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“Tem sido um grande aliado.” De visita a Lisboa esta quinta-feira, o secretário de Estado norte-americano deixou vários elogios ao nosso país. Numa administração Trump que olha com alguma distância para a Europa, Marco Rubio parece ter os seus países europeus favoritos — e Portugal está claramente nesse lote. Sendo uma das vozes mais influentes junto de Donald Trump, já que também ocupa o cargo de conselheiro de Segurança Nacional, o chefe da diplomacia norte-americana reconheceu o valor estratégico do país, destacando os “cabos submarinos, a energia barata, as reservas de minerais críticos e os data centers gigantes”.
Para a atual administração norte-americana, as relações internacionais baseiam-se sobretudo numa postura transacional. Ou seja, as alianças mudam consoante o momento e se ajudarem a salvaguardar os interesses vitais dos Estados Unidos da América (EUA). Nesta lógica, não há cheques em branco. Neste contexto, a viagem de Marco Rubio serviu para demonstrar que Portugal é importante estrategicamente para os Estados Unidos. Seja em termos económicos ou militares, o país não é indiferente à Casa Branca.
Além disso, o secretário de Estado aproveitou a visita para tentar fechar um negócio: promoveu a venda dos caças F-35 — que descreveu como os “melhores do mundo” — ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. Antes disso, Marco Rubio já tinha estado no Palácio de São Bento com o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Num périplo por três países europeus da NATO com forte projeção marítima, que incluiu também a Grécia e a Islândia, o chefe da diplomacia americana não veio a Lisboa apenas dizer palavras cordiais e realçar a amizade entre países. Veio demonstrar que, na Europa, os Estados Unidos contam com Portugal para fazer negócios e para apoiar a Casa Branca no atual contexto geopolítico.
▲ Marco Rubio fez um périplo pela Europa: Islândia, Grécia e Portugal
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Rubio vestiu o fato de vendedor e lembrou: F-35 são os “melhores do mundo”
Neste momento, as Forças Armadas nacionais estão num impasse. A frota de 28 aeronaves F-16 tem de ser renovada e em cima da mesa estão várias opções: os caças de fabrico sueco Gripen, os franceses Rafale, os europeus Eurofighter Typhoon e os norte-americanos F-35. O Governo ainda não tomou qualquer decisão, encontrando-se num dilema: deve apostar na indústria de Defesa europeia ou manter a dependência militar dos Estados Unidos, sob o risco de Washington adotar uma postura cada vez mais isolacionista? O Executivo de Luís Montenegro tem hesitado sobre qual o caminho a seguir.
Marco Rubio não pressionou diretamente e deixou para os “representantes eleitos” pelos portugueses a tarefa de “decidir”. “Em última instância”, cabe ao Governo português “tomar uma decisão”, disse. Ainda assim, insistiu que Portugal deve comprar os F-35: “O que pedimos é uma oportunidade justa — e penso que vamos ter uma — para fazer uma apresentação e uma proposta muito competitiva face às outras aeronaves em cima da mesa. Não estou aqui para promover outras aeronaves de outros países. Queremos que eles comprem os F-35“.
“Eles vão decidir o processo. Nós só queremos uma oportunidade para mostrar”, pediu Marco Rubio, que tentou seduzir o Governo destacando a grande vantagem do F-35: “A interoperabilidade”, porque é o mesmo caça que os Estados Unidos e vários Estados-membros da NATO utilizam. “Mas a escolha será deles”, ressalvou o chefe da diplomacia americana.
▲ Caças F-35
CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA
O secretário de Estado recordou ainda que “os dois países alcançaram tantas coisas juntos no passado” na área da Defesa. “Trabalhámos intensamente para montar os arsenais das vossas Forças Armadas. Construímos a vossa frota dos F-16, fortalecendo não apenas as duas nações em segurança e defesa, mas, francamente, a fortalecer a NATO em resultado disso. Isto aconteceu através de décadas de manutenção, treino partilhado e operações conjuntas”, lembrou Marco Rubio, numa tentativa de mostrar aos portugueses como a interação neste assunto sempre foi positiva — e poderá continuar a ser com os F-35.
