Vamos imaginar que está um feriado quase a bater-nos à porta (e não é que está mesmo?) e que desta vez é proibido passar o dia em casa. Não que esse seja um mau plano, mas a verdade é que existem muitos cantos – e recantos – prontos a serem descobertos pelo Centro de Portugal. Num país que é tão nosso, porque não aproveitar este dia extra para ficar a conhecê-lo ainda melhor num fim de semana prolongado? Se este for daqueles feriados que dá direito a ponte, a boa notícia é que pode sempre fazer mais uma paragem!
Comecemos pela Região de Aveiro. Para aqui passear, não se esqueça de levar as bicicletas. Nesta região onde a terra se encontra com o mar – e se transforma em Ria – a promessa é a de dias muito bem passados, tanto para miúdos como para graúdos. O que sugerimos é um passeio em Ílhavo, pela turística marginal, com vista para os Palheiros da Costa Nova: as antigas casas dos pescadores, conhecidas pelas suas cores e riscas.
Antes de seguir viagem, há tempo ainda para ir até Aveiro, a belíssima “cidade dos canais”, e usufruir, sem pressas, da sua vasta rede museológica, passear pelas salinas ou usufruir da Arte Nova que cobre as fachadas de muitos dos seus edifícios. Antes de voltar para casa, Ovar é também uma paragem obrigatória. Propomos que faça o percurso da Rua do Azulejo e, no final, experimente pintar um azulejo numa das oficinas. Que melhor forma existe para recordar esta viagem do que uma obra-prima feita pelas suas próprias mãos?
Azulejos, Ovar
Siga pelos 65 Km da Ecopista do Vouga, aos quais se somam os 52 Km da Ecopista do Dão. Ladeadas por paisagens deslumbrantes, ambas convidam à realização de passeios pedonais, de bicicleta, patins ou cadeira de rodas. Percorrem os concelhos de Águeda, Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga, Oliveira de Frades, Vouzela, São Pedro do Sul, Viseu, Tondela e Santa Comba Dão, através de um traçado contínuo com quase 120km.
E já estamos na região de Viseu Dão Lafões. Aqui encontrará razões suficientes para parar e apreciar, vivendo a vida em família em plena harmonia. Património natural e cultural não falta, e, por isso, é nos Trilhos de Carregal do Sal que poderá começar a visita. Se gosta de caminhar, as paisagens e os trilhos entre o Dão e o Mondego são a desculpa perfeita para o fazer e prometem ser capazes de cortar a respiração. Ainda sem deixar a vila, o Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria é uma ótima paragem para acrescentar à lista.
Convidamo-lo, depois, a alargar os seus horizontes até ao interior desta região, bem no coração da Serra da Lousã, um território mágico, rico em aldeias típicas e encantadoras. Na aldeia da Cerdeira, por exemplo, poderá passar um tranquilo dia em família, frequentar workshops de brinquedos de madeira, cozinha regional, casas de xisto, carpintaria ou de desenho. O melhor de tudo é que não só há muito para fazer, como para provar. Ou não tivesse já sido esta, distinguida como Região Europeia de Gastronomia! E se os olhos precisam de tempo para tudo absorver, o palato também. Será daquelas escapadinhas que ficará na memória de toda a família!
Acha que ficamos por aqui? Desengane-se! Quando lhe dizemos que o Centro de Portugal tem muito para lhe oferecer, não estamos a exagerar. Chegou a altura de ficar a conhecer melhor a região das Beiras e Serra da Estrela. Com o seu teto nevado e estrelado, aqui a natureza mantém-se autêntica e bem preservada. Parta à descoberta desta região, subindo até ao ponto mais alto de Portugal Continental: a Torre. E mesmo que não haja neve, não deixe de subir até ao seu cimo, a 1.993 metros de altitude. Prometemos que o ar puro e as paisagens a perder de vista não o deixarão indiferente.
É altura de seguir caminho pelos rochedos como a Cabeça da Velha; covões como o Covão d’ Ametade e o Covão do Boi, onde encontrará o Altar da Nossa Senhora da Boa Estrela; a Cascata do Poço do Inferno; a Lagoa Comprida; a do Vale do Rossim… opções não faltam. Não se esqueça de parar pelo caminho para desfrutar do belo Queijo Serra da Estrela DOP e do pão de Seia, bem como do borrego assado e dos famosos enchidos.
Cascata do Poço do Inferno, Manteigas
No interior do país encontram-se pequenos oásis, perfeitos para escapar à azáfama dos dias. Por exemplo, no Fundão, para além de toda a oferta típica associada às Aldeias do Xisto, poderá dormir num domo, um quarto panorâmico, onde apenas terá o céu estrelado por companhia.
A região Oeste é sempre sinónimo de um feriado passado de forma luminosa e capaz de aquecer a alma. Comece por atravessar a Porta da Vila de Óbidos e fique a conhecer esta que é uma das Sete Maravilhas de Portugal. Deambule pelas suas ruas e ruelas, prove a famosa Ginja e deixe-se encantar pelos seus recantos, com a certeza de que será difícil arranjar vontade para de lá sair. Siga depois para as Caldas da Rainha e visite o Museu José Malhoa, inserido no Parque D.Carlos I; o Buddha Eden Garden, no Bombarral; ou o Dino Parque, na Lourinhã. Mas não se esqueça de levar a câmara, porque este será, certamente, um destino recheado de bons momentos e muitas gargalhadas.
Vila Medieval, Óbidos
Achava que voltava para casa sem visitar a Beira Baixa? Se o fizesse, iria perder o belo passeio de barco em Vila Velha de Ródão, um passeio pelo meio de belas paisagens que vão até ao Monumento Natural das Portas de Ródão, passando ainda pelas colónias de grifos, abutres e cegonhas, pelo Conhal do Arneiro e a barragem de Cedilho. E se preferir caminhar, também o poderá fazer, indo à descoberta dos Percursos Pedestres de Vila Velha de Ródão.
Caminho do Xisto da Foz do Cobrão, Vila Velha de Ródão
Como vê, razões não faltam para sair de casa e aproveitar a vida em família. As memórias são para ser vividas – e construídas – e nem sempre é preciso esperar por dias especiais para o fazer. Basta um simples feriado para transformar uma viagem pelo Centro de Portugal na mais especial das lembranças. A promessa é a de voltar para casa com energias renovadas, recordações deliciosas e mais umas quantas fotografias para juntar ao álbum de família!