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O deputado e líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, intervém no debate na especialidade do Orçamento do Estado para 2026, na Assembleia da República, em Lisboa, 21 de novembro de 2025. ANTÓNIO COTRIM/LUSA
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▲Pedro Pinto é líder parlamentar e secretário-geral do Chega

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

▲Pedro Pinto é líder parlamentar e secretário-geral do Chega

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Pedro Pinto: "Era preferível haver Orçamento. Mas duodécimos não eram nenhuma tragédia"

Em entrevista ao Observador, Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, acusa o PSD de estar "mal habituado" e garante que o partido liderado por Ventura "não se vende", nem falta às promessas que faz.

Recusa a ideia de que o Chega tenha dado o dito por não dito na discussão sobre a reforma laboral e responsabiliza o Governo pelo desfecho das negociações. Como lição para o futuro, vai avisando os sociais-democratas: se julgam que o Chega se vai vender como o PS, estão muito enganados. “O PSD e o PS estão muito habituados, em 50 anos, a falhar a quem votou neles, a falhar as suas promessas eleitorais, a falhar com a palavra. Nós não nos vendemos é a verdade. Nós não nos vendemos.”

Em entrevista ao Observador, no programa Vichyssoise, Pedro Pinto fala também sobre o próximo Orçamento do Estado e o grande psicodrama político que se perspetiva. O líder parlamentar do Chega garante que o partido não tem nenhuma posição fechada à partida, promete analisar atentamente o documento, mas vai atirando a batata quente para José Luís Carneiro. “O PS e o PSD conseguem sempre chegar a muitos consensos quando se trata das suas clientelas políticas e de não melhorar a vida dos portugueses. Vamos aguardar serenamente.”

Pedro Pinto aborda também a vida interna do partido, marcada pelas várias eleições internas que derrubaram líderes distritais em funções. Defendendo que essas disputas nada têm que ver com a presidência de Ventura, o secretário-geral do Chega provoca: “Quem contesta a liderança de André Ventura que se candidate à liderança no próximo Congresso. É isso que tem a fazer. Prefiro pessoas diretas do que aquelas que andam escondidas, algumas através de perfis falsos”.

“O PSD está mal habituado. Nós não nos vendemos”

No dia antes de o Chega votar contra a reforma laboral André Ventura tinha falado em vitória e tinha mesmo dito que “foi o Chega que conseguiu esta vitória”. André Ventura já explicou, no essencial, aquilo que levou à mudança de opinião do partido. A pergunta é: o Chega não está a dar um sinal de que não é um partido confiável?
Não foi o Chega que mudou de posição. Nunca dissemos que íamos votar a favor. Tínhamos conseguido até ali diversas vitórias, como foi assinalado pelo presidente André Ventura. Mas havia uma linha de que não podíamos abdicar e que sempre dissemos ao Governo: a baixa da idade da reforma. Aquilo que houve foi uma tentativa de nos enganar. Queriam criar uma comissão para estudarmos a viabilidade da idade da reforma, mas que terminaria no dia 27 de dezembro. Isso significaria que depois, em janeiro, a idade da reforma voltaria a aumentar. Não estamos cá para enganar os portugueses. Não nos vendemos. E se o PSD está mal habituado com outros partidos que se vendem à primeira, então habituou-se mal.

Mas reconhecerá que é difícil explicar como é que em menos de 24 horas se diz uma coisa e se vota de maneira diferente. O Chega não sofreu um dano reputacional? Haverá muitos eleitores do partido que não terão gostado da forma como se processou o chumbo.
É perfeitamente normal que haja pessoas que gostem e outras pessoas que não gostem. É assim em democracia. Não votámos ao lado da extrema-esquerda. Estamos ao lado dos portugueses. Esta lei laboral começou mal desde o princípio, foi mal explicada desde o princípio. Estávamos a tentar que esta lei chegasse um pouco melhor aos trabalhadores e às empresas.

O PSD foi manifestamente apanhado de surpresa e isso refletiu-se nas declarações de várias figuras do partido e do Governo, que acusaram o Chega de não ser de confiança. É possível retomar a relação com o PSD depois de tudo o que disseram sobre o Chega?
Acho piada quando o PSD diz que o Chega não é de confiança. Nós não podemos falhar com as promessas que fazemos. O PSD e o PS estão muito habituados, em 50 anos, a falhar a quem votou neles, a falhar as suas promessas eleitorais, a falhar com a palavra. Não nos vendemos. Nós não nos vendemos.