Por sua vez, Paulo Rangel manteve-se na defensiva e não desenvolveu o assunto. “A decisão não está tomada”, frisou. “É evidente que o Estado português decidirá sempre com base no interesse nacional. Esse será sempre o critério”, garantiu. “Nós também estamos a olhar para a proposta dos Estados Unidos sobre os F-35. Estamos a encará-la, como estamos a encarar outras. Mas não me compete a mim e também cabe ao Ministério da Defesa pilotar esse processo”, disse o social-democrata.
O Governo está atualmente a receber e analisar propostas de vários fabricantes militares, incluindo a sueca Saab (Gripen), a francesa Dassault (Rafale), o consórcio europeu liderado pela Airbus (Eurofighter Typhoon) e a norte-americana Lockheed Martin (F-35). Embora ainda não exista um calendário oficial para a tomada de decisão, as empresas têm intensificado os esforços para vender as aeronaves, apresentando medidas como o fabrico e produção de peças em território nacional para convencer o Executivo de Luís Montenegro.
▲ Marco Rubio e Luís Montenegro à porta do Palácio de São Bento
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Os cabos submarinos, negócios na Europa e o narcotráfico. A importância de Portugal para os EUA
Antes de Portugal, Marco Rubio esteve na Islândia e na Grécia. No início da semana, passou pelo país nórdico, que tem uma importância estratégica numa área do mundo onde os Estados Unidos procuram reforçar a sua presença: o Ártico. Após o acordo alcançado com a Dinamarca para o reforço da presença norte-americana na Gronelândia, o secretário de Estado procurou aprofundar a cooperação com o Governo islandês em matéria de segurança e nas rotas marítimas da região.
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Na Grécia, onde discursou tendo como pano de fundo o Partenon e elogiou os feitos da civilização ocidental, Marco Rubio tentou replicar a narrativa que circula no movimento Make America Great Again (MAGA) de elogio ao Ocidente. No entanto, não foi apenas isso: a Grécia ocupa um papel cada vez mais importante no Mediterrâneo Oriental, seja pela sua proximidade ao Médio Oriente, seja pelos investimentos que os Estados Unidos pretendem fazer na economia grega.
Tal como a Islândia e a Grécia, Portugal tem também as suas vantagens estratégicas. A Zona Económica Exclusiva portuguesa abrange cerca de 1,7 milhões de quilómetros quadrados. É um espaço cada vez mais importante no entender norte-americano, principalmente pelos cabos submarinos que ligam os dois lados do Atlântico. “Portugal desempenha um papel importante em fortalecer o comércio dos EUA e a garantir que a tecnologia norte-americana chegue ao continente europeu e mais além disso”, destacou Marco Rubio.
▲ Marco Rubio sublinhou que Portugal é uma "porta de entrada" para as empresas norte-americanas na Europa
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Para o chefe da diplomacia norte-americana, Portugal desempenha também um papel económico importante na Europa. O país é uma “porta de entrada ideal”, sob uma “perspetiva geográfica e económica”, para que “empresas tecnológicas norte-americanas entrem na Europa”. Esta é a importância que a atual administração Trump vê no território nacional: um primeiro ponto de entrada para que as gigantes tecnológicas se instalem e, mais tarde, consigam expandir-se para outros países europeus.
“Os nossos governos vão continuar a seguir os caminhos necessários para realizar investimentos futuros em indústrias críticas, como a superinteligência [designação que a administração Trump passou a utilizar oficialmente nos Estados Unidos para se referir à inteligência artificial], a indústria aeroespacial, a defesa e outros setores estratégicos”, prevê Marco Rubio. O secretário de Estado vê Portugal como um polo na Europa onde as gigantes tecnológicas norte-americanas podem prosperar.
Noutro assunto de que “não se fala o suficiente”, Marco Rubio elogiou os “esforços bem-sucedidos” de Portugal a “combater o narcotráfico em todo o mundo”: “Nos últimos dois anos, Portugal apreendeu cerca de duzentas toneladas de cocaína, incluindo aproximadamente 47 toneladas em 2026. Além disso, Portugal fez parcerias com múltiplos países no Hemisfério Ocidental para combater o tráfico de droga e as organizações criminosas transcontinentais de droga”.
