Pré-Publicação. O empresário que gastou a fortuna com prostitutas e outros relatos de amores loucos contados por um psicólogo /premium

16 Maio 2018

O livro "O Romântico Incurável" relata histórias de amores que levaram à loucura e que o psicólogo Frank Tallis acompanhou. O Observador publica um dos capítulos da obra.

Um homem que levou a empresa à falência ao gastar a fortuna em três mil prostitutas, uma idosa que vê o fantasma do marido, um homossexual que se apaixona por si próprio e uma mulher que desenvolve uma paixão assolapada pelo dentista. Estas são algumas das 12 histórias de amores enlouquecedores, contextualizadas na psicologia, fisiologia e neurociência, relatadas no livro “O Romântico Incurável” e que chega às livrarias a 15 de maio.

O autor é o psicólogo clínico Frank Tallis. O britânico foi professor de Psicologia Clínica no Instituto de Psiquiatria e Neurociências na King’s College London. Escreveu mais de 30 artigos científicos e várias obras ligadas à psicologia, entre eles um livro académico sobre o transtorno obsessivo compulsivo. “O Romântico Incurável” é o seu mais recente livro relacionado com à temática da psicologia.

Frank Tallis é o autor do livro “O Romântico Incurável”.

Tallis é também autor de nove romances, nomeadamente os da série policial “Os Casos de Liebermann”, e vencedor de prémios como o dos Escritores do Arts Council of Freat Britain (1999) e o New London Writer’s Awards (2000).

Neste livro, contudo, todos os casos relatados no livro são reais e que o psicólogo acompanhou.

O Observador publica um dos capítulos que conta a história de Ali, um homem casado, com quatro filhos e que chega ao consultório de Tallis depois de a mulher descobrir que tinha estado com uma prostituta. Na realidade, Ali já tinha tido relações sexuais com quase três mil prostitutas, mas o empresário não era viciado em sexo: era viciado na “sensação” destas mulheres se apaixonarem por si.

“O Romântico Incurável”, de Frank Tallis (Lua de Papel) — Preço: 16,90€

O Homem Que Tinha Tudo

Viciado no amor

Em terapia, alguns pacientes fazem aquilo que pode ser comparado a um striptease emocional. Camada a camada, as resistências são removidas, até que os últimos disfarces caem por terra e a verdade, por mais dolorosa, intragável ou chocante que seja, é revelada. Esse momento, o momento antes da revelação final, é extraordinariamente intenso.

Há quase trinta anos, tratei um empresário – um homem já de idade avançada, magro, como uma barba à Van Dyke e uma preferência por coletes coloridos – com problemas de gestão de stresse. Ele falou-me sobre um projeto no qual estava prestes a investir, mas, para dizer a verdade, não percebi do que estava a falar. Alguns anos mais tarde, consegui então descodificar o que ele queria dizer. Era um projeto que mudou efetivamente o mundo. Estive com ele quatro vezes.

As primeiras três sessões foram rotineiras – uma avaliação, uma formulação e algum trabalho educativo preliminar.

Era um homem afável, com origens da classe trabalhadora, e, como muitas pessoas que ascenderam na hierarquia social a posições de influência e poder, gostava de contar histórias que sublinhavam a magnitude dos seus feitos. Era preciso estar constantemente a recordar-lhe que tínhamos um trabalho a fazer. Tinha problemas de coração e o seu cardiologista considerava que a gestão do stresse era um componente importante no seu tratamento a longo prazo. Ele sorria e fazia gestos largos: qual é a pressa? Temos todo o tempo do mundo.

Um sorriso falso envolve os músculos em torno da boca, mas não os músculos em torno dos olhos. O delta de rugas que se espalhava nas têmporas do empresário não se moveu. Na verdade, nunca se movia.

Quando chegou para a sua quarta sessão, parecia mais abatido. As respostas às minhas perguntas eram mais indiretas e, a dada altura, procurou um lenço de papel. Os papos debaixo dos seus olhos estavam molhados das lágrimas. Perguntei-lhe o que se passava e ele continuou a dar-me respostas vagas e insatisfatórias até quase ao fim da sessão. Olhou para o relógio na parede e depois fitou-me com tal atenção e concentração, que ficou com a testa franzida. Tínhamos menos de cinco minutos.

– Gestão de stresse, hein? – Disse as palavras em tom algo depreciativo. – Há formas de stresse que não se conseguem gerir.

