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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Diário de Lisboa. Morais Sarmento falta a ação de campanha de Teresa Leal Coelho

Medina joga à bola e "atende" eleitores. PSD teve mais um dia difícil: à hora de almoço promoveu os barcos-táxi no Tejo, mas à tarde falhou uma figura nacional. No BE gritou-se por "Checa!"

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Assunção Cristas começou o dia a fazer campanha no seu próprio bairro — o Restelo — enquanto Fernando Medina esteve na Feira do Relógio, perto do aeroporto. À tarde, o presidente da câmara foi ao Bairro da Boavista, o mais antigo bairro municipal de Lisboa e jogou à bola. A social-democrata Teresa Leal Coelho esteve mais uma vez acompanhada: primeiro, por Jorge Moreira da Silva num passeio de barco no Tejo; à tarde, devia ter tido a companhia de Nuno Morais Sarmento e de Paula Teixeira da Cruz, mas só a ex-ministra da Justiça e sua amiga compareceu à procissão em honra da Nossa Senhora da Luz. O bloquista Ricardo Robles almoçou com Catarina Martins no Parque Mayer e o comunista João Ferreira passou a hora do almoço em Alvalade, no clube do Bairro Fonsecas e Calçada.

PS: Medina joga à direita. E na câmara, depois das eleições?

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A frase: “Não é a simpatia, não é o gosto. São os votos que estiverem nas urnas a 1 de outubro que contam”, o apelo ao voto entrou de rajada na campanha.

O que ouviu: “Vai ganhar, vai ganhar. Vai ser uma abada a sério. É para ganhar, é para arrebentar”, um feirante para Medina, na Luz.

O que correu bem: Apanhou a Feira da Luz totalmente cheia e a receção não foi má, apesar de a dada altura se ter tornado numa espécie de gabinete de apoio ao munícipe.

No Centro Social e Desportivo do Bairro da Boavista o campo sintético está novo em folha e Fernando Medina não resiste. Corre para uma bola perdida a um canto e começa a desafiar quem o acompanha na caravana. Colado à linha lateral direita, vai centrando para golo. É um extremo-direito, no campo. E na câmara, os acordos de que tanta fala, irão por qual das alas?

Ri-se com a analogia, mas não abre o jogo sobre uma questão política que ele mesmo tem colocado como central na sua proposta. “Sobre cenários hipotéticos não falarei neste momento. Isso é para os comentadores políticos”. O candidato do PS tem prometido procurar acordos com a oposição, mesmo que tenha maioria absoluta, mas faz depender o “com quem” do resultado eleitoral e, com isso, evita uma resposta clara sobre o seu pé preferido nesse terreno de jogo.

O Bloco de Esquerda mostrou desconfiar (ver texto em baixo) deste Medina-que-dialoga-mesmo-com-maioria, mas o candidato socialista diz que não há razões para isso: “A melhor prova que temos é o nosso histórico, no último mandato, das 1.200 propostas aprovadas em câmara só 5% foram aprovadas exclusivamente pela maioria. 95% das propostas aprovadas em câmara não tiveram oposição e até tiveram aprovação de outros partidos que não da maioria”, garante.

O facto é que a segunda semana de campanha é para apelar ao voto, por isso o candidato não se desvia disso: “O voto seguro é no PS”. Na rua vai ouvindo algumas frases como a que ouviu esta tarde de um senhor que vende bijuteria na Feira da Luz. O homem chama-o pelo megafone de feirante: “Ó Medina!”. E depois dita a sua sentença para 1 de outubro: “Vai ganhar, vai ganhar. Vai ser uma abada a sério. É para ganhar, é para arrebentar”.

Medina ri-se, mas na iniciativa anterior, no Bairro da Boavista tinha deixado o recado: “Não é a simpatia, não é o gosto. São os votos que estiverem nas urnas a 1 de outubro”: Vai ser assim esta semana que agora começa.

