?
Não tenho qualquer problema em dizer que priorizaria e que priorizarei sempre igrejas católicas e cristãs, porque há uma matriz comum. E também por outra questão: sabemos que o fundamentalismo islâmico e o radicalismo têm estado a aumentar por toda a Europa. Portanto, parece-me estranho que, enquanto as nossas igrejas estão a ser atacadas por toda a Europa, a prioridade seja construir mesquitas. É um sinal contraditório. Devíamos de estar a dizer que queremos que as pessoas se integrem e adaptem a nossa cultura. Não queremos ver mais mulheres a desfilar de hijabs e de lenços por Sintra, pela Amadora, por Loures. Queremos ver menos mulheres, menos mulheres cobertas, menos mulheres que são impedidas de estudar…
Mas o problema do Chega não é com os imigrantes ilegais?
É com os imigrantes ilegais, mas também…
Se as pessoas estiverem legais, não têm direito de andar vestidas como a religião delas permite?
Faz-me muita confusão que uma religião imponha uma limitação dos traços femininos, porque isso é escândalo, motivo de pecado ou de pudor, aquilo que leva a uma mulher a sentir que tem que se cobrir, mas também pelo símbolo de repressão que isso significa. E até lamento que não sejamos mais acompanhados, porque sabemos que em muitos países onde o fundamentalismo islâmico se implementa, começa por ser um hijab, acaba por ser uma mulher coberta dos pés à cabeça, sem poder mostrar sequer os seus olhos. Há um sinal político que tem de ser dado quando vemos tudo isso, todo este radicalismo avançar pelo Ocidente. Eu vi imagens de França, aconteceu a uma candidata do Seixal algo idêntico, que é cobrir aquilo que são publicidades, imagens de mulheres no espaço público, desenhar-lhes hijabs e deixar só o rosto coberto. Isto parece-me uma ameaça, uma provocação e quando tudo isto avança sobre o nosso território, temos que dar sinais de que não vamos permitir esse avanço. Construir mesquitas é o sinal contrário.
Sugeriu o programa a que chamou Regresso Feliz. Que tipo de imigrantes é que estariam incluídos?
Estarão incluídos todos os imigrantes ilegais que terão chegado através de máfias e de forma enganosa, porque há muitas pessoas que aqui chegam e se estabelecem ao engano. Mas também estarão disponíveis apoios para todos os outros que queiram regressar ao seu país. Todos os outros que estão, por exemplo, a solicitar o reagrupamento familiar. Somos muito comprometidos com o valor da família e estamos totalmente disponíveis para apoiá-los no seu reagrupamento, na sua terra de origem e sustentação.
Só estão disponíveis para apoiar a família se essas pessoas quiserem regressar ao seu país de origem?
Como é que uma pessoa se consegue restabelecer e estabelecer em família, num território que está saturado, que está cheio, que não tem margem para acolher com qualidade. Dirão que há não sei quantos hectares disponíveis para construção, mas quem chega também não demonstra capacidade de se estabelecer dessa forma. Quem chega não chega garantindo que está capaz de recorrer aos serviços de saúde privado, de recorrer à escola privada. Chega à espera de ter esse tipo de respostas para si do ponto de vista público. Pensemos no caso das creches. Neste momento, Sintra é o concelho onde há mais falta de vagas nas creches. Como é que podemos continuar a atrair jovens em idade fértil que vêm e que até se reproduzem bastante mais do que os portugueses e dizer-lhes que têm espaço e que têm capacidade de se estabelecer?
Haver mais soluções de creches, de saúde, de habitação. Não será a sua prioridade?
Será prioridade.
Para os sintrenses e não para quem vai para fora?
Para os sintrenses, mas também com uma questão que é que é evidente: não se constrói uma creche, não se garantem mais profissionais de saúde nos centros de saúde e no hospital, não se criam respostas públicas do dia para a noite. Tudo demora algum tempo. Sintra já tem 25% de população imigrante. Qual é que é o limite?
Pergunto-lhe a si: há um limite?
