Depois de mais de 30 debates entre os partidos representados na Assembleia da República, esta terça-feira a RTP deu voz, durante duas horas, a mais 12 partidos que concorrem às próximas eleições legislativas e que não que têm atualmente assento no Parlamento. Da extrema-direita à extrema-esquerda, os partidos defenderam propostas tão díspares como a criação de um círculo de compensação, o fim da gratuitidade do aborto no SNS, a construção modular de casas ou o fim de todos os impostos. Mas também houve a apologia do voto eletrónico.
Num debate cordato, mas por vezes tenso (com muitos dos candidatos a lamentarem a escassez de tempo para exporem as suas ideias), vários partidos criticaram a falta de exposição mediática que têm tido em comparação com as maiores forças políticas. Apenas um partido, o RIR (Reagir, Incluir, Reciclar) apontou a ambição de eleger deputados nas legislativas de 18 de maio, embora, de acordo com as sondagens e com a concentração geográfica de votos, os que têm maior probabilidade de entrar no Parlamento sejam o ADN – Alternativa Democrática Nacional (pelo círculo de Lisboa) e o JPP – Juntos pelo Povo (pelo círculo da Madeira). O Partido Liberal Social declarou, por sua vez, o fim do bipartidarismo, realçando o PPM que não são os pequenos partidos o foco da instabilidade. “Há quem diga que muitos partidos iria balcanizar o parlamento, mas quem é que causa a instabilidade?”, questionou Paulo Estevão, lembrando a forma como caíram os governos de António Costa e de Luís Montenegro.
Num esforço por vezes inglório (dada a escassez de tempo para dividir por 12 candidatos e os frequentes desvios às perguntas colocadas), o moderador Carlos Daniel tentou segmentar o debate por temas (entre os quais a saúde e a habitação) — às quais se juntaram outros, como a política fiscal, a energia e imigração. Mas acabaram todos a falar de mudanças e da reforma do Estado. Joaquim Rocha Afonso, do Nós Cidadãos, tal como no passado, lamentou que o país volte a eleições: “Os portugueses estão cansados deste ram, ram. O que nós temos de ter é pessoas com sentido nacional, sentido de serviço público, saberem falar uns com os outros”, afirmou, notando o que disse ser a “maior elevação” deste debate em que “ninguém falou da Spinumvivas, nem das Spinumortas, nem de Maseratis, que os portugueses não querem saber nada disso”.
▲ Joaquim Rocha Afonso, do Nós Cidadãos, voltou a criticar o facto de haver eleições este ano.
© Francisco Romão Pereira
Melhor gestão do SNS, mais médicos, mais formação. E uma proposta controversa no aborto
A saúde foi um tema prioritário abordado por grande parte os partidos sem representação parlamentar. O presidente do Ergue-te, Rui Fonseca e Castro, defendeu que a falta de médicos no SNS se resolve com uma permanência obrigatória no SNS dos médicos formados em Portugal durante o número de anos que durou a formação. Para além disso, defendeu uma melhoria das condições salariais.
Questionado sobre como financiaria o aumento dos salários dos médicos e o aumento da despesa em saúde, Rui Fonseca e Castro respondeu: “Acaba-se com o Rendimento Social de Inserção, com o subsídio de desemprego para imigrantes, acaba-se com o financiamento a ONG de apoio aos imigrantes ou ao movimento político LGBTQIA+. Há dinheiro”, defendeu.
▲ O presidente do Ergue-te, Rui Fonseca e Castro, defende que a retenção de médicos no SNS e criticou recursos do orçamento por executar
LUSA
Rui Fonseca e Castro criticou ainda a forma como o primeiro-ministro foi tratado no Hospital de Santa Maria. “Até há pouco tempo o orçamento para a saúde não era executado integralmente. Existe uma saúde para uns e para outros. O primeiro-ministro, há pouco tempo, foi tratado como um rei no Hospital de Santa Maria, enquanto outros pacientes com a mesma condição de saúde estariam a agonizar nos corredores”, denunciou. “A situação no SNS é grave, vem de trás. Para os portugueses há sempre poucos recursos, para os outros há recursos para tudo e mais alguma coisa”, disse, numa alusão aos imigrantes.