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No bairro de Benfica, o PS tinha preparado uma festa, com direito a porco assado no espeto, música popular portuguesa (e não só). O socialista ainda foi desafiado para dançar, mas não quis. Esquivou-se para dentro do Centro Social e Desportivo e jogou à bola até Helena Roseta, a candidata à Assembleia Municipal, aparecer de dedo em riste mandar os meninos da bola para o comício. “As pessoas estão à espera”, dizia Roseta. Medina saiu de campo, mas encontrou uma bola melhor e voltou para trás.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Naquele bairro, social os socialista reclamam ter obra feita desde que estão à frente da Câmara. Ainda assim, Medina só conta ter “muito avançada” a construção das 500 novas casas de habitação social (para substituir as de alvenaria que ainda existem) “no final do próximo mandato”. Para a fotografia à beira de eleições, já lá estão as do projeto-piloto, mas também ainda não acabadas.

O candidato deixa a festa da Boavista rumo à Feira da Luz, em Carnide, onde as candidatas da direita estiveram a assistir à procissão. Para não se cruzar com a cerimónia religiosa, Medina começa a volta pelo meio da Feira, quando chega perto do Largo da Igreja as imagens da procissão já foram para dentro e Medina ‘instala’ por aí o que quase pareceu um gabinete de apoio ao munícipe.

A feira estava cheia de gente e as pessoas reconhecem o presidente da Câmara — ainda que muitas vezes lhes falte o nome: “Como é que ele se chama? É o… é o… ai!”. Mas o “é o presidente da Câmara” basta a muitos que não se acanham, como um senhor de Alvalade que reclama com a presença da EMEL à porta de casa. “É melhor do que não ter lugar, porque está ocupado por outros que não vivem lá”, argumenta o autarca que fica longe de convencer o interlocutor. A conversa (longa) acaba com o homem a jurar que mesmo à noite não tem lugar para estacionar — o que arruma o argumento do autarca — Medina desiste: “Isso é que já não percebo. Bem, vou ver isso”.

Mais um passo e a senhora cuja mãe de 85 anos está isolada num prédio em Campolide que tem o proprietário insolvente. “Solução?”, pergunta o presidente da CML, de mãos na cintura, à vereadora da Habitação ali ao lado. Ela encolhe os ombros. É um privado, a Câmara pouco pode fazer. A impaciência de Medina revela-se noutra conversa, um pouco mais adiante.

Uma senhora aborda-o para reclamar do excesso de lojas de “senhores que são do Paquistão” na baixa da cidade. “Vai continuar?”, “pagam rendas de 5 mil euros em espaços que não valem isso com dinheiro que ninguém sabe de onde vem”. O socialista não gosta da sugestão de “ilegalidade” e garante que a ASAE fiscaliza as lojas. A senhora diz-lhe que vá ver na Rua do Ouro e na Rua da Prata, “é loja sim, loja sim”. “Acha que eu não as conheço?”, diz o autarca já impaciente com o tema da conversa que passa para Roseta. Mexe no telemóvel, volta para encerrar o assunto quando ouve a senhora perguntar se “vai ser diferente”: “Não lhe prometo que seja diferente. Vá, adeus”.

“É o máximo de simpatia que consigo ter com este tipo de conversas”, comenta com o Observador. E segue por entre os vendedores de balões, agora já só focado em quem lhe estende a mão para o cumprimentar.

PSD. Morais Sarmento falha presença e ação de campanha não acontece

A frase: “Tenho todas as pessoas do partido em campanha, hoje e sempre”, disse a candidata de manhã. Mas Nuno Morais Sarmento faltou a uma ação de campanha à tarde.

A promessa: Promover a existência de barcos-táxi no rio, de Algés até ao Parque das Nações.

O que correu mal: Agora todos os dias tem a presença de uma figura nacional, para a campanha receber algum impulso. Jorge Moreira da Silva esteva de manhã, à tarde Paula Teixeira da Cruz marcou presença numa ação que não aconteceu. E Nuno Morais Sarmento faltou. Na segunda-feira será a a vez de Manuela Ferreira Leite.

