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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Diário de Lisboa. Medina toca piano em comício. PSD cola-o a Sócrates. CDS quer ser "única" alternativa

Sondagem do Expresso dá 43,3% dos votos para Medina e coloca Cristas em segundo lugar, com 17,5% dos votos, à frente do PSD com 12%. Veja vídeo de Medina a tocar piano.

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Faltam menos de 48 horas para o fim da campanha e foi dia de grandes comícios. A manhã começou com um debate na TSF, a seis, entre os candidatos dos partidos com representação parlamentar. O PS de Fernando Medina fez um grande comício no Campo das Cebolas com a presença da secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes e do histórico Manuel Alegre. E tocou piano. Não muito longe dali, mesmo em frente à câmara municipal, na Praça do Município, o CDS de Assunção Cristas realizou também um grande comício. A candidata do PSD, Teresa Leal Coelho, teve um mega um jantar-comício com Pedro Passos Coelho na FIL. Ricardo Robles, do Bloco de Esquerda, teve Catarina Martins em dose dupla: numa arruada na Morais Soares e num comício no liceu Pedro Nunes. Já João Ferreira, da CDU, manteve dois contactos com a população em S.Domingos de Benfica e em Carnide.

Ontem o dia em Lisboa foi assim:

Diário de Lisboa. Portas com Cristas no CDS. Negrão substitui Santana doente na campanha do PSD

Sondagem. Medina com “muito provável” maioria absoluta em Lisboa. E Cristas em segundo lugar

As sondagens da Universidade Católica para a RTP e da Eurosondagem para o Expresso apontam Medina como vencedor em Lisboa, seguido de Assunção Cristas (à frente de Teresa Leal Coelho). Nas previsões anunciadas pela RTP e Antena 1. é “muito provável” que Fernando Medina consiga uma maioria absoluta na Câmara Municipal de Lisboa, com o PS a obter 47% dos votos e elegendo 8 a 10 vereadores. Na mesma sondagem, Assunção Cristas fica em segundo lugar com 15% dos votos e Teresa Leal Coelho, do PSD, com 12%.

Na sondagem publicada pelo Expresso, Fernando Medina recolhe 43,3% das intenções de voto (elegendo nove vereadores), Assunção Cristas capta 17,5% e elege três vereadores e Teresa Leal Coelho mantém-se com 12,5% das intenções de voto e elege dois vereadores.

Quanto ao Bloco de Esquerda e ao PCP, podem ficar com 8% dos votos, segundo a sondagem da Católica: Ricardo Robles (BE) e João Ferreira (CDU) elegem, assim, entre um e dois vereadores. O melhor cenário que o Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica (CESOP) traça para estas candidaturas iguala o número de vereadores do BE e do PCP aos do PSD.

Na sondagem do Expresso, João Ferreira elege dois vereadores com 10,1% dos votos e Ricardo Robles elege um vereador, captando 5,7% dos votos.

PSD. Sei o que fizeste num Governo passado. Uma troika para colar Medina a Sócrates

O PSD/Lisboa não-zangado com Passos mobilizou-se (finalmente, a sério) para uma “senhora” ação de campanha: mil pessoas na antiga FIL para um jantar-comício. Foi também a última presença do líder na campanha de Teresa Leal Coelho. Era dia de tiro a Medina e, tenham ou não sido combinados, os três discursos políticos da noite (de José Eduardo Martins, Passos Coelho e Leal Coelho) tiveram uma linha comum: colar Fernando Medina a José Sócrates. Uma troika a enaltecer os tempos socráticos de Medina.

O candidato à Assembleia Municipal de Lisboa, José Eduardo Martins, abriu as hostilidades na colagem do candidato do PS ao socialismo: começou a dizer que a alternativa ao “porta-voz do engenheiro José Sócrates” era Teresa Leal Coelho (curiosamente, à mesma hora, na Praça do Município, Cristas assumia-se como a “única” alternativa a Medina).

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Para quem não tivesse ouvido bem, o antigo secretário de Estado lembrou que a última vez que se envolveu numa campanha, andou “pelo país com Manuela Ferreira Leite”, mas infelizmente o “país escolheu José Sócrates e arrependeu-se”. Ora, agora envolveu-se nesta candidatura para que “Lisboa não se arrependa, como o país arrependeu.”