Como as coisas estão neste momento, num clima de desconfiança e de grande crispação entre os três partidos, entende que existem condições para que a legislatura se cumpra?
Terá que ser. Não estamos a pensar em eleições. É importante para o nosso país que as legislaturas cheguem ao fim. Mas também não podemos ceder nas bandeiras. O PSD não tem maioria absoluta no Parlamento e tem de fazer pontes. Tem que escolher parceiros preferenciais. Foi isso que o PSD fez. Tomou uma opção de falar com o PS [sobre a PSU] quando percebeu que não iríamos abdicar das nossas bandeiras. Estão muito mal habituados. Não nos vendemos. Agora vem um Orçamento do Estado. Em outubro, o Chega irá certamente apresentar propostas e o PSD vai dizer se quer estar ao lado das pessoas e do Chega, ou se quer estar ao lado do PS. Isso é um problema que o PSD tem que resolver. Não é o Chega.

"Faço um desafio: quem contesta a liderança de André Ventura que se candidate à liderança no próximo Congresso. É isso que tem a fazer. Prefiro pessoas diretas do que aquelas que andam escondidas, algumas através de perfis falsos. Que se cheguem à frente contra André Ventura. Isso é que é bonito em democracia"

“OE? Ultimamente tem escolhido o PS para parceiro preferencial”

O Chega nunca viabilizou um Orçamento do Estado de Luís Montenegro. Isso pode acontecer agora com este Orçamento do Estado para 2027? Quais serão as contrapartidas exigidas pelo Chega?
Um Orçamento que não baixa impostos, um Orçamento que não melhora a vida das pessoas, não é um bom Orçamento para os portugueses. Não podemos abdicar da baixa de impostos. Temos tentado sensibilizar o Governo para isso e veja-se o que se está a passar, por exemplo, com os combustíveis. Os combustíveis em Portugal estão a preços nunca vistos, quando o barril de crude já está abaixo dos 70 dólares. Significa que aquela baixa do ISP que o Governo diz estar a fazer não está a ser bom para as pessoas. Tem que baixar mais os impostos aos portugueses. Nunca abdicaremos disso.

Falou em concreto da redução da carga fiscal. O Governo já garantiu ao FMI que não haveria redução de IRS no próximo Orçamento do Estado. Mas isso será uma contrapartida exigida pelo Chega para viabilizar o documento?
Parece-me que terá que haver. Mas estamos ainda a mais de três meses da entrega do Orçamento. Vem aí o verão. É importante que o Orçamento seja apresentado, que seja analisado pelos partidos políticos. Não somos aquele partido que gosta de fazer política de terra queimada, tal como o PCP, que antes de saber qual é o Orçamento já avisa que vai votar contra. Nunca fizemos isso. Vamos analisar o Orçamento e, a partir daí, poderemos tomar uma decisão. Obviamente, há bandeiras das quais não abdicaremos.

Admite que o partido possa chumbar o Orçamento do Estado para 2027 mesmo que isso signifique duodécimos?
O PS também já demonstrou abertura ao PSD. Aliás, o PS e o PSD conseguem sempre chegar a muitos consensos quando se trata das suas clientelas políticas e de não melhorar a vida dos portugueses. Vamos aguardar serenamente.

Está a dizer que é mais fácil ser o PS a viabilizar o Orçamento.
Isso é uma pergunta boa para o PSD. Ultimamente tem escolhido mais o PS para parceiro preferencial, embora finja que quer fazer coisas connosco.

Seria mau para o país entrar em regime de duodécimos?
Acho que estamos a precipitar a discussão do orçamento. Mas não era nenhuma tragédia. Não seria a primeira vez que isso acontecia no nosso país. É preferível que o país tenha um Orçamento. Agora, se ele não é bom para as pessoas, se não melhora a vida das pessoas, então vamos estar a aprovar só para não ficarmos em duodécimos? Não. Temos é que melhorar a vida das pessoas, temos que baixar os impostos, isso é que é importante e é isso que, infelizmente, não tem acontecido. Ao contrário de toda a propaganda que o PSD tem feito.

António José Seguro já fez saber que não dissolverá a Assembleia da República em caso de chumbo orçamental. Ainda assim, existindo esse chumbo, o calendário político acabaria por acelerar. O Chega está pronto para ir a votos?
Não estamos preocupados com o ir a votos. Estamos sempre preparados. Estamos prontos para ir a votos no próximo ano, daqui a dois anos, daqui a três e daqui a dez. Andamos sempre na rua, os portugueses falam connosco todos os dias, é diferente.

O grande objetivo é derrotar o PSD nas próximas eleições legislativas?
O nosso objetivo é governar Portugal e levar o André Ventura a primeiro-ministro, fazermos a mudança radical que o nosso país precisa. Todos os portugueses pensam e veem que Portugal tem mesmo que mudar. Tem que haver uma mudança radical no nosso país. Todas as reformas que o Governo diz que quer fazer são propaganda barata.