Na agenda distribuída no sábado à noite à comunicação social lia-se: “Teresa Leal Coelho participará na procissão em honra da Nossa Senhora da Luz na companhia de Nuno Morais Sarmento (a confirmar) e do nosso Candidato à Junta de Freguesia de Carnide, José Morgado. Seguir-se-á uma visita à Quinta da Luz”. Minutos depois, a agenda era retificada para passar a ler-se: “Teresa Leal Coelho participará na procissão em honra da Nossa Senhora da Luz na companhia de Nuno Morais Sarmento e Paula Teixeira da Cruz e do nosso Candidato à Junta de Freguesia de Carnide, José Morgado. Seguir-se-á uma visita à Quinta da Luz”. Ou seja, estava confirmada a presença do ex-ministro social-democrata que é um dos críticos mais audíveis à liderança de Passos Coelho.

Mas à hora marcada, Morais Sarmento não apareceu. Nem tão pouco a comunicação social. Sem câmaras, sem rádios, sem jornais, aquela que seria uma ação de campanha da candidata do PSD não foi mais do que uma passagem discreta pela Feira da Luz, em Carnide, seguida de uns minutos à espera que a procissão arrancasse. E pouco mais. Foi uma não-ação de campanha, que não seria sequer uma não-ação se o Observador não estivesse lá para ver. Apenas estavam Teresa Leal Coelho, José Eduardo Martins, Paula Teixeira da Cruz e o número dois da lista, João Pedro Costa, e pouco mais. Não houve bandeiras, não houve beijinhos, não houve “contacto com o eleitorado”. Teresa passou pela muito movimentada Feira da Luz, repleta de famílias em plena tarde de domingo, e passou despercebida. Mas porque quis. Não procurou interagir com as pessoas, foi apenas ao quiosque “almoçar”, que não tinha tido tempo, comeu um gelado, e dirigiu-se depois para a procissão — onde não se faz, naturalmente, campanha.

Entre ontem e hoje, vários foram os candidatos que foram àquela feira ver e ser visto: Ricardo Robles, ontem, com Francisco Louçã, Assunção Cristas esta tarde, à mesma hora da candidata do PSD, mas à margem da agenda oficial, e Fernando Medina, já perto da hora de fecho, quando a procissão já tinha acabado.

Entre a comitiva da candidata do PSD procurava-se ignorar o facto de ter sido anunciado que Morais Sarmento estaria presente. “Pode vir, mas se calhar não vem”, ouviu o Observador. E depois de nova pergunta sobre se aquela personalidade do partido iria ou não estar presente, a resposta veio na forma de cromo-para-a-troca. “Não vem, mas amanhã a candidata toma o pequeno-almoço com Manuela Ferreira Leite”. Uma ex-líder do PSD que tem sido, por sinal, uma das vozes mais críticas da liderança de Passos Coelho.

Nuno Morais Sarmento disse ao Observador que fez campanha no sábado, no Ribatejo, e tinha outros compromissos este domingo à tarde, o que inviabilizou a presença junto da candidata. “Estive ontem noutra ação, na Golegã. Se foi anunciada, a minha presença foi mal anunciada”. O ex-ministro de Durão Barroso que há dois meses encabeçou uma lista para os delegados à assembleia distrital de Lisboa contra a lista oficial de apoio a Pedro Passos Coelho, também justifica que este domingo tinha “de ir mais cedo para a RTP para comentar as eleições alemãs”. E explica: “Disse ao José Eduardo Martins [candidato a presidente da Assembleia Municipal] que em principio sim, mas que à cautela confirmava“. José Eduardo Martins não respondeu ao apelo do Observador para confirmar a explicação do antigo vice-presidente do partido.

O ex-ministro e advogado tem sido uma das vozes mais críticas da liderança de Pedro Passos Coelho. Quando entrou nas listas em plena contenda da distrital de Lisboa no início de julho, sobre um eventual apoio a Rui Rio, disse esperar “fazer combates” com o ex-autarca “num futuro próximo”. Morais Sarmento chegou a ser sondado para avançar, mas não aceitou por já ser fora de tempo e depois de muitas possibilidades de candidatos terem aparecido na comunicação social.

