Do sobrinho que matou a tia aos traficantes de droga. Quem são os portugueses procurados pela Interpol? /premium

10 Fevereiro 2019239

A lista atual (e pública) da Interpol tem 11 suspeitos portugueses. São todos homens. A maioria é procurada por tráfico de droga. Mas há mais, embora procurados secretamente.

Três dias depois de Ana Barros ter sido dada como desaparecida, em maio de 2010, o sobrinho fugiu. O corpo da mulher de 55 anos acabaria por ser encontrado enterrado na cave da casa onde vivia, situada no número 1 da rua Housman, na cidade de Danbury, no estado norte-americano de Connecticut. O homicida tinha esfaqueado a tia até à morte e, de seguida, espalhou cimento, que acabou por solidificar, em cima do corpo. 

O caso chocou toda a comunidade portuguesa emigrada naquela zona. “Todos os portugueses estão em choque. Tínhamos um piquenique marcado num clube português. Quando ouvimos as notícias, todos ficámos em choque“, disse uma emigrante portuguesa, na altura, em declarações à NBC Connecticut. Ana Barros não tinha filhos e nunca tinha casado. Vivia há 30 anos num apartamento que pertencia à casa que a irmã, Maria Costa, e o marido, Gaspar Costa, tinham naquela cidade. Foi a sobrinha de Ana Barros que reportou o seu desaparecimento, no dia 28 de maio de 2010. Tinha-a visto pela última vez 17 dias antes.

O cartaz divulgado em maio de 2010, que dava conta do desaparecimento de Ana Barros (Imagem: SomeoneIsMissing.com)

Na primeira semana de junho, na sequência das buscas, o carro de Ana Barros foi encontrado num parque não muito longe da casa onde vivia. Ela esteve desaparecida até 7 de junho, quando o corpo foi encontrado. Nesse dia, o caso do desaparecimento transformou-se num caso de homicídio e a pergunta passou a ser: quem matou Ana Barros?

A resposta acabaria por levar a à emissão de um mandado de detenção internacional para Daniel Costa, português, sobrinho da vítima, que, depois do crime, tinha fugido dos Estados Unidos. O suspeito passou a ser alvo de um alerta vermelho da Interpol: um pedido que segue para todos os países, apelando à cooperação internacional para descobrir onde está a pessoa procurada e para a deter, provisoriamente, até que ela seja extraditada de novo para o país que a quer julgar ou no qual tem uma pena para cumprir.

Os alertas vermelhos são, por regra, tornados públicos numa lista. E nessa lista de procurados da Interpol há agora 11 portugueses. São todos homens — embora já tivesse havido mulheres portuguesas — e a maioria é procurada por crimes de tráfico de droga. Estarem ali não significa, necessariamente, que ninguém saiba onde estão. Por vezes, os suspeitos já foram até detidos no país para onde fugiram, mas o alerta mantém-se. É que o mandado de detenção internacional só se esgota quando o suspeito é, de facto, extraditado e entregue às autoridades que o procuram. E há casos em que a extradição não é autorizada.

Por regra, Portugal, por exemplo, não extradita portugueses procurados no estrangeiro — a não ser que tenha um acordo de cooperação específico com o país em causa. O que significa que dificilmente um cidadão português, procurado, por exemplo, pela Argentina e encontrado em Portugal, seja extraditado para o país de origem.

Porque é que, nesses casos, o mandado se mantém? Porque se esse mesmo português viajar entretanto para fora de Portugal, as autoridades do país para onde for podem prendê-lo e, aí sim, entregá-lo a quem o procura.

Quem são então os 11 portugueses que a Interpol tem na lista?

Daniel Costa, 49 anos

Procurado pelos EUA por homicídio e tentativa de furto em terceiro grau

O sobrinho de Ana Barrros foi suspeito quase desde o início da investigação. Na altura com 41 anos, Daniel Costa estava em Danbury quando o crime aconteceu — foi ali, aliás, que nasceu. Não é claro se vivia com a tia ou não. Algumas notícias escritas na altura, em jornais locais, escrevem que, de facto, vivia no mesmo prédio que Ana Barros, embora em apartamentos diferentes. Outros relatam que terá ido lá temporariamente. Isto porque Maria e Gaspar Costa, os pais e proprietários da casa onde a vítima vivia, já tinham voltado de vez para Portugal e estariam, apenas, a passar uma temporada em Danbury quando o crime aconteceu. Daniel, que estaria também, nesta versão, a viver em Portugal, ter-se-ia juntado aos pais, na cidade norte-americana mais tarde — pouco tempo antes de Ana Barros ter sido dada como desaparecida. Há um consenso, porém: de uma maneira ou de outra, Daniel estava em Danbury quando a tia foi assassinada.

