Fátima, do tempo dos videntes ao tempo da Igreja

14 Outubro 2017138

Para entender as aparições é crucial o ano de 1917. Mas para perceber Fátima é necessário viajar até 1921. O ano em que a Igreja chegou a Fátima e a vida de Lúcia se torna um segredo.

“A menina agora muda de nome. Fica a chamar-se Maria das Dores. Se lhe perguntarem de que terra é, diz apenas que é de perto de Lisboa e nada mais.” Estas são as ordens que Lúcia ouve no dia 17 de Junho de 1921.

Lúcia saíra na véspera de Fátima. Viajou até ao Porto. O seu destino é o Asilo do Vilar onde entra a 17 de Junho. As condições postas para a sua admissão são claras: “A menina agora muda de nome. Fica a chamar-se Maria das Dores. Se lhe perguntarem de que terra é, diz apenas que é de perto de Lisboa e nada mais.

Tinham passado quatro anos sobre o dia em que “O sol bailou ao meio-dia em Fátima”. Para entender as aparições é crucial o ano de 1917. Mas para perceber Fátima é necessário viajar até ao ano de 1921. Esse ano em que Lúcia deixou Fátima a 16 de Junho. Esse ano em que a 13 de Outubro o padre Afonso Jacinto Soares Ferreira celebrou a primeira missa em Fátima. Esse ano em que o lugar de romaria e devoção popular que nas palavras do bispo de Leiria não passava de um “ermo, vulgar, sem arborização, sem água, longe do caminho de ferro, perdido nas dobras de uma serra, despido de todos os atractivos naturais” começa a transformar-se num santuário.

Fátima impôs-se a quem?

Em 1921 a Igreja não podia continuar a ignorar Fátima. Fenómenos de religiosidade popular não faltavam no país mas nenhum se comparava na sua dimensão e influência ao que acontecia na Cova da Iria. É certo que Fátima estava longe de ser o facto em torno do qual a elite religiosa esperava ver galvanizarem-se os católicos. Mas a verdade é que o mesmo povo que assistia desde 1910 com indignação mas sem grande revolta às perseguições aos seus padres e bispos e até à profanação das suas igrejas, mete-se ao caminho desde 1917 para ir à Cova da Iria, desafia as autoridades quando estas o tentam impedir de lá chegar e manifesta ali a sua fé com um fervor que por vezes lhe escasseia diante dos altares consagrados. É com este paradoxo que se confronta o pároco de Fátima, Padre Manuel Marques Ferreira, que durante os interrogatórios que faz aos videntes chega a perguntar, segundo recorda Lúcia nas suas memórias. “Para que vai essa quantidade de gente prostrar-se em oração em um descampado, enquanto que o Deus vivo, o Deus dos nossos altares permanece solitário, abandonado no tabernáculo? Para quê esse dinheiro que deixam ficar, sem fim algum, debaixo dessa carrasqueira enquanto que a igreja em obras não há maneira de se acabar, por falta de meios?

Anos mais tarde o cardeal Gonçalves Cerejeira dirá: “Fátima impôs-se-me. Eu fui daqueles que, no tempo das aparições de Fátima se recusaram a tomar sequer em consideração o facto miraculoso. Fátima impôs-se-me pouco a pouco pela evidência de uma acção sobrenatural, que, não receio afirmá-lo dificilmente pode achar paralelo na história das intervenções mariais.”

Afinal cada peregrinação à Cova da Iria era uma prova quer do falhanço da prepotência jacobina da I República quer da incapacidade da Igreja no seu propósito de mobilização dos católicos

A explicação de Gonçalves Cerejeira que se aplica também a uma boa parte da Igreja peca contudo por incompleta: Fátima ter-se-á imposto à Igreja pela evidência de uma acção sobrenatural mas obviamente também pela evidência de uma acção terrena. Afinal cada peregrinação à Cova da Iria era uma prova quer do falhanço da prepotência jacobina da I República quer da incapacidade da Igreja no seu propósito de mobilização dos católicos. Aquelas dezenas de milhar de pessoas que afluíam a Fátima constituíam o movimento de católicos que a Igreja não conseguira criar. Capitalizá-las a seu favor e regularizar-lhes a fé é o que a Igreja vai começar a fazer a partir de 1921.