Onde anda o PSD na campanha da candidata do PSD a Lisboa? Essa é a pergunta para um milhão de euros. Ao início da tarde, Teresa Leal Coelho tinha estado com um outro rosto do partido, o ex-ministro e ex-vice-presidente do partido Jorge Moreira da Silva. Mas até mesmo as tentativas de mediatizar a campanha com rostos conhecidos têm sido tímidas. O Observador sabe que a comitiva está a contar com Pedro Santana Lopes, que disse que tinha disponibilidade para “segunda, terça ou quinta-feira”, mas não é certo que o presidente da Santa Casa da Misericórdia vá mesmo aparecer em Lisboa. Embora hoje esteja presente à noite em Espinho… De resto, esteve Paulo Rangel no dia em que também Passos Coelho foi a Lisboa dar uma ajuda. E Marques Mendes, que anda pelo país profundo a fazer, quem sabe, a sua própria campanha, também poderá aparecer. Curioso é que são na maioria nomes que criticam sistematicamente o estado atual do PSD. Presentes envenenados?

Com Vítor Matos

Moreira da Silva, o enviado especial ao Tejo para ajudar Teresa a defender táxis no rio

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Aproveitar o rio Tejo como “alternativa de mobilidade” em Lisboa é uma das propostas de Teresa Leal Coelho para Lisboa: colocar barcos-táxi, privados, a fazer uma travessia longitudinal ao longo da cidade ribeirinha, até ao Parque das Nações, é uma das medidas mais emblemáticas. Foi com essa propósito que a candidata do PSD esteve ao início da tarde a fazer uma travessia num barco alugado para o efeito. Foi João Pedro Costa, o número dois da lista à câmara de Lisboa, contudo, que apresentou as propostas para a mobilidade a bordo do navio. E na popa, foi o ex-ministro do Ambiente e ex-vice-presidente do PSD Jorge Moreira da Silva que fez a defesa da honra da candidata.

“A Teresa tem uma característica que faz a diferença: é uma mulher corajosa que vê as coisas com desassombro, é inconformada e independente”, disse Jorge Moreira da Silva aos jornalistas quando questionado sobre se estava este domingo na campanha para dar uma “mãozinha” à candidata, numa altura em que o partido a está a apoiar pouco. Foi a primeira aparição pública de Jorge Moreira da Silva numa iniciativa partidária de relevo desde que, há um ano, deixou a vice-presidência do PSD para assumir funções na OCDE. “Já tinha saudades”, deixou escapar depois, aos microfones da comunicação social, de ter defendido com unhas e dentes, “e alma e coração”, a decisão do PSD em apoiar a candidatura de Teresa Leal Coelho — embora as sondagens estejam a antever um dos piores resultados de sempre do partido em Lisboa.

É evidente a falta de apoio da estrutura do partido na candidatura de Teresa Leal Coelho, que anda pela cidade a fazer campanha praticamente sozinha, recebendo aqui e ali a visita de um nome mais ilustre do partido. Só quando Pedro Passos Coelho vem ao seu encontro, é que a máquina está presente. Mas o ex-vice do partido desvaloriza a questão. “O PSD está empenhado nesta candidatura porque é fundamental, não para o PSD, para para Lisboa. Porque não basta a Fernando Medina beneficiar da corrente positiva, do turismo nomeadamente, é preciso inovar, é preciso audácia, e é esta equipa tem isso”, afirmou, sublinhando que a comunicação social não se deve centrar nas ilações nacionais que o PSD deve ou não tirar no day after, porque isso é, no seu entender, “uma falta de respeito pelas eleições autárquicas e pelo poder local”.

Quanto a Teresa Leal Coelho, recusa que tem sido pouco apoiada pelo partido, preferindo dizer que tem “todas as pessoas do partido em campanha, hoje e sempre”. Não será bem assim a avaliar pela pouca ou nenhuma adesão da estrutura no dia a dia da campanha eleitoral, mas é esse o discurso oficial.

