Número de portugueses com depressão dispara 43%, mas consultas ainda são só “15 minutos para dar medicação” /premium

11 Outubro 20182.066

Doentes e psicólogos dizem que o tratamento falha por estar focado nos medicamentos. DGS admite que a saúde mental é um problema crescente, mas garante que estão a ser feitos progressos.

Quando Joana Lima regressou a Lisboa em 2016, depois de dois anos a viver e a trabalhar na Polónia, encontrou uma cidade muito diferente da que tinha deixado. Os preços das casas tinham disparado e tornou-se praticamente impossível encontrar onde morar na capital portuguesa. Joana vinha com um objetivo: estudar jazz no Hot Clube de Portugal e tornar-se música. Porém, a ansiedade provocada pela dificuldade em encontrar casa aliou-se ao reviver de um trauma de infância e ao histórico de problemas de saúde mental na sua família para lhe alterar os planos, atirando-a para meses de cama com um diagnóstico de depressão.

“Durante um ano, andei em constante dificuldade. Andava de um sítio para o outro. Esse fator complicou muito a minha vida, contribuiu para ter uma grande ansiedade”, conta Joana ao Observador. Hoje com 26 anos e um emprego num bar lisboeta, Joana criou um canal no YouTube — A Minha Mente — dedicado aos problemas de saúde mental. Quer ajudar, através da sua própria experiência, quem não tem a mesma sorte e passa dificuldades no momento de procurar ajuda no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"Por alguma razão, entrei num modo de 'eu consigo', num modo de super-heroína que tem um efeito contraproducente. Dizia 'eu consigo', 'sou independente', e comecei a arrastar uma camioneta cheiíssima de areia. Não me apercebi de que estava a entrar num buraco tão fundo"
Joana Lima

Aquela não foi a primeira vez que Joana teve um problema do foro mental. Aos 20 anos, tivera a primeira depressão, ainda que não tão “assustadora” como aquela de que ainda está a recuperar. Duas décadas antes, já a mãe de Joana havia tido uma depressão semelhante e fez aquilo que a filha já não viria a fazer, por considerar “um erro”: recorrer ao SNS. A consulta demorou demasiado tempo a ser marcada e, quando ocorreu, não passou de um breve encontro com um psiquiatra que lhe prescreveu medicação. “A minha mãe disse que, depois da experiência que teve no SNS, nunca mais voltou a tentar“, comenta.

Não tentou nem para si nem para a filha. Por isso, quando identificou em Joana um problema psicológico sério, levou-a de imediato a um psiquiatra num serviço privado. Ainda assim, o problema demorou a ser detetado. “Por alguma razão, entrei num modo de ‘eu consigo’, num modo de super-heroína que tem um efeito contraproducente. Dizia ‘eu consigo’, ‘sou independente’, e comecei a arrastar uma camioneta cheiíssima de areia. Não me apercebi de que estava a entrar num buraco tão fundo. Às vezes, tentava comentar com amigos, mas a resposta era sempre a mesma. Tens de te animar, e tal… Não me apercebi até realmente cair.”

Meses de espera, falta de psicólogos e preconceito

Quando caiu, caiu a sério. “Fui parar ao hospital completamente catatónica. Não olhava ninguém nos olhos. Fiquei vários meses de cama sem conseguir fazer nada“, recorda a jovem. “Felizmente”, continua, “tive capacidade monetária para pagar e fui acompanhada por um excelente psicoterapeuta”. Durante os meses que passou na cama, garante ter tido tempo para pensar na sorte de ter uma família com experiência em problemas do foro psicológico e por ter conseguido pagar os custos de cuidados de saúde no privado.

“Comecei a pensar em todas as pessoas que não tinham essa possibilidade, que provavelmente viviam com perturbações mentais graves sem terem noção disso”, lembra. Depois, na fase final da depressão, já com as forças recuperadas, pegou no computador e pesquisou sobre a saúde mental em Portugal. Abriu o YouTube e ficou surpreendida com a quantidade de vídeos brasileiros que abordavam o tema de forma descomplexada. “Como é que é possível que ninguém fale disto em Portugal?“, questionou-se. “Foi aí que disse para mim própria que, quando estivesse bem, iria começar eu própria a falar sobre isto.”

Pediu uma câmara emprestada, sentou-se no chão do quarto e filmou-se a falar do seu caso. O primeiro vídeo foi publicado a 28 de fevereiro deste ano. Em menos de uma semana, começou a receber mensagens privadas — raramente alguém comentava publicamente. Uma amiga de longa data contou-lhe, poucos dias depois da publicação do vídeo, que “vive com uma perturbação psicológica há anos”. Nunca tinha percebido. “É uma das pessoas mais cómicas que conheço“, argumenta, “e só contou porque eu abri o jogo”.

