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JSD em debate no WhatsApp. Candidatos denunciam ingerência da direção de Rio e de Marques Mendes nas eleições

O Observador organizou um debate no WhatsApp entre os dois candidatos à liderança da JSD, que se decide este fim de semana. Houve denúncias de ingerência da direção de Rio e de Marques Mendes.

Um acabará o próximo domingo assim :) E o outro, assim :( Os dois candidatos à liderança da JSD têm tido uma campanha dura que até já levou a queixas em tribunal devido à não aceitação de uma lista de delegados em Lisboa. Na véspera do arranque do Congresso que vai escolher o novo líder da estrutura juvenil do PSD, o Observador juntou Margarida Balseiro Lopes e André Neves num debate num grupo de WhatsApp, onde falaram da relação com Rui Rio, de eutanásia, de legalização da prostituição, do voto aos 16 anos e trocaram acusações. Pelo meio, usaram emojis para pressionar o adversário ou para impressionar os militantes. Ambos acusam entidades externas de tentarem influenciar as eleições na JSD: Margarida Balseiro Lopes aponta o dedo a membros da direção de Rio, André Neves ao ex-líder Marques Mendes.

André Neves faz questão de dizer que conhece “pessoalmente” Rui Rio e que o apoiou. Já Margarida Balseiro Lopes só espera uma relação “cordial” com “respeito mútuo”. Entre António Costa e José Sócrates nenhum dos dois candidatos consegue fazer uma escolha. Ambos admitem o voto aos 16 anos, mas criticam a mudança de género no registo nessa idade sem relatório médico.  Sobre drogas leves, um dos candidatos assume que já experimentou, mas são ambos favoráveis à legalização.

O debate durou quase duas horas e o tempo máximo que os candidatos demoraram a responder às questões foi seis minutos. A média foi bem mais curta. Sempre que um demorava mais, o outro pressionava.

A JSD deve divergir do PSD?

A JSD tem-se afirmado ao longo dos anos por ter posições diferentes do PSD em questões que afetam diretamente a vida dos jovens. Pedro Passos Coelho foi, aliás, uma dor de cabeça para o PSD de Cavaco Silva no início da década de 90. Nos últimos anos, a JSD tem estado mais alinhada com o partido e não existiram grandes ruturas com o PSD de Passos Coelho. Tanto Margarida Balseiro Lopes como André Neves faziam parte da direção do ainda líder Simão Ribeiro, que apoiou sempre as direções nacionais do PSD com que trabalhou.

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Margarida Balseiro Lopes admite que a “jota” terá a sua “própria agenda” e que esta “poderá ou não coincidir com a do partido”. A candidata lembra que, “historicamente”, a JSD se tem afirmado, precisamente, “por não ser uma extensão da opinião do partido”. Também André Neves defende que a JSD não deve “fazer favores ou fretes ao partido“, mas diz que a estrutura juvenil deve “ser capaz de condicionar a agenda e ação do partido” nas bandeiras que defende. Promete, por isso, “bater o pé sempre que o interesse da juventude portuguesa assim o justifique”.

Sem que lhes fosse pedido, os candidatos aproveitaram o facto de este ser um debate realizado por WhatsApp e começaram a utilizar emojis nas suas intervenções. Margarida colocou um V de vitória, símbolo do PSD e da JSD no final da sua primeira intervenção. Já André Neves optou por um bícepe musculado no final da resposta.

Ao serem questionados pelo Observador sobre em que áreas a JSD divergia mais do partido, ambos os candidatos demoraram mais de seis minutos a responder. Após ser pedido que fossem mais rápidos e deixassem para trás o “taticismo”, as respostas chegaram. André Neves lembrou que “um salário mínimo de acordo com a graduação” ou a “reforma profunda” no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior são assuntos nos quais a JSD pode divergir do PSD. Já Margarida Balseiro Lopes vê que as diferenças entre PSD e JSD são maiores nas “chamadas questões fraturantes e em questões diretamente relacionadas com a vida dos jovens, como a educação e o emprego”. Deu até um exemplo de uma discordância da JSD no tempo de Passos Coelho que fez o partido recuar. Neves garantiu ainda que o tempo não era taticismo e aliviou a tensão com um smile com a língua de fora :p .