A bordo do navio, que em pleno domingo levava várias crianças, filhas de militantes e dos próprios candidatos, Teresa Leal Coelho defendeu a “gestão integrada da Transtejo com a Carris e o Metro, e acusou Fernando Medina de não ter qualquer “visão estratégica do rio Tejo”. Sobre a ideia dos táxis em pleno rio, diz que caberá à “iniciativa privada”, e “ainda bem”. “A economia real faz-se na iniciativa privada, tem de ser o privado a dar oportunidades de empreendedorismo, não o Estado”, sublinhou.

BE. De Lisboa para o PS: “Não é verdade” o que Costa diz sobre maiorias absolutas, afirma Catarina Martins

Manuel Almeida/LUSA

A frase: “É quando há boas notícias que é preciso ser mais exigente”, avisou a líder do BE numa altura em que o partido está à mesa das negociações do Orçamento para 2018.

O que correu bem: Ter a líder ao lado é sempre uma achega importante para qualquer candidatura. Ainda mais nas primeiras eleições (tirando as Presidenciais, que são unipessoais, por isso bem diferentes) depois de o BE ter ganho relevância no poder central.

O que ouviu: “O Bloco está presente, ‘Checa’ a presidente”. Entre o público gritou-se isto quando Robles subiu ao palco para o discurso. Robles ou “Checa”, para os amigos (é a alcunha do candidato).

Ricardo Robles — Checa para os amigos — teve, no almoço deste domingo no Teatro do Capitólio, a líder do Bloco de Esquerda à mesa e também no palco, onde passaram discursos com um denominador comum: não às maiorias absolutas. Catarina Martins havia de explicar porquê: “Hoje António Costa diz aos portugueses que se o PS tivesse tido maioria absoluta ia dar ao mesmo e se PCP e BE estivessem no poder ia dar ao mesmo. Mas todos nos sabemos que isso não é verdade”.

Podia ser apenas um exemplo para depois vincar o que o BE considera um risco: Medina repetir a maioria absoluta socialista em Lisboa. Mas não, Catarina Martins continuou mesmo pelo plano nacional com um aviso claro a António Costa. As maiorias absoluta “são trágicas quando está tudo correr mal, mas também são trágicas quando alguma coisa começa a correr bem”, disse para logo a seguir acrescentar que “este é o tempo de fazer o que falta fazer e não deixar ninguém para trás”.

A meio do mandato do Governo, a líder do Bloco de Esquerda não só prepara o discurso para as próximas legislativas, como ainda deixa um aviso ao Executivo que está, nestas semanas, a negociar o próximo Orçamento do Estado com os parceiros parlamentares. A última semana foi farta em notícias favoráveis ao Governo (economia a crescer, défice a encolher, emprego criado a aumentar) e o Bloco de Esquerda já avisa que vai querer mais da propostas orçamental que está ser ultimada. “É quando há boas notícias que é preciso ser mais exigente e fazer tudo o que ainda não foi feito e não deixar ninguém para trás”, disse a líder do partido.

Na cheia sala do renovado Teatro do Capitólio, Catarina Martins até começou por atirar à direita, colando-se muito ao que tem vindo a ser o discurso de António Costa nesta campanha, dizendo que “a direita andou meses a clamar por uma catástrofe, anunciou a vinda do diabo e, como em vez do diabo, vieram as boas notícias saltou para a frente da fotografia a cantar vitória.

Antes dela, já Luís Fazenda tinha aquecido o palco do almoço-comício do Bloco — curiosamente bem menos agressivo com o PS do que Catarina Martins — e disse que “podem existir excelentes ideias sobre como ordenar o espaço público, impedir a privatização do espaço público, mas nada disso terá efeito se não tivermos uma política de integração social”. E esse ponto, disse Fazenda, “confronta o atual Governo com os anteriores e confronta as responsabilidade políticas do Bloco de Esquerda”. O segundo fundador do partido a entrar na campanha de Robles — Louçã esteve no sábado e também este domingo ao almoço — foi o primeiro a avisar que pode até haver disponibilidade para acordos futuros, mas é preciso ter calma: “Antes de discutir as pontes, têm de se fazer as estradas. As estradas é que conduzem verdadeiramente à necessidade das pontes”.

