O Egito chega a um Mundial ainda marcado pelo maior paradoxo do seu futebol: ser a seleção mais titulada da história africana e, ao mesmo tempo, nunca ter vencido um único jogo em fases finais de Campeonatos do Mundo. Nas participações anteriores, o registo resumiu-se sempre a empates e derrotas. Quebrar esse bloqueio histórico continua a ser uma obsessão de uma equipa dominante no seu continente, mas que nunca conseguiu transportar essa supremacia para a fase final de um Mundial.
Esta edição assume um significado especial para Mohamed Salah, a um golo de igualar o maior goleador da seleção egípcia – o selecionador – e a cara de uma geração que procura finalmente deixar marca fora de África. O capitão egípcio sabe que as oportunidades em Mundiais são raras e que o tempo joga contra ele. A grande diferença face a campanhas anteriores está no enquadramento ofensivo: a afirmação de Omar Marmoush ao mais alto nível europeu trouxe uma segunda referência clara no ataque, reduzindo a dependência absoluta de Salah e oferecendo novas soluções em momentos decisivos.
Sem as expetativas que historicamente tem na Taça das Nações Africanas, o Egito apresenta-se no Mundial-2026 com um objetivo histórico, mas aparentemente simples: conquistar a primeira vitória da sua história num Campeonato do Mundo. Mais do que um simples resultado, trata-se de uma tentativa de alinhar o peso do seu palmarés continental com uma afirmação real no maior palco do futebol.
▲ Os adversários do Egito na fase de grupos são o Irão, a Nova Zelândia e a Bélgica
AFP via Getty Images
BI
- Ranking FIFA atual: 36.º (abril de 2026)
- Melhor ranking FIFA: 9.º (julho de 2010)
- Patrocinador: Puma (desde 2019)
- Alcunha: The Pharaohs (Os Faraós)
- Presenças em fases finais: 3
- Última participação: 2018 (fase de grupos)
- Melhor resultado: Fase de grupos em 1990 (2 pontos com Inglaterra, Rep. Irlanda e Países Baixos) e 2018 (0 pontos com Uruguai, Rússia e Arábia Saudita)
- Qualificação: 1.º lugar do grupo A da CAF (26 pontos em 10 jogos com Burquina Faso, Serra Leoa, Guiné-Bissau, Etiópia e Djibouti)
- O que seria um bom resultado? Conseguir a primeira vitória da sua história em Campeonatos do Mundo
Jogos desde junho de 2025
- Jogo particular, 6/6: Brasil (fora)
- Jogo particular, 28/5: Rússia (casa), 1-0 (V)
- Jogo particular, 31/3: Espanha (fora), 0-0 (E)
- Jogo particular, 27/3: Arábia Saudita (fora), 4-0 (V)
- CAN, 17/1: Nigéria (neutro), 0-0 (E, 2-4 g.p.)
- CAN, 14/1: Senegal (neutro), 0-1 (D)
- CAN, 10/1: Costa do Marfim (neutro), 3-2 (V)
- CAN, 5/1: Benim (neutro), 3-1 (V, a.p.)
- CAN, 29/12: Angola (neutro), 0-0 (E)
- CAN, 26/12: África do Sul (neutro), 1-0 (V)
- CAN, 22/12: Zimbabué (neutro), 2-1 (V)
- Jogo particular, 16/12: Nigéria (casa), 2-1 (V)
- FIFA Arab Cup, 9/12: Jordânia (casa), 0-3 (D)
- FIFA Arab Cup, 6/12: EAU (fora), 1-1 (E)
- FIFA Arab Cup, 2/12: Kuwait (casa), 1-1 (E)
- Jogo particular, 17/11: Cabo Verde (casa), 1-1 (E, 2-0 g.p.)
