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▲Organizados em grupos de Telegram e com base muitas vezes em informações descontextualizadas ou falsas, os protestos ganharam contornos violentos

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▲Organizados em grupos de Telegram e com base muitas vezes em informações descontextualizadas ou falsas, os protestos ganharam contornos violentos

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O idoso agredido "por diversão", os agressores e os tumultos. Seis respostas para entender o que se passa em Torre Pacheco

Agressão a homem de 68 anos por três jovens de origem marroquina instalou o caos em Torre Pacheco, Múrcia. Após manifestação pacífica, a cidade foi palco de violentos confrontos. O que se passa?

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O episódio está a agitar a política espanhola e as redes sociais. A agressão por um grupo de jovens de origem marroquina a Domingo Tomás Martínez, um reformado de 68 anos, motivou várias manifestações no sul de Múrcia. Organizados em grupos de Telegram e com base muitas vezes em informações descontextualizadas ou falsas, os protestos ganharam contornos violentos. Os distúrbios ocorreram principalmente nos bairros onde vive a população imigrante, que corresponde a cerca de 30% da população de Torre Pacheco.

Até ao momento, as autoridades já detiveram 14 pessoas desde a passada quarta-feira, três dos quais estiveram diretamente envolvidos na agressão a Domingo Tomás Martínez. Uma outra foi o principal responsável por gerir a conta do grupo do Telegram “Deport Them Now UE”, em que se espalharam várias informações falsas sobre a agressão ao homem de 68 anos e onde se apelava aos membros para levarem a cabo uma “carnificina” contra os imigrantes magrebinos da localidade de Torre Pacheco.

As consequências da agressão de Domingo Tomás Martínez tiveram também repercussões políticas. O Vox, partido de direita radical que apresentou recentemente uma proposta para deportar sete milhões de imigrantes ilegais de Espanha, fez questão de distanciar-se da convocação das manifestações. No entanto, o líder, Santiago Abascal, disse entender os motivos dos protestos, culpabilizando as políticas do “bipartidarismo” espanhol pelas “consequências violentas” em Torre Pacheco: “Os políticos não podem deixar a solução nas mãos das pessoas. A solução é política: a deportação dos [imigrantes] ilegais”.

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▲ Santiago Abascal numa conferência de imprensa com uma imagem de Domingo Tomás Martínez, o agredido

Europa Press via Getty Images

Já o governo de Pedro Sánchez apontou o dedo ao Vox e responsabilizou-o pelo sucedido por conta da difusão de narrativas contra a imigração — que podem ter criado as condições para a violência em Torre Pacheco. Seja qual for a causa, estão marcados para esta quarta e quinta-feira novos protestos. Os desta terça parecem ter desmobilizado perante a deslocação em força de polícia de choque. Entretanto, as autoridades espanholas estão a tentar estancar a divulgação de informações falsas nas redes sociais — e já encerraram várias contas que estão a difundi-las.

O idoso agredido num jardim. O que desencadeou esta onda de violência?

Aos 68 anos, Domingo Tomás Martínez mantinha uma rotina: antes do sol nascer, costuma dar uma caminhada longa. O reformado, que trabalhou a vida toda numa empresa agrícola de produção de citrinos, contou, ao El Español, que “há seis anos que tinha a mesma rotina”: “Nunca me tinha acontecido nada”. Normalmente, caminha quatro quilómetros. A 9 de julho, não foi assim.

“Estava a passar pelo cemitério que está a 400 metros de minha casa e primeiro encontrei-me, numa esquina, com um rapaz que estava a olhar para o telemóvel. A dez metros, numa zona com árvores, estava outro a dar saltos e a gritar em árabe. Não tinha muito sentido o que fazia”, relata Domingo Tomás Martínez, acrescentando que, “de repente”, apareceu “um terceiro rapaz que corria para junto a mim, gritando, com os braços levantados, e deu-me uma paulada. Só me agrediu esse jovem. Acredito que os outros gravaram com o telemóvel”.

