Foi “quase por tentativa e erro” que os médicos nas unidades de cuidados intensivos aprenderam a cuidar dos doentes que lhes chegavam às mãos com infeções pelo novo coronavírus. Era o único remédio perante uma patologia nova que se mostrava penosa e resistente aos tratamentos típicos. E aterradora quando, ainda antes de entrar em Portugal, já obrigava os médicos em Espanha e Itália a ter de delinear planos sobre como iriam escolher quem vivia e quem morria se faltassem recursos.

Tais situações limite nunca se colocaram nos hospitais portugueses. Mas oito meses depois da entrada do primeiro doente nos cuidados intensivos, e quando o pico de doentes em UCI foi ultrapassado num dia em que todos os máximos da pandemia foram batidos em Portugal, as temíveis dúvidas sobre a resistência do Sistema Nacional de Saúde volta a pairar no país. A própria ministra da Saúde, Marta Temido, avisou que “a situação em Portugal é complexa” e “grave” — mesmo com mais camas prontas para receber doentes Covid-19.

Mas há outras armas à disposição dos profissionais de saúde, detalhes sobre a doença e sobre a forma como os pacientes respondem a ela que, há oito meses, se desconheciam. Depois de milhares de pacientes terem passado pelas unidades de cuidados intensivos, os médicos têm truques na manga, pequenos pormenores que podem ser suficientes para salvar vidas. Cinco deles contaram ao Observador quais são e porque é que resultam.

Deitar os doentes de barriga para baixo

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