Esta quarta-feira, o Governo decreta situação de alerta em Portugal devido às altas temperaturas. O ministro da Administração Interna falou em “barril de pólvora”. Antecipamos horas e dias difíceis. Mas Luís Montenegro viajou para Toronto para assistir ao jogo da seleção de futebol. É um bom princípio?
Existe um Governo e o primeiro-ministro vai em representação do Estado português. Se fosse André Ventura, iria ver a seleção nacional? Se calhar não. Acho que o primeiro-ministro deve estar onde tem que estar. Das duas uma: se é um cenário dramático, de grande preocupação e que pode ser trágico, o primeiro-ministro devia ter ficado em Portugal; se o cenário não é assim tão apocalíptico como dizem, então acho que o primeiro-ministro pode continuar a fazer a sua agenda.

"Acho piada quando o PSD diz que o Chega não é de confiança. Nós não podemos falhar com as promessas que fazemos. O PSD e o PS estão muito habituados, em 50 anos, a falhar a quem votou neles, a falhar as suas promessas eleitorais, a falhar com a palavra. Nós não nos vendemos é a verdade. Nós não nos vendemos"

 “Quem contestar a liderança de André Ventura terá que ser internado”

O Chega teve recentemente eleições internas. Três deputados em funções não foram reeleitos e das 12 estruturas que foram a votos só quatro mantiveram o mesmo líder. É secretário-geral do partido. Estas eleições internas são um cartão amarelo à forma como o partido tem sido liderado?
Não. Bem pelo contrário. Uma coisa são as eleições nas distritais, outra coisa é a liderança de André Ventura. O presidente do partido não se mistura com as lideranças distritais. Isto significa que temos um partido aberto, um partido democrático, onde existe pluralidade de opiniões. Creio que ninguém neste partido estará contra o líder do partido, André Ventura. Quem contestar a liderança de André Ventura terá que ser internado, não deve estar bom da cabeça. Mas vai haver um Congresso. Faço um desafio: quem contesta a liderança de André Ventura que se candidate à liderança no próximo Congresso. É isso que tem a fazer. Prefiro pessoas diretas do que aquelas que andam escondidas, algumas através de perfis falsos. Que se cheguem à frente contra André Ventura. Isso é que é bonito em democracia.

Em maio, escreveu o seguinte: “Ao partido e aos militantes, cabe ter a maturidade suficiente para apresentar listas, projetos, propostas para o futuro, sem se esquecerem que o combate é ao socialismo e a um governo que afunda os portugueses cada vez mais. Os portugueses estão de olhos postos em nós”. José Paulo Sousa, novo líder da distrital do Chega/Faro, diz ter sido agredido presumivelmente por um apoiante do agora ex-presidente daquela distrital e deputado João Graça. Pedro Pinto é eleito pelo círculo eleitoral de Faro e foi candidato à Câmara. Já tentou saber o que se passou?
Não, mas é de lamentar o sucedido. Não nos revemos nisso. Quando temos um problema dentro do partido, temos de afastar essas pessoas. O partido tem que crescer, tem que ter maturidade política. Nestes sete anos crescemos de uma forma brutal e é perfeitamente normal que por vezes as próprias bases não tenham acompanhado esse crescimento. É perfeitamente normal. Agora, não podemos admitir é que haja e que haja esses comportamentos.

Este militante que agrediu outro deve ou não ser expulso?
Será o Conselho de Jurisdição a avaliar isso.

"O nosso objectivo é governar Portugal e levar o André Ventura a primeiro-ministro, fazermos a mudança radical que o nosso país precisa. Todos os portugueses pensam e vêem que Portugal tem mesmo que mudar. Tem que haver uma mudança radical no nosso país. Todas as reformas que o Governo diz que quer fazer são propaganda barata"

“Fabian Figueiredo? Preferia passar férias com Mortágua”

Vamos avançar com o segundo segmento do nosso programa, o bloco “Carne ou Peixe”, onde só pode escolher uma de duas opções. Tinha a possibilidade de ir ver a final do Campeonato do Mundo, em que Portugal marcaria presença. Preferia ir com Nuno Afonso ou Bruno Nunes?
Com o Bruno Nunes. Tranquilamente.

Com quem é que preferia assistir a uma corrida de touros: Pedro Nuno Santos ou José Luís Carneiro?
José Luís Carneiro. Até porque o vi em Baião, quando era presidente da Câmara.

Com quem aceitaria dividir um camarote do Estádio da Luz: Pedro Passos Coelho ou Luís Montenegro?
Com Pedro Passos Coelho. Luís Montenegro é do Porto, seria mais desagradável dividir com ele.

Estamos no verão. Com quem passaria uma semana de férias no Algarve: Fabian Figueiredo ou Mariana Mortágua?
Não seria certamente a semana mais agradável do ano. Mas entre os dois, Mariana Mortágua seria certamente muito mais agradável do que Fabian Figueiredo.

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