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Que relação esperam ter com Rui Rio?

O candidato André Neves é visto como um “menino de Rio” e apoiou o atual líder nas diretas de janeiro. Já Margarida Balseiro Lopes é mais associada ao lado dos passistas (que apoiaram Santana nas diretas). Além disso, a secretária-geral da JSD até admitiu que votou em Santana Lopes nas diretas. Embora sejam institucionalistas, nas respostas que dão sobre o assunto ambos não conseguem disfarçar a ligação a Rui Rio. Margarida Balseiro Lopes é mais distante, André Neves mais entusiasta do novo líder.

Ambos tentam, aliás, capitalizar esta ligação (ou falta dela). O candidato usa como argumento o facto de ter uma melhor relação com o líder do partido, enquanto a candidata usa como argumento garantir uma maior independência da JSD por não estar colada a Rui Rio.

Durante o debate, Margarida diz esperar ter uma “relação cordial” e “construtiva” como Rui Rio, entre “duas pessoas que se respeitam e trabalham” e aproveita para mandar uma indireta a André Neves: “Não espero ter uma relação de necessidade de subserviência ou ter de contar com o apoio dele para ser eleito seja para o que for“. Novo emoji a fechar a resposta, uma língua de fora: “:P”

"Conheço pessoalmente Rui Rio. Fui, como é sabido, seu apoiante. Não me escondi ????. Mas fosse quem fosse o líder do partido, a postura que teria com o Presidente do PSD seria exatamente igual: genuína lealdade e total disponibilidade para os combates políticos que enfrentaremos. Acredito que Rui Rio, até pelo seu passado na JSD, verá na JSD um aliado natural."
André Neves, candidato à liderança da JSD

André Neves começa por dizer que quando falou em “choque para dar manchetes” não estava a “picar” Margarida Balseiro Lopes, mas apenas que a JSD com ele não adotaria o “choque” como “estratégia de afirmação”. Quanto ao facto de a adversária sugerir que Neves possa vir a ser um “subserviente” de Rio, o candidato assumiu: “Conheço pessoalmente Rui Rio. Fui, como é sabido, seu apoiante. Não me escondi“. Seguiu-se um emoji com um macaco a tapar a cara. Neves garantiu ainda “genuína lealdade” e “total disponibilidade” para se aliar a Rui Rio.

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Está a haver ingerência nas eleições da JSD?

O debate azedou entre os dois candidatos quando se falou em interferências externas nas eleições da JSD. Ambos acreditam que há notáveis e homens do aparelho do PSD a tentar interferir no resultado da votação. Margarida Balseiro Lopes disse ter “a certeza” que membros da direção nacional de Rui Rio estão a tentar influenciar o resultado das eleições. Objetivo: a direção ter um aliado “rioista” na “jota”.

Já André Neves disse ter a mesma certeza de que o antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes, está a tentar influenciar as eleições. Nos últimos dias, membros ligados à candidatura de André Neves denunciaram ao Observador que o comentador teria falado com Álvaro Amaro no sentido de os delegados da JSD da Guarda votarem em Margarida Balseiro Lopes. Ora, essa influência de Mendes não seria propriamente necessária, uma vez que Álvaro Amaro já é um dos principais apoiantes do atual líder.

André Neves diz que vai provar nos próximos dois anos que não é “menino de ninguém” e atira: “Não tenho padrinhos e fiz o meu percurso sempre com base no meu esforço e no meu mérito.” A isto Margarida Balseiro Lopes reagiu com um smile a chorar a rir.

