Uma careta, um vómito, uma cara estranha ou um olhar surpresa de agrado. Cada bebé tem a sua reação no momento de provar, pela primeira vez, um alimento que não o leite materno/fórmula infantil. E se alguns parecem adorar, outros demonstram algum desagrado. Aconteceu com o seu bebé? Não se preocupe. É normal acontecer. Já diria Fernando Pessoa: “Primeiro, estranha-se; depois, entranha-se”. Neste artigo, deixamos linhas orientadoras de como pode fazer a introdução alimentar do seu bebé. Porém, este é apenas um guia, podendo deparar-se com várias formas de o fazer. E não se esqueça: o pediatra do seu filho é o profissional de saúde que melhor o conhece, sabendo que eventuais necessidades nutricionais pode a criança ter. Por isso, aconselhe-se sempre com o mesmo.
Introdução alimentar: utensílios essenciais
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Chegou a altura de começar a introdução alimentar, e, com ela, uns quantos itens essenciais e indispensáveis. Prepare-se. Vai precisar de:
– Cadeira de refeição, com apoio para os pés, que permita o bebé estar sentado a 90º com a mesa, tendo visibilidade total sobre os alimentos;
– Tigelas* de plástico/silicone (as que têm ventosas na base podem ser uma ajuda para quando o bebé começar a tentar lançar os alimentos para o chão);
– Colheres* de plástico ou borracha pequenas e macias, com pontas arredondadas;
– Babetes de plástico (mais fáceis de limpar);
– Copo* para bebé, sem válvula.
*Prefira tigelas, colheres e copos que sejam livres de BPA.
Quando é que o bebé está pronto para a introdução alimentar?
A resposta a esta pergunta é: depende. A introdução alimentar é, normalmente, feita a partir dos 6 meses da criança, mas há bebés que podem fazê-la a partir dos 4 meses. Tudo depende se a criança já demonstra os chamados sinais de prontidão:
– Consegue ficar sentada sem ajuda (ou com pouca ajuda), tendo controlo da parte superior do seu corpo, segurando o pescoço;
– Vira a cabeça para um lado e para o outro;
– Tem uma boa coordenação olhos-mãos-boca. Isto é, consegue ver o objeto, agarrá-lo e levá-lo à boca;
– Mostra interesse pelos alimentos;
– Tem o reflexo de protrusão da língua diminuído.
Não se esqueça da água!
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Se até então o bebe obtinha a quantidade de água necessária através do leite materno/fórmula, quando se inicia a diversificação alimentar, deve começar a oferecer-lhe água, através do biberão ou pelo copo (sem forçar).
Diferentes métodos
A forma como se faz a introdução alimentar pode ser diferente de casa para casa. Pode-se começar com sopas e purés (o chamado método tradicional), mas também pode optar por oferecer, desde o início, alimentos inteiros, devidamente cortados, para que o bebé explore texturas e sabores. É o chamado método BLW, do inglês baby-led weaning (desmame guiado pelo bebé). Ou, então, se preferir, fazer um método misto. Tudo depende do que o bebé aceitar e o que for mais conveniente para toda a família:
- Método tradicional: Assim chamado por desde sempre se ter começado a fazer a introdução da alimentação desta forma. Os alimentos são apresentados ao bebé em forma de sopa ou puré. Ao longo do tempo, a consistência deve ser, progressivamente, aumentada, adaptando-se ao desenvolvimento da criança. É o adulto quem oferece a comida à criança, através de uma colher.
– Vantagens: Desde que a criança aceite, o momento da refeição é fácil e rápido; maior noção, para os pais, da quantidade e variedade nutricional dos alimentos ingeridos pela criança; menos sujidade.
– Desvantagens: Menor autonomia do bebé, maior dificuldade em reconhecer os sinais de fome e saciedade, potencial menor desenvolvimento das capacidades motoras orais e finas da criança. - Método BLW: Desenvolvido por Gill Rapley (uma enfermeira-parteira) e Tracey Murkett (jornalista) no início do século XXI, baseia-se no facto de o bebé comer sozinho (com as mãos) e decidir o que vai comer, tendo em conta uma seleção de alimentos apresentada pelo adulto. Para isso, os alimentos devem estar macios (estão no ponto quando são possíveis de esmagar entre o dedo indicador e o polegar do adulto) e terem cortes que permitam que a criança os pegue com facilidade e com menor risco de engasgamento. O facto de o bebé não ter dentes não é um entrave a este método, pois o bebé vai triturar os alimentos com as gengivas.
– Vantagens: O bebé conhece novos sabores de acordo com a sua própria intuição e instinto; estimula a coordenação motora, uma vez que promove a agilidade dos movimentos do bebé ao olhar os alimentos, pegá-los e levá-los à boca; estimula a fala, uma vez que o maxilar se desenvolve melhor quando o bebé mastiga alimentos; controlo facilitado dos sinais de fome e saciedade; facilita na preparação e planeamento das refeições da família, uma vez que o intuito do BLW é o bebé comer o mesmo que toda a família, com cortes adaptados a si.
– Desvantagens: Mais sujidade que o método tradicional, pois ao comer sozinho, o bebé vai atirar mais comida para o chão ou para cima dele próprio; maior desperdício de comida (muita comida fica no prato ou no chão); mais reflexos de Gag (este reflexo é normal acontecer; é uma espécie de vómito, que, na verdade, é uma reação protetora do corpo que impede que se asfixie com a comida), o que pode causar alguma ansiedade aos adultos; menor controlo sobre a quantidade de alimentos ingerida; exige maior literacia alimentar e nutricional por parte dos pais, para garantir que a oferta alimentar é rica em ferro e com elevada densidade energética.
