[Veja aqui se entrou no Ensino Superior]

É a fatia mais gorda do bolo. Mais de sete mil alunos, que valem 16,9% do total de colocados, encontraram vaga em Engenharia. Não é para menos. Esta área de formação oferece 213 cursos diferentes que vão da engenharia Aeroespacial à Têxtil, passando pela Biomédica e pela Florestal. Seja como for, a Engenharia é quem mais alunos seduz no concurso nacional de acesso ao ensino superior e consegue cativar os bons alunos. Entre os 44 cursos em que o último colocado entrou com nota superior a 17, meia dúzia certa são de Engenharia.

Se continuarmos a olhar apenas para a área de estudo, logo a seguir foram os cursos de Ciências Empresariais — onde se encontram os de Gestão — que mais alunos colocaram (6.961). Saúde fica em terceiro lugar, mas não graças a Medicina. Os sete cursos existentes no país absorvem 1.441 alunos — nem mais um do que no ano anterior —, uma parcela pequena dos 6.126 lugares ocupados naquela área de estudo. Já os 21 cursos de Enfermagem colocaram 1.909 alunos.

Olhando para cada um dos cursos isoladamente, Direito, da Universidade de Lisboa, é o curso que mais alunos tem, 445. Importa dizer que, a nível nacional, só há sete cursos de Direito, dois deles em regime pós-laboral, uma oferta que fica muito aquém da de Engenharia, o que também explica os números. Em segundo lugar em dimensão de alunos está o mesmo curso, só mudando a faculdade: em Coimbra ficaram colocados 334 novos estudantes.

A posição seguinte é para Enfermagem, que fica com o terceiro (320), o quinto (285) e o sexto lugar (257). Onde? Coimbra, Lisboa e Porto nas respectivas escolas superiores de Enfermagem. Medicina fica com o quarto (295), sétimo (255), oitavo (245) e nono lugares (231) e o décimo lugar é para Engenharia Eletrotécnica e de Computadores do Instituto Superior Técnico (220 alunos).

Em nenhum destes cursos sobraram vagas para a 2.ª fase de colocações e todos estão lotados.

Quanto à área de Engenharia, que só consegue um lugar entre os 10 cursos com mais alunos colocados, depois do mestrado integrado do Técnico é a mesma oferta na Universidade do Porto, Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, que dentro desta área de estudo fica com vagas preenchidas. Assim, a fatia de quase 17% no total de lugares ocupados é explicada em grande parte pelas mais de duas centenas de cursos que existem em todo o país.

Serviços de Segurança é a área com menos colocados

E que cursos não convencem os estudantes? Em termos de áreas de estudo, os Serviços de Segurança e os de Transporte são os que menor número de estudantes conseguiram colocar, em tudo idêntico ao concurso de 2018. A primeira só preenche 21 vagas das 40 disponíveis, a segunda 87 em 87, ocupando todos os lugares, ainda que poucos.

Em termos de cursos, quase quatro dezenas (38) não conseguiram colocar nenhum aluno. Entre eles, encontram-se percursos académicos tão distintos como os de quem segue (ou, neste caso, não segue) Educação Básica, Dieta Mediterrânica e Ciência dos Alimentos, Biotecnologia Alimentar, Gerontologia, Higiene Oral e vários cursos distintos de Engenharia. Quatro são ministrados em universidades, os restantes em politécnicos.

No entanto, isto não quer dizer que os cursos fiquem vazios ou que acabem por fechar. As vagas podem ser preenchidas na 2.ª e 3.ª fase do concurso nacional ou por alunos que entram através de contingentes especiais.

[Pode rolar para cima e para baixo dentro do quadro ou fazer uma busca na área de “search”] 

Entre universidades e politécnicos, são as primeiras a ficar com a maioria dos estudantes, num total acima dos 60%. Mas as universidades não são apenas as que mais colocam alunos, são também as mais procuradas pelos candidatos quando põem a cruz na 1.ª opção. A Universidade de Lisboa faz o pleno: fica em primeiro lugar em número de alunos colocados (7.207) e é também a que angaria maior número de candidatos (8.605), o que significa que quase 1.500 alunos não conseguiram lugar na instituição lisboeta.

A Universidade do Porto consegue feito semelhante e fica em segundo lugar nos dois rankings, mas é a Universidade Nova de Lisboa que abre a exceção. Apesar de ser a terceira mais procurada pelos candidatos (3.985) deixa mais de mil de fora, uma vez que só 2.577 conseguiram vaga na instituição. A terceira instituição com mais alunos colocados é a Universidade de Coimbra. Tem este ano 3.182 novos alunos, um número que se aproxima da procura (3.731).

Mesmo que a tendência penda para as universidades, o Politécnico do Porto consegue ser a quarta instituição do ensino superior a colocar mais estudantes, com 2.859 vagas preenchidas (é procurado por 3.497, o que o coloca em sexto lugar).

Muito procuradas ou não, nenhuma destas instituições conseguiu preencher 100% das vagas disponíveis na 1.ª fase do concurso. Num total de 33 instituições, só cinco o conseguem fazer: ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa e as três escolas superiores de Enfermagem de Lisboa, Porto e Coimbra.

Do outro lado da tabela, fica o Instituto Politécnico de Bragança com 1.246 vagas sobrantes para a próxima fase do concurso. Não é, no entanto, o que preencheu menos lugares. Esse lugar é para a Escola Superior Náutica Infante D. Henrique que, até agora, só preencheu 96 lugares vindos do contingente geral. Já a menos procurada foi o Instituto Politécnico de Tomar, que só reuniu as preferências de 101 alunos.