"Compreendo as insinuações que se tentam fazer. Percebo que seja conveniente para uma certa narrativa. Agora, uma coisa é certa, não fui eu que tive um ex-líder do Partido, comentador de televisão, a declarar o apoio em direto. Não fui eu que tive, no meu evento, ex-Presidentes da JSD. Isto é certo e está à vista de todos. Mas não quero estar aqui a alimentar este tema."
André Neves, candidato à liderança da JSD

Questionada sobre se eram pessoas da direção de Rui Rio a influenciar as eleições, Margarida Balseiro Lopes, respondeu: “Sim. Mas isso será tratado no Congresso.” Emoji desta vez? Bomba e explosão. Ou seja: vai haver bombas no Congresso, que promete ser animado precisamente por estas acusações de ingerência.

Já André Neves atirou a Marques Mendes. Começou por dizer: “Não fui eu que tive um ex-líder do partido, comentador de televisão, a declarar o apoio em direto.” Questionado sobre se achava que o antigo líder estava a influenciar, André Neves foi claro: “Não acho, tenho a certeza. Está no Facebook da candidata Margarida Balseiro Lopes”.

"Tenho muito gosto em ter o apoio de todos quantos me queiram apoiar. Coisa diferente são membros de órgãos nacionais a pressionar estruturas da JSD. Mas pensei que tínhamos decidido que isto ficava para o Congresso..."
Margarida Balseiro Lopes, candidata à liderança da JSD

Quando o debate animou, ambos concordaram em só falar sobre este assunto no Congresso, que era o lugar próprio. Mas Margarida Balseiro Lopes ainda se defendeu da acusação de estar a ser apoiada por Marques Mendes, aproveitando para deixar claro que há “membros de órgãos nacionais a pressionar estruturas da JSD”: “Tenho muito gosto em ter o apoio de todos quantos me queiram apoiar. Coisa diferente são membros de órgãos nacionais a pressionar estruturas da JSD. Mas pensei que tínhamos decidido que isto ficava para o Congresso…”

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Houve um golpe de secretaria em Lisboa?

O debate evoluiu para a maior polémica da campanha eleitoral. E, claro, voltou a aquecer entre os dois candidatos. Tudo começou quando a Comissão Eleitoral Independente (presidida por um militante próximo de Margarida Balseiro Lopes) rejeitou a lista de delegados da concelhia de Lisboa ao Congresso da JSD. Desta forma, todos os delegados eleitos pela JSD/Lisboa são apoiantes da deputada, o que pode ser fundamental para a eleição do líder.

A candidatura de André Neves recorreu para o Conselho Nacional de Jurisdição da JSD e o órgão decidiu que os 23 delegados eleitos pela concelhia da JSD/Lisboa vão ter de votar em envelope fechado, que ficará guardado até uma decisão final da Jurisdição Nacional. O que demorará algum tempo, já que as partes envolvidas vão ter de responder por escrito e o órgão vai ter de avaliar.

Margarida Balseiro Lopes disse que não queria comentar “decisões dos órgãos da JSD” e que “casos e casinhos ficam para o Congresso“, mas disse que aceitaria o resultado das eleições. Já André Neves disse que “o que se passou é muito grave” e sinalizou como positiva a “provável procedência do pedido de impugnação“. O candidato disse ainda que a JSD “não é uma sociedade secreta” e que o que se passou na JSD/Lisboa não foi mais que “um favor político“.

André Neves disse ainda que está à espera que a presidente da Mesa Concelhia de Lisboa tenha um lugar de destaque na lista de Margarida Balseiro Lopes. Trata-se de Mafalda Cambeta, um dos braços-direitos do presidente da junta de freguesia da Estrela, Luís Newton. Margarida não respondeu à provocação.

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André Neves continuava assim a denunciar um “golpe de secretaria”, falando do militante “Gabriel”, que ficou sem voz no Congresso. Trata-se de Gabriel Albuquerque, militante da JSD/Lisboa que apoiou Rui Rio nas diretas e que criticou ferozmente a decisão da distrital de Lisboa de apoiar Santana Lopes. As disputas das diretas do PSD parecem ter passado para as eleições da JSD.

