1244kWh poupados 1244 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Na hora de cuidar, conheça as equipas que fazem toda a diferença

Cuidar com dignidade até ao fim: é esta a missão do Programa Humaniza, da Fundação ”la Caixa”, que reforça os cuidados paliativos a doentes e famílias, tanto em contexto hospitalar como domiciliário.

Foi a pensar na importância da área dos cuidados paliativos para o setor da saúde que, em 2018, nasce o Programa para o Apoio Integral a Pessoas com Doenças Avançadas – Humaniza, desenvolvido pela Fundação ”la Caixa”. Com o objetivo de prestar apoio a pessoas com doenças avançadas, conta com 11 Equipas de Apoio Psicossocial (EAPS) formadas maioritariamente por psicólogos, assistentes sociais e voluntários, e apoia 5 equipas domiciliárias de cuidados paliativos.

As equipas domiciliárias caracterizam-se por ser equipas multidisciplinares, das quais fazem parte médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais de saúde. Aqui, a missão passa por prestar cuidados especializados a pessoas com doença avançada e respetivas famílias, no conforto do seu lar. Juntamente com o Ministério da Saúde, a Fundação ”la Caixa” tem, desta forma, o propósito de reforçar o apoio domiciliário especializado a doentes, crianças e adolescentes, apoiando o conhecimento, a experiência e as evidências neste âmbito.

Mas mais do que conhecer o trabalho desenvolvido até aqui, é importante entendê-lo, através das palavras de quem, diariamente, ajuda a transformar o fim da vida numa jornada com serenidade.

Equipa Domiciliária de Cuidados Paliativos da ULS do Alto Ave

A Equipa Domiciliária de Cuidados Paliativos da ULS de Alto Ave tem como objetivo proporcionar cuidados de suporte e conforto a doentes em fase avançada e terminal da doença, no conforto do seu domicílio. Nas palavras da Dra. Celeste Gonçalves, Coordenadora, o impulso da Fundação ”la Caixa” foi o início de tudo: “O Programa Humaniza teve uma importância fulcral no início da atividade desta equipa, uma vez que permitiu a implementação do projeto Paliativos Consigo, uma valência domiciliaria que até então não existia e colmatou a inexistência de equipa comunitária de suporte em cuidados paliativos na área de Guimarães e Vizela. Estavam apenas disponíveis as valências de consulta externa, hospital de dia e apoio intra-hospitalar. A valência de apoio domiciliário foi, de facto, iniciada após termos conseguido o apoio da Fundação ”la Caixa”, permitindo, através de uma equipa multidisciplinar, garantir a prestação de cuidados paliativos especializados a uma população de cerca de 180.000 residentes”.

180000

Residentes apoiados através de cuidados paliativos especializados pela Equipa Domiciliária de Cuidados Paliativos da ULS do Alto Ave

254

Doentes apoiados em contexto domiciliário pela Equipa Domiciliária de Cuidados Paliativos da ULS do Alto Ave em 2024

Graças ao Programa, foi melhorada a acessibilidade a cuidados paliativos especializados, com um melhor controlo de sintomas e um apoio psicossocial adaptado às necessidades de cada doente. Só em 2024, foram acompanhados 254 doentes em contexto domiciliário, com 80% a morrer em casa, de acordo com a sua vontade, num processo acompanhado pelos profissionais que, numa fase posterior, se dedicam também ao apoio e consultas de luto especializadas. Com a missão de humanizar os cuidados de saúde, a equipa conta com um modelo organizativo delineado “que responde às necessidades dos doentes e suas famílias, promovendo a articulação entre os diferentes profissionais e serviços que garantem a implementação do Plano Avançado de Cuidados”, explica-nos Celeste Gonçalves, reforçando, assim, o verdadeiro compromisso desta equipa: o doente e a sua família. “É neles que se centra toda a nossa ação. A equipa molda-se para garantir, através de uma visão integrada e sempre numa perspetiva multidisciplinar, que o doente obtenha nesta fase a melhor qualidade de vida possível junto da sua família ou amigos”.

Equipa Domiciliária de Cuidados Paliativos da ULS do Alto Ave

O que é certo é que o trabalho fala por si. Mais do que um sentimento de missão cumprida, fica a noção de gratidão e reciprocidade. Trabalhar em cuidados paliativos é dar, mas também receber. “O impacto da nossa presença nas casas e nas vidas de todos aqueles que acompanhamos mede-se através da amplitude e da reciprocidade demonstrada por estes. Será difícil recordar apenas um caso porque todos deixam a sua marca na equipa pelas mais variadas razões. Após a morte, acompanhamos a família no luto e, muitos anos após o processo estar encerrado, muitas vezes as famílias ainda nos visitam. Temos alguns casos em que acompanhamos um doente e mais tarde voltamos e acompanhamos um familiar, por exemplo, o marido ou a esposa dos doentes que faleceram e ouvimos a restante família dizer estão aqui de novo para ajudar”.