[Veja um dos vídeos do canal “A Minha Mente”]

Sete meses e 22 vídeos depois, o canal A Minha Mente — que já se estendeu a várias redes sociais — tornou-se numa espécie de consultório. Joana recebe hoje dezenas de mensagens, na sua maioria ainda em privado, para pedir conselhos e partilhar histórias. Se já tinha uma imagem negativa dos cuidados em saúde mental em Portugal, os comentários que recebeu mostraram-lhe um cenário muito, muito mais negro. Esta quarta-feira, Dia Mundial da Saúde Mental, a jovem mostra-nos algumas das mensagens que tem recebido e que “representam os grandes problemas do SNS” no que diz respeito à saúde mental.

Uma delas é de uma jovem do interior do país: “Eu, para ir a uma consulta de psiquiatria tenho de ir de propósito a Coimbra, e no meu caso não é de psiquiatria que eu preciso, é de psicoterapia. Andei sempre de médico em médico, por questões burocráticas. Eu adorava a psiquiatra antiga. A última consulta com ela foi em maio de 2016, mas mandaram-na embora no fim do contrato. Estive até janeiro de 2017 até conseguir consulta com outra médica. Entretanto passei por mais duas e a última médica que tive, só consegui ter uma consulta com ela, porque mandaram-na embora logo a seguir. Agora não sei mais quanto tempo vou estar sem [consulta].”

Esta semana, continuava à espera de uma consulta.

Consulta? “15 minutos apenas para dar medicação”

“Isto evidencia duas questões: a questão da continuidade e a de não haver psicoterapia disponível”, lamenta Joana Lima, sublinhando que os pacientes estão “constantemente a passar de um médico para o outro”. O problema maior, ainda assim, é o da falta de psicoterapia, que “devia ter um papel mais importante”. Os cuidados de saúde mental, na opinião de Joana, converteram-se num permanente receitar de medicamentos. “Esta rapariga diz que, nas consultas, só tinha 15 minutos e que eram apenas para dar a medicação. E pronto. Andar a receitar coisas às pessoas é um analgésico, faz o seu serviço durante um bocadinho de tempo, mas não mais do que isso”, defende.

"Esta rapariga diz que, nas consultas, só tinha 15 minutos e que eram apenas para dar a medicação. E pronto. Andar a receitar coisas às pessoas é um analgésico, faz o seu serviço durante um bocadinho de tempo, mas não mais do que isso"
Joana Lima

Outra mensagem conta uma história igualmente difícil, de um jovem que, vendo a mãe, doente oncológica, em baixo devido aos tratamentos, considerou que ela devia receber acompanhamento psicológico: “A minha mãe tem cancro e pediu à médica de família para ser vista por um psicólogo do Serviço Nacional de Saúde. Passado imenso tempo, recebeu uma carta para ter consulta daí a três meses“. E termina: “Estou a tentar convencê-la a ir para o particular“.

O mesmo jovem mandou outra mensagem a Joana, com mais uma história de família. “O meu tio está internado com leucemia aguda. Falei com o médico dele para ter apoio psicológico, porque ele está muito em baixo e eu já não sei o que fazer.” A resposta que obteve da parte do hospital foi avassaladora: o pedido foi registado e os serviços farão o possível, mas não vale a pena ter esperanças muito altas. Afinal, “só há um psicólogo para todos os doentes de oncologia“. “Aquilo custou-me a acreditar”, recorda Joana.

O testemunho “mais chocante” que recebeu foi um comentário público num dos seus vídeos no YouTube, que mostra “o estigma na classe médica” sobre os problemas do foro mental. “Realmente é quase estranho a forma como algumas pessoas ainda pensam sobre transtornos mentais. Até médicos. Faz-me lembrar uma consulta que tive com um médico de medicina familiar, a primeira que tive à procura de respostas concretas para a minha ansiedade. Expliquei-lhe todos os meus sintomas, mentais e físicos, o que sentia, que a minha cabeça já não funcionava, que achava que tudo estava errado comigo. Ao que ele prontamente me respondeu: ‘Isso é de estares a começar a vida adulta, vá para casa e descanse que isso passa‘.”

[Veja um dos vídeos do canal “A Minha Mente”]

Isto é ir bater à porta do médico e fecharem-nos a porta no nariz“, lamenta Joana Lima, esperançada de que a nova geração de médicos esteja mais bem preparada para lidar com estas questões.