Os seus olhos cinzentos e claros, ligeiramente turvos, não pestanejaram. Ouvi o sangue a correr-me nas veias. O momento era tenso, como o ambiente carregado que precede um trovão.

– Há muito tempo – continuou ele, por fim –, estava num barco no meio do oceano Ártico… rente ao gelo… e ordenei que atirassem um homem borda fora.

– Quem era ele? – perguntei.

"Em terapia, alguns pacientes fazem aquilo que pode ser comparado a um striptease emocional. Camada a camada, as resistências são removidas, até que os últimos disfarces caem por terra e a verdade, por mais dolorosa, intragável ou chocante que seja, é revelada"
Frank Tallis em "O Romântico Incurável"

O empresário respondeu com uma determinação solene.

– Era um homem muito, muito mau.

– E deixou-o lá?

– Sim. Como lhe disse, era um homem muito mau. Compreende? Muito mau.

Estaria o meu paciente a falar a sério? Ou seria algum teste? Estaria a ser enganado?

– Vamos ter de falar sobre isso…

O empresário levantou o punho da camisa e mostrou-me as horas no relógio de pulso. A nossa hora chegara ao fim.

– Tenho mais uma consulta marcada. – Levantou-se, sacudiu as calças, vestiu o sobretudo e apertou-me a mão. – Sim – disse. – Falaremos sobre isso.

Depois de ele sair, fui espreitar à janela. Estava um Mercedes preto estacionado lá fora. Um motorista fardado saiu, abriu-lhe a porta e vi o empresário desaparecer no interior sombrio. Nunca mais voltou.

Os psicoterapeutas falam por vezes de “bilhetes de admissão” – problemas relativamente triviais que os pacientes usam como pretexto para começarem a fazer terapia. Quando se sentem à vontade e emocionalmente seguros, revela-se então o verdadeiro problema. Não é invulgar descobrir que o substantivo problema possui alguma dimensão moral, que está por trás de uma consciência pesada. Existem paralelos assinaláveis entre a psicoterapia e o confessionário católico. Os segredos pesam na alma e o processo de os desabafar pode trazer grande alívio. Para algumas pessoas, o objetivo da psicoterapia é confessar.

*

Ali era um homem no final da casa dos trinta. O seu avô – que emigrara para o Reino Unido sem um tostão – e o pai (que morrera quando Ali era pequeno) tinham criado um grande e lucrativo negócio de manufaturação. Ali era um homem de família, um bom homem, respeitado pelos membros da sua comunidade. Achei-o bastante simpático, mas havia nele um certo desapego. Era algo com que eu estava familiarizado – esta postura, esta atitude –, que me fazia sentir que o paciente estava sentado atrás de um vidro grosso. Ali era ligeiramente distante e emocionalmente inexpressivo. Eu não sentia que estivéssemos a conseguir estabelecer uma relação.

Para que o tratamento seja eficaz, tem de haver alguma ligação entre terapeuta e paciente. Pode ser uma ligação simples, como acontece em qualquer situação em que duas pessoas trabalham juntas para alcançar os mesmos objetivos. Ou pode ser uma ligação mais complexa, como na psicanálise, que confere um significado especial à transferência para o psicanalista de emoções e ideias associadas a uma relação prévia.

A distância de Ali, a sua reserva, era uma característica que eu associava com os muito ricos e com as celebridades. Talvez os primeiros estejam de certa forma entorpecidos pela exposição contínua a experiências excecionais, e os últimos se sintam desconfortáveis por ter de responder a perguntas que vão além da sua fachada pública. Muitas celebridades são completamente incapazes de sair do seu papel e continuam a agir como comediantes, atores ou estrelas de rock, mesmo no consultório. Isto faz com que seja quase impossível tentar ajudá-los. É como tentar tratar uma fotografia de jornal em vez de uma pessoa real.

"A distância de Ali, a sua reserva, era uma característica que eu associava com os muito ricos e com as celebridades. Talvez os primeiros estejam de certa forma entorpecidos pela exposição contínua a experiências excecionais, e os últimos se sintam desconfortáveis por ter de responder a perguntas que vão além da sua fachada pública"
Frank Tallis em "O Romântico Incurável"

Ali vestia-se de forma muito casual: calças de ganga coçadas e ténis, camisa de linho amarrotada, e tinha um ornamento hippy barato num dos pulsos. Não era um homem que pudesse ser acusado de exibir a sua riqueza. Reparei que, quando havia pausas na conversa, ele ficava rapidamente com ar entediado.