- Jogo particular, 14/11: Uzbequistão (fora), 0-2 (D)
- Qualificação CAF, 15/10: Guiné-Bissau (casa), 1-0 (V)
- Qualificação CAF, 8/10: Djibuti (fora), 3-0 (V)
- Qualificação CAF, 9/9: Burquina Faso (casa), 0-0 (E)
- Qualificação CAF, 5/9: Tunísia (fora), 1-0 (V)
- Qualificação CAF, 1/9: Etiópia (casa), 2-0 (V)
O onze
- 4x3x3: Mohamed El-Shenawy, Mohamed Hany, Mohamed Abdelmonem, Rami Rabia, Karim Hafez, Hamdi Fathi, Marwan Attia, Emam Ashour, Omar Marmoush, Mohamed Salah e Trezeguet
O treinador
- Hossam Hassan (egípcio, 59 anos, desde março de 2024)
- Outras equipas: Ismaily, Misr Lel Makkasa, Jordânia, Zamalek, Al-Ittihad Alexandria, Pyramids, Smouha e Al-Masry
- Títulos (1): 1 Liga Egípcia
O craque
- Mohamed Salah (33 anos, avançado do Liverpool)
- Outros clubes: El Mokawlonn, Basileia, Chelsea, Fiorentina e Roma
A revelação
- Omar Marmoush (27 anos, avançado do Manchester City)
- Outros clubes: Wadi Degla, St. Pauli, Estugarda, Wolfsburgo e Eintracht Frankfurt
O mais internacional e o maior goleador
- Ahmed Hassan (184 internacionalizações) e Hossam Hassan (68 golos)
Os 26 convocados
- Guarda-redes (4): Mohamed El-Shenawy (Al-Ahly, Egito), Mostafa Ahmed (Al-Ahly, Egito), Al Mahdy Soliman (Zamalek, Egito) e Mohamed Alaa (El-Gouna, Egito)
- Defesas (9): Hamdy Fathy (Al-Wakrah, Qatar), Ramy Rabia (Al Ain, EAU), Mohamed Hany (Al Ahly, Egito), Ahmed Fatouh (Zamalek, Egito), Mohamed Abdelmonem (Nice, França), Yasser Ibrahim (Al Ahly, Egito), Hossam Abdelmaguid (Zamalek, Egito), Karim Hafez (Pyramids, Egito) e Tarek Alaa (ZED, Egito)
- Médios (6): Emam Ashour (Al-Ahly, Egito), Mohanad Lasheen (Pyramids, Egito), Marwan Attia (Al-Ahly, Egito), Tarek Alaa (ZED, Egito), Nabil Emad (Al-Najma, Arábia Saudita) e Hamdi Fathi (Al-Wakrah, Qatar)
- Avançados (7): Mohamed Salah (Liverpool, Inglaterra), Trézéguet (Al Ahly, Egito), Zizo (Al Ahly, Egito), Omar Marmoush (Manchester City, Inglaterra), Ibrahim Adel (Nordsjaelland, Noruega), Haissem Hassan (Oviedo, Espanha) e Hamza Abdelkarim (Barcelona B, Espanha)
O local do estágio
- Universidade de Gonzaga – Spokane, em Washington (treinos: Universidade de Gonzaga)
A antevisão
A ligação a Portugal
- A ligação do Egito a Portugal conta com episódios marcantes no passado recente. No banco de suplentes, a maior referência é Rui Vitória, que comandou os Faraós entre 2022 e 2024, logo depois de Carlos Queiroz, ex-selecionador de Portugal, que assumiu a seleção egípcia em 2021 e 2022. Nas quatro linhas (mais fora, na prática), a memória dos adeptos portugueses recua inevitavelmente até Shikabala, o carismático extremo egípcio teve uma passagem fugaz, mas muito mediática, pelo Sporting em 2014, tornando-se uma das contratações mais peculiares de Alvalade – um jogador que saiu para representar a seleção e nunca mais voltou a ser visto em Lisboa. Na lista de convocados para o Mundial está também outro antigo jogador dos leões, neste caso o defesa Rami Rabia.