O canal de YouTube também fez parte do processo de recuperação de Joana. E os espectadores dão conta disso. “Há pouco tempo, alguém mandou-me uma mensagem a dizer que se notava a diferença entre os primeiros vídeos e agora”, diz, com orgulho na voz.

30 milhões de embalagens de medicamentos prescritas em 2016

A realidade que Joana conta é conhecida por todos na cadeia de ação, desde os psicólogos ao Governo. “Aquilo que tem vindo a ser feito, manifestamente, não é suficiente. Isso não é uma grande novidade. O próprio Governo concordará que não é suficiente e julgo que mesmo os mais diretos responsáveis pelos programas concluirão pelo mesmo”, explica ao Observador o bastonário da Ordem dos Psicólogos, Francisco Miranda Rodrigues.

Atualmente, Portugal é o segundo país da Europa com maior prevalência de doenças mentais entre a população e um em cada quatro portugueses sofre de um problema de saúde mental. Segundo dados fornecidos pela Ordem dos Psicólogos, perto de metade dos cidadãos — 43% — já teve uma perturbação mental em algum momento da sua vida. A mais frequente é a depressão, com o número a ter aumentado 43% nos últimos sete anos. Se, em 2011, a percentagem de portugueses com depressões era de 6,85%, em 2017 tinha subido para 9,8%. No que diz respeito à ansiedade, a taxa quase duplicou, de 3,5% da população em 2011 para 6,5% em 2017.

Informações de um estudo promovido este ano pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental mostram como a idade média do início dos sintomas de doença mental é aproximadamente 22 anos e que, em média, passam 2,3 anos entre o início dos sintomas e a primeira consulta de especialidade e mais 1,3 anos até ao início da terapêutica farmacológica

Os números apontam para um aumento do uso de medicação no tratamento de problemas de saúde mental. Só no ano de 2016, foram prescritas perto de 30 milhões de embalagens de psicofármacos, o dobro do registado apenas três anos antes, em 2013.

A prescrição de medicação em detrimento da psicoterapia — um dos principais problemas apontados por Joana Lima — é, na opinião do bastonário da Ordem dos Psicólogos, “a forma simples de adiar a resolução e de reduzir a sintomatologia associada” em vez de garantir estabilidade no tratamento. “Parece-me que a saúde mental se resume a psicofármacos. Temos muito poucas outras ações e andamos a correr atrás do prejuízo“, lamenta Francisco Miranda Rodrigues.

Mas a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, insiste que “não se pode colocar a questão assim”. “As respostas na área da saúde mental são como as respostas como noutras áreas dos cuidados de saúde”, diz ao Observador, acrescentado que “não se pode dizer que a psicoterapia é melhor ou pior que a terapêutica medicamentosa”. “São medidas complementares para resolver o problema do doente e é da complementaridade destes meios que resultam melhores soluções”, explica.

"Parece-me que a saúde mental se resume a psicofármacos. Temos muito poucas outras ações e andamos a correr atrás do prejuízo"
Francisco Miranda Rodrigues, bastonário da Ordem dos Psicólogos

O bastonário argumenta que, até em termos financeiros para o Estado, compensaria investir mais em psicoterapia, aumentando os recursos humanos, explicando que “o que estudos dizem é que se tivéssemos mais intervenções psicológicas, nomeadamente de intervenção e deteção precoce, poderíamos não ter custos com medicação“. Na verdade, continua Miranda Rodrigues, “a intervenção psicológica e psicoterapêutica é uma intervenção rentável do ponto de vista pura e simplesmente financeiro, que compete com a intervenção psicofarmacológica, ao contrário do que muitos possam pensar devido ao aumento dos recursos humanos”.

“Os estudos demonstram essa rentabilidade, mas com uma grande vantagem acrescida: o facto de trabalharmos nas causas dos problemas de saúde mental e de garantirmos a sustentabilidade dos resultados”, acrescenta o bastonário. Para Francisco Miranda Rodrigues, o problema de base a impedir que planos de intervenção avancem é a falta de recursos no terreno. “O número de psicólogos existentes nos agrupamentos de centros de saúde é muito pequeno, com um rácio de 2,5 por cada 100 mil habitantes“, salienta, defendendo que o SNS devia duplicar o número de psicólogos no terreno.

Para a diretora-geral da Saúde, o problema não é necessariamente a falta de psicólogos. “São precisas equipas que se baseiem num conhecimento profundo de cada comunidade“, e que podem incluir não apenas psicólogos, mas também sociólogos, educadores e membros da comunidade. “É necessário sair das instituições e dar uma resposta comunitária”, defende Graça Freitas, explicando que essa é uma das linhas de ação prioritárias nos planos que a Direção-Geral da Saúde tem implementados hoje em dia.