Em outubro de 2010, foi emitido um mandado de detenção para Daniel Costa. O português — que também tem nacionalidade norte-americana — tinha deixado o país poucos dias depois de ser reportado o desaparecimento da tia e, acreditavam as autoridades, teria fugido para Portugal. Por esta altura, era já o principal suspeito do crime. Antes de deixar os EUA, o sobrinho da vítima — que tinha contraído empréstimos que ultrapassavam os 600 mil euros — teria tentado, sem sucesso, retirar dinheiro da conta bancária de Ana Barros. Na tese da investigação, teria sido este o móbil do crime.

Os alertas da Interpol

  • Vermelho – procuras para detenção provisória com vista à extradição;
  • Azul – procuras para localização, identificação, antecedentes;
  • Verde – informação sobre pessoas suscetíveis de desenvolver uma atividade criminosas a nível internacional;
  • Amarelo – informação sobre pessoas desaparecidas ou pessoas a identificar em razão da sua incapacidade;
  • Preto – informação sobre cadáveres por identificar.

Gabinete Nacional da Interpol

Daniel, atualmente com 49 anos, foi acusado de homicídio — punido, no estado norte-americano de Connecticut, com pena de prisão efetiva de, no mínimo, 25 anos. Foi ainda acusado de tentativa de furto em terceiro grau — é classificado em terceiro grau um furto de valores entre os dois e os 10 mil dólares (entre 1750 e 8730 euros) — punido com uma pena de prisão efetiva de um a cinco anos e ainda uma multa até cinco mil dólares (4360 euros).

Carlos Miguel Pina de Castro e Silva, 48 anos

Procurado pelo Brasil por tráfico de droga internacional

Foi descrita como uma das maiores apreensões da história do porto de Santos, no litoral da cidade brasileira de São Paulo. No total, a Polícia Federal do Brasil apreendeu mais de 3,7 toneladas de cocaína721 mil reais (230 mil euros), 21 armas, uma dezena de carros e uma lancha. Aconteceu em março de 2014, como resultado das investigações Hulk e Oversea — ambas de tráfico de estupefacientes naquele porto —, que tinham como alvo dezenas de organizações criminosas.

Durante um ano, os investigadores intercetaram cerca de 1,3 milhões de comunicações entre os traficantes, de 130 telemóveis diferentes. As diligências permitiram que se chegasse a uma conclusão: a cocaína produzida em países vizinhos do Brasil, era introduzida em mochilas e sacos que eram colocados, posteriormente, em contentores por funcionários do porto — que alegaram não ter conhecimento nem do conteúdo da carga nem dos proprietários. Esses contentores eram, depois, transportados para a Europa, África e Cuba.

Mais de 3,7 toneladas de cocaína foram apreendidas no decorrer das operações (Foto: Polícia Federal)

Desde o início das investigações, já foram detidas 69 pessoas. No dia em que foram feitas as buscas, 350 polícias tinha 46 mandados de detenção para cumprir, como anunciou a Polícia Federal em comunicado. Metade foi cumprida no momento, com 23 traficantes a serem detidos em flagrante delito. Os restantes 23 conseguiram fugir — e entre eles estavam portugueses.

No dia seguinte, a Polícia Federal divulgava as imagens e os nomes de dez desses 23 suspeitos. A fotografia do português Carlos Miguel Pina de Castro e Silva surgia nessa lista, acusado de tráfico de droga internacional. As autoridades pediram, então, a colaboração da Interpol para o encontrar e o alerta vermelho foi emitido. Vários traficantes desta lista foram já, entretanto, detidos, mas o ninguém sabe onde está o suspeito português, atualmente com 48 anos.

Lisbio Maria Jacinto Jr Couto, 42 anos

Procurado pelos EUA por homicídio e outros 10 crimes

A lista é longa. Contabiliza as 11 acusações que este português, procurado pela Interpol, enfrenta — inclui crimes de homicídio, tentativa de homicídio, conspiração, corrupção e extorsão organizada, uso de violência e uso e posse de armas de fogo. Lisbio Jacinto Jr Couto é procurado pelo FBI, que oferece uma quantia superior a 20 mil dólares (mais de 17 mil euros) a qualquer pessoa que tenha informações que possam levar à sua detenção. “Devem ter em conta que pode estar armado e é perigoso, havendo risco de fuga”, lê-se no cartaz emitido pelo FBI.