Acredito que que há um limite, há um limite evidente. Eu recordo-me sempre…
Mas o limite tem base em quê? Os empresários dizem que precisam de mão de obra, que os imigrantes são necessários para vários setores em Portugal.
Porque há muitos jovens que estão a abandonar o país ou que estão a abandonar, por exemplo, as zonas onde se necessita de mão de obra. Zona norte do concelho onde existe a indústria do mármore, imensa indústria agrícola… Essas zonas são de onde os jovens estão a partir para fora em busca de oportunidades. Uma proposta que temos é de atrair pólos universitários e escolas especializadas para um conjunto de profissões que estão a ser esquecidas, profissões técnicas de serralharia, eletricistas, entre outros tipo de empregos e oportunidades que dinamizam a economia nacional e que são necessárias. Como é que nós podemos ter mão de obra disponível quando não explicamos aos jovens que isto são formas legítimas, dignas, onde muitas das vezes até há um salário mais atrativo do que outras profissões onde são exigidas licenciaturas, doutoramentos, mestrados.
Num cenário mais alargado, concorda que Portugal deve ponderar a remigração mesmo quando não se trata de imigrantes ilegais?
Com toda a certeza, é esse o caminho que temos que fazer. Temos mesmo que começar a discutir como é que vamos reduzir o número de emigrantes em Portugal e enquanto não existem outros tipos de respostas, alguma resposta tem que começar a acontecer. O Regresso Feliz é sobretudo isto…
Quer começar pelos imigrantes que querem sair voluntariamente, depois passar para outra fase?
Exatamente, até porque, como município, não temos a força para expulsar quem quer que seja do território municipal ou nacional, mas temos mecanismos humanistas de devolver às pessoas a sua dignidade no seu país de origem. Estamos disponíveis para estabelecer protocolos que reconduzam as pessoas ao seu lar de origem. Alguma coisa que tem de ser feita.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Passámos na estação de Mem Martins. Ana Mendes Godinho falou em comboios de dez em dez minutos, como se se tratasse de um metro. Já disse que acha que não seria possível, pelo menos agora. Quais são as principais medidas do Chega nesta área?
Sugeri esse ponto porque é uma das estações que tem mais utentes a nível europeu e que não tem requalificação há mais de 30 anos. Devíamos estar a fazer esta experiência às 22h00 para perceber o que é que acontece a um trabalhador ou uma trabalhadora, a andar a correr pelo túnel, a sair do comboio e ter que atravessar um túnel que não tem iluminação, que não tem higiene e que, acima de tudo, tem frequentemente grupos associados à criminalidade juvenil, que tornam aquele espaço inseguro e tornam aquele espaço os antípodas do que é ter Sintra na linha. Ao nível dos comboios, uma vez mais não percebo como é que Ana Mendes Godinho pode propor o impossível. A linha de Sintra não tem neste momento capacidade para ter comboios a passar de dez em dez minutos, não só pela resistência da linha, mas também porque não há carruagens suficientes. Já houve uma encomenda, este processo está parado no Ministério das Infraestruturas, mas neste momento, a não ser que comecemos a ter comboios com duas carruagens, isto não resolve o problema e faz com que as pessoas ainda fiquem mais aglutinadas e apertadas e sufocadas.
Mas o executivo camarário tem a capacidade de mudar alguma coisa no que à parte ferroviária diz respeito, sem ser melhorar as condições das estações?
Tem toda a capacidade e posso garantir que no dia um após ser eleita presidente da Câmara de Sintra, estaremos a bater à porta da CP e do ministro das Infraestruturas a pedir reuniões e soluções e não largaremos o tópico. Parece-me irresponsável comprometermo-nos com x quando não sabemos como é que conseguimos garantir isso, mas isso é a estratégia política da candidata que está desesperada por ser dissociada de Basílio Horta e da herança pesada que traz consigo. Nós queremos criar redes alternativas de transporte municipal que possam aliviar a linha e dar resposta. E queremos trazer para cima da discussão um tema que já não se fala há muito tempo, que é a expansão do metro até Sintra. Neste momento já para na Amadora, era muito fácil tentar trazer investimento eventualmente para Queluz.