Pouco depois, Passos Coelho seguia a mesma linha: “José Eduardo Martins tem razão: nós tantas vezes chamámos a atenção para o que estava a ser feito no passado e que os portugueses se vieram a arrepender no futuro“. O mesmo faria Teresa Leal Coelho. Primeiro ao de leve, lembrando um documento “aprovado por Sócrates, Costa e Medina” que já continha “as diretizes essenciais da reforma da lei do Arrendamento” e apelando a que “Medina não esconda o que defendeu no passado”. Mas era preciso carregar mais e Teresa — que lembrou que fez uma campanha “genuína, sem calculismos, sem taticismos, sem casos” — deu a entender que é Costa quem governa por Medina em Lisboa e afirmou: “Ele não é só delfim de Costa, mas também delfim de Sócrates.

A campanha até podia ter enchido como um balão — havia centenas laranjas e brancos na antiga FIL — ao longo dos dias, mas uma verdadeira mobilização só se viu no jantar desta quinta-feira à noite. Nem tudo correu bem. Teresa Leal Coelho entrou na sala discreta, pela porta lateral, embora ao lado de uma notável do partido: a ex-ministra de Cavaco Silva, Leonor Beleza. Nem speaker, nem aplausos. Isso estava guardado para o momento da chegada de Passos Coelho.

O líder do partido lá chegou e entrou de forma apoteótica com tudo a que tinha direito: anúncio no speaker, bandeiras no ar e gritos de PSD. E com Teresa ao lado, para retificar a entrada discreta e sem brilho. Durante os discursos, Passos nem se alongou (face ao habitual), mas a candidata acabou por falar mais um pouco, o que com o avançar da hora, a fome e o facto de nem a sopa ter sido servida, aumentou a impaciência junto dos apoiantes. Quando acabou de falar, já se ouvia demasiado o ruído de fundo. Por esse desgaste, o anúncio de que iria ser servido o jantar mereceu mais aplausos que o fim discurso da candidata.

Voltando aos discursos, Teresa Leal Coelho tentou pôr Medina no lugar, visando principalmente os que o colocam como potencial primeiro-ministro. Para a candidata do PSD, o presidente da câmara de Lisboa é uma espécie de marioneta de Costa. “Medina não é como dizem alternativa a Costa. Temos uma alternativa a Costa, que é Passos Coelho”, atirou.

Passos chama a Costa o “menino mimado”

Passos sabe que em Lisboa também se joga parte do seu sucesso a nível nacional. “As eleições de Lisboa são importantes para o PSD“, assumiu. E não demorou a dar dimensão nacional ao discurso. Começou por dizer que “muitos quiseram vaticinar, desde o início, que o resultado da eleição estava feito” e que “as eleições eram uma espécie de pró-forma” que só “podiam confirmar Medina e atirar o PSD e Teresa Leal Coelho para o fundo da lista dos escolhidos.” Ainda assim, Passos acredita num “bom resultado” em Lisboa. Quanto à candidata, apesar de, no entender do líder “ter de lidar com preconceitos no espaço mediático, conseguiu ao longo da campanha ter mais gente com ela e convencer os lisboetas”.

Para o presidente do PSD, Teresa Leal Coelho é uma “lufada de ar fresco que contrasta com o taticismo político, que há anos tomou conta de Lisboa e dos Paços do Concelho”. Começou então a visar Costa, que denuncia que teve na cidade o mesmo “calculismo” que tem no Governo, onde tem “os mesmos tiques de quem vive o dia como se fosse o último, sem pensar no futuro.” Lisboa tem como Medina a mesma “dissimulação” que tinha com Costa, dando como exemplo o facto do atual primeiro-ministro se vangloriar de reduzir a dívida, quando o fez à custa da venda dos terrenos do aeroporto ao Estado.

A agulha seria definitivamente virada de Medina para Costa quando Passos afirmou que o “país precisa mais do que simpatia, precisa de coragem e reformismo” e atacou os que acabam por “bajular o governo na esperança de receber um bocadinho“. Porém, quando as coisas não correm como o esperado (leia-se nas entrelinhas: quando a comunicação social não é meiga com Costa), “quem está à frente do Governo, qual menino mimado, acaba por irritar-se, perder a compostura, como acontece tantas vezes. Se fosse connosco não havia perdão.” Passos referia-se ao facto de António Costa ter interrompido, irritado, uma entrevista com a Rádio Renascença.