Já o Nós Cidadãos defendeu que é necessário gerir melhor o SNS, e que não há necessidade de existir uma Direção Executiva do SNS (DE-SNS). “Não faz sentido haver uma estrutura megalómana, com CEO. Para quê a DE-SNS? Estava lá gente a gerir, desde que não sejam boys dos partidos”, sublinhou o candidato, defendendo que Portugal tem “de apostar em políticas de natalidade, apoio às famílias, acompanhamento da terceira idade”. “Temos mais do que dinheiro suficiente para a saúde. O que temos de fazer é cortar gordura”, realçou.
Já a candidata do RIR às eleições legislativas, Márcia Henriques, criticou a falta da eficácia do Governo na gestão e a contratação de médicos tarefeiros, propondo contratar médicos recém-formados para as Unidades Locais de Saúde e alargar atendimento nos serviços básicos para retirar gente dos serviços de urgência. E lembrou que é preciso gerir melhor a Saúde, dando o exemplo das escalas de férias dos médicos. “Não podem dar folgas e férias aos médicos ao mesmo tempo em todo o lado“, defendeu.
No tema da saúde, Duarte Costa, do Volt, afirmou que apesar do maior número de gastos, “os portugueses sentem que o SNS não funciona necessariamente melhor”. “É um legado de políticas que não tem a ambição de transformar o SNS num sistema verdadeiramente eficiente.” O candidato defendeu que é preciso uma valorização dos profissionais de saúde, não só a nível remuneratória, mas também de progressão, baseada não só nos anos de serviço mas no mérito. Disse também que é preciso apostar uma formação continuada, financiada pelo SNS e num ambiente e condições de trabalho mais dignas para que os profissionais de saúde queiram ficar no SNS e que os que saíram queiram regressar.
▲ Duarte Costa, do Volt, defendeu a formação continuada dos profissionais de saúde, financiada pelo SNS
LUSA
O debate também passou pela interrupção voluntária da gravidez, um tema que consta no programa eleitoral do ADN. Sobre o aborto — que o partido defende que deve deixar de ser pago pelo SNS quando em causa não estão motivos clínicos– a cabeça de lista do ADN por Lisboa, Joana Amaral Dias, defendeu que “mulheres têm hoje instrumentos, como os testes de ovulação à pílula do dia seguinte à sua disposição”. “Quando temos um número de mulheres no SNS que fazem abortos a pedido sem qualquer justificação, temos de nos interrogar. Há uma percentagem crescente de mulheres estrangeiras que estão a fazer isto no SNS”, acrescentou.
Ainda no tema da saúde, Joana Amaral Dias defendeu “uma reforma completa”. “Muitos portugueses pensam que ao ligar para o SNS24 estão a ligar para o Serviço Nacional da Saúde, mas não estão, estão a ligar para um call center da MEO. É este o estado em que chegou a nossa saúde.” A candidata do ADN defendeu ainda que é preciso aumentar a natalidade. “Precisamos de mais bebés, não de imigrantes, mas mais bebés portugueses, que a nossa natalidade caiu a pique, com mais bebés e dinheiro bem empregue vai haver dinheiro para o estado social e resolver a saúde, habitação, segurança social”, destacou.
▲ Paulo Estevão, do PPM, quer um círculo de compensação
© Francisco Romão Pereira
Dos mecanismos para tornar o arrendamento “atrativo” à aposta na construção modular. As propostas na habitação
No debate desta noite o tema da habitação esteve em destaque. O Volt Portugal, por exemplo, definiu-o como “uma das grandes prioridades” do partido e defendeu que, em paralelo com uma aposta na construção, são necessárias medidas imediatas para aliviar a pressão no setor. “Não podemos estar nesta conversa de 50 mil ou 60 mil casas que o PS ou o PSD nos arrastam”, sublinhou o co-presidente, Duarte Costa.
O candidato explicou que o partido quer mobilizar cerca de 34 mil casas que já estão construídas e estão paradas, na posse dos bancos ou do estado. O objetivo é negociar com estas entidades para disponibilizar estas casas no mercado. Por outro lado, o Volt defende que o Estado deve criar uma via verde de licenciamento para projetos que trazem mais oferta acessível na habitação às cidades.