A ideia de haver transportes públicos gratuitos faz algum sentido ou pensa nela a longo prazo?
Sim, neste projeto de um serviço de autocarros municipais há grupos que estão destinados para a gratuitidade ou para um valor mais acessível e são eles os jovens estudantes e também os idosos. E reforço muito os idosos porque no norte do concelho acabam por estar isolados, sem respostas de transportes e sem capacidade de se deslocar, numa área onde cada vez mais fecham os ATM, onde há freguesias sem CTT e se querem fazer o mínimo elementar para a sua vida têm que esperar horas por um transporte público.
Ana Mendes Godinho tem como uma das suas principais propostas o fim das portagens na A16. É uma das bandeiras do Chega a nível nacional. Acompanha esta proposta aqui em Sintra?
O Chega traz essa proposta e já trouxe à Assembleia da República, Ana Mendes Godinho, à data, é que não acompanhou. O que não percebo é como é que a Ana Mendes Godinho faz a proposta, fala em valores, mas depois não faz o estudo e o trabalho de casa e ir reunir com as entidades. O Chega foi reunir com as entidades, nomeadamente quem explora e quem tem a concessão da A16 e sabemos que até há disponibilidade para que o custo não seja imputado ao município, porque neste momento o acordo que existe entre as Infraestruturas de Portugal e a Ascendi nem é um acordo pelo valor da portagem em si, é pelo número de carros que circulam. A empresa até tem todo o interesse que circulem mais carros pela autoestrada. Facilitava a vida aos sintrenses que não precisavam de ser 19.
“Não é sexy dizer, mas o turismo em Sintra, na vila, está a saturar o património”
Estamos no coração de Sintra, a passar pela estação central, onde muitos turistas chegam. Além de haver desigualdades, também há um turismo de luxo em Sintra. Há alguma forma de gerir estes problemas sociais que existem e aproveitar o turismo de luxo para colocar dinheiro nessas respostas?
O problema do turismo é que já nem se pode falar em turismo de luxo em Sintra, cada vez mais também decresce a qualidade do turismo e do investimento que o turista faz dada a confusão e o caos que se instalou. Temos de limitar o acesso à vila em certos períodos.
Como é que essa limitação poderia ser feita?
Durante os horários de maior movimentação garantir que a circulação é feita pelos pelos proprietários, moradores, comerciantes e pelos veículos autorizados para operar. Vamos mesmo fiscalizar os TVDE e os animadores turísticos, porque tem pago o justo pelo pecador. Há muito boa gente a querer mostrar o melhor que Sintra tem e há muita gente a aproveitar se do potencial da vila e a degradar completamente isto.
Deve ser posto um travão aos operadores turísticos?
Não a todos, mas aos maus operadores, aqueles que nem sequer estão registados para o efeito e que continuam a agir como máfias criminosas. E queremos dar alternativas ao transporte individual, queremos que existam shuttles que possam trazer turistas, por exemplo, da Portela ou do Ramalhão, e que esses shuttles façam as rotas principais daquilo que os turistas querem ver como o Palácio da Pena, o centro da vila, etc. A par disto, parece-nos fundamental — é um ponto que não é sexy e que mais nenhum candidato tem coragem de dizer e que alguns até ridicularizam — o turismo em Sintra, na vila, está a saturar o património, seja o património natural, seja o património que está classificado pela UNESCO. Não podemos continuar a ter um milhão e meio de pessoas a visitar a Quinta da Regaleira, nomeadamente o Poço Iniciático, que, pela pela sua construção, mais dia, menos dia, podemos ter ali o património em risco e algum tipo de acidente que não vamos querer ter como marca de Sintra. Há outras formas de explorar o espaço, fazer visitas virtuais virtuais ao poço, limitar com numerus clausus o número de pessoas que podem aceder, para garantir que há segurança.
Falou de dias em que os espaços estivessem fechados.