António Costa irrita-se e interrompe entrevista à Renascença a meio

Passos Coelho afirmou ainda que António Costa “uma vez que não foi eleito, precisa de conquistar câmaras para ter força para negociar com os parceiros” de geringonça. O líder do PSD já prepara terreno para o pós-autárquicas, e internamente tem já vários críticos a perfilarem-se. Um deles foi José Eduardo Martins, que agora é mais contido, por estar envolvido na candidatura a Lisboa. Ainda assim, não dispensou fazer uma parte do discurso mais social-democrata (mais à “ala esquerda do partido”), talvez inspirado pela intervenção da antiga secretária de Sá Carneiro. José Eduardo Martins defendeu, por exemplo, que o PSD é “o partido da mobilidade social”, aquele que defende que as crianças “dos bairros sociais tenham a mesma oportunidade de ir à escola do que quem mora na Lapa.”

CDS. “Não a parem agora”, Cristas quer ser “a única” alternativa a Medina

A um dia do fim da campanha, a iniciativa foi arrojada. Invadir a praça do município, mesmo não tendo o CDS capacidade para a encher por completo, e gritar ao microfone que “hoje é na praça do município, no domingo será dentro do edifício”. Bom, não será bem assim, mas Assunção Cristas quer ser “a única alternativa” a Fernando Medina e para isso fez esta noite um dos mais sonantes apelos ao voto. A todos os que “não são de esquerda, ou os que não gostam das esquerdas unidas, vamos impedir as esquerdas unidas de governar em Lisboa. Vamos fazer história e não tenhamos medo de fazer história”, disse, em cima do palco.

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História que Assunção Cristas já vai inevitavelmente fazer. A meta de 7% de Paulo Portas, que teve o melhor resultado do CDS sozinho em Lisboa, em 2001, será certamente ultrapassada, a avaliar pela tendência das sondagens que têm vindo a público nas duas últimas semanas. Resta saber quão ultrapassada, e, sobretudo, resta saber se a máquina Assunção Cristas vai mesmo bater a máquina PSD. É por isso que Assunção Cristas não quer que “ninguém fique em casa”.

A palavra de ordem é “mobilização máxima” até “ao último minuto”. Num altura em que as sondagens continuam a dar Assunção Cristas em segundo lugar, e Fernando Medina próximo da maioria absoluta, a candidata do CDS que se tem recusado a comentar sondagens quer ver nas urnas aquilo que vê nas previsões. “Em democracia não há vencedores antecipados, não venham com sondagens porque o que interessa é o que os eleitores depositam nas urnas”, disse.

Desde o início da campanha até ao fim, Cristas nunca tocou no nome da candidata do PSD, que disputa consigo o segundo lugar, mas há uma coisa que a líder do CDS insiste em dizer, que não deixa de soar a comparação direta: a vontade que tem de ser presidente da câmara é maior do que a de “outros”. “Há uma coisa superlativa que nós temos que mais nenhum outro candidato tem: a imensa vontade de governar Lisboa, um brilho no olhar que nenhum dos outros tem”, disse.

“Não nos parem agora”, dizia já no final do discurso, repetindo a canção “Don’t stop me now” dos Queen que saía das colunas. No final, os quatro filhos subiram ao palco para darem um ramo de flores à mãe que…fazia anos. O “grande” comício da praça do município cantou os parabéns à líder do CDS, que agradeceu o “sonho” de estar ali, a dois passos de entrar na câmara.

Vestida de vermelho e com um cenário azul ao fundo, apenas com a nome “Assunção” inscrito, a candidata do CDS a Lisboa tinha na primeira fila o eurodeputado Nuno Melo, assim como a vice-presidente do partido Cecília Meireles, também candidata autárquica mas em Vila Nova de Gaia. E puxou dos galões, lembrando o trabalho que tem feito pela cidade ao longo do último ano, desde que anunciou que era candidata. Tudo para deixar uma moral para esta história: “primeiro temos de mostrar trabalho, e só depois é que podemos pedir a confiança do voto”.

Nesta lógica, a candidata do CDS a Lisboa enumerou, em pleno comício, as 11 coisas que vai fazer nos primeiros dias após ser eleita — se for eleita. O projeto de expansão do metro aparece em quinto lugar, e Cristas quer pôr Lisboa “num brinco” em apenas 100 dias. Eis as 11 prioridades da candidata do CDS.

