E vão quatro. Foi em 2015 que as pautas de Medicina apareceram, pela última vez, com as notas mais altas do acesso ao ensino superior. Pelo quarto ano consecutivo, é um curso de Engenharia que faz história. Desta vez é com um 189,5 (no ano passado foi com 189,4) que entrou o último colocado no curso de Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico — 92 vagas, 92 colocados, zero sobras.

A primeira vez que Medicina foi destronada foi pelo curso de Engenharia Aeroespacial (este que agora volta a ter a nota mais alta) e de Engenharia Física e Tecnológica, ambos do Técnico. No ano seguinte, a confirmação: somou-se àqueles dois cursos Engenharia e Gestão Industrial, da Universidade do Porto, e Medicina caiu para quarto lugar.

Em 2018, Medicina cai para sétimo lugar. Este ano, consegue recuperar e aparece em quinto lugar com o curso do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (185,0), habitualmente aquele  que tem notas mais altas.

Assim, as quatro melhores notas de entrada dos últimos colocados são todas para cursos de Engenharia. Em Lisboa, Engenharia Aeroespacial (189,5) e Engenharia Física Tecnológica (188,8) do Técnico. No Porto, Bioengenharia (186,5) e Engenharia e Gestão Industrial (186,5) da Faculdade de Engenharia.

Há 26 cursos com nota abaixo de 100

Imagine um jogo, estilo sopa de letras. Há 26 nomes de cursos e tem de encontrar um padrão. Desporto, Educação Social, Solicitadoria, Engenharia Informática, Reabilitação Psicomotora. Alguma coisa? Nada?

Gestão Hoteleira, Comunicação Social, Enfermagem, Gestão Turística e Cultural, Tecnologia Alimentar, Animação Sociocultural. Padrão à vista? Nem por isso? A lista podia continuar com Atividade Física e Estilos de Vida Saudáveis ou Terapia Ocupacional — mas não ia ajudar.

Este ano, há 26 cursos superiores onde a nota de entrada do último aluno esteve abaixo de dez valores (nove deles com 9,5) e, como se vê, não existe uma tendência. No acesso a um curso superior não pode haver negativas e, assim, nenhum aluno pode entrar com uma nota inferior a 95 pontos (média de nove e meio).

O padrão que existe é outro. Os politécnicos, como habitualmente, aparecem em maior número, quando olhamos para o estabelecimento onde estes cursos são ministrados: 21 contra 5 universidades. Abaixo de 11 valores, há 137 cursos. No entanto, as notas divulgadas são sempre as do último aluno que conseguiu lugar em determinado curso, o que quer dizer que os restantes terão sempre entrado com notas superiores à que é divulgada.