▲ Ao lado de Paulo Rangel, Marco Rubio elogiou "combate ao narcoterrorismo" de Portugal
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Os Estados Unidos têm dado grande importância ao combate deste fenómeno, para o qual Portugal tem sido útil. Desde meados de 2025, o Pentágono autorizou operações militares em redor das Caraíbas para evitar que as redes de tráfico de drogas cheguem a território norte-americano. Foi a partir deste contexto, aliás, que prenderam em janeiro de 2026 o antigo Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusando-o de liderar um cartel — o de Los Soles — que usava a cocaína “como arma contra os Estados Unidos”.
Lajes. O tema que liga Portugal aos EUA e em que Rubio lembrou os “protocolos”
A Base das Lajes, na ilha açoriana da Terceira, voltou a ganhar importância geoestratégica com a guerra no Irão que começou a 28 de fevereiro deste ano. Localizada em pleno Oceano Atlântico, a infraestrutura militar — gerida em cooperação com os Estados Unidos — serviu como um ponto logístico crucial para o reabastecimento de aeronaves norte-americanas a caminho do Médio Oriente. Além disso, a base foi utilizada para a paragem e montagem de drones kamikaze de ataque MQ-9 Reaper.
Num momento em que a guerra no Irão está num impasse — Donald Trump anunciou esta quinta-feira que poderá voltar a atacar o país, mas apenas depois do 3 de novembro, data das eleições intercalares norte-americanas —, a base das Lajes continua a ser importante para os Estados Unidos. Nunca se sabe se a operação militar vai escalar e se a infraestrutura na ilha da Terceira não voltará a ser útil.
“Seguimos sempre o protocolo”. Rubio e Rangel defendem Lajes
O secretário de Estado não escondeu que isso poderá voltar a acontecer. Recordando que quando era senador era um “ferrenho apoiante da NATO”, Marco Rubio salientou que a Aliança Atlântica permite que os Estados Unidos “mantenham presença na Europa” — e que isso permite a Washington “projetar poder num tempo de crise noutras partes do mundo”, como aconteceu no Irão. “Essa é uma das razões pelas quais a NATO é valiosa para os Estados Unidos.”
Na conferência de imprensa em Lisboa, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos não deixou de mandar um recado a outros países que não foram um “grande aliado” da Casa Branca durante a guerra no Irão. Na mira estavam principalmente Espanha e Itália — que se recusaram a acolher nas suas bases aéreas aeronaves norte-americanas no conflito. “Nem todos os países se comportaram [como Portugal]”, atirou.
No entanto, respondendo a alguns críticos da utilização da base militar, Marco Rubio fez questão de sublinhar que existem “protocolos” que precisam de ser ativados antes de os Estados Unidos enviarem aeronaves para a base das Lajes. “Nós nunca violámos a soberania de qualquer país. Não é dessa forma que os aliados se comportam. Respeitámo-los sempre e cumprimos os acordos que temos com os aliados da NATO”, garantiu.
▲ Secretário de Estado garantiu que há "protocolos" antes de Lajes serem usadas
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Por sua vez, Paulo Rangel assegurou que não discutiu a Base das Lajes com o homólogo norte-americano. “Hoje o nosso menu foi muito orientado para as questões económicas, do comércio, do turismo e orientado para os grandes temas internacionais. Hoje [a base] não foi objeto de tratamento, até porque o protocolo e o tratado que está a regular estas relações têm servido as duas partes perfeitamente. Qualquer questão sobre o futuro propor-se-á nessa comissão bilateral permanente.”
Questionado ainda sobre o apelo da Amnistia Internacional para que Portugal não permita o uso da Base das Lajes pelos Estados Unidos, realizado esta quarta-feira, Marco Rubio classificou a organização não-governamental como uma “fraude”. Recordando que o regime iraniano “assassinou, a sangue frio, dezenas de milhares de pessoas nas ruas de Teerão e noutras partes do país”, o norte-americano enfatizou que “o que a Amnistia Internacional deve focar-se é em como o regime iraniano entra nos hospitais quando manifestantes ficam feridos e assassina as pessoas nas suas camas de hospital”.