  1. Lançar o programa “Ninguém fica sozinho” e nomear Conceição Zagalo alta comissária da rede de cuidadores de Lisboa;
  2. Nomear uma equipa para fazer o levantamento exaustivo da oferta e procura de creches e preparar contratação de vagas para conseguirmos 100% de creches em 4 anos;
  3. Dar instruções à Gebalis para desencadear os procedimento para entregar as 1600 casas vagas e fechadas nos bairros de Lisboa;
  4. Instruir a EMEL, a detestada Emel, para dar execução imediata ao nosso programa Lisboa Parque, que dá benefícios para os moradores;
  5. Solicitar uma reunião com o primeiro-ministro para trabalharmos em conjunto a expansão da rede de Metro;
  6. Parar de imediato as loucuras do projeto da Segunda Circular, e determinar a correção dos estrangulamentos do trânsito;
  7. Em nome da transparência, determinar que todos os autos possam ser consultados online por todos;
  8. Preparar a proposta para extinguir a taxa de proteção civil, que é inconstitucional, e fazer um verdadeiro simplex fiscal;
  9. Criar um gabinete azul para a economia do mar;
  10. Lançar o programa “Lisboa num brinco”, que pressupõe que em 100 dias vamos limpar a cidade em parceria com as juntas;
  11. Propor a nomeação de Carmona Rodrigues como provedor do munícipe.

“Parabéns a você…” Cristas faz anos mas só está “focada” no dia 1 de outubro

A frase: “Dia 1 é o meu grande foco. Dia 4 tenho debate quinzenal, nessa altura será o momento para conferir os vários aspetos e ver as respostas dadas pelo primeiro-ministro”. Além de candidata do CDS a Lisboa, é também presidente do partido, mas Cristas só vê eleições à frente, o resto virá depois.

O desejo: “Desejo que possamos trabalhar todos para termos uma Lisboa bem melhor do que esta”, disse depois de soprar as velas. “E que no dia 1 tenhamos um grande sucesso”.

O que ouviu: Os parabéns. Assunção Cristas faz anos esta quinta-feira e quer terminar o dia em beleza, com um comício provocador na praça do Município.

Se há dois anos, também em campanha eleitoral, Assunção Cristas teve Paulo Portas e Pedro Passos Coelho a cantar-lhe os parabéns no distrito de Leiria (distrito pelo qual foi eleita deputada), este ano o dia 28 de setembro foi passado de forma ligeiramente diferente, mas igualmente com direito a uma “surpresa”. Um das pessoas que integra a lista do CDS à junta de freguesia do Lumiar é dona de um café no Bairro da Cruz Vermelha, e tinha um bolo com 43 velas à espera de Assunção Cristas.

A comitiva do CDS cantou-lhe os parabéns e Assunção Cristas pediu um desejo. “Desejo que possamos trabalhar todos para termos uma Lisboa bem melhor do que esta”, disse, “e que no dia 1 tenhamos um grande sucesso”. Só não “trincou a vela debaixo da mesa para pedir um desejo”, como os filhos fazem, não por achar que não precisa de um sopro de sorte ou que os astros se alinhem no domingo, mas porque “já não tenho idade para isso, já são 43 anos”.

É o penúltimo dia de campanha mas Cristas não baixa a guarda. Depois do debate matinal da TSF e DN com os restantes candidatos, a candidata do CDS foi visitar o Bairro da Cruz Vermelha, no Lumiar, que é da responsabilidade da autarquia mas que tem “casas sobrelotadas e sem condições de habitação”. Mas a escolha daquele bairro em particular foi mais simbólica do que isso. “Foi este o primeiro bairro que visitei quando há um ano anunciei a candidatura à câmara de Lisboa. E por ter estado aqui, por ter entrado nas casas destas pessoas, por ter conversado com as mesmas pessoas que hoje voltei a encontrar, mães com filhos em situações desesperadas, falta de casas…foi por ter visto isto tão cedo que assumi que a questão dos bairros sociais e da habitação tinha de ser uma prioridade do executivo camarário”, disse aos jornalistas.

Antes de chegar aos “parabéns”, Cristas tinha feito uma visita ao longo do bairro e tinha ouvido queixas, das condições das casas mas também do facto de os “políticos virem cá em altura de eleições mas depois nunca mais se lembrarem”. Em julho deste ano, a câmara anunciou, contudo, a intenção de contratar uma empreitada de 12,3 milhões de euros para construir 130 fogos, destinado a realojar os moradores do Bairro da Cruz Vermelha, depois de grande parte dos edifícios de habitação serem demolidos.