Mas os números condenam à partida os projetos que têm sido discutidos, na opinião do bastonário: “Há pouco menos de dois anos, quando tomámos posse, propusemos ao Governo que se elaborasse um programa nacional de prevenção da depressão, e apresentámos propostas concretas sobre como deveria funcionar. Também nos propusemos acompanhar os projetos-piloto para que o programa pudesse, passo a passo, ser implementado. Inicialmente, o Governo abraçou a ideia, mas a falta de psicólogos nos agrupamentos dos centros de saúde faz com que não haja possibilidade de o programa ser implementado. Neste momento, há um projeto-piloto em três unidades nos Açores, e é só.”

Segundo explica Miranda Rodrigues, os problemas de saúde mental devem ser tratados através de uma abordagem de deteção precoce “começando no médico de família“, que “se verificasse a existência de sinais de risco enviaria o paciente para o psicólogo do agrupamento do centro de saúde”. Além da referenciação dos pacientes com sinais de risco, o bastonário defende que se trabalhe na literacia da população sobre problemas mentais e que sejam desenvolvidas formas de terapia na base do sistema, para que apenas “em última linha” se recorresse “ao envio do paciente para os serviços centralizados de psiquiatria e saúde mental”, reduzindo desta forma o problema da prescrição excessiva de medicamentos.

A diretora-geral da Saúde partilha da mesma opinião: “Há doenças na área da saúde mental que, do ponto de vista médico, são consideradas doenças minor e que podem ser acompanhadas nos cuidados de saúde primários, deixando para os cuidados especializados e centralizados doenças como a esquizofrenia, por exemplo, que são mais sofisticadas do ponto de vista do tratamento“.

Apesar de reconhecer que há ainda muitas dificuldades neste campo, porque “o problema da saúde mental está a crescer em todas as sociedades desenvolvidas“, Graça Freitas destaca o caminho que se tem vindo a fazer e compara-o com os “notáveis progressos que já foram feitos no âmbito da sida”.

“Também na área da saúde mental se está a fazer um caminho. Isto passou de uma situação em que os problemas de saúde mental não eram valorizados, devido ao estigma, para uma situação em que as pessoas já reconhecem os problemas e começam a recorrer aos cuidados de saúde. O problema é maior, mas cada vez há mais respostas para as necessidades que reconhecemos que são crescentes“, defende Graça Freitas.

Consultas no seguro só com prescrição. “Por alma de quem?”

Outro dos grandes problemas que os doentes com problemas do foro mental enfrentam são as dificuldades de acesso aos cuidados, mesmo que os estigmas de “há 10 ou 20 anos” já tenham sido ultrapassados, “particularmente no que diz respeito à profissão de psicólogo e à sua dimensão clínica”. E o problema não é só a falta de profissionais, mas também a existência de “obstáculos noutras áreas“, nomeadamente na complementaridade entre público e privado.

Segundo explica Francisco Miranda Rodrigues, são “raríssimos” os seguros de saúde que cobrem consultas de psicologia, e os que o fazem impõem condições, nomeadamente que a consulta seja feita por prescrição de um médico.

Por alma de quem? Estamos a falar de uma ciência autónoma“, indigna-se o bastonário, argumentando que “chega a ser mais difícil ter a prescrição para uma consulta do que para comprar um psicofármaco ou para fazer um exame”. Também na ADSE, denuncia o bastonário, continua a ser necessária uma prescrição para que a consulta possa ser comparticipada.

As soluções terão de ser encontradas com brevidade, até porque o século XXI tem testemunhado um aumento dos fatores que podem conduzir a doenças mentais. “Há uns anos, era mais comum termos profissões em que, focando-nos em saber fazer bem uma só tarefa, podíamos ficar assim trinta anos. Tudo isto era estável. A exigência de adaptação permanente era menor”, explica Francisco Miranda Rodrigues.

"Isto é um problema para os portugueses. Há décadas que não investimos na prevenção da saúde mental e há décadas que consumimos mais psicofármacos"
Francisco Miranda Rodrigues, bastonário da Ordem dos Psicólogos

Agora, tudo é diferente e as “preocupações ao nível do trabalho estão a ocorrer a uma velocidade que é muito difícil de ser acompanhada pela nossa capacidade de desenvolver capacidades adequadas para nos adaptarmos”, defende o bastonário dos psicólogos, acrescentando que “hoje em dia é necessário ter uma resposta mais alargada em termos de competências“.

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