"De repente", apareceu "um terceiro rapaz marroquino que corria para junto a mim, gritando, com os braços levantados, e deu-me uma paulada. Só me agrediu esse jovem. Acredito que os outros gravaram como telemóvel."
Domingo Tomás Martínez, o homem agredido que terá levado ao início dos protestos

Depois de cair no chão, o jovem agrediu-o com pontapés e socos. Domingo Tomás Martínez descartou que se tenha tratado de um assalto violento: “Levava o relógio e as chaves de casa e esse jovem não me tirou o relógio: apenas me agrediu”. O reformado de 68 anos assinalou que apenas foi agredido por “diversão” — e porque os jovens estavam a fazer um desafio para as redes sociais. A mulher do homem, Encarnación, corroborou ao El Español que há um “desafio” que consiste apenas em “agredir pessoas”: “É para ver quem agride com mais força e acredito que foi por isso que o fizeram, para gravarem tudo”.

Por agora, ainda não é completamente claro se a agressão foi simplesmente motivada por um desafio nas redes sociais ou se teve outras razões. De acordo com o que apurou o jornal local La Opinión de Murcia, fontes próximas da investigação estão a tentar apurar se se tratou de uma espécie de “jogo” dos jovens, que depois seria publicado no TikTok.

Jovens, de origem marroquina e não vivem em Torre Pacheco. Quem são os agressores?

São jovens de origem marroquina e não vivem em Torre Pacheco, estando apenas de passagem na localidade na madrugada em que agrediram o homem de 68 anos. Estas são as informações confirmadas pelo ministro da Administração Interna de Espanha, Fernando Grande-Marlaska. Ao mesmo tempo, o governante deitou por terra um dos argumentos que levaram à convocação de manifestações: o aumento da criminalidade na região de Torre Pacheco.

▲ Fernando Grande-Marlaska, ministro da Administração Interna, culpou o Vox pelo sucedido em Torre Pacheco

Europa Press via Getty Images

Com 19 anos, o alegado agressor foi, aliás, detido na estação ferroviária de Errenteria, no País Basco, a cerca de 800 quilómetros de Torre Pacheco. O jovem foi detido pela polícia basca quando se preparava para apanhar um comboio em direção a Irún (também no País Basco). O destino final seria França, para onde estava a planear fugir.

O jovem de 19 anos, detido esta segunda-feira, ficou em prisão preventiva — e não lhe foi dada a possibilidade de pagamento de uma fiança. Os outros dois (um que terá gravado, outro que terá apenas assistido) também foram detidos pelas autoridades, mas em Múrcia, suspeitos do crime de omissão de auxílio, saindo em liberdade condicional. Têm entre 21 e 22 anos e são de origem marroquina.

De acordo com a Antena3, serão filhos de imigrantes que já nasceram em Espanha. “Com os seus pais nunca houve problemas. O conflito surge na geração que nasceu [em Espanha] e que não sente nem de um sítio, nem do outro”, resumiu uma fonte próxima da investigação ao canal de televisão. Subsistem várias perguntas sobre a sua identidade — e principalmente sobre o que estariam aqueles jovens a fazer em Torre Pacheco no dia em que agrediram Domingo Tomás Martínez.

"Com os seus pais nunca houve problemas. O conflito surge na geração que nasceu [em Espanha] e que não sente nem de um sítio, nem do outro."
Fonte próxima da investigação à Antena3

A população revoltou-se? E que informações foram difundidas?

A agressão ao reformado de 68 anos rapidamente foi difundida nas redes sociais. Uma imagem (real) do homem agredido foi circulando, mas muitas vezes a situação era extrapolada, descontextualizada ou associada a informação que não era verdadeira. Por exemplo, surgiu um vídeo que alegadamente mostrava Domingo Tomás Martínez a ser agredido, mas era falso.

Ao El Español, Domingo Tomás Martínez disse que contou à Guarda Civil que o “homem da camisola branca do vídeo” difundido nas redes sociais não era ele. Tratava-se antes de um sem-abrigo de Almería, José Moya, que foi agredido a 20 de maio por ser homossexual e viver na rua. José Moya gravou mesmo um vídeo seu a garantir: “A vítima do vídeo divulgado que acreditam que é do idoso de Torre-Pacheco sou eu”.