Os crimes de que é acusado terão acontecido na Califórnia — para onde foi viver quando tinha apenas nove anos — e não estarão todos relacionados. Em primeiro lugar, as autoridades acreditam que Lisbio esteve envolvido em, pelo menos, três dos muitos crimes imputados a uma organização empresarial criminosa da Ásia: um assalto à mão armada em Hayward, a 11 de abril de 1997; um assalto à mão armada e homicídio em San Jose, a 3 de maio de 1997; e um ataque informático a 9 de outubro de 1997, também em San Jose. O português, que também tem nacionalidade norte-americana, só viria porém a ser acusado de participar nestes crimes organizados em julho de 2004.

O cartaz divulgado pelas autoridades norte-americanas que procuram Lisbio (Imagem: FBI)

Antes disso, já era suspeito de ser o autor de um homicídio ocorrido a 17 de abril de 1998, também no estado da Califórnia. A vítima foi morta enquanto estava sentada num carro estacionado ao lado de uma casa em Fountain Valley, onde decorria uma festa. Lisbio foi apontado como suspeito e, em outubro desse ano, foi emitido um mandado de detenção em seu nome.

Até agora, continuará em parte incerta — apesar de outros membros da alegada rede criminosa asiática, a que terá pertencido em 1997, já terem sido capturados e julgados. Foi o caso de Ted Nguyen, condenado, em dezembro de 2016, a 24 anos de prisão pelo envolvimento em dois assaltos — nos quais Lisbio não é suspeito de ter participado. No julgamento, Nguyen, que acabou por confessar os crimes, explicou que a organização estava na origem de múltiplos assaltos e homicídios que aconteceram nos estados da Califórnia e Las Vegas, entre 1993 e 2001. Quase todos os elementos do gang foram identificados, detidos e julgados. Há dois ainda à solta: Jerry Hu e o português.

Domingos Duarte Lima, 63 anos

Procurado pelo Brasil por homicídio

É a cara mais conhecida da lista dos portugueses procurados pela Interpol. Mas também o procurado que todos sabem onde está: em Portugal. Ainda no início do mês de janeiro, Duarte Lima foi absolvido de um crime de abuso de confiança, pelo Tribunal Criminal de Lisboa. Segundo a acusação, o advogado e antigo deputado do PSD ter-se-ia apropriado indevidamente de cinco milhões de euros de uma cliente, Rosalina Ribeiro, a companheira do empresário Tomé Feteira. Duarte Lima sempre alegou que esse valor dizia respeito ao pagamento de honorários por serviços prestados como advogado.

Não é este crime que põe Duarte Lima na lista dos portugueses procurados da Interpol. Mas estão relacionados. É que Rosalina Ribeiro foi assassinada no Brasil, a 7 de dezembro de 2009, depois de um encontro com o português, diz a acusação. E os cinco milhões de euros terão sido, de acordo com a investigação da polícia brasileira, o móbil do homicídio — a vítima teria pedido a Duarte Lima que devolvesse od dinheiro e terá sido isso que motivou o crime.

Em 2011, a justiça brasileira acusou formalmente o advogado português de homicídio e emitiu um mandado de detenção, que fez com que a Interpol lançasse um alerta vermelho.

Não serviu de nada. Como prevê a Constituição, a extradição de Duarte Lima só seria permitida se estivesse em causa um crime de terrorismo ou suspeitas de crime organizado internacional — o que não é o caso. Perante essa impossibilidade, o Superior Tribunal de Justiça brasileiro determinou que o processo fosse transferido para Portugal para poder ser julgado em Lisboa. A defesa de Duarte Lima ainda recorreu, opondo-se a essa hipótese, mas perdeu. Ainda assim, o mandado de detenção das autoridades brasileiras mantém-se ativo.

Carlos Bolieiro, 56 anos

Procurado pelos EUA por agressão sexual agravada

A denúncia foi apresentada à polícia pela mãe da vítima, a 5 de agosto de 2013, já depois de confrontar o suspeito: durante 10 meses, uma jovem de 14 anos teria sido agredida sexualmente, de forma repetida, por Carlos Bolieiro — um habitante de Hooksett, cidade no estado norte-americano de New Hampshire, embora fosse natural de Povoação, uma vila na ilha de São Miguel.