Quem aterrasse no país agora e ouvisse Pedro Passos Coelho a falar, até acharia que isto da devolução de rendimentos e da devolução de emprego por acaso até foi ideia dele”, disse Catarina Martins

Na ajuda direta a Robles ficaram as palavras de Catarina Martins sobre “o melhor indicador do trabalho extraordinário que fez nos últimos quatro anos: oiço muitas vezes na rua que temos ali um grande vereador”. É coisa que Ricardo Robles não é, foi sim deputado municipal (desde 2009) e agora o BE luta por eleger o primeiro vereador nestas eleições (em 2007 Sá Fernandes não era um candidato do partido, mas um independente apoiado pelo Bloco). Com o compromisso do próprio — e aqui a distanciar-se das outras candidaturas — de não estar “de passagem por Lisboa. Candidato-me a vereador e o meu objetivo é mesmo esse ser vereador. Tenho a cabeça e os pés em Lisboa, parece óbvio, mas nestas eleições é muito invulgar. Lisboa tem tido a má sorte de ser usada como trampolim”, queixa-se o candidato do BE.

Outra preocupação que passa nos discursos é com a exaltação deste trabalho de Robles como deputado municipal, frisando-lhe a “experiência”. Ricardo Robles não é um rosto tão visível no partido, mas Catarina Martins nota-lhe a relevância no plano municipal: “Enquanto os vereadores da oposição se faziam substituir, Ricardo Robles fazia-se ouvir. Como deputado municipal fez muito mais do que qualquer vereador da oposição”. Mariana Mortágua, outra figura do partido que tomou o palco, e usou esta mesma formulação que a líder havia de usar a seguir. E ainda acrescentou exemplos: “Onde estava Robles quando Cristas fez a lei dos despejos? Estava nos bairros a dizer aos idosos como se podiam proteger”. “Onde estava Ricardo Robles quando Medina deixava expulsar habitantes da Mouraria? Estava com esses moradores”.

Para o agora candidato à Câmara de Lisboa, ficou o pedido em que tem insistido de uma votação em que a “esquerda passe a ser determinante” da governação da cidade. Ou seja, travar a maioria absoluta do PS e para isso acena com a sua propostas de recuperar a Carris e o Metro, fazer um programa de habitação 100% público e abrir creches em toda a cidade”. O PS, diz, “não fará estas escolhas porque não as fez nos últimos dez anos”.

Ontem a campanha de Lisboa foi assim:

Diário de Lisboa. CDU contra a Madonnização de Lisboa

CDS. E ao domingo, Cristas faz uma paragem em “casa”

A frase: “A mais velha e a mais nova andam por aí, os outros dois [filhos] foram à missa. E o pai foi a outro lado. É preciso distribui-los”, diz Assunção Cristas, numa ação de campanha no Restelo.

O que correu mal: A visita ao Restelo foi tão rápida que nem deu para a candidata ganhar vantagem por estar a jogar em casa. Deveres de líder do CDS chamavam, e é preciso distribuir responsabilidades.

O que ouviu: E que tal criar um sistema de senhas para residentes n’O Careca? Uma sugestão interessante.

No único domingo de campanha oficial, Assunção Cristas foi a “casa” beber um galão e comer um croissant do Careca. Vive a dois quarteirões daquela famosa pastelaria do Restelo mas a paragem foi rápida, porque às 13h já tinha de estar em Alcobaça para um almoço, não na qualidade de candidata, mas sim de líder do CDS. Antes, tinha ido visitar a exposição de automóveis clássicos no alto do Parque Eduardo VII, por isso a ida a “casa” viria a ser mesmo só uma espécie de “pit stop” para abastecer. “Um galão e um croissant”, por favor.

A pastelaria “O Careca” estava, como sempre está, a rebentar pelas costuras. O sistema de senhas levaria até um morador a fazer um comentário bem humorado para candidata ouvir: “Devia haver senhas só para residentes”. Talvez um bocadinho ao jeito dos descontos na EMEL para moradores que Assunção Cristas propõe implementar. “E devia haver um parque para cães”, acrescenta ainda, mas sem que a candidata à câmara ou o candidato à junta de Belém, Telmo Correia, conseguissem ouvir.