Era casado com a mulher, Yasmin, havia quase vinte anos, e tinham quatro filhos. Não fora propriamente um casamento arranjado, mas as respetivas famílias eram parceiras de negócios e ambos os lados queriam muito que o casal se conhecesse. O namoro que se seguiu foi encorajado, talvez até incentivado. Com o tempo, os tios de Ali – que tinham ficado a gerir o negócio depois de o pai dele morrer – reformaram-se, e Ali tornou-se diretor. Todos os filhos de Ali frequentavam escolas privadas e ele e a família viviam numa casa espaçosa num subúrbio muito procurado. Ele tinha tudo: riqueza herdada, dois carros desportivos e uma mulher bonita e dedicada. Então, um dia, aconteceu algo que causou no lar um turbilhão sem precedentes. Por mero acaso – não porque albergasse alguma suspeita –, Yasmin descobriu que Ali estivera com uma prostituta. Pegara no telemóvel de Ali para procurar um número na sua lista de contactos e ficara horrorizada ao encontrar uma série de mensagens de cariz sexual. Este não era o telemóvel habitual de Ali – era o seu outro telemóvel.

Ali estava abatido na poltrona, quase deitado – com as pernas completamente esticadas.

– Ela ficou muito aborrecida. Queria o divórcio.

– E o que a fez mudar de ideias?

– Expliquei-lhe que andava muito stressado. Não é fácil gerir um negócio desta dimensão. E já há muitos anos que o faço. Expliquei-lhe que andava deprimido há já algum tempo e que não estava em mim. Ela disse: “Se não estás bem, tens de procurar ajuda, e se não procurares ajuda, acabou-se.” E eu disse que sim, claro, que faria o que fosse preciso.

– O que o está a deixar deprimido?

Ele franziu os lábios e não respondeu durante alguns segundos. Após uma reflexão tão demorada, eu esperava mais como resposta do que uma única palavra:

– Stresse…

– De que forma se sente stressado?

– Tenho muito que fazer, percebe? Responsabilidades, administração; há alguns anos passámos por uma fase complicada e tive de despedir muitas pessoas que me tratavam da papelada. Tive de começar a tratar eu da contabilidade.

– E não pode voltar a contratar pessoas?

– Claro. Já o devia ter feito há anos. Mas nunca calhou. Há sempre mais qualquer coisa para fazer, outro assunto que precisa de atenção urgente.

– Como se sente quando está stressado?

– Como me sinto?

Confirmei com um aceno.

– Bom… não me sinto muito bem.

– Tem algum sintoma concreto?

– Sim, acho que sim. Dores de cabeça. – Traçou uma linha na testa com o dedo. – Tenho dores de cabeça fortes.

Não estava muito expansivo. Fiz-lhe mais perguntas sobre a depressão.

– Quando está deprimido, que tipo de pensamentos tem?

– Penso no negócio… no futuro…

– Mais alguma coisa?

– No meu casamento. Não me orgulho daquilo que fiz.

"Ele tinha tudo: riqueza herdada, dois carros desportivos e uma mulher bonita e dedicada. Então, um dia, aconteceu algo que causou no lar um turbilhão sem precedentes"
Frank Tallis em "O Romântico Incurável"

As suas respostas eram consistentemente breves e pouco informativas. Era como se estivesse cansado e falar fosse um grande esforço. As pálpebras baixaram e pestanejou – lentamente – como um gato satisfeito. Parecia prestes a adormecer.

Uma vez, um paciente adormeceu enquanto eu estava a meio de uma frase. Sabia que, se o acordasse, ele ficaria embaraçado, por isso esperei que ele despertasse por si e, assim que abriu os olhos, terminei a frase. Ele não tinha consciência nenhuma de que dormira quinze minutos.

Comecei a desconfiar de que Ali só me procurara por causa da ameaça da mulher. O seu encontro ilícito fora descoberto e agora estava a fingir que não se encontrava bem para impedir que a mulher avançasse com o divórcio. Coloquei-lhe esta hipótese, de forma mais diplomática, e fiquei surpreendido com a reação dele.

– Não – disse, endireitando-se. Parecia genuinamente desconcertado pela minha sugestão. – A Yasmin tem razão. Acho que tenho problemas.

– Acha que conseguiria tentar falar mais abertamente sobre o que lhe passa pela cabeça?

