São números “claramente superiores aos que foram verificados em março” e que “colocam pressão no SNS”. Quem o disse foi o secretário de Estado da Saúde, na conferência de imprensa desta sexta-feira, dia em que foram batidos todos os recordes (novos casos, mortes, internamentos e internamentos em UCI) da pandemia em Portugal. Diogo Serra Lopes, o único presente, revelou que a média de novos casos diários esta semana foi de “3.546 face aos 2.363 e 1.711 em cada uma das duas semanas anteriores” — o que significa que em três semanas este valor mais que duplicou.

A taxa de ocupação nas camas de enfermaria para Covid-19 está agora nos 84% e nas camas de cuidados intensivos nos 81%. “Atingimos ontem [quinta-feira] o máximo de casos internados em simultâneo nos cuidados intensivos, que tínhamos registado em abril”, disse o governante.

Portugal nunca teve tantos mortos (40) nem novos casos (4.565) nem internados nem em UCI (275)

O norte é “região do país com maior pressão”. 88% das camas em cuidados intensivos destinadas para doentes com Covid-19 e 89% das camas de enfermaria estão já ocupadas. Na região de Lisboa e Vale do Tejo os valores não são muito diferentes: a taxa de ocupação nos cuidados intensivos é de 84% e nas enfermarias é de 82%. O secretário de Estado da Saúde confirmou ainda que “na ARS [Administração Regional de Saúde] norte já existem doentes Covid numa instituição de saúde privada“, sem adiantar qual.

Secretário de Estado admite vacina para a Covid-19 entre o final do ano e início do próximo

Lembrando que a vacina contra a Covid-19 se mantém  num “contexto de incerteza”, o secretário de Estado admitiu no entanto que possa estar disponível em “quantidades limitadas” entre o final do ano e início do próximo. “Estamos convictos e esperançosos de que efetivamente estão a ser dados uns bons passos para que exista a disponibilidade de uma vacina entre o final deste ano e o princípio do próximo, naturalmente em quantidades limitadas”, afirmou na conferência de imprensa em que apenas ele esteve presente.

Covid-19. Nunca houve tantas mortes e novos casos como nas últimas 24h

Diogo Serra Lopes adiantou ainda que o número de vacinas contra a gripe disponíveis nas farmácias em 2021 é igual ao número disponível em 2020, só que a procura é maior. “Conseguimos um contingente maior para Portugal”, garantiu.

Sobre o excesso de mortalidade de quase 8 mil pessoas em relação ao ano passado e qual o efeito da Covid-19 nesta taxa, o secretário de Estado da Saúde explicou que é “algo que tem de ser estudado de uma forma cuidadosa que exige a codificação das várias patologias inerentes aos óbitos” e que “estes estudos demoram o seu tempo”. Serra Lopes disse por isso que é “prematuro” fazer comentários sobre o assunto e não têm “utilidade”.

O governante não quis revelar quais as novas medidas de restrição que podem ser anunciadas este sábado, após a reunião extraordinária do Conselho de Ministros. Sobre o encontro do Conselho Nacional de Saúde Pública, Diogo Serra Lopes recusou dizer que “medidas concretas estão em cima da mesa”, após várias perguntas de jornalistas nesse sentido. “Não vamos fazer nenhum comentário”, diz.