A Capelinha que devia dar lugar ao “gracioso monumento”

Quando em 1921 a Igreja chega a Fátima já ali se encontravam definidos os símbolos mais poderosos da devoção. São eles a Capelinha das Aparições; a imagem de Nossa Senhora de Fátima e os pastorinhos.

Da primeira a Igreja achava que não tinha dignidade, da segunda não lhe parecia a mais adequada e quanto aos pastorinhos já reduzidos a uma única sobrevivente – Lúcia – a Igreja sabe que há que tomar decisões.

Comecemos pela Capelinha. Pouco maior que um nicho, a Capelinha nascera do voluntarismo de Maria dos Santos Carreira, uma mulher do povo que desde 13 de Junho de 1917 acorria à Cova da Iria. Mas antes da Capelinha houve um arco.

Maria dos Santos Carreira começa por limpar o mato em volta da azinheira e enfeita-a com flores e fitas. Depois, com a ajuda do marido, constrói um muro à volta da azinheira e ergue um arco de madeira.

Quando este arco foi destruído em Outubro de 1917 e levado para Santarém para aí ser exibido numa paródia de procissão já o povo deixava esmolas junto à azinheira.

É Maria dos Santos Carreira quem guarda essas esmolas. As primeiras foram 30 réis e umas peças de fruta. Mas rapidamente ficou com um saco de pano cheio de moedas.

O destino a dar às esmolas deixadas em Fátima é de tal modo importante que o padre Formigão o inclui no interrogatório que faz a Lúcia:

“O que declarou a Senhora que se devia fazer ao dinheiro que o povo deposita na Cova da Iria ao pé da carrasqueira? – perguntou o padre Formigão a Lúcia que na sua resposta diz terem sido estas as ordens da senhora

– Disse que Parte desse dinheiro seria destinado ao culto e festa da Senhora do Rosário e a outra parte para ajuda de uma capela nova.”

Em 1919, as esmolas guardadas por Maria Santos Carreira já ascendiam a 357.000 reis de ofertas e quarenta litros de azeite. Podia começar a construção da capela. Maria dos Santos Carreira tornar-se-ia na Maria da Capelinha e a Cova da Iria ganhava um templo cuja pequenez era inversa à importância que tinha para os peregrinos.

Quando a 6 de Março de 1922 a Capelinha das Aparições é alvo de um atentado a reacção popular não deixou margem para dúvidas: a 13 desse mês confluem milhares de peregrinos para Fátima. A 13 de Maio o seu número foi tal que as mesmas autoridades que ainda nos anos anteriores exigiam ao regedor de Fátima que impedisse as peregrinações comunicavam agora que dado o número avassalador de peregrinos era impossível impedir a peregrinação de Maio de 1922,

Quando a 6 de Março de 1922 a Capelinha das Aparições é alvo de um atentado a reacção popular não deixou margem para dúvidas: a 13 desse mês confluem milhares de peregrinos para Fátima

Por mais estranho que hoje tal possa parecer, substituir a capelinha por um “gracioso monumento”, assim é designado nos projectos, foi uma das intenções da Igreja.

Com esse propósito foi encomendado ao ceramista Jorge Barradas um painel representando as aparições para ser colocado no monumento que viesse substituir a capelinha. Mas o painel de Jorge Barradas acabou guardado e só seria montado anos depois mas apenas para ser integrado numa exposição pois o “gracioso monumento” nunca foi construído. Porquê? Porque o povo não só impôs Fátima como em Fátima impôs o seu gosto: a Capelinha nunca foi derrubada.

Aliás a única alteração feita na Capelinha – a substituição do velho e obviamente muito popular alpendre – por uma moderna estrutura arquitectónica inspirada nos pálios não foi fácil de gerir junto de muitos dos peregrinos.

A Senhora

Se à Capelinha faltava dimensão à imagem de Nossa Senhora de Fátima faltava na opinião da Igreja uma assinatura: a imagem-símbolo do santuário nascera não do traço de um artista plástico mas sim das mãos de um santeiro, José Ferreira Thedim, um dos homens que contribuíra para a reputação da Casa Fânzeres.

Foi a esta casa de arte sacra de Braga que Gilberto Fernandes dos Santos, um activo católico de Torres Novas, encomendou em 1919 uma imagem de Nossa Senhora para ser colocada na capela da Cova da Iria onde até então se encontrava apenas um crucifixo.