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Concordam com a legalização da eutanásia?

A legalização da eutanásia não é um tema consensual no PSD. O presidente do PSD, Rui Rio, é a favor, enquanto o líder parlamentar, Fernando Negrão, é contra. Margarida Balseiro Lopes tem a posição mais parecida com Rui Rio. É “favorável à legalização da eutanásia”, mas destaca que esta é “uma questão de consciência” e que, por isso, o PSD “deve dar liberdade de voto”. Por isso, defende a deputada, “nenhum órgão do partido deve ter uma posição institucional em relação à matéria”.

"Da reflexão que tenho feita até ao momento, sou favorável à legalização da Eutanásia, mas para mim é uma questão de consciência e portanto acho que o Partido deve dar liberdade de voto e nenhum órgão do Partido deve ter uma posição institucional em relação à matéria".
Margarida Balseiro Lopes, candidata à liderança da JSD

Ora, Neves não esclarece se é a favor ou contra, mas — ao contrário de Margarida Balseiro Lopes — defende que a JSD deve ter uma posição sobre o assunto enquanto estrutura. Mas, antes disso, quer um referendo interno aos militantes da JSD. São eles que decidem essa posição e não a direção nacional da “jota”.

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Referendar as questões ditas fraturantes é, aliás, uma das propostas da moção de estratégia global de André Neves. Não só para a eutanásia, mas para outros assuntos mais relacionados com costumes e a liberdade individual. Ambos preferem manter o debate fechado na eutanásia: André Neves quer um referendo interno; Margarida não quer referendar o assunto, pois considera que cada um deve ter uma posição individual sobre a matéria.

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Concordam com a mudança de género aos 16 anos?

Ambos são contra a possibilidade de mudança de género no cartão de cidadão aos 16 anos sem relatório médico. Margarida Balseiro Lopes diz que é “tendencialmente progressista“, mas que, “neste tipo de matérias”, a “maioridade” deve ser o critério a aplicar. Já André Neves lembra que aos 16 anos não se pode tirar a carta nem votar e que a sua posição neste tema está em linha com a do PSD: é contra “sem relatório médico de especialistas na área”.

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E concordam com o voto aos 16 anos? Pode a JSD confundir-se com o Bloco?

Mas se a maioridade deve ser bitola para tudo, por que defende a JSD o voto aos 16 anos? Ambos os candidatos tentaram explicar-se. Margarida Balseiro Lopes defende que o direito de voto deve ficar nos 18 anos e, no máximo, ser alargado a “quem legalmente se emancipa a partir dos 16 anos“. Assim, acredita, chegar-se-ia a uma “solução de compromisso”.

"Concordo com a manutenção desse conjunto de direitos sociais e políticos na idade dos 18 anos. Sem prejuízo de conceder também o direito de voto a quem legalmente se emancipa a partir dos 16 anos. Diria portanto que é uma solução de compromisso"
Margarida Balseiro Lopes, candidata à liderança da JSD

Já André Neves diz que essa é “uma medida que deve ser estudada” e, se possível, começar a ser implementada “em eleições locais” e só “mais tarde” começar a ser feita uma avaliação sobre se deve ser alargada a eleições nacionais.

Mas, com tantos temas em comum, pode a agenda da JSD confundir-se com a do Bloco de Esquerda? Margarida Balseiro Lopes puxa dos galões da paternidade do voto aos 16 anos (defendido por Duarte Marques em 2010, como presidente da JSD), dizendo que o Bloco de Esquerda é que foi a “reboque” da JSD nessa ideia. Além disso, defende a secretária-geral da JSD, a “jota” tem uma “visão coerente” nestes assuntos, enquanto o BE procura apenas “fogachos mediáticos.”