Faltam dois dias rumo às urnas e Assunção Cristas só tem a cabeça nas eleições. Questionada pelos jornalistas, na qualidade de líder do partido, sobre outros temas da atualidade, nomeadamente sobre o facto de a PGR ter arquivado a investigação às secretas apenas um ano depois de Costa ter recusado levantar o segredo de Estado, ou sobre o novo relatório do Conselho de Finanças Públicas, Assunção Cristas dá respostas brancas e remete para depois. “Dia 1 é o meu grande foco. Dia 4 tenho debate quinzenal, nessa altura será o momento para conferir os vários aspetos e ver as respostas dadas pelo primeiro-ministro”, admitiu.

O caso das secretas é antigo, e diz respeito ao facto de o “superespião” Jorge Silva Carvalho ter assumido que muita da atividade dos serviços de informações violava a lei, ou seja, que havia escutas que eram feitas à margem da lei. O Departamento Central de Investigação e Ação Penal resolveu investigar, mas o primeiro-ministro não aceitou levantar o segredo de Estado e a investigação não chegou a bom porto — foi arquivada. A notícia do arquivamento, avançada esta quinta-feira, mereceu apenas um comentário breve da presidente do CDS, que se recusou a “julgar” antes de ouvir as “explicações” de António Costa.

“É uma questão muito sensível que o primeiro-ministro terá de explicar, quero crer que terá boas explicações a dar. Mas não podemos admitir que haja escutas que não cumpram a lei, por isso pediremos as explicações próprias em local próprio”, disse, recusando-se a “julgar antecipadamente” sem ouvir as explicações de António Costa. “É uma matéria muito sensível, temos de averiguar o porquê, e em que contexto o primeiro-ministro tomou essa decisão”, disse.

PS. Medina toca piano e pré-inaugura o Campo das Cebolas em campanha

A frase: “O PSD está a tentar a desforra de uma governação que já foi derrotada nas urnas e todos os dias é derrotada no país”.

A promessa: É mais o desejo de “uma grande vitória final”. Pedir maioria absoluta é que não.

O que correu mal: É sempre de mau tom quando se misturam planos e Fernando Medina acabou por fazer isso hoje usar o Campo das Cebolas (que ainda nem está terminado) para o último comício da campanha.

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Um comício de campanha eleitoral ou uma pré-inauguração do renovado Campo das Cebolas? Existia a dúvida, mas mal Fernando Medina subiu ao palco, montado mesmo em frente da Casa dos Bicos onde se instala a Fundação José Saramago, e deixou clara a intenção de ter ali, naquela praça, um comício. “Gostava que todos tivessem esta vista extraordinária de uma praça devolvida à cidade, este novo Campo das Cebolas renovado”.

A obra ainda não está totalmente terminada, e o jardim ainda tem grades por causa das obras que decorrem no parque de estacionamento mesmo ali ao lado. Ainda assim, foi para ali que o candidato socialista e atual presidente da Câmara marcou o comício desta quinta-feira, o último que fará antes das eleições (amanhã desce o Chiado com António Costa). Antes dele também a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, veio falar de “mais uma bonita praça de Lisboa”. Medina acrescentou depois que “é um gosto dizer que esta é a primeira de muitas realizações cívicas e políticas que aqui vamos fazer. Porque agora podemos fazê-las nesta nova praça devolvida à cidade de Lisboa”.

No final do comício houve um mini-concerto e uma das primeiras atuações foi de… Fernando Medina. Ao piano, acompanhou João Gil na música “Loucos de Lisboa”. Mas a nota mais grave foi mesmo no discurso político que fez antes, onde não poupou nem a direita nem a esquerda. À direita o socialista vê apenas tentativas “de sobrevivência da liderança partidária”. “O que o CDS está a fazer da campanha autárquica é um round de afirmação de uma política” e o PSD “está a tentar a desforra de uma governação que já foi derrotada nas urnas e todos os dias é derrotada no país”.

Para Assunção Cristas ficou, no entanto, a maior crítica, com Medina a dizer que “propor para a política de habitação rendas de 1350 euros por mês pode ser acessível em Estocolmo ou Nova Iorque, mas não é em Portugal”.

Ana Catarina Mendes também já tinha feito um ataque a esse lado ideológico e acusou Cristas de já ter “chamado Paulo Portas para segurar o lugar à frente do CDS” do CDS e Teresa Leal Coelho de “não ter nenhum projeto para Lisboa e para o país”. Depois pôs todos juntos no mesmo saco: “Paulo Portas, Pedro Passos Coelho, Teresa Leal Coelho e Assunção Cristas são o rosto mais recente do empobrecimento, do desinvestimento nas pessoas e no país, do convite à emigração”. E acrescentou que, enquanto o PS “foi capaz de demonstrar que ao mesmo tempo que aumentava o salário mínimo nacional e repunha rendimentos, era capaz de gerar emprego”, a direita “ia acenando com o diabo”: “Talvez por isso estejam tão perdido nesta eleições” que, concluiu, “são importantes para dar força ao PS”.