O RIR, por sua vez, defende que o principal é criar mecanismos para tornar o mercado de arrendamento atrativo. Isso passa em parte por olhar para a área da justiça — “a minha justiça que está tão mal tratada”–, apontou Márcia Henriques.
A candidata realçou que as pessoas não podem estar muitos anos à espera do despejo. “Preferem ter casas fechadas do que arriscar estar anos e anos sem receberem uma renda”, afirmou, acrescentando que se está a chegar a um “ponto sem retorno” quando se fala do lado da procura.
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O candidato do PPM, por seu turno, apontou que a solução está no interior do país, onde “há uma enorme quantidade de casas”. “Temos uma oferta habitacional muito significativa. Aí resolvíamos parte de um problema da habitação e a desertificação do país”, realçou.
Já a Nova Direita defende a aposta na construção modular para resolver o problema da falta de habitação. “Não podemos mascarar o problema. Precisamos de construir mais. E como se constrói mais? Através da construção modular, que é mais rápida e que permite que consigamos criar casas com menos pessoas a trabalhar. E não tem um custo tão elevado para o Estado. Estas casas seriam depois vendidas a preço de custo”, defendeu.
“Para um T2 com 80 metros quadrados estamos a falar de 160 mil euros, são preços que não se fazem no mercado”, exemplificou. “A questão dos bairros sociais é um problema hoje. São milhões que o estado gasta para manter estas casas e temos pessoas que estão a pagar casa há 50 anos e não são suas. Defendemos que as casas devem ser vendidas a essas pessoas.”
Há quem defenda deportações imediatas e “nem mais um cêntimo” para estrangeiros e quem critique o discurso anti-imigração
Uma parte do debate centrou-se no tema da imigração. Rui Fonseca e Castro, do Ergue-te, foi o candidato que mais tempo dedicou a esta questão, começando por dizer que “os portugueses estão a ser escorraçados da sua terra” e lembrando a sua detenção durante uma manifestação não autorizada no 25 de abril para falar sobre o tema.
“Em 51 anos em democracia fui o primeiro líder partidário a ser detido por estar a exercer uma liberdade”, afirmou, defendendo que a sua detenção aconteceu porque há “pessoas” que “ocupam extensas áreas em Lisboa”, que não gostam dos nossos costumes e da nossa religião. “Há um conjunto de pessoas que não são portuguesas e controlam o poder político e não nos deixaram.”
Rui Fonseca e Castro aproveitou então para revelar que, a 16 de maio, a campanha do Ergue-te vai terminar no Martim Moniz. “Lisboa comigo vai voltar a ser alfacinha.”
Mais à frente o candidato ainda voltaria a tocar no assunto, avançando com uma contagem de 1,5 milhões de imigrantes e que 300 mil estão a descontar para a segurança social. “Os outros estão a salvar a segurança social provavelmente com o poder da mente”. “Consideramos que devem ser deportados imediatamente todos os imigrantes, não apenas os criminosos e ilegais mas também os que não se encontram a trabalhar.”
▲ Márcia Henriques quer o RIR no Parlamento
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Em representação do ADN, Joana Amaral Dias defendeu que não deve ser dado mais dinheiro a cidadãos estrangeiros. “Não pode haver nem mais um cêntimo para estrangeiros enquanto existir um português com fome”, disse, acrescentando: “sempre os portugueses primeiro”.
“Muitos dos imigrantes entraram com cadastro, sem registo criminal, sem contrato de trabalho. São coisas completamente inaceitáveis”, sublinhou.
Mais à frente no debate ainda falaria na questão da imigração ao defender o aumento da natalidade. “Precisamos de mais bebés, não de imigrantes, mas mais bebés portugueses, que a nossa natalidade caiu a pique”, destacou.
▲ Raquel Coelho, do PTP, aproveitou para criticar o PSD Madeira
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Em sentido inverso, Raquel Coelho, do PTP, criticou o discurso contra imigração, afirmando que é preciso propostas para o combater. “A imigração pode ser uma solução para muitos portugueses, na restauração, no turismo, na construção civil”, realçou.