O cartaz divulgado pelas autoridades norte-americanas que procuram Carlos Bolieiro (Imagem: U.S. Marshals)

Assim que o açoriano, com dupla nacionalidade (portuguesa e norte-americana), teve conhecimento, através da mãe da vítima, de que a filha teria feito queixa, fugiu. Mas, nas buscas domiciliárias realizadas de imediato, a polícia encontrou provas suficientes para acusá-lo de três crimes de agressão sexual e emitir um mandado de detenção.

As autoridades acreditam que Carlos Bolieiro terá fugido por via terrestre para a América do Sul, mais propriamente para o Brasilde acordo com notícias publicadas na altura. “Sabe-se que Bolieiro tem família em Nashua, Hudson, na zona de Manchester, bem como em Massachusetts“, lê-se também no alerta emitido pela U.S. Marshals — uma unidade de polícia federal dos EUA, pertencente ao Departamento de Justiça daquele país. A 19 de setembro de 2013, um mandado de detenção foi emitido e as autoridades norte-americanas pediram ajuda à Interpol para o encontrar.

Serafim Pereira Almeida da Cruz, 61 anos

Procurado pela Argentina por tráfico de droga

É natural de Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo, e tem 1,6 metros de altura. Os dados sobre Serafim da Cruz, de 61 anos, esgotam-se aqui. Pouco mais se sabe sobre este português que as autoridades da Argentina procuram. Está acusado de tráfico de droga e terá, ainda, paradeiro desconhecido.

Jorge Manoel Rosa Monteiro, 59 anos

Procurado pelo Brasil por lavagem de dinheiro e tráfico de droga

A operação Caravelas, levada a cabo pela Polícia Federal do Brasil, em 2005, desmontou uma rede de tráfico de droga que enviava grandes quantidades de cocaína para a Europa, dentro do bucho de bovinos congelados. Com os lucros, os traficantes compravam imóveis, carros e outros produtos de luxo, criando, para tal, empresas com nomes de sócios falsos ou testas de ferro — uma forma de ocultar a origem a origem do dinheiro.

Dois anos depois, o Ministério Público acusou 16 pessoas de branqueamento de capitais. Para nove dos suspeitos, decretou prisão preventiva: entre eles, Jorge Manoel Rosa Monteiro, um português, natural de Lisboa, atualmente com 59 anos. Mas ninguém o conseguiu encontrar para o deter preventivamente e, por isso, foi emitido um alerta vermelho pela Interpol.

António Palinhos Jorge Pereira, 73 anos

Procurado pelo Brasil por lavagem de dinheiro e tráfico de droga

Jorge não era o único português envolvido no esquema de tráfico de droga e lavagem de dinheiro, desmontado pela operação Caravelas. Esta investigação colocou alguns portugueses na lista dos criminosos mais procurados pela Interpol. António Palinhos Jorge Pereira foi outro dos detidos que ainda continua em fuga. Sem imagem disponível, a Interpol emitiu, ainda assim, um alerta vermelho para ele. Sabe-se apenas que é natural de Rendo, uma freguesia do Sabugal, no distrito da Guarda.

José António de Palinhos Jorge Pereira Cohen, 68 anos

Procurado pelo Brasil por lavagem de dinheiro, tráfico de droga e falsificação de documentos

José António de Palinhos Jorge Pereira Cohen foi outro dos portugueses envolvidos na rede desmontada pela operação Caravelas. Foi, aliás, detido em flagrante e condenado a 28 anos, quatro meses e dez dias de prisão efetiva. Chegou a ser transportado para o Complexo Prisional da Aparecida, em Grande Goiania, capital do estado brasileiro de Goiás, onde deveria cumprir a pena, mas conseguiu fugir, em 2006, numa das saídas dos reclusos da prisão para trabalhar. É descrito como “muito perigoso” e as autoridades brasileiras chegaram a oferecer um milhão de euros de recompensa a quem o conseguisse capturar.

Mas um erro na emissão do mandado de detenção fez com que José Cohen conseguisse fugir para Portugal. Instalou-se na zona de Aveiro, onde ficou muitos anos. De acordo com o Correio da Manhã, numa notícia publicada em 2011, o suspeito, atualmente com 68 anos, tinha negócios no ramo imobiliário e da restauração, em várias zonas do norte do país, através de uma empresa sediada num paraíso fiscal.