– Está bem. – Sacudiu-se de um lado para o outro como se estivesse a tentar libertar um nervo preso. – Está bem. Não estou habituado a estas coisas. – Indicou o consultório com um gesto indolente da mão. – Nunca fui muito falador.

A nossa conversa continuou pouco substancial. Ali bocejava, brincava com o amuleto na pulseira e, de vez em quando, repetia-se:

– É difícil gerir um negócio… uma grande responsabilidade. Não sei se a Yasmin compreende isso. Nunca teve de o fazer. Não digo que isso justifique aquilo que eu fiz, de forma alguma… mas…

– Sente, por vezes, algum ressentimento em relação a ela?

– Ressentimento? Eu? Não, ela é uma esposa excelente. Sempre foi. E é uma mãe fantástica.

Talvez eu me tivesse precipitado no meu juízo. Talvez ele tivesse realmente um problema significativo e estivesse simplesmente demasiado ansioso para falar nele. Mas porque é que eu acharia tal coisa? Ali não parecia particularmente ansioso e o tom do seu discurso não se alterara. Eu tinha simplesmente um palpite. Já aqui sublinhei os perigos da argumentação emocional. Estaria eu a cometer o mesmo erro para o qual prevenia os meus pacientes?

No final dos anos 60, o psicólogo Paul Ekman fez um estudo com pacientes deprimidos que fingiam sentir-se melhor. O motivo para este fingimento era que pretendiam livrar-se de supervisão para se tentarem suicidar. Quando as entrevistas filmadas com estes pacientes eram vistas em câmara lenta, conseguiam identificar-se expressões faciais fugazes e negativas congruentes com intenções suicidas. Em tempo real, estas expressões fugazes duravam apenas milissegundos. É possível que os psicoterapeutas, cujo trabalho diário envolve muita observação de rostos e a tentativa de os interpretar, se tornem mais sensíveis a estas microexpressões negativas. São apreendidas de forma subliminar e produzem uma sensação vaga de que há alguma coisa errada. Sabemos que isto é possível através de estudos laboratoriais. Imagens ameaçadoras, apresentadas tão depressa que o observador vê apenas um clarão, podem provocar alterações fisiológicas associadas ao medo (por exemplo, um aumento de atividade das glândulas sudoríparas). Aquilo a que chamamos intuições, pressentimentos e palpites pode não ser mais do que os derivados de processamento pré-consciente: o registo de informação inconsciente que permanece inacessível à introspeção.

"No final dos anos 60, o psicólogo Paul Ekman fez um estudo com pacientes deprimidos que fingiam sentir-se melhor. O motivo para este fingimento era que pretendiam livrar-se de supervisão para se tentarem suicidar"
Frank Tallis em "O Romântico Incurável"

Falámos sobre o casamento de Ali.

– Estava a sentir-se sexualmente insatisfeito?

– Não. O sexo com a Yasmin é ótimo. Sempre foi.

– Então porque sentiu necessidade de estar com uma prostituta?

– Não sei. Eu simplesmente… – Levantou as mãos e deixou-as cair nos braços da poltrona. – Não sei. – Mais uma vez, tive a sensação de estar a olhar para um indivíduo muito ansioso. – Suponho que posso ser bastante exigente – continuou ele. – Sexualmente, quero eu dizer. Tenho de ter sexo todos os dias. A Yasmin não se importa, mas a verdade é que tenho um desejo sexual muito ativo.

Esta pequena revelação aproximou-o um pouco mais da confissão. A sua perspetiva mudou e reconheceu que podia aliviar-se de um fardo.

– Mesmo depois de termos feito sexo, ainda sinto que preciso de mais. A necessidade é tão forte, que me faz acordar e tenho de ir para a casa de banho masturbar-me.

– Com que frequência é que isso acontece?

– Muita… todas as noites… várias vezes por noite… às vezes mais…

– Então, em média, quantas vezes ejacula num período de vinte e quatro horas?

– Umas três, acho eu, embora em pouca quantidade.

– E sempre foi assim?

– Sim, desde rapaz. Em certos aspetos, até era pior nessa altura; muito pior, na verdade.

Houve uma altura em que eu teria ficado cético em relação a estas afirmações. Teria pensado que um homem de quase 40 anos não podia ter desejo nem capacidade para ter três ou mais orgasmos por dia – mas já não penso assim.