Há quem defenda energia nuclear e quem tenha pedido reunião à REN que não devia ter sido privatizada, na opinião de outros
O apagão serviu de mote para o tema da soberania energética. Depois do Partido da Terra (MPT) ter defendido que a REN não devia ter sido privatizada, Joana Amaral Dias, do ADN, garante que pediu uma reunião à concessionária da rede energética. “Portugal ficou sob ameaça e foram só umas horas. Fomos à REN, entregue aos chineses, solicitar uma reunião”, diz a candidata, para quem os portugueses perceberam, a 28 de abril, por ocasião do apagão, “o que significa soberania energética”.
▲ Hélder Rodrigues, do MPT, critica privatização da REN.
© Francisco Romão Pereira
O MPT, segundo o seu vice-presidente Hélder Rodrigues, não se atravessa sobre a nacionalização da REN. Questionado sobre se a REN não devia ser privatizada, o candidato afirmou: “Não estou a dizer isso, estou a dizer que foi um erro. Agora é o que temos. Isto depois de ter dito que é preciso assegurar a soberania energética de Portugal e que isso passa “sobretudo por Portugal ser dono da rede”. “Aí está o erro na nossa perspetiva. A rede de distribuição de energia nunca devia ter sido privatizada, é uma empresa privada que adquiriu a rede”, declarou (a REN é uma empresa privada, para a gerir a redes energéticas em regime de concessão do Estado). “Os players de distribuição devem funcionar numa rede que é gerida, na nossa perspetiva, através de políticas públicas. Deve ser o Estado a garantir que áreas que poderão não ser tão economicamente rentáveis, mas que asseguram a sustentabilidade da rede, como por exemplo a central energética de Gondomar que nos salvou, se mantenha no ativo”, disse.
O erro, diz ainda, não é a aposta nas renováveis, mas reconhece que é uma aposta inconsequente. “A questão sobre o que se passou em Espanha é algo que vários engenheiros já tinham vindo a alertar (…). Quando temos uma utilização demasiado significativa das renováveis no pool geral de energia a instabilidade pode acontecer”, assumindo ser uma questão “de planeamento e gestão”. A utilização inteligente de recursos “é uma bandeira antiga do partido”, declarou.
Neste campo da energia, a Nova Direita defendeu, no debate dos partidos sem assento parlamentar, que Portugal devia avançar para a energia nuclear. Júlio Gourgel Ferreira, do Nova Direita, assume que “é possível, em relação à soberania energética, ter energia nuclear, com investimento estrangeiro, e é uma energia limpa”, assume, o que daria, também, a possibilidade ao país de exportar eletricidade.
▲ Júlio Gourgel Ferreira, da Nova Direita, ladeado por Duarte Costa, do Volt, e por Márcia Henriques, do RIR
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Simplificação de impostos, corte com Bruxelas e Índice da Felicidade. Economia vista de várias formas.
Havendo entre os 12 partidos sem assento parlamentar que concorrem às eleições de 18 de maio, há várias visões – algumas opostas – para a economia do país. Uns são a favor de mais Estado, outros da reforma do Estado.
O Partido da Terra quer apostar no índice de Felicidade Interna Bruta, “tema que está explicado pela OCDE. É isso efetivamente que pretendemos”. Hélder Rodrigues diz pretender, como partido humanista, “queremos apostar nas pessoas, que são a grande riqueza do país. As pessoas têm de viver num ambiente saudável e temos de promover a melhoria das condições desta casa de todos. Só assim, com felicidade, conseguimos melhorar, com políticas de saúde e habitação, é que podemos melhorar as condições de vida das populações e atrair para Portugal e inverter o êxodo dos portugueses”, sublinhou.
Se o Partido da Terra é o único a defender o índice de Felicidade Interna Bruta, os outros partidos acreditam que as suas medidas levará a isso mesmo. A simplificação fiscal é promessa do Partido Liberal Social, que recusa assumir que essa simplificação passa pela flat tax no IRS (como chegou a propor a IL, da qual José Cardoso chegou a fazer parte). No seu manifesto diz apenas que pretende “Lutar por um país fiscalmente estável e com uma carga fiscal mais equilibrada, para que seja mais atrativo para pessoas, empresas e investidores, promovendo a poupança e o investimento, como determinantes para o desenvolvimento económico da sociedade”. Mas reduzir a carga fiscal não foi apenas promessa do PLS.