O ataque à esquerda também esteve no palco deste comício socialista, mas apenas na perspetiva local e na boca de Fernando Medina. Em matéria de transportes públicos, o candidato socialista diz que o que o PCP propõe é “ficar de fora sentado na cadeira a reivindicar”, é “ficar na bancada a mandar vir com o Governo”. E que o candidato do Bloco de Esquerda “não tem noção das complexidade da governação” e que a “sua proposta [para a habitação] não entregará uma única casa na próxima década na cidade”.

Entre Medina e Ana Catarina Mendes falou Manuel Alegre que, tal como já tinha feito no Intendente há dois dias, voltou a exaltar a “geringonça” — assim mesmo, com todas as letras. O histórico socialista disse que “António Costa acabou com o malfadado arco da governação. Com o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda foi possível restituir a centralidade ao Parlamento. Fizeram um Governo a que chamam a geringonça. Então viva a geringonça!”. E pediu desculpa a um dos parceiros: “Desculpa lá ó Jerónimo, mas tenho de dizer que recuperou o emprego, os direitos e os rendimentos”. Tal como têm feito muitos dos socialista, incluindo António Costa, que passaram pela campanha do candidato do partido em Lisboa, também Alegre considera que “ganhar as eleições” de domingo serve para “consolidar este projeto [a geringonça] que é um grande projeto nacional”.

Fernando Medina fez o apelo final ao voto, dizendo que “não há uma sondagem que valha um voto, uma simpatia que assegure o poder de governação da cidade”. O socialista não pede a maioria absoluta, embora seja nisso que tem os olhos postos, e pede apenas “uma grande vitoria eleitoral no dia 1 de outubro”.

Um debate a seis com duelos cruzados: o Metro, as obras para as casas-de-banho e o número das creches

Fernando Medina (PS) picou-se com Ricardo Robles (Bloco de Esquerda) por causa das creches e com Assunção Cristas (CDS) sobre a expansão do Metro. João Ferreira (CDU) utilizou Santana para atacar Teresa Leal Coelho (PSD) e teve um parti pris com Robles, que tenta menorizar. Teresa, por sua vez, fez várias vezes uma pergunta a Medina, que este nunca quis responder, embora tenha aproveitado para atirar farpas à governação de direita no Governo Passos/Portas. Os candidatos à Câmara de Lisboa dos partidos com assento parlamentar (incluindo Inês Sousa Real, do PAN) aproveitaram o debate desta quinta-feira de manhã na TSF para pequenos duelos.

As contas das creches (de Costa) e a habitação

A pergunta de saída dos jornalistas da TSF foi sobre a forma como os candidatos descreviam a cidade em 2021. Ricardo Robles fez uma rábula de como seria, caso fosse eleito o presidente da câmara: “Em 2021 a “Ana”, estudante universitária no polo da Ajuda, pode ir de metro para a faculdade; a Dona Olinda corria risco de despejo na Mouraria, pode continuar a viver lá porque a câmara interveio; o Joaquim e a Marta encontraram uma creche para os filhos; a Filipa que precisa de usar o carro para ir para o trabalho e não passa metade do dia no trânsito porque a maioria das pessoas passam a pôr o carro num parque dissuasor. A Catarina, que precisa de usar o metro e a Carris, que em 2017 esperava 40 minutos por autocarro, agora tem confiança na Carris”.

Robles aproveitou para atacar Fernando Medina, lembrando que, “em 2009, o PS prometeu que fazia 60 creches, mas fez 12.” Medina interrompe-o de imediato: foram 21. E sabe porquê, Ricardo? Sabe porquê? Por culpa da administração central que não fez acordos de cooperação para que as creches fossem financiadas”. A proposta das 60 creches era de António Costa, em 2009. O candidato do BE não quer assim que Medina tenha maioria absoluta, pois isso é “garantia que as coisas não são cumpridas”.

Medina responderia mais tarde que “Lisboa tem creches com apoio público de 40%”, dizendo que criou “21 neste mandato” e explicou que “o obstáculo é o apoio dos acordos de cooperação que o Estado celebra. O ritmo da expansão das creches está dependente do ritmo da cidade (…) Não vale construir creches e depois não as abrir por falta de financiamento.”