“São crimes de guerra, são crimes contra a Humanidade, e são crimes que estão a cometer contra o próprio povo [iraniano]”, sustentou Marco Rubio, que repetiu a retórica dura de Donald Trump contra o regime dos aiatolas. Aliás, ao longo da sua carreira política, o secretário de Estado nunca escondeu a profunda animosidade que sente pelo Irão, que vê como um inimigo declarado dos Estados Unidos.
▲ Aviões norte-americanos na Base das Lajes
ANTÓNIO ARAÚJO/LUSA
A geopolítica: o reforço da NATO, a questão da China e as diferenças na Ucrânia
Ao contrário de várias figuras da administração Trump, o secretário de Estado nunca foi um isolacionista, defendendo o uso da força sempre que os interesses e a hegemonia norte-americanos estejam em causa. Sob esse prisma, a NATO é vista como uma forma de manter essa preponderância dos Estados Unidos na comunidade internacional. No entanto, alinhando-se mais no discurso do Presidente norte-americano, Marco Rubio tem insistido na necessidade de todos os Estados-membros investirem mais na sua Defesa.
Sobre Portugal, o chefe da diplomacia norte-americana mostrou-se satisfeito com o “compromisso” que o Governo fez “para gastar mais”. “Nem queria usar o termo ‘gastar’, é ‘investir’ mais em defesa”, reformulou, acrescentando: “A NATO é importante. A NATO tem de ser forte. Para a NATO ser forte, os Estados-membros da NATO têm de ser fortes. E, para isso, têm de ter as capacidades para isso. Quanto mais fortes os membros da NATO forem, mais forte a NATO é e mais forte a dissuasão é. A NATO existe como aliança defensiva que age como um dissuasor contra a hostilidade. E funcionou durante décadas”.
Reiterando a necessidade de que o “fardo” das despesas da Defesa seja partilhado pelos 32 Estados-membros da NATO, Marco Rubio também pretende colaborar na “construção da próxima geração de armamento que vai ser precisa e tecnologia avançada militar que vai ser necessária para deter os adversários no futuro“. Para os países europeus — incluindo Portugal — a principal ameaça tem um nome: Rússia. Para os Estados Unidos, tem outro: China.
▲ Pasta do Departamento de Estado
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Frisando o aumento da Defesa de Portugal, Paulo Rangel sublinhou que a NATO é um pilar “fundamental da defesa e da segurança” do país: “É uma das prioridades da nossa política externa”. “Continuamos a considerar essa relação fundamental, temos definido o nosso apoio irrestrito à Ucrânia e acreditamos que o contributo dos Estados Unidos é decisivo para que se alcance uma paz justa e duradoura”, indicou o ministro dos Negócios Estrangeiros.
Ao contrário de Paulo Rangel, Marco Rubio nunca falou sobre a Rússia ou a Ucrânia diretamente. Apenas quando foi questionado por um jornalista sobre qual era a sua reação a um ataque russo que matou 33 pessoas em Kramatorsk o fez — e o secretário de Estado não condenou Moscovo. Apenas assinalou que a guerra em curso “é muito perigosa”, alertando que a escalada no conflito pode “atingir outros países vizinhos que são membros da NATO”.
Na administração Trump, Marco Rubio tem sido uma das vozes que tem evitado que a Ucrânia ceda totalmente às exigências russas. No entanto, isso não significa que o secretário de Estado alinhe na narrativa de que o país pode vencer o conflito. Em vez disso, defende que os ucranianos e russos devem negociar e terminar a guerra com cedências de parte a parte. “No fim, não acreditamos que haja uma solução militar para este conflito. Quanto mais cedo, melhor. Os Estados Unidos estão prontos para facilitar isso. Tentámos. Vamos continuar a tentar. Mas não vamos investir em processos sem sentido se não conseguirmos fazer progressos”, sinalizou.
▲ Marco Rubio deixou claro que não vê uma solução militar para a guerra na Ucrânia
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Paulo Rangel apresentou uma visão distinta de Marco Rubio. Numa conferência de imprensa em que os dois líderes pareciam estar em plena sintonia, a guerra na Ucrânia foi o tópico em que se notou mais claramente alguma discórdia. O ministro dos Negócios Estrangeiros, questionado sobre o mesmo ataque, disse que Portugal vê a “agressão da Rússia como um grande perigo para o mundo”. “Estamos ao lado da Ucrânia de forma muito, muito clara”, vincou o social-democrata.