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Assunção Cristas vive “ali mesmo ao lado, a dois quarteirões”, e várias da pessoas que estão naquela praça da pastelaria mais conhecida da zona, costumam avistá-la pelo bairro: “às vezes no jardim, costuma frequentar os espaços públicos com a família”. Várias famílias, muitas crianças, muitos bebés, levam Assunção Cristas a desabafar que tem “saudades daquela altura” em que os filhos são bebés de colo. Tem quatro filhos e uma delas, a mais velha, já anda lado a lado com a comitiva da Juventude Popular. A mais nova estava por ali, mas não debaixo da saia da mãe. E os outros dois?

“A mais velha e a mais nova andam por aí, os outros dois foram à missa. E o pai foi a outro lado. É preciso distribui-los”, diz ao Observador, satisfeita por estar “em casa”. “Também está por aí uma tia minha”, acrescenta.

Mas nem sempre os santos da casa fazem milagres, e à exceção do aglomerado de pessoas que se encontrava na pastelaria à espera do pequeno-almoço tardio — e do aglomerado da comitiva azul e branca — na única rua que Assunção Cristas desceu numa tentativa de cumprimentar eleitores e distribuir folhetos com propostas, o entusiasmo não foi gritante. Em dois ou três cafés que entrou, chegou a ter uma ou duas negas. Um senhor, por exemplo, manteve-se compenetrado no jornal que lia, recusando qualquer contacto com a candidata. Os restantes acederam, mas não houve euforia.

A ambição de Assunção Cristas, contudo, continua a ser máxima. De manhã, na parada de automóveis antigos no Parque Eduardo VII, a candidata do CDS calibrou os objetivos nacionais do partido: quer que os presidentes de câmara do CDS deixem de caber num carro de cinco lugares (o que corresponde às cinco câmaras governadas por centristas). “Eu vi ali um [carro] maiorzinho, mas mesmo assim acho que já não vai chegar para nós. Vamos trabalhar para crescer em mandatos, em vereadores, em deputados municipais, talvez em Câmaras, vamos ver. Vamos ver o que nos espera o dia 1, mas estamos animados”, disse, insistindo em não quantificar o número de mandatos que quer conquistar.

CDU. Sopa de rabo de boi, Licor Beirão e uma boa sondagem

A frase: “Há quatro anos nenhuma sondagem nos dava dois vereadores e tivemos dois vereadores nas eleições”, disse ao Observador, ao comentar a sondagem que no sábado lhe deu 8,5% e a eleição de dois vereadores.

O que correu bem: A sopa rabo de boi. “O almoço estava muito bom”, disse Ferreira, motivando um longo aplauso à cozinheira.

A promessa: “Que ninguém fique sem uma palavra, um documento, de um ativista da CDU”

João Ferreira almoçou este domingo sopa de rabo de boi “cozinhada pelos camaradas da freguesia” e, no fim, bebeu um licor Beirão distribuído em copos de imperial aos cerca de 50 apoiantes da CDU que almoçaram este domingo no bairro Fonsecas e Calçada, mesmo à beira da Segunda Circular, na freguesia de Alvalade. O local não podia ser mais significativo para a mensagem que o candidato da CDU à câmara de Lisboa trazia para os seus apoiantes: de um lado, o Clube Desportivo e Cultural Fonsecas e Calçada, que acolhe vários grupos desportivos da freguesia; do outro, a escola básica D. Luís da Cunha.

Desporto e Educação são os dois pelouros que a CDU detém na junta de freguesia de Alvalade e a coligação orgulha-se do trabalho que ali tem feito. “Ali a escola tinha amianto e só está em obras agora, começou há uns meses. E as obras arrancaram muito graças ao trabalho que a CDU tem feito aqui na junta”, comenta com o Observador o candidato à junta de freguesia, Ricardo Varela. “E aqui deste lado temos a coletividade, com quem temos uma muito boa relação, que apoiamos muito. Eles costumam ceder-nos este espaço para iniciativas, até mesmo a cozinha para os nossos camaradas prepararem a refeição”, explica.