Assunção Cristas também aproveitou a deixa para dizer que faltam “30% de creches em Lisboa”. E tentou puxar a brasa à sua sardinha dizendo que o presidente da junta de freguesia de Cascais-Estoril [Pedro Morais Soares], que é do CDS, conseguiu abrir creches sem ter o governo a financiar”.

O presidente da câmara de Lisboa insistiu em responsabilizar a administração central, em particular o Governo de direita que cortou o financiamento: “Durante mais um ano não tivemos acordo de cooperação do Estado. [O presidente de junta] fez isso porque teve acordo de cooperação dado pelo ministro Pedro Mota Soares”.

E a habitação para a classe média: Zero ou 20 casas?

Robles e Medina voltariam ao confronto sobre a habitação na cidade de Lisboa. O candidato do Bloco de Esquerda lembra que Fernando Medina prometeu trazer cinco mil famílias para Lisboa com rendas acessíveis, atirando: “O Bloco não faz promessas sem as contas feitas. Depois da promessa, quantas casas foram entregues? Zero! Medina interrompe para dizer que “foram entregues 20 casas.” Robles insiste que na “habitação a custo acessível foram entregues zero casas. Zero”. Ao que o presidente de câmara responde: “Não. Zero é o que propõe o Bloco de Esquerda. O programa do Bloco de Esquerda são zero casas.”

Teresa Leal Coelho insistiu, da primeira à última intervenção em que repetir que “a Câmara Municipal de Lisboa tem 2000 fogos dispersos por Lisboa que podiam ter sido reabilitados e estar no mercado de arrendamento. A CML é o maior proprietário e não aproveita esse património”. Ao longo do debate foi perguntando a Medina porque não reabilita esses dois mil fogos, mas não obteve resposta.

Metro de Cristas é maior, mas só para 2030. O de Medina acaba em Alcântara

Assunção Cristas preferiu projetar a sua cidade ideal a um prazo maior do que apenas quatro anos. “Há questões que projetamos para 2030”, disse a candidata centrista, referindo-se ao seu projeto de expansão do metro de Lisboa que implica a construção de vinte novas estações. O assunto não teria reações imediatas dos oponentes até à segunda parte do debate, em que se falou de mobilidade. Cristas reacenderia o debate sobre a expansão do metro com uma recordação de contendas passadas com Medina. “Eu sei muito bem o preço do bilhete do metro, sei bem que é 1,45€, só não lhe quis responder naquela altura”, disse.

Medina tornaria a pegar no assunto mais tarde com uma acusação direta a Cristas. “Assunção, eu tenho gostado muito de ouvir o CDS na questão do metro. Como líder do CDS, também quer a expansão do metro do Porto, de Coimbra“, argumentou o presidente da câmara. Cristas não esperou pela sua vez de falar e respondeu de imediato, sublinhando que a sua capacidade de fazer propostas de âmbito nacional: “Como líder do CDS, aquilo que eu digo em Lisboa, digo também no Parlamento”. Medina voltaria ainda ao ataque: “Promete estações em todo o lado do país. À segunda defende em Lisboa, à quarta no Porto, e depois à sexta outra vez…” O presidente de câmara assume ainda que o atual projeto que tem para o metro faz com que a linha, para a zona ocidental, não termine em Belém (como promete o CDS), mas no vale de Alcântara.

João Ferreira, da CDU, também interviria na questão da expansão do metro, rejeitando o projeto de criação de uma linha circular proposto por Medina e considerando que “é necessário é repor níveis mínimos de oferta”. “A concretização da linha circular será um erro”, disse o candidato comunista. “Acrescenta poucas opções de mobilidade, nem sequer há um consenso relativamente à utilização desse tipo de redes na Europa. Quem está na zona norte fica sem ligação ao centro da cidade”, argumentou.

A culpa da falta de casas de banho é de Santana?

Outra das picardias que marcaram a manhã foi entre Teresa Leal Coelho e João Ferreira, com a candidata social-democrata a repetir um dos argumentos que mais tem usado ao longo da campanha, que diz “dedicar às pessoas”. O crescimento económico da cidade, defendeu, tem de ser “aproveitado para resolver problemas das pessoas da Lisboa escondida”. “Há pessoas em Lisboa que vivem sem casa de banho”, afirmou esta manhã, tal como tantas vezes ao longo da campanha nos últimos dias.

