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Meses antes de se ouvir sequer falar em Covid-19, nem em Reguengos de Monsaraz nem no resto do mundo, desapareceram do salão do Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), naquela localidade alentejana, os dispensadores onde os quase 90 utentes tinham água sempre à disposição. “Não sei se era por ser muito caro ou não, mas a dada altura retiraram esses garrafões”, contou ao Observador uma funcionária do lar que, por medo de represálias, não quis ser identificada.

“A partir daí os velhotes que estavam melhores e ainda conseguiam andar passaram a ir buscar água em garrafinhas a uma torneira que há no quintal. Os que não conseguem pedem aos colegas, que umas vezes lhes dão, outras não”, revela a trabalhadora, pouco surpreendida com os resultados da auditoria da Comissão Regional do Sul da Ordem dos Médicos (OM) à atuação dos responsáveis do lar durante o surto de coronavírus que começou a 18 de junho no edifício da Rua da República e se alastrou depois à comunidade.

“A desidratação não aconteceu em dois dias, já vinha de trás, uma pessoa não chega a esse estado num dia. Se aos que estão ali no salão muitas vezes não lhes dão água, imagine aos que estão nos quartos e não têm como sair de lá. É o ‘já venho’. E depois nunca mais aparecem”
Funcionária do lar

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