Por um curto período de tempo, trabalhei quase exclusivamente com homens gay promíscuos e jovens prostitutos, uma experiência verdadeiramente esclarecedora para um homem heterossexual e monógamo. Nas chamadas “salas de foda” de uma discoteca, um indivíduo pode ter sexo com dez ou vinte parceiros e alcançar outros tantos orgasmos. As sensações de prazer do reto e da próstata são mediadas pelos nervos pélvicos e hipogástricos. Há um caso na literatura clínica de um homem que tinha sensações orgásmicas quando defecava. Alguns indivíduos com epilepsia têm convulsões orgásmicas desencadeadas pela lavagem dos dentes. Uma das minhas pacientes do sexo feminino conseguia atingir o orgasmo enquanto rebentava bolhas do plástico de embalagens – e afirmava ser capaz de continuar a ter orgasmos desta forma indefinidamente. Por motivos óbvios, não lhe pedi uma demonstração, mas tenho de admitir que a curiosidade quase levou a melhor. É sempre insensato presumir que o comportamento sexual humano tem limitações.

Os olhos de Ali, agora bem abertos, sugeriam que ainda havia mais. Faltavam poucos minutos para o final da sessão. Ali esfregou o queixo e disse:

– Peço desculpa, mas não fui completamente honesto consigo.

– Não?

– Em relação à prostituta. – Girou o amuleto da pulseira. – Isto é confidencial, certo?

– Sim.

– Quer dizer, se eu lhe contar a verdade… não pode dizer nada à minha mulher.

– Não. Embora tenhamos de discutir essa questão…

– O quê? Se eu lhe digo ou não?

– Sim.

– Mas o doutor não dirá nada.

– Não.

Fez uma pausa, deu um estalido com a língua e depois uma pausa muito maior.

– Estava a dizer? – incentivei.

Ele parou de brincar com o amuleto e largou-o.

– Sim. A prostituta… está a ver… não foi só uma. Na verdade, há já bastante tempo que ando com prostitutas. – Havia no ar uma sensação de iminência, de algo que se aproximava. Ele continuou: – Na verdade, o número deve estar mais perto das três mil… talvez mais.

– Três mil – repeti.

"A prostituta… está a ver… não foi só uma. Na verdade, há já bastante tempo que ando com prostitutas. – Havia no ar uma sensação de iminência, de algo que se aproximava. Ele continuou: – Na verdade, o número deve estar mais perto das três mil… talvez mais"
Frank Tallis em "O Romântico Incurável"

– Sim. – A expressão de Ali era difícil de interpretar: culpa e vergonha, orgulho de macho, gozo juvenil? Todas estas emoções estavam representadas em variados graus.

– Isso é possível?

– Não me levanto a meio da noite só para me masturbar. Às vezes saio de casa, vou fazer sexo e volto. Às vezes tenho sexo com várias mulheres por dia.

A descoberta que a mulher fizera de uma única dessas transgressões fora o bilhete de admissão de Ali. Finalmente revelara o seu problema real – ou, pelo menos, eu assim pensava. Na verdade, estava a tirar conclusões precipitadas. Esse não era, de todo, o problema real de Ali. O seu verdadeiro problema era muito mais interessante.

*

A expressão “adição sexual” surgiu pela primeira vez nos anos 70. Anteriormente a esta década, a hipersexualidade era descrita como ninfomania nas mulheres e satiríase nos homens. O conhecido livro de casos de estudo de Richard von Krafft-Ebing, Psychopathia Sexualis, originalmente publicado em 1886, contém relatos de ambos: Caso 193, um agricultor “universalmente respeitado” praticou “o ato sexual entre dez e quinze vezes em vinte e quatro horas”; Caso 186, uma mulher “de boas famílias, muito culta, amável, muito modesta” e que “corava facilmente”, quando era deixada a sós com um homem de qualquer idade “despia-o e instigava-o veementemente a saciar a sua luxúria”.

Fará sentido falar sobre necessidades sexuais como adições, vícios? Se as circunstâncias o permitirem, o animal humano – em particular o macho humano – tem uma elevada motivação para procurar a satisfação sexual. Houve imperadores, ditadores, atores de Hollywood e músicos quebra-corações que tiveram milhares de parceiras sexuais simplesmente porque podiam. Quando os ratos conseguem estimular eletricamente os centros de prazer dos seus próprios cérebros mediante uma alavanca, fazem-no indefinidamente. Os seres humanos, se tiverem oportunidade de ter tantos encontros sexuais quantos quiserem, comportam-se basicamente da mesma forma.