"Acho que a nossa agenda é bem distante da do Bloco na grande maioria dos temas :) Mas sim, a JSD muitas vezes foca-se em discutir temas fraturantes muito ligados à esquerda. Para mim, esses não são os verdadeiros temas fraturantes da minha geração, quero discutir, bioética, engenharia genética, criptomoedas. Estes sim, serão os temas do futuro. E a JSD, como historicamente fez, tem de andar à frente do seu tempo"
André Neves, candidato à liderança da JSD

Também André Neves explica que a agenda da JSD “é bem distante da do Bloco na grande maioria dos temas :)” No entanto, admite que “a JSD muitas vezes foca-se em discutir temas fraturantes muito ligados à esquerda“. E, para Neves, “os verdadeiros temas fraturantes” da sua geração, são: “Bioética, engenharia genética, criptomoedas”.

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A legalização da prostituição é um “assunto inadiável”?

A legalização da prostituição foi defendida pelo atual presidente da JSD, Simão Ribeiro, que teve como vice-presidente André Neves e como secretária-geral Margarida Balseiro Lopes. A candidata tem uma posição clara sobre o assunto. Margarida concorda com a “legalização” por uma “questão de saúde pública” e porque é a “melhor forma de proteger as pessoas”. Para a deputada, a forma como “a lei está atualmente revela hipocrisia porque reconhece do ponto de vista penal que existe a prática da prostituição quando consagra o crime de lenocínio mas em tudo o resto é vazia”.

"Concordo com a legalização em primeiro lugar por uma questão de saúde pública, em segundo lugar porque considero que essa é a melhor forma de proteger as pessoas. Como a lei está atualmente revela hipocrisia porque reconhece do ponto de vista penal que existe a prática da prostituição quando consagra o crime de lenocínio mas em tudo o resto é vazia."
Margarida Balseiro Lopes, candidata à liderança da JSD

Entretanto, André Neves demorou demasiado tempo a responder e Margarida Balseiro Lopes não perdoou. Seis minutos depois utilizou um emoji de sono: Zzzzz. O candidato justificou que tinha perdido a ligação ao telemóvel. Explicou depois que a moção setorial sobre o assunto está “muito bem fundamentada” e visa “relançar o debate”. Diz que não há uma “solução com a qual concorde em absoluto”, mas defende que a “saúde pública de profissionais do sexo e a sua proteção social devem ser uma prioridade”. O pretexto foi o candidato André Neves ter falado no facto de a JSD perder muito tempo com temas “ligados à esquerda”.

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Já experimentaram drogas leves? E legalizavam?

São poucos os políticos que admitem já ter experimentado drogas leves. José Sócrates, por exemplo, quando tutelava ao Instituto da Droga e da Toxicodependência disse apenas: “Fui um jovem do meu tempo”. Já o candidato André Neves admitiu frontalmente já ter experimentado: “Sim, já experimentei, como a maioria dos jovens portugueses. Não gosto nem consumo”. Já Margarida Balseiro Lopes confessa que nunca consumiu, mas não recrimina quem o faz, até porque concorda com a legalização das drogas leves. Lembra até “bons exemplos lá fora” em estados norte-americanos como o Alasca e o Colorado.

"Sim, já experimentei [drogas leves] como a maioria dos jovens portugueses. Não gosto nem consumo"
André Neves, candidato à liderança da JSD

Já André Neves diz que “tendencialmente” é a favor, mas, também nesta questão devem ser os militantes da JSD a decidir a posição num referendo interno.

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Cacicaram nas eleições da JSD?

Com frontalidade, os candidatos admitem ambos que “cacicaram” durante a campanha para as eleições do próximo domingo. Mas fazem uma espécie de distinção entre “cacique bom” e “cacique mau”. Para Margarida, esse “cacique” tratou-se de “mobilizar a estrutura” e “mobilizar apoios” enquanto apresentava o seu projeto para a “jota”.

Mais uma vez, três minutos depois da pergunta, Margarida aproveitou o facto de André Neves não responder para pressioná-lo a ser mais rápido. Para isso, usou um emoji de uma ampulheta. O candidato respondeu com várias das propostas que tem na moção de estratégia global como a eleição do líder por voto direto e eletrónico como forma de combater o caciquismo.