Aliás, ao lado de Marco Rubio, o ministro fez questão de enfatizar que, entre as opiniões públicas europeias, o apoio português à Ucrânia é um “dos maiores” na Europa, apesar da distância geográfica em relação à Rússia. “Os ataques, especialmente contra civis ucranianos, têm-se tornado cada vez mais agressivos”, lamentou Paulo Rangel.
No entanto, suavizando o discurso, o governante destacou que Portugal “apoia todos os esforços dos Estados Unidos” para terminar a guerra. “Penso que, neste momento, é o único interlocutor que é capaz de chegar a um acordo sustentável e à paz. Por isso, apoiamos esses esforços. E gostávamos mesmo de que houvesse uma solução, porque toda a gente concorda que a situação é muito difícil. Há um impasse no terreno. Precisamos de um cessar-fogo e de um acordo de paz apropriado em que os dois países respeitam a soberania um do outro.”
▲ Paulo Rangel foi bastante mais vocal na defesa da Ucrânia do que Marco Rubio
TIAGO PETINGA/LUSA
A China, o principal rival dos Estados Unidos, também entrou na conferência de imprensa. Um jornalista questionou Marco Rubio se aconselhou Paulo Rangel a reduzir a dependência portuguesa face a Pequim. O chefe da diplomacia norte-americana não deu uma resposta concreta, mas aconselhou Portugal a “não depender fortemente” de um parceiro e a “diversificar” os parceiros comerciais.
Já Paulo Rangel lembrou inicialmente que as relações entre Portugal e a China “são muito antigas”: “Têm mais de 500 anos”. O ministro sinalizou depois que o “investimento português obedece sempre” ao processo de screening, isto é, a um crivo padronizado que avalia se algum investimento pode colocar em risco a segurança nacional. “Isso é definido pela União Europeia”, notou, lembrando que os órgãos comunitários acabaram de aprovar novas leis que vão tornar as regras “muito sofisticadas e mais exigentes do que no passado”.
Visita de Rubio confirma que Portugal na UE escolheu a via atlantista
Subsistem várias dúvidas na Europa sobre que relação se deve manter com os Estados Unidos. Após a vitória de Donald Trump em 2024, alguns governos europeus veem o país como uma potência cada vez mais instável e com a qual não se pode contar no futuro — e, segundo eessa ordem de ideias, é preciso fomentar a autonomia do continente e procurar outros aliados. Outras vozes contrapõem com a necessidade de manter a Casa Branca interessada na Europa, ignorando as críticas e focando-se na importância das relações entre os dois lados do Atlântico.
▲ Governo vai manter via atlantista, garantiu Luís Montenegro a Marco Rubio
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Nesse espetro, o atual Governo português escolheu claramente a via mais atlantista. A visita de Marco Rubio demonstrou que, para Portugal, os Estados Unidos continuam a ser, nas palavras de Paulo Rangel durante a conferência de imprensa, um “parceiro estratégico”. O ministro dos Negócios Estrangeiros reforçou que, “enquanto Estado-membro da União Europeia, Portugal é seguramente um dos países que é campeão da prioridade que a Europa deve dar à relação transatlântica”.
O primeiro-ministro subscreveu as palavras de Paulo Rangel. No X, depois do encontro com Marco Rubio, Luís Montenegro disse que existe atualmente uma “relação bilateral excelente a todos os títulos e um grande potencial de colaboração entre Portugal e os Estados Unidos”. O chefe do Executivo enfatizou ainda a “profunda cooperação económica”.
A visita de Marco Rubio demonstrou que os “aliados históricos” vão manter a cooperação nos próximos tempos. Mesmo numa administração norte-americana que privilegia o isolacionismo, a Casa Branca parece compreender o potencial geopolítico e económico que Portugal tem para oferecer. Numa Europa a duas vozes sobre a relação a manter com Washington, o Governo português assume claramente o seu atlantismo — e os Estados Unidos veem com bons olhos que Lisboa siga esse caminho.