Mais além deste vídeo a desmentir o falso, a população de Torre Pacheco manifestou-se pacificamente na sexta-feira passada contra os “recentes atos ocorridos no município”, em particular a “delinquência” e a “violência”. Foi o próprio autarca da localidade, Pedro Ángel Roca Tornel, pertencente ao Partido Popular (PP), que a convocou e a difundiu. 

O autarca disse que a manifestação corporizava a revolta da população de Torre Pacheco, em particular contra alguns grupos de imigrantes. Em entrevista à Cadena Ser, Pedro Ángel Roca Tornel declarou que a “delinquência aumentou” na localidade e que isso gerou “mal-estar entre a população”. No entanto, o líder realçou que a “convivência foi boa” durante vários anos. Porém, não foi claro sobre quanto (ou quando) é que essa “delinquência” e criminalidade aumentou; apenas mencionou que “havia dados” sobre o assunto.

Noutra entrevista, desta vez ao jornal regional La Verdad, o autarca relaciona o aumento de delinquência com a “chegada de um coletivo juvenil de segundas e terceiras gerações de imigrantes”. “A insegurança é o que dá nervos à população local. Não queremos delinquência nas nossas ruas”, afirmou, pedindo mais “polícia” nas ruas. Pedro Ángel Roca Tornel pediu desde logo aos grupos de extrema-direita que causaram distúrbios que não tentassem “resolver os problemas”. “Dissemos que não queremos delinquência, mas também não queremos violência”.

Numa reportagem do jornal ABC desta terça-feira, uma habitante diz que a agressão da semana passada foi o que fez explodir uma situação que já se vinha a sentir na população. Contando que a sua própria família, espanhola, emigrou para França e, depois, da Andaluzia para Múrcia, diz: “Debaixo da pele, todos temos o mesmo, mas não se pode andar por aí a fazer mal. O que aconteceu com o Domingo foi a gota de água. Até agora tínhamos ficado calados por medo”.
Uma outra mulher é mais concreta: “Temos um problema de imigração ilegal e de criminalidade. Isso tem de ser resolvido lá em cima”, diz.

No relatório trimestral que faz o balanço da criminalidade em todos os municípios espanhóis, vê-se que houve um aumento ligeiro da criminalidade (de cerca de 4%) no primeiro trimestre de 2025 em relação ao período homólogo. Mesmo com este ligeiro incremento, os dados não permitem fazer uma leitura direta sobre se a delinquência efetivamente aumentou ou não — nem se está associada a imigrantes de segunda geração.

"A insegurança é o que dá nervos à população local. Não queremos delinquência nas nossas ruas."
Pedro Ángel Roca Tornel, autarca de Torre Pacheco

Qual o papel dos grupos no Telegram?

Após a manifestação pacífica da população, na sexta-feira à noite, começaram os distúrbios. Os protestos violentos foram organizados principalmente nas redes sociais. No Telegram, vários grupos radicais e ligados à direita radical convocavam os seus membros (alguns dos quais sem ligação direta a Torre Pacheco) para o que chamaram uma “caça” aos magrebinos. 

O principal grupo de Telegram era o “Deport Them Now” (que tem vários chats em vários países e mesmo em regiões), em que foi emitido um comunicado (na semana passada) onde se prometia fazer “justiça” para reunir magrebinos com “Alá”. A mensagem incluía uma ameaça de incitamento ao ódio a todos os magrebinos de Torre Pacheco: “Se os restantes magrebinos não colaborarem com a identificação dos culpados, converter-se-ão automaticamente em culpados e pagarão pelo ocorrido”.

Esta segunda-feira, o mesmo grupo do Telegram emitiu outro comunicado em que pedia para “restabelecer a ordem”. “Temos a obrigação de defender a nossa própria pátria”, lia-se na mensagem, pedindo a que todas as “organizações anti-imigração estatais, ultras de futebol, associações cristãs e vizinhos” patrulhem a localidade “até restabelecer a ordem”: “Apenas o povo salva o povo”. 