A proposta do Chega já existe em vários museus a nível nacional e nível internacional — que à segunda-feira os museus possam estar fechados, para a normal manutenção, para requalificação do espaço, mas também para apostarmos noutros pontos do concelho.
Considera aumentar a taxa turística?
Consideramos aumentar a taxa turística, mas nem é tanto por aí o nosso caminho. Inicialmente, queremos mesmo promover novas formas de turismo. O Chega, sendo liberal na economia, não gosta de taxar para dissuadir e não será por aí o nosso caminho inicial.
O Chega venceu em Sintra, obviamente os resultados das eleições autárquicas não são um espelho das eleições legislativas, mas com o resultado com que parte para estas eleições, não sair vitoriosa será considerado uma derrota?
Creio que qualquer resultado que o Chega tenha nestas eleições será de vitória. Temos estado contra tudo e contra todos, até ao nível da campanha das eleições, temos o nosso património constantemente vandalizado, ameaças aos nossos candidatos às autarquias… Portanto, qualquer resultado que saia daqui já vai ser uma vitória. Queremos mesmo ter a vitória e consolidar o resultado das legislativas pela oportunidade para o município. O município está em alternância entre PS e PSD há 50 anos, há um conjunto de casos que têm que ser investigados, auditorias que têm que ser feitas.
É público que não é natural de Sintra, é do Seixal. Se for eleita presidente da Câmara de Sintra vem para cá viver?
Não estarei a viver cá, neste momento estou a viver noutro concelho perto, mas, ao contrário de Edite Estrela, não ficarei conhecida por fazer uma estrada até à minha habitação, podem ter esta segurança.
Passámos na freguesia da qual é natural André Ventura, vai sendo apontada muitas vezes como uma possível sucessora na liderança do partido. O próprio já admitiu essa possibilidade. Caso o presidente do partido seja eleito Presidente da República via-se como candidata a primeira-ministra?
O Chega tem uma série de nomes para o efeito. Há muitas pessoas que estão assustadas, mas o Presidente da República pode presidir ao Conselho de Ministros. No fim do dia, não é que seja irrelevante o candidato que o Chega apresente, será fundamental, mas se André Ventura vencer as eleições presidenciais, com certeza que um governo de Chega será em consonância com as reformas estruturais que estão a suceder.
Gostaria de encabeçar essa lista?
Gostaria de encabeçar a lista à Câmara de Sintra, é agora o meu foco e será certamente uma experiência de enriquecimento pessoal. Enriquecimento do ponto de vista das experiências, para que não confundam com outros autarcas.
Marco Almeida já disse que não tem linhas vermelhas. Aceitaria ser vereadora com pelouro caso a coligação encabeçada pelo PSD vença?
Não coloco outro cenário que não uma vitória e uma vitória por maioria. É muito cedo para se falar em acordos e também um aviso para dentro do Chega e para fora: a lógica da bolha política de Sintra, de trocas de favores, de promessas de cargos nas administrações A, B, C ou D não cola comigo e não cola com a equipa que trago.
Mas caso vença está disponível para dialogar com todos?
Com todos, naturalmente que não.
Normalmente fala-se de linhas vermelhas para o Chega. Quais são as linhas vermelhas que coloca?
O socialismo. Dentro das nossas prioridades, perceber quem está disponível e também levar esta negociação ao nível nacional, porque uma vitória do Chega em Sintra e em mais municípios, pode servir também de alavanca para outro tipo de acordos com partidos que queiram estar à mesa. Refiro-me naturalmente ao PSD e não vamos ceder por tuta e meia nem deixar esta questão fechada ao nível local, quando podemos fazer disto uma alavanca para mais reformas nacionais.
Independentemente de ser ou não eleita presidente da Câmara, vai assumir o lugar de vereadora aqui em Sintra?
Assumirei o lugar de vereação. Veremos também quais são as propostas que surgem e deixarei essa questão mesmo para o pós-eleições, sobretudo porque estou muito convicta na nossa vitória.