BLW sem complicações
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Quer fazer a introdução alimentar do seu bebé através do método BLW, mas não sabe por onde começar nem como o fazer? A Nestlé preparou um guia BLW com informações sobre este método, dicas para o dia a dia, inspirações alimentares e regras do BLW.
- Método misto: Como o próprio nome indica, é a combinação do método tradicional com o método BLW. Por exemplo, pode dar-se a sopa seguindo o método tradicional, oferecendo-se a fruta ou o segundo prato num modelo BLW. Desta forma, dependendo de como é aplicado, tem as vantagens e desvantagens de ambos os métodos.
3 dias
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Introduza novos alimentos de forma gradual. Para os alimentos com maior risco alergénico, é fundamental fazer um intervalo de, no mínimo, 3 dias entre cada introdução. Esta abordagem permite identificar mais facilmente qualquer reação adversa que possa ocorrer na criança. Uma vez introduzido um alimento, é importante mantê-lo na dieta da criança, oferecendo-o regularmente para consolidar a sua aceitação e tolerância.
Os primeiros alimentos
Até então, o bebé só ingeria leite, pelo que se deve começar por alimentos simples, como um puré de legumes com batata, cenoura e alface. Gradualmente, introduza outros legumes, como abóbora, curgete ou feijão-verde. Pode cozer os legumes em água ou a vapor, sendo importante não adicionar sal. Depois de devidamente triturados, junte ao preparado uma colher de chá de azeite. Dependendo do método que optar por fazer a introdução, pode oferecer os legumes inteiros, bem cozidos e devidamente cortados.
No que toca à fruta, ofereça, preferencialmente, a da época, bem madura. Pode oferecer a fruta crua esmagada ou ralada, ou cozida, sem adicionar açúcar.
Quanto à papa, opte por uma sem açúcares adicionados, com uma lista de ingredientes simples e fortificada em vitaminas e minerais chave.
O sal e o açúcar
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O sal e o açúcar não devem ser adicionados às refeições do bebé, sobretudo antes dos 24 meses. Ao oferecer-lhe alimentos com sal ou açúcar em tenra idade, pode estar a contribuir para o estabelecimento de maus hábitos alimentares, que podem ser difíceis de contrariar com o passar do tempo.
Diversificar a alimentação de forma segura
Nesta fase, é importante diversificar a alimentação da criança. Mas não se esqueça: o organismo do seu bebé ainda é imaturo. Por isso, existem alimentos que deve preferir, e outros que deve evitar. Neste sentido, aconselhamos:
- Hortofrutícolas: Devem ser os primeiros a serem introduzidos. A exposição precoce do bebé a uma diversidade e variedade de sabores promove a aceitação, a longo prazo, de sabores mais amargos, como é o caso dos hortícolas;
- Alimentos ricos em ferro: Como a carne vermelha ou de aves, peixe, leguminosas ou cereais fortificados. Estes alimentos são essenciais, pois as reservas de ferro no bebé tendem a diminuir aquando da introdução alimentar;
- Proteína animal: Depois dos legumes, introduza a carne e o peixe. No caso da primeira, deve oferecer entre 10 e 15 gramas por dia, preferindo as carnes magras, como a de aves (frango e peru) ou de coelho. Já o peixe, deve oferecer-se entre 15 e 20 gramas por dia, preferencialmente o branco, como a pescada ou o linguado;
- Alimentos lácteos: Introduza-os através de iogurtes (sempre feitos com leite pasteurizado), combinados com fruta ou cereais;
- Alimentos alergénicos: Alimentos como amendoim, ovos, peixe e outros alergénios comuns podem ser introduzidos a partir dos 4-6 meses de idade. Não há evidência de que atrasar a sua introdução confira proteção contra alergias. Pelo contrário: uma introdução precoce de alergénios pode até ser protetora. Contudo, introduza estes alimentos individualmente e em pequenas quantidades, com observação, especialmente em bebés de alto risco (com eczema grave ou alergia conhecida a outro alimento);
- Glúten: Pode ser introduzido desde o início da alimentação complementar, em pequenas quantidades;
- Oleaginosas ou frutos gordos: Ofereça-os em forma de pasta (por exemplo, manteiga de amendoim). Evite apresentá-los inteiros ao bebé, pois têm um elevado risco de engasgamento.
- Mel: Não ofereça este alimento a bebés com menos de 12 meses, devido ao elevado risco de botulismo infantil;
- Sumos de fruta: Dado o seu carácter nutricional, não são recomendados a bebés nem a crianças pequenas.
Leite de vaca: quando introduzir?
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A European Society for Paediatric Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition (ESPGHAN) não recomenda a introdução do leite de vaca antes dos 12 meses de idade. Tal acontece por este tipo de leite ser desequilibrado nutricionalmente, ter excesso de proteína, ser pobre em ferro e ter gordura saturada. Assim, durante os primeiros 12 meses, quando o leite materno não está disponível, utilize uma fórmula infantil, respeitando as respetivas etapas. A partir dos 12 meses, opte por uma fórmula de crescimento (etapa 3) que se adeque melhor às necessidades de crianças pequenas.
E o leite materno/de fórmula?
Até ao primeiro ano de vida do bebé, é importante ter em conta que o principal alimento da criança continua a ser o leite, quer seja o materno, quer em fórmula. A introdução alimentar é um período de exploração, de conhecimento de novos sabores e texturas, sendo, por isso, normal que o bebé nem sempre ingira grandes quantidades de alimentos. Assim, o leite deve continuar a ser oferecido antes e/ou depois das refeições, caso o bebé apresente sinais de fome.