"Se os restantes magrebinos não colaborarem com a identificação dos culpados, converter-se-ão automaticamente em culpados e pagarão pelo ocorrido."
Mensagem no grupo Deport Them Now

O El País conseguiu infiltrar-se no grupo e publicou algumas mensagens que eram partilhadas. O jornal dá conta de que eram divulgadas notícias falsas sobre o que se tinha passado em Torre Pacheco e eram difundidas mensagens como as “cabeças de mouros vão rodar” ou “há que começar a caça e acabar com esta gentinha de merda”.

O grupo em que se partilhavam estas mensagens foi, esta terça-feira, apagado no Telegram. E o responsável por o gerir, cuja identidade não foi tornada pública, foi mesmo detido pelas autoridades espanholas, suspeito de “exercer funções de liderança dentro do movimento de carácter supremacista xenófobo “Deport Them Now”. 

Em declarações ao El País, Marcelino Madrigal, especialista em redes sociais e cibersegurança, adjetivou o grupo “Deport Them Now” como uma “organização internacional”, ainda que não sejam totalmente claros os “vínculos com os grupos espanhóis”. “Tem algumas características que lembram muito os grupos de desinformação russos. Viram o que se passou em Torre Pacheco como uma oportunidade”, acredita o especialista.

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▲ Manifestantes em Torre Pacheco

Getty Images

Mas não era apenas o grupo “Deport Them Now” que via a agressão de Domingo Tomás Martínez “como uma oportunidade” para avançar com a sua agenda política. Nas redes sociais, foram difundidas várias informações falsas ou descontextualizadas sobre o assunto, partilhados por grupos ou elementos radicais, extremistas e ultranacionalistas.

Como nota o ABC, que consultou alguns especialistas, os vídeos e as fotografias que viralizam nas redes sociais inicialmente surgem em canais de Telegram públicos ou privados. Depois, entram no X ou no WhatsApp, em que ganham ainda mais tração. Nestas duas últimas redes sociais, foram por meio de contas ou personalidades influentes na área da direita mais radical, como o eurodeputado e fundador do partido Se Acabó La Fiesta, Alvise Pérez.

A divulgação destes conteúdos extravasou contas espanholas — e chegou, por exemplo, a sites pró-russos, que tentam sempre minar como podem a unidade em vários países do Ocidente. Foram também partilhados por outros ativistas da área da direita radical, como a neerlandesa Eva Vlaardingerbroek, ou o britânico Tommy Robinson. O objetivo? Propagar mensagens anti-imigração, mesmo que o conteúdo esteja desvirtuado.

Quem fez parte dos tumultos?

As mensagens de “caça” a magrebinos difundidas nas redes sociais tiveram consequências práticas em Torre Pacheco. Desde sexta-feira, o caos instalou-se na localidade com manifestações praticamente todos os dias; apenas a madrugada desta segunda-feira foi mais calma. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas na sequência dos distúrbios.

O bairro de San Antonio — onde vive a maior parte da população imigrante de Torre Pacheco — é o principal foco dos distúrbios. Com a cara tapada, centenas de pessoas causaram o caos na localidade, inicialmente à procura dos três jovens que agrediram Domingo Tomás Martínez. Na sexta-feira, assistiu-se a uma verdadeira escalada da tensão; gritando “mouros, filhos da p***” e “Viva Franco”, alguns manifestantes atacaram carros e destruíram estabelecimentos comerciais que pertenciam a imigrantes. Um restaurante de kebab, nos subúrbios de Torre Pacheco, foi totalmente vandalizado na sexta-feira.

Em resposta, jovens magrebinos da região retaliaram contra os protestos. Dez imãs da mesquita de Torre Pacheco reuniram-se na madrugada desta terça-feira com dezenas de jovens marroquinos para lhes pedir que ficassem em casa e para evitarem novos tumultos nas ruas. “Nós, os mais velhos, estamos a tentar acalmar os miúdos [referindo-se aos jovens] para que não haja nada e que a violência passe neste momento”, afirmou um dos porta-vozes dos imãs, que apelou também para que se evite o “racismo”.

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▲ Polícia e manifestantes em Torre Pacheco

Europa Press via Getty Images

Para esta terça, quarta e quinta-feira, esperam-se novas manifestações em Torre Pacheco. Nas redes sociais, está a ser partilhado um cartaz gerado através de inteligência artificial que refere que os protestos são convocados “contra as agressões aos nossos avós”: “Só o povo salva o povo”.