Depois de almoçar e de passar pelas mesas todas para cumprimentar toda a gente, João Ferreira dirigiu-se ao microfone instalado à porta da coletividade para falar aos apoiantes. Em primeiro lugar, um aplauso à cozinheira, Isabel. “O almoço estava muito bom”, assegurou o candidato. “Estes momentos são importantes para nos darem força para os próximos oito dias.”

João Ferreira começou o discurso com as críticas habituais à gestão do PS nos últimos 10 anos no que toca à habitação e aos transportes. “É importante lembrar as responsabilidades. É importante lembrar que a partir do governo, alguns daqueles que hoje são candidatos à câmara municipal de Lisboa, do PSD, do CDS, aprovaram legislação que criou ou dificultou ainda mais uma situação que já era difícil. Que criou situações de despejo e de iminência de despejo”, acusou.

E sobre o “estado desgraçado a que chegou o transporte público nesta cidade”, continuou, também “é bom lembrar que existem responsáveis”. “É bom lembrar quem, a partir das sucessivas administrações da Carris — e a câmara também lá esteve representada, por mais que agora Fernando Medina diga que só pode responder pela Carris a partir do início do ano, que foi quando ela passou para a câmara, teve durante anos representação no conselho de administração da Carris –, esta maioria do Partido Socialista assistiu de braços cruzados à supressão de carreiras, ao encurtamento de percursos.

João Ferreira guardou para o fim do discurso a mensagem para os apoiantes de Alvalade, que espera ver em campanha durante os próximos oito dias. “Quando alguém vier com essa conversa do «”isso está tudo muito bem, mas vocês não chegam lá”, e essa história das sondagens, aí é momento de lhes lembrar como foi a história da freguesia de Alvalade ao longo destes quatro anos, como também já aqui lembrou o Ricardo [Varela, candidato da CDU à junta]”, disse o comunista.

Ali ao lado, a escassos metros do discurso de João Ferreira, o bar da coletividade desportiva não parava. Ao almoço-convívio da CDU juntou-se naquele dia um outro almoço, o dos amigos que organizam ali torneios de futebol, explicou ao Observador Ricardo Varela. “Por isso está cá muita gente hoje”, sublinha. Do bar continuavam a chegar tabuleiros cheios de cafés para os apoiantes comunistas. “Ó mãe, faltam cafés aqui. E açúcar também”, pede um rapaz à senhora que vai trazendo os tabuleiros. “Isto aqui é tudo gente da freguesia”, orgulha-se Ricardo Varela. “São os camaradas que organizam isto tudo.”

Nos cerca de dez minutos de dicurso, João Ferreira preferiu desvalorizar os resultados das sondagens que têm sido publicadas. “Estas eleições não são decididas por comentadores nem por sondagens, são decididas pelo voto dos lisboetas e até 1 de outubro, que se saiba, não há lá votos dentro das urnas”, destacou, preferindo apelar à colaboração dos apoiantes nos esforços de campanha. “Que ninguém fique sem uma palavra, um documento, de um ativista da CDU”, pediu.

O resultado da sondagem da Aximage publicada no sábado pelo Jornal de Negócios coloca a CDU em quarto lugar, com 8,5% dos votos e com a possibilidade de eleger dois vereadores. Apesar de desvalorizar as sondagens, João Ferreira admite em declarações ao Observador que “o resultado da sondagem de ontem até poderia dizer que é encorajador”. Isto porque as expetativas são outras: “Há quatro anos nenhuma sondagem nos dava dois vereadores e tivemos dois vereadores nas eleições, por isso se há uma sondagem — que de resto, em comparação com sondagens anteriores, a CDU é a única força a crescer e todas as outras diminuem –, poderia dizer que ela é encorajadora nesse sentido. Dá-nos os dois vereadores, que nenhuma outra deu, e será de esperar que possamos vir a ter mais do que isso”, afirmou o comunista.

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