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[Este é o segundo de uma série de especiais a publicar mensalmente, durante 2021, a propósito do 50.º aniversário de um ano que marcou a música portuguesa. Aqui pode ler o primeiro]

Lisboa está um gelo. Um temporal corta o silêncio da rua, irrompe pelo vazio e devasta a luz da capital. No Estádio d’Os Belenenses, dois pilares sucumbem aos abanões, a estimativa são dois mil contos de prejuízo. No dia seguinte, mais frio, mais silêncio. “As mãos, sem luvas, crivadas de pregos na cinza da manhã solidificada. Lisboa tremendo frio”, descreve Urbano Tavares Rodrigues, no rescaldo de um dos invernos mais rigorosos que há memória: 1971. O escritor e jornalista continua: “A calma nas ruas pobres: um povo de silêncio, de mistérios emaranhados”. O fotógrafo Eduardo Gageiro, em Bragança, capta a mesma desolação da capital, com temperaturas negativas e neve como não se via há 15 anos. E neste mesmo país, contra todas as previsões, um fenómeno de paixão e alegria, calor e intriga, reúne milhões de pessoas em frente a um pequeno televisor. No centro está uma figura extravagante, de bradar aos céus, smoking justo, a gesticular com fervura sob cada louvor, cada insulto. Há 50 anos, José Carlos Pereira Ary dos Santos concorre com três letras, vence o Festival RTP da Canção e suspende o silêncio do povo, de mistérios emaranhados.

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