As instruções para o modelo que se pretende original vêm do padre Formigão que tendo interrogado Lúcia, Jacinta e Francisco logo em 1917 transmite a José Ferreira Thedim os traços da senhora da aparição tal como as crianças lhos tinham descrito.

No início de Maio de 1920 a imagem está pronta. Segue por comboio para Torres Novas. Mas o receio que as autoridades impedissem o transporte da imagem para Fátima, leva a que Gilberto Fernandes dos Santos tome a decisão de fazer o trajecto pela serra de Aire de forma quase clandestina: ao fim de cinco horas de viagem, a caixa com a imagem de Nossa Senhora de Fátima é retirada da carroça onde fora transportada e entregue ao pároco de Fátima que a guarda na sacristia da igreja. É aí que Lúcia a vê e lhe dá a sua aprovação.

Nos dias que se seguem acorrem peregrinos que pretendiam ver a imagem. A 13 de Junho de 1920 a imagem segue finalmente para a Capela da Cova da Iria. O cortejo que a acompanha pode ser considerado a primeira procissão de Nossa Senhora de Fátima.

Desde Junho de 1920 que a devoção dos peregrinos pela imagem é enorme. Na verdade é como se aquele rosto fosse um reflexo da sua fé.

Face a tudo isto custa acreditar como se considerou possível substituir a imagem de Thedim. Ou subalternizá-la face à imagem encomendada pelo Santuário a Teixeira Lopes.

Seja como for ou pelo que for a imagem encomendada a Teixeira Lopes acabou a manter-se quase incógnita.

O que não impede que entre aqueles que a contemplam no edifício da Reitoria muitos sintam vontade de repetir as palavras proferidas por Júlio Dantas em 1937: diante dela mesmo quem não é crente sente vontade de se ajoelhar.

Lúcia, palavras e silêncio

À medida que se entra no tempo da Igreja o tempo dos videntes parece ter chegado ao fim: em 1921, Francisco e Jacinta morreram e são recordados em estampas e postais em que permanecem sempre crianças. E Lúcia? A 13 de Outubro de 1921, dia em que foi celebrada a primeira missa na Cova da Iria, Lúcia já não está em Fátima. Ironicamente é o jornal anti-clerical O Mundo aquele que com maior detalhe dá conta da saída de Lúcia de Fátima.

Numa opção a que não foi alheia a intervenção de D. José Alves Correia da Silva, quatro anos depois das aparições, o destino de Lúcia passa por deixar Fátima.

Tinham chegado ao fim os dias em que como acontecera em 1917 pessoas vindas de longe se faziam fotografar junto de Lúcia, Jacinta e Francisco e lhes pediam como Lúcia recordará: “Pelo amor de Deus peçam a Nossa Senhora que me cure meu filho que é aleijadinho! Que me cure o meu que é cego! O meu, que é surdo!

Mortos Francisco e Jacinta, todas as atenções se concentram (ainda mais) em Lúcia. A presença da vidente no santuário ou nas suas proximidades, com a curiosidade que isso inevitavelmente gerava mais o cortejo de pedidos e súplicas, não eram de modo algum compatíveis com o que a Igreja projectava para aquele local.

Mas a transformação de Fátima num santuário vai implicar não apenas o afastamento de Lúcia mas também que ela se esqueça de si: “A menina agora muda de nome. Fica a chamar-se Maria das Dores. Se lhe perguntarem de que terra é, diz apenas que é de perto de Lisboa e nada mais.” – dizem-lhe quando entra no Asilo do Vilar. E que esqueça Fátima: “Cheguei mesmo a supor que talvez a devoção a Nossa Senhora de Fátima teria acabado, ficado em nada”– escreverá anos mais tarde.

Quando entra no Asilo do Vilar Lúcia tem 14 anos. Para trás ficou a infância, o tempo em que corria atrás das ovelhas, as idas com as irmãs aos bailes – Lúcia adorava dançar ou bailar como popularmente dizia – ou à apanha da azeitona nas propriedades da região. Lúcia está longe da sua família. Da sua terra. Da sua gente. Mudou de nome.