“Tenho ouvido Teresa Leal Coelho chocar-se por não existirem casas de banho em algumas casas de Lisboa”, respondeu João Ferreira. O candidato comunista recordou que a câmara de Lisboa, quando foi presidida por João Soares num acordo PS-CDU, teve um projeto que passava por construir casas de banho nas habitações com essa necessidade. “O programa ficou a meio porque Santana Lopes o suspendeu quando assumiu a câmara”, lembrou Ferreira. Teresa Leal Coelho não ficou indiferente a esta acusação de Ferreira ao PSD, garantindo que “o último presidente de câmara que reabilitou verdadeiramente a cidade foi Pedro Santana Lopes”.

A candidata do PAN, Inês Sousa Real, manteve-se à margem das discussões mais acesas e aproveitou os tempos em que se conseguiu fazer ouvir para defender uma “cidade mais verde” para 2021. “Sei que há temas menos atraentes, como as alterações climáticas, mas que têm de estar em cima da mesa”, defendeu.

CDU. João Ferreira porta-a-porta: “Não voto na CDU, mas você é giro”

A promessa: “Se for eleito presidente cá estarei no dia seguinte”, disse quando um eleitor lhe perguntou se admite deixar Bruxelas.

O que ouviu: “Não voto na CDU, mas você é giro”. E o que respondeu? Estendeu um folheto e disse : “Aí encontra outras boas razões para votar na CDU”.

Na reta final da campanha, João Ferreira não deixa créditos por mão alheias e entra em praticamente todos os estabelecimentos comerciais abertos da Estrada de Benfica na tentativa de convencer eleitores. “Posso deixar-lhe as razões para votar na CDU?” De volta recebe quase sempre reconhecimento pelo trabalho do partido, ainda que nem sempre a promessa de voto. O candidato espera que dessa espécie de vitória moral possa sair mais qualquer coisa no domingo: a manutenção de dois vereadores na CML.

“Ficou evidente que existe muita gente que não é da CDU, que não se reconhece neste quadrante mas reconhece nos eleitos da CDU uma preparação ímpar e um conhecimento ímpar dos problemas da cidade e uma capacidade de intervir sobre os problemas da cidade. Creio que isso nos dará um bom resultado”, diz João Ferreira.

A CDU tem dois vereadores na Câmara, João Ferreira é, ao mesmo tempo, eurodeputado em Bruxelas, e na arruada desta quinta-feira, um senhor pergunta-lhe isso mesmo: “Está disposto a deixar Bruxelas e vir para a Câmara?”. “Se for eleito presidente cá estarei no dia seguinte”, começa por responder para logo se desdobrar em explicações dizendo que “ninguém está a tempo inteiro, só quem tem pelouro” e a CDU não tem “porque o atual executivo não quis atribuir pelouros”. Nenhum argumento parece convencer o interlocutor — “o meu clube não é o seu” —, pelo que João Ferreira puxa da questão do “reconhecimento” do trabalho autárquico dos comunistas para lembrar que “há pessoas de todos os quadrantes a votar na CDU”.

Por ali, na Estrada de Benfica, usa ainda outro argumento, mais local: a questão do estacionamento pago. Entra um café e faz saber a quem está ao balcão que “a CDU não está de acordo com o alargamento do estacionamento pago a toda a cidade. Tem razões para existir, mas não como princípio geral”. Ouve um senhor dizer que tem quatro filhos e que se comprar passe para todos… João Ferreira nem o deixa acabar: “Fica mais barato andar de carro, é o que estou a dizer”.

Aos jornalistas repetiu, depois, que “o princípio é mau” e que “não pode ser desligado do financiamento da Carris que depende dos bilhetes e passes que os passageiros pagam e das receitas de estacionamento”. “Isto é perverso” e “contraditóro com o objetivo de retirar carros da cidade. Um bom financiamento do transporte público depende de carros na cidade e isso é errado e perverso”.

Mais adiante entra numa loja tradicional, a “Casa da Selva”, que se queixa da desigualdade de oportunidades em comparação com o que se passa nas grandes superfícies. Também fala no estacionamento, que afasta as pessoas. O candidato ouve e aproveita a deixa: “Imagino que quer ter na Câmara alguém que a defenda a si e não à Sonae”.

E há pessoas com quem nem chega a usar argumentos, como a senhora que passa por ele, pára e atira: “Você é giro”. João Ferreira agradece e estica imediatamente o panfleto da CDU: “Aí encontra outras boas razões para votar na CDU”. Podem existir “outras”, mas a interlocutora fica-se pela sua: “Não voto na CDU, mas você é giro”.

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