Em 2010 — só nesse ano é que, segundo a Globo, o mandado de detenção foi emitido pela Interpol —, a PJ começou a receber informações de que o suspeito poderia estar por ali, mas nunca conseguiu encontrá-lo. Um ano depois, em maio, foi detido numa operação relâmpago durante a inauguração da sua nova pizzaria, no centro de Aveiro. O mesmo jornal recorda que José Cohen não reagiu à detenção nem tentou fugir.

Depois de ser presente a tribunal, ficou preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Lisboa a aguardar a extradição para o Brasil. Mas o pedido formal de extradição nunca chegou e, na manhã de 14 de junho de 2011, foi colocado em liberdade. O advogado de José Cohen chegou a dizer, em declarações à agência Lusa, que ia pedir uma indemnização ao Estado português por prisão ilegal do arguido. “Desde o início que as autoridades sabiam que a extradição não era possível, porque não há extradição entre Portugal e o Brasil desde que sejam cidadãos naturais”, disse. Ainda assim, tal como no caso de Duarte Lima, o mandado de detenção continua ativo.

João Paulo Ferreira Marques, 51 anos

Procurado pela Argentina por tráfico de droga

droga era tratada para ficar preta e, assim, ser confundida com carvão. Isto porque João Paulo Ferreira Marques era, à data, dono de uma empresa de carvão em Portugal e, assim, camuflava os carregamentos de cocaína com destino à Europa. A rede foi detetada pelas autoridades argentinas durante uma operação na cidade de Salta, no norte do país, em que foram apreendidos 357 quilos de droga.

Nove pessoas, entre colombianos e argentinos, foram detidas no momento da operação, apelidada de Carbón Blanco. Uma delas foi Luis Antonio Cifre, ex-autarca daquela zona. Estava envolvido na rede e era, também, tio do português. Ficaram em prisão preventiva, mas, em 2013, os dois foram colocados em liberdade, de acordo com a rádio Cadena Entrerriana, pelo juíz Raúl Reynoso, em resposta a um recurso da advogada María Elena Esper —ambos, mais tarde, processados por suspeitas de terem aceitado subornos para os libertar, conta o jornal de Salta, Nuevo Diario. Em 2015, um outro juiz, Gustavo Montoya, emitiu um mandado de detenção e a Interpol lançou um alerta vermelho.

O português foi o último elemento da rede a ser capturado — aconteceu em setembro de 2017, na cidade de Torres Vedras, no distrito de Lisboa. Inspetores do gabinete da Interpol da Argentina vieram a Portugal com informações de que João Paulo Ferreira Marques estaria em território português. Em colaboração com as autoridades portuguesas, o suspeito acabaria por ser detido e foi pedida a sua extradição. O mandado de detenção ainda está, no entanto, ativo — o que significará que não foi extraditado.

Mário António Fonseca, 59 anos

Procurado pelo Brasil por lavagem de dinheiro e tráfico de droga

Com dupla nacionalidade (portuguesa e norte-americana), Mário António Fonseca é outro português que levou a Interpol a emitir um alerta vermelho. Pouco se sabe sobre ele. É procurado pelas autoridades do Brasil por suspeitas de lavagem de dinheiro e tráfico de droga. Tem, atualmente, 59 anos e não há sinais do seu paradeiro.

Há outros portugueses procurados (secretamente) pela Interpol

Fonte da Interpol confirma ao Observador que, de uma forma ou de outra, todos estes suspeitos continuam na lista: só os países que emitiram o mandado de captura é que os podem retirar e enquanto não o fizerem, os suspeitos continuam a ser procurados. “A Interpol não emite mandados de detenção. Isso é sempre feito pela polícia dos 194 países membros, de acordo com as regras de cada país”, esclareceu a mesma fonte.

A lógica é sempre a mesma: serem presos nos países para onde fugiram não significa necessariamente que sejam extraditados. E o mandado só se esgota com a extradição.

"A Interpol não emite mandados de detenção. Isso é sempre feito pela polícia dos 194 países membros, de acordo com as regras de cada país"
Fonte da Interpol

E isto também não significa que estes sejam os únicos portugueses procurados internacionalmente: os mandados de captura pode ser públicos (como estes 11) ou de acesso reservado. Cabe ao país que procura um suspeito decidir como o quer fazer. Para isso, tem de avaliar o que é melhor para a investigação: que toda a gente, incluindo o suspeito, saiba que as autoridades estão à sua procura ou que se mantenham as buscas em segredo. Se optar por esta última, o alerta vermelho é lançado às autoridades dos outros países, mas o nome fica fora da lista. O que significa que a estes 11 da lista, podem juntar-se outros portugueses, procurados secretamente.

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