"Prometo que não vou conduzir nenhuma carrinha no domingo :p "
André Neves, candidato à liderança da JSD

Os candidatos foram depois questionados sobre a forma como viram as reportagens/investigações do Observador sobre o caciquismo em Lisboa nas eleições da distrital e em Ovar nas eleições diretas de janeiro. André Neves vê estes atos de caciquismo como uma “prova de que os partidos têm de se reinventar” e, antes de um smile com a língua de fora, diz em tom de brincadeira: “Prometo que não vou conduzir nenhuma carrinha no domingo :P“. Também Margarida Balseiro Lopes acha mal que “simplesmente se carreguem votos de quem não sabe o que vai fazer à urna de voto“.

Os dois foram depois questionados sobre a ligação a Salvador Malheiro (no caso de André Neves) e a Marques Mendes (no caso de Margarida Balseiro Lopes). Neves insistiu que não tem “padrinhos políticos” e que fez o seu “percurso profissional sem favores, nem cunhas”. Por isso, a candidata à liderança da JSD “não é exceção”. Margarida não falou no nome de Marques Mendes e aproveitou, mais uma vez,  para denunciar a ingerência na corrida à JSD: “Para além de simpáticas referências nenhum deles se imiscuiu na vida interna da JSD, não sei se todos podem dizer o mesmo…”

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Passos ou Rio? Costa ou Sócrates? O que responderam os candidatos

O WhatsApp perde em termos de ritmo em relação a uma entrevista presencial. O tempo foi escasso e ficaram vários assuntos por debater quando a discussão já durava há uma hora e meia. Decidiu-se então avançar para uma fase de perguntas (e respostas) rápidas. Voltaram a existir emojis, claro.

Passos Coelho ou Rui Rio?

André Neves: Passos Coelho até 2018 e agora Rui Rio.

Margarida Balseiro Lopes: Passos Coelho até Fevereiro, Rui Rio em diante

(Seguiu-se um: “Ahaha“, de André Neves)

António Costa ou José Sócrates?

André Neves: Venha o diabo e escolha. (Emoji de um diabo roxo). 

Margarida Balseiro Lopes: Nenhum.

Serviço Nacional de Saúde ou hospitais privados?

Margarida Balseiro Lopes: SNS com privados.

André Neves: Serviço de saúde de qualidade. Independentemente do prestador.

Escola pública ou colégios privados?

André Neves: Liberdade de Escolha

Margarida Balseiro Lopes: Ambos.

Bloco Central. Sim ou não?

Margarida Balseiro Lopes: Não.

André Neves: Não. 

Alunos na avaliação dos professores. Sim ou não?

André Neves: Parcialmente, nunca exclusivamente

Margarida Balseiro Lopes: Sim. Dizer que os alunos têm um papel central na escola tem de significar que também são ouvidos na avaliação dos professores.

São de direita. Sim ou não?

Margarida Balseiro Lopes: Centro direita. Já me assumi (emoji de sorriso rasgado).

André Neves: Centro-Direita, mas acredito que este tipo de rótulos estão outdated.

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Quais as alegações finais de cada um dos candidatos?

Nas alegações finais, Margarida Balseiro Lopes assumiu que quer “reinventar a forma de fazer política” e “mordernizar a JSD”. A candidata quer “reinventar a sala de aula, aumentar a confiança dos cidadãos no funcionamento do Estado e promover políticas fiscais para que a geração que tem estado eternamente à espera para ter casa própria possa finalmente iniciar o seu projeto de vida com autonomia. Para isso é fundamental que o elevador social funcione, e que o sítio onde nascemos e que o material de que é feito o nosso berço não limite onde chegamos”.

André Neves também assume uma “vontade férrea e inabalável de refundar profundamente a JSD e a forma como faz política”. O candidato quer “voltar a colocar a JSD no mapa” e lembra as “propostas, desde a refundação interna, a vontade de reformar os métodos de proteção social e trazer os melhores mecanismo de inovação social para Portugal”.

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