Equipa Domiciliária de Cuidados Paliativos da ULS do Alto Ave

Com a vontade de, num futuro próximo, conseguir aumentar o raio de ação, bem como a dimensão da equipa, Celeste Gonçalves sublinha a importância de se valorizar a área, para que tais melhorias possam acontecer: “Pensamos que o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, muito por força das equipas que estão no terreno, subdimensionadas, tem ajudado a quebrar algum do estigma existente relativamente aos cuidados paliativos em Portugal. No entanto, muito tem ainda se ser feito para melhorar os cuidados paliativos em Portugal e isso passa primeiramente pela acessibilidade. Apenas uma pequena franja da população tem acesso a cuidados paliativos de excelência e mesmo a nossa equipa ainda não consegue alcançar todos os concelhos da nossa ULS apesar desta situação estar a ser trabalhada para ser resolvida. Consideramos que as entidades da saúde deveriam implementar o plano estratégico para os Cuidados Paliativos”.

Não só adultos, mas crianças e jovens

“É preciso cuidar das crianças como quem cuida do futuro”. Este é o mote da Equipa Domiciliária de Cuidados Paliativos da ULS de Coimbra. Integrada no Hospital Pediátrico da ULS de Coimbra, é uma equipa especializada que presta cuidados paliativos a crianças e jovens com doenças crónicas complexas ou com prognóstico de vida limitado. É, também, a equipa pediátrica que recebeu o impulso da Fundação ”la Caixa” para o desenvolvimento do projeto. E se no início do projeto o apoio domiciliário acontecia apenas uma vez por semana, o apoio permitiu uma mudança de paradigma. “A possibilidade de apoio através do programa Humaniza permitiu-nos aumentar os nossos recursos (nomeadamente na área médica, de psicologia e serviço social), alargar o período de atendimento telefónico e facilitar as nossas deslocações, uma vez que apenas tínhamos viatura um dia por semana, e passámos a ter viatura permanentemente disponível. Além disso, o apoio tem possibilitado também o processo de formação dos profissionais, quer através da formação teórica e frequência de congressos, quer da possibilidade de os nossos elementos realizarem estágios práticos no estrangeiro”, quem o diz é a Dra. Cândida Cancelinha, responsável pela coordenação do apoio domiciliário.

Equipa Domiciliária de Cuidados Paliativos da ULS de Coimbra

Segundo Cândida Cancelinha, com este apoio domiciliário, foi possível assistir a uma redução muito significativa do número de dias de internamento hospitalar e dos internamentos em cuidados intensivos. Também o apoio telefónico se revelou uma ferramenta com grandes níveis de satisfação por parte das famílias, permitindo uma redução de deslocações ao serviço de urgência. A equipa domiciliária não limita a sua atividade a este contexto, sendo que os seus recursos se estendem para a equipa intra-hospitalar que assegura consulta e internamento hospitalar, possibilitando o acompanhamento de crianças e adolescentes com doença crónica complexa ao longo de toda a trajetória da doença. Graças a uma articulação entre cuidadores, equipas hospitalares, escolas, creches ou qualquer outra instituição, é feita uma formação e trabalho de treino, para que a criança receba os melhores cuidados e sejam identificadas quaisquer situações de alerta.

Equipa Domiciliária de Cuidados Paliativos da ULS de Coimbra

São já muitos anos de ação, com muitas histórias e vidas a passar pelas mãos desta equipa. Ainda assim, para a Coordenadora, um dos maiores desafios continua a ser “o da desmistificação dos cuidados paliativos, sobretudo na faixa pediátrica. Com o trabalho e o impacto da nossa, e de outras equipas por todo o país, assim como o trabalho das estruturas governativas e da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, a mudança de mentalidades já está a acontecer, mas ainda temos uma faixa importante da população que associa estes cuidados ao fim da vida e apenas à doença oncológica. Além disso, temos o enorme desafio da extensa região geográfica que envolvemos, sendo por isso essencial o trabalho de estreita articulação que vamos estabelecendo com a estruturas locais e que permite que tenhamos “braços” da nossa equipa nas diferentes zonas onde as crianças são acompanhadas e com quem facilmente podemos comunicar”.

80 %

Crianças com doenças de enorme sofrimento que precisam de cuidados paliativos aos quais não têm acesso

70 %

Adultos com doenças de enorme sofrimento que precisam de cuidados paliativos aos quais não têm acesso

Com o desejo de que no futuro os cuidados paliativos passem a ser encarados como uma área especializada da medicina, a responsável deixa um apelo: “Os nossos noticiários ainda não abrem a sua programação com a quantidade de crianças (mais de 80%) e adultos (cerca de 70%) que, todos os dias, enfrentam doenças indutoras de enorme sofrimento, e que precisam de cuidados paliativos aos quais não têm acesso. Enquanto houver uma criança ou adolescente com doença crónica, com cuidados de saúde complexos e que, necessitando, não tenha acesso a uma equipa de cuidados paliativos, nenhum de nós poderá baixar os braços.”.

Fica claro de que é mais importante do que nunca humanizar. Humanizar doentes, equipas e todos os envolvidos, dando-lhes as condições necessárias para que os cuidados paliativos sejam um direito garantido. Até ao último momento.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.