Há críticos que sugerem que a mera ideia da adição sexual parte de um pressuposto errado. Afirmam que a adição é um termo que devíamos reservar para dependências derivadas da introdução de substâncias – tais como cocaína, álcool ou açúcar – no corpo. Comportamentos como sexo, jogo, compras ou jogos de vídeo não podem ser entendidos como adições porque não há nada a ser ingerido, injetado ou absorvido. Porém, todo o comportamento tem consequências bioquímicas, e o sexo está associado à produção de compostos endógenos que se assemelham a anfetaminas e opiáceos. As glândulas suprarrenais e pituitária podem produzir hormonas que causam picos e excitação tão aditivos como as drogas de rua. Assim, uma definição restritiva de adição, que não leve em conta a relação recíproca entre comportamento e bioquímica, é de certa forma arbitrária.

A minha opinião é que a adição sexual pode ser um conceito útil, desde que sejam também levados em linha de conta o estado e o contexto subjetivos do indivíduo.

"A minha opinião é que a adição sexual pode ser um conceito útil, desde que sejam também levados em linha de conta o estado e o contexto subjetivos do indivíduo"
Frank Tallis em "O Romântico Incurável"

Por exemplo, sentir-se-ia Ali dividido em relação ao seu comportamento? Quereria parar de estar com prostitutas mas sentia-se compelido a continuar? Havia consequências negativas significativas para ele e para a família? Sentir-se-ia culpado? Ao longo das nossas sessões, ele respondeu afirmativamente a todas estas perguntas.

– A sua mulher nunca desconfiou?

– Não. Não é uma pessoa de natureza desconfiada. Não faz a mais pequena ideia.

– É uma mulher ingénua.

– Sim. Muito.

– Como é que isso o faz sentir?

– Mal, claro… Não quero magoá-la. Porque havia de querer? É a última coisa que quero.

– Mas se ela soubesse a verdade…

– Ficaria… – A cena que imaginava era demasiado terrível para a conseguir articular. Endireitou-se na poltrona, espicaçado talvez por uma leve esperança de redenção. – Não quero ser assim. Comecei a frequentar prostitutas quando era adolescente. Ia a casinos com os meus amigos, e uma coisa levava à outra. O problema foi crescendo ao longo dos anos e agora está completamente descontrolado. Devia estar a resolver problemas, a falar com pessoas. E em vez disso ando por aí, nesta vida. – Olhou para a janela e a luz tingiu-lhe o rosto de um brilho prateado.

Os problemas de adição normalmente agravam-se por causa da tolerância – um conceito médico que pode ser usado para explicar a desregulação comportamental e a perda de controlo. O corpo tem a capacidade de se adaptar às drogas e, por vezes, são precisas doses cada vez maiores para alcançar os mesmos efeitos. Da mesma forma, o viciado em sexo adapta-se a um estímulo sexual frequente. O sexo cada vez traz menos prazer, o que exige esforços renovados para alcançar um objetivo cada vez mais distante. Este efeito é muito pronunciado em indivíduos viciados em pornografia online, muitos dos quais passam horas, ou mesmo dias, a vaguear por websites cada vez mais exóticos porque as imagens sexuais normais já não os excitam. Os libertinos são frequentemente retratados em obras de ficção como cínicos, vividos e infinitamente entediados. É uma caracterização que reconhece uma verdade paradoxal: a perseguição imoderada do prazer faz com que o prazer seja cada vez mais difícil de encontrar.

Ali afastou os olhos da janela e continuou a falar como se não tivesse havido qualquer interlúdio.

– Neste momento, estou numa situação complicada. Gastei muito dinheiro…

– Está endividado?

– Sim, pode dizer-se que sim. – Ali estudou o padrão floral no braço da poltrona e delineou uma tulipa com o indicador. – O problema é que já foi tudo longe demais… acho que não consigo regressar. – Eu não estava a perceber exatamente a que é que ele se referia. À situação financeira ou ao estado mental? Ele viu a minha perplexidade e acrescentou: – O negócio. As coisas não estão nada bem.

– Não sei se estou a compreender…

– Por causa do meu hábito. – Percebeu mais uma vez a minha perplexidade. – Algumas das raparigas – continuou – são muito caras, sabe, as mais bonitas… as mesmo bonitas.