“É preciso reduzir a carga fiscal sobre o rendimento das famílias”, assume o cabeça-de-lista do JPP, Filipe Sousa, falando, em particular, na redução do IVA nos bens essenciais: “é importante”, defendeu.
Já o candidato do PCTP/MRPP, João Pinto, defendeu, além do corte com Bruxelas, a eliminação de todos os impostos que existem atualmente, “e a sua substituição por um único imposto (fortemente progressivo) sobre o rendimento e a riqueza”. E justificou a medida que consta do programa eleitoral do partido com o “intrincado” sistema fiscal que, diz João Pinto, permite às grandes empresas fugirem aos impostos.
▲ João Pinto, do PCTP/MRPP, ladeado por Filipe Sousa, do JPP e por Fonseca e Castro, do Ergue-te
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“Tem de haver especialistas fiscais para fugir aos impostos, é o que as grandes empresas fazem. Existe um intrincado sistema fiscal”, sublinhou. Este responsável atira, ainda, aos partidos do arco da governação por quererem, diz, a guerra. “Estas eleições são ganhas por quem? Quantos milhões são necessários para eleger deputados? Ter votos é ter meios financeiros para os conseguir. E porque é necessário tanto dinheiro?”, questiona e responde: “É preciso enganar, que a farsa se consuma”. O que é dito e apresentado como sendo soluções “não é para ser realizado, é para esconder o que se quer realizar”. E o que se quer realizar? “Querem realizar a guerra sem falar dela”. “Os soldados já vão ser enviados para a fronteira da União Europeia e que consequências é que isso vai ter para a população portuguesa? Já se fala de orçamentos de guerra”. O objetivo é esse, argumenta. “Quando se destina orçamento para a defesa não é para não utilizar armas, é para as utilizar, esse é um problema que vai cair sobre nós, e vai cair sobre a educação, a habitação e a saúde. São esses os setores que vão pagar esse envolvimento português na guerra”.
Filipe Sousa, da JPP, prefere olhar para os custos dos insulares e propôr que se constitua uma estrutura de missão para que o Estado consiga perceber o que custa “sermos insulares”. O JPP que se assume como partido nacional com berço na Madeira, realça a necessidade de se conhecer os constrangimentos dos cidadãos insulares. E defende a existência da Zona Franca da Madeira.
A reforma do Estado é uma das ambições do Partido Liberal Social, mas recusa a proposta da IL de por cada duas pessoas que saiam da função pública entre apenas uma. Dois por um “é uma medida sem estratégia. Temos de olhar para o que queremos fazer” antes de definir, diz José Cardoso, apontando à necessidade de a reforma do Estado passar pela digitalização e capacitação das pessoas numa perspetiva mais digital. “Tem de haver estratégia que vai levar dentro de 10 a 15 anos à reforma de muitos deles. Vai acontecer naturalmente. Não estou a ver como guardamos o know how”. Mostra-se, por outro lado, a favor da descentralização.
▲ José Cardoso, do Partido Liberal Social, decretou o fim do bipartidarismo
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O PPM, cujo programa fala em descentralização e regionalização, diz querer “começar com o Algarve e alargar ao resto do país”.
Logo a arrancar o debate, Joana Amaral Dias denunciou o “facto de a Assembleia da República se ter tornado no local do crime. Estamos aqui hoje porque em duas eleições sucessivas houve conflitos de interesse que levaram o país ao charco, primeiro com António Costa e depois com Luís Montenegro. Portugal é um país corrupto e no índice da perceção da corrupção baixou drasticamente. Ocupávamos o 20º lugar, hoje ocupamos a 43ª posição a par com o Ruanda”, denunciou Joana Amaral Dias.
▲ Joana Amaral Dias, do ADN, e Filipe Sousa, do JPP, no debate dos partidos sem assento parlamentar
© Francisco Romão Pereira
“No Orçamento, existe um saco azul, intitulado de despesas excecionais (que perfazem 10% da despesa do orçamento, é o 2º maior ministério). São os 13 mil milhões”, disse, denunciando que “estas despesas não têm escrutínio nem controlo, são para os bolsos dos amigos”.