A Ethiack disponibiliza uma plataforma de cibersegurança ofensiva, alimentada por inteligência artificial, que testa de forma contínua os sistemas digitais. Com agentes autónomos e hackers éticos, são simulados ataques reais para identificar e corrigir vulnerabilidade críticas antes que estas sejam exploradas. É o verdadeiro jogo do “rato e do gato”. E quem é o diz é próprio CEO.
Na era da digitalização, proteger negócios de futuros ataques é fundamental para um percurso longo e que se quer bem-sucedido. Para isso, é importante identificar as lacunas, as portas que deixamos abertas para o perigo entrar. Antecipar é a palavra de ordem no que diz respeito a esta solução.
Foi assim que nasceu a Ethiack, uma solução de cibersegurança, mais concretamente de cibersegurança ofensiva. O que é que isto quer dizer? “Nós somos hackers éticos. Atacamos as empresas de forma a descobrir as vulnerabilidades e os riscos dessas empresas, antes de qualquer atacante. A cibersegurança é sempre um jogo da caça do gato e do rato. Nós temos de ser mais rápidos a caçar o rato do que os atacantes”, explica Jorge, acrescentando que o que acaba por distinguir esta solução das demais é a sua vertente tecnológica: “Nós estamos a utilizar a inteligência artificial para fazer aquilo que um humano faria do ponto de vista do atacante. Ou seja, nós conseguimos, de uma forma autónoma, simular o processo do atacante, de forma a que consigamos encontrar essas vulnerabilidades o mais rápido possível e testar de forma frequente. Nenhum humano consegue trabalhar 24/7, mas os ciberataques acontecem 24/7”, afirma.
No que fundo, o que é preciso é aumentar a capacitação humana, através de um sistema que consegue fazer 80% do trabalho. Desta forma, a mão humana poderá focar-se no que é realmente importante. Para o CEO, a aposta está na conjugação do homem com a máquina e “não apenas num sistema autónomo. Mas o grande diferencial da tecnologia é que nós conseguimos fazer testes de segurança em escala, continuamente, e muito mais rápido do que qualquer humano. E de forma precisa. Ou seja, conseguimos encontrar vulnerabilidades que são realmente exploráveis no contexto da organização, sem estarmos a criar ruído”.
O que é certo é que esta solução se destacou entre as restantes sete que foram apresentadas na Final Nacional do Global Tech Innovator 2025. O que começou por ser uma candidatura “por acaso”, transformou-se numa verdadeira oportunidade de representar Portugal na Final Internacional, a ter lugar na Web Summit, em Lisboa.
“Estávamos a tentar trabalhar com KPMG já há algum tempo e acreditámos que nada seria melhor do que candidatarmo-nos ao programa do GTI para que acelerasse também esta parceria. Acho que, mais do que tudo, significa que estamos a ir pelo caminho certo. Significa que o trabalho que tem sido feito nestes últimos anos é de alguma forma admirado. É importante para o mundo, e para empresas grandes como a KPMG, este tipo de soluções. É uma grande vitória para toda a equipa. Eu estou aqui a apresentar, mas represento o trabalho de uma grande equipa”, reforça Jorge Monteiro, aproveitando para colocar todas as cartas em cima da mesa, relativamente ao que esperar dos próximos tempos: “O objetivo agora é escalar. Estamos numa fase de escalar internacionalmente o negócio, de investir muito mais na tecnologia. Acabámos de levantar uma ronda de financiamento de perto de quatro milhões para isso, e acredito que, com a KPMG, vamos escalar muito mais rápido”.
Esta foi a 5ª edição de uma iniciativa de sucesso. Ao caso de Jorge juntam-se outras startups que viram a sua oportunidade surgir quando mais a desejavam. Afinal, para além da possibilidade de competir internacionalmente, esta é também uma porta que se abre para o mercado. Com isto em mente, e já a pensar numa próxima edição, o vencedor de 2025 deixa o maior dos conselhos: agir.
“Concorram. Eu acho que muita gente se esconde e tem receio de concorrer. Nós concorremos por acaso. Acho que, por acaso, vocês devem concorrer também. E depois não tenham receio de vir e de se mostrar. Nós estamos sempre a fazer marketing e estes concursos servem exatamente para isso, para conseguirmos conhecer pessoas de várias áreas e conseguirmos conhecer júris fantásticos que nos permitem mostrar o que nós estamos a fazer. Não tenham medo de se mostrar”, remata.