– Quando é que vai contar à sua mulher? – Ele abriu a boca e ergueu as sobrancelhas. Era a minha vez de clarificar. – Não falo das acompanhantes, mas do negócio.

– Não sei.

– Certamente que já sabe há algum tempo que o negócio está em maus lençóis, não?

– Sim. Sou eu que faço a contabilidade.

– Não podia ter tomado alguma medida de prevenção?

– Agora não posso fazer mais nada. Não há dinheiro. – Puxou o lábio inferior, largou-o e repetiu as mesmas palavras que dissera à mulher. – Não tenho estado em mim.

"Comecei a frequentar prostitutas quando era adolescente. Ia a casinos com os meus amigos, e uma coisa levava à outra. O problema foi crescendo ao longo dos anos e agora está completamente descontrolado. Devia estar a resolver problemas, a falar com pessoas. E em vez disso ando por aí, nesta vida"
Frank Tallis em "O Romântico Incurável"

Às vezes, a realidade de uma situação deixa-nos tão ansiosos, que fingimos pura e simplesmente que não está a acontecer. Entre os muitos mecanismos de defesa identificados desde a época de Freud, a negação é um dos mais fáceis de compreender e também o que se verifica mais frequentemente. Toda a gente tem alguma experiência com a negação. Esta defesa é normalmente mobilizada quando surgem sintomas que podem ser o primeiro sinal de uma doença física grave. “Não deve ser nada. Há de passar.” Um pouco de negação é útil, porque regula a exposição a más notícias e facilita uma aceitação gradual. O indivíduo não fica assoberbado. Contudo, a negação extrema impede a tomada de decisões racionais.

– Vai ser muito complicado – continuou Ali. – A Yasmin é uma mulher orgulhosa e muito ativa na nossa comunidade. Sabe, faz muito trabalho de caridade… organização de eventos, angariação de fundos. A nossa família tem uma certa reputação.

– Estou certo de que será difícil… mas, presumo eu, o colapso do seu negócio terá consequências que não conseguirá esconder durante muito mais tempo.

Ele não me estava a ouvir.

– Um homem como eu – disse, acenando lentamente com a cabeça – é o ganha-pão da família. É o que se espera.

O negócio de Ali, fundado e desenvolvido ao longo de duas gerações, era muito lucrativo. Fiz algumas contas rápidas na margem dos meus apontamentos. Mesmo que Ali tivesse pagado os serviços de mais de três mil prostitutas, e que uma percentagem significativa destas fossem acompanhantes caras, o negócio devia ter sido capaz de absorver esse custo. Especialmente tendo em conta que estes gastos estavam divididos por um período de aproximadamente vinte anos. Coloquei-lhe esta questão – e foi só então que ele me falou do seu verdadeiro problema.

– Não é só o sexo. As coisas talvez se tivessem aguentado se fosse só o sexo. Sabe, a maior parte do dinheiro foi para o resto.

– O resto?

Ele tocou na aliança e depois no amuleto. Perguntei-me se seria um ritual supersticioso, mas não disse nada porque queria que ele continuasse concentrado.

– Não sei se consigo explicar.

Esperei que ele continuasse, mas Ali ficou em silêncio.

– Experimente.

Mais uma pausa alargada – o som do trânsito, vozes no patamar lá fora.

– Está bem, está bem. – Rodou a cabeça e encostou-a a uma almofada. – Geralmente, um tipo paga pelo sexo e vem-se embora, mas há sempre algumas raparigas que nos dizem qualquer coisa. Não sei o que é… nem como acontece… mas acontece. – Massajou o peito. – Eu voltava para as ver e tornava-se uma coisa regular. E depois tornava-se algo mais. Saíamos como um casal normal, ficávamos a conhecer-nos. Eu levava-as a bons restaurantes, aliás, muito bons, os melhores, mesmo… e comprava-lhes presentes. – Fez uma careta antes de acrescentar: – Foi aí que gastei a maior parte do dinheiro… no resto.

"Eu voltava para as ver e tornava-se uma coisa regular. E depois tornava-se algo mais. Saíamos como um casal normal, ficávamos a conhecer-nos. Eu levava-as a bons restaurantes, aliás, muito bons, os melhores, mesmo… e comprava-lhes presentes. – Fez uma careta antes de acrescentar: – Foi aí que gastei a maior parte do dinheiro… no resto"
Frank Tallis em "O Romântico Incurável"

Ainda tinha a cabeça inclinada