Quando entra no Asilo do Vilar Lúcia tem 14 anos. Para trás ficou a infância, o tempo em que corria atrás das ovelhas, as idas com as irmãs aos bailes – Lúcia adorava dançar ou bailar como popularmente dizia – ou à apanha da azeitona nas propriedades da região. Lúcia está longe da sua família. Da sua terra. Da sua gente. Mudou de nome. Perdas a somar às muitas que sofreu nos últimos anos: a 4 de Abril de 1918 vítima da terrível epidemia da pneumónica morreu o primo Francisco. A 31 de Julho de 1919 morreu o seu pai. A 20 de Fevereiro de 1920 foi a vez de Jacinta.

Da criança que quatro anos antes, a 13 de Outubro de 1917, foi prontamente obedecida por dezenas de milhar de pessoas – “A chuva cai incessantemente mas ninguém desespera. – escreve Avelino de Almeida, chefe de redacção de O Século. – Grupos de fiéis ajoelham na lama e a Lúcia pede-lhes, ordena que fechem os chapéus. Transmite-se a ordem, que é obedecida de pronto, sem a mínima relutância.” – espera-se agora que cumpra ordens. E que renuncie. E ela renunciará. Por exemplo, para permanecer incógnita renuncia por indicação do bispo de Leiria a fazer os exames que davam conta dos seus progressos escolares. Uma decisão que condicionará a sua vida como freira pois as tarefas que estas executavam e o estatuto de que gozavam era determinado pelas respectivas condição social e habilitações. Para que não se dissesse que beneficiava materialmente com o facto de ser vidente de Fátima, teve de renunciar à quinta que lhe quiseram deixar em herança.

A tudo o que perdeu há ainda que juntar o que nunca teve e sempre procurará: a confiança da mãe.

Católica devota, a mãe de Lúcia, Maria Rosa, viveu com angústia os acontecimentos de 1917. A ambivalência de sentimentos que Maria Rosa experimenta face às revelações da filha é logo expressa em Maio de 1917 quando foi chamada a casa do pároco de Fátima, padre Manuel Marques Ferreira:

“Vem a mãe com a filha, mas toda lastimosa por julgar, que será um grande mal tal mentira. – escreve o padre Manuel Marques Ferreira – Ameaça, e diz já ter ameaçado a filha com muitas coisas que lhe hão de acontecer se ela continuar a dizer que viu Nossa Senhora e mentir.

Procuro serenar a aflita mãe, dizendo-lhe que, se fôr verdade o que dizem, é uma grande glória para ela e sua família.

Oh!!… se fôr verdade… mas se fôr mentira?!… exclama a duvidosa mãe.”

“Oh!!… se fôr verdade… mas se fôr mentira?!…” – é a atitude que ao longo dos anos Maria Rosa vai ter perante Fátima ou seja perante as palavras da filha.

Mas a jovem que em 1921 parecia destinada a diluir-se no anonimato, redige em 1940 a primeira das várias cartas que dirigirá a diferentes papas. Cartas que paulatinamente vão ganhando uma importância crescente. Porque nem os anos nem a distância nem o isolamento imposto pela vida religiosa diminuíram o peso das palavras de Lúcia.

Antes pelo contrário: Lúcia torna-se cada vez mais incontornável. Porque ela é a única sobrevivente dos acontecimentos de 1917 e também porque Lúcia vai em cartas, entrevistas e nas suas memórias detalhar a mensagem que lhe é transmitida pela voz que diz que a acompanha desde 1917.

Os escritos de Lúcia vão gerar polémicas e paixões. Por exemplo, de que Rússia falava Lúcia: da política e, portanto, de Lenine e Estaline ou da religiosa, logo ortodoxa? E quem está por trás do ataque ao bispo vestido de branco que faz parte do segredo?

Ainda mais controversas são as interpretações apocalípticas que muitos fazem das palavras que ouvem de Lúcia quando a entrevistam e que obrigaram até, em 1959, a Cúria Diocesana de Coimbra a fazer um desmentido em seu nome.

Distanciada do ruído que se criou em torno das suas palavras, Lúcia assume a sua vida como o cumprimento do que considera serem as palavras ouvidas no sacrário de Pontevedra: “Escreve o que te pedem, não porém o que te é dado entender do seu significado”.

A adolescente a quem em 1921 foi ordenado que se esquecesse de Fátima e de si mesma ia ver o seu nome proferido e recordado por milhões de pessoas.

… A partir de 1921 a Igreja fez de Fátima um santuário. Mas os símbolos desse santuário continuam a ser aqueles que uma multidão anónima escolheu quando viu o sol bailar e uma criança de dez anos os mandou ajoelhar.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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