Vox radicaliza discurso, PSOE exige que PP tome posição. Quais foram as reações políticas?

Numa altura em que o Vox está a insistir nas suas medidas contra a imigração, o que aconteceu em Torre Pacheco está a servir como pretexto para o partido argumentar que não é possível que a população local conviva de forma pacífica com imigrantes. Numa conferência de imprensa esta terça-feira, a porta-voz do partido, Pepa Millán, acusou o executivo de Pedro Sánchez de “abrir as fronteiras e semear o caos”.

A porta-voz alegou que a chegada de imigrantes a Espanha levou a um aumento de criminalidade — “é algo evidente” — e considerou que os protestos que aconteceram em Torre Pacheco são “legítimos”. “Não se pode fingir que quem sofre os atos de delinquência na sua terra fique de braços cruzados”, atirou Pepa Millán, que assegurou, tal como tinha feito Santiago Abascal 24 horas antes, que o Vox não teve nada a ver com os protestos na localidade de Múrcia.

No entanto, também esta terça-feira, a Procuradoria-Geral da Região de Múrcia anunciou que ia investigar as declarações do presidente regional murciano do Vox, José Ángel Antelo, que se tem desdobrado em publicações nas redes sociais sobre o que se passa em Torre Pacheco. Partindo de uma denúncia dos partidos de esquerda — o PSOE, o Sumar e o Unidas Podemos —, a investigação vai analisar os posts do dirigente partidário, averiguando se configuram ou não discurso de ódio.

Mesmo tentando distanciar-se das manifestações violentas (ainda que não seja claro se há algum envolvimento), o Vox já mostrou que este episódio poderá ser útil para eventualmente dele retirar dividendos políticos. O partido tem-se radicalizado nas questões migratórias, algo que o tem distanciado do Partido Popular (PP) e que tem motivado várias críticas dos partidos de esquerda — ganhando o estatuto de principal partido da oposição nesta temática.

O ministro da Administração Interna e aliado de Pedro Sánchez, Fernando Grande-Marlaska, garantiu, numa entrevista à Cadena Ser, que o que aconteceu em Torre Pacheco é “consequência do discurso da extrema-direita”, que é “baseado em falsidades”. Os protestos violentos são, por isso, “culpa do Vox e discursos como os do Vox”, que são “muitos simplistas”, mas que “infelizmente” ganham tração na sociedade espanhola, pois geram “emoções” fortes entre os cidadãos. As mesmas críticas foram repetidas pelos partidos de esquerda; a secretária-geral do Unidas Podemos, Ione Belarra, assinalou também que o Vox é o “autor intelectual” dos tumultos em Múrcia.

O PSOE está também a questionar o PP sobre o seu posicionamento em relação ao assunto. Os populares são vistos como os sócios preferenciais do Vox e têm várias alianças em executivos regionais. Num comunicado divulgado esta terça-feira, os socialistas questionaram o presidente do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, sobre a sua “aliança com o Vox”.”É importante saber em Espanha quem apoia estas personagens. Se Feijóo brinca com o fogo ao lado dos radicais, acabará por ser cúmplice do que se passa em Torre Pacheco.”

"É importante saber em Espanha quem apoia estas personagens. Se Feijóo brinca com o fogo ao lado dos radicais, acabará por ser cúmplice do que se passa em Torre Pacheco."
Comunicado do PSOE

Alberto Núñez Feijóo já reagiu. Num vídeo nas redes sociais, o presidente do PP condenou “todas as formas de violência”. “Contra os criminosos, há que agir com toda a determinação. Mas que ninguém conte com o PP para agitar as ruas”, afirmou o líder partidário, que criticou o executivo de Pedro Sánchez por não ter reforçado o dispositivo policial em Torre Pacheco. Em paralelo, não deixou de se distanciar das políticas migratórias do governo e procurou não alienar os eleitores do Vox; se governar, prometeu, um imigrante irregular que pratique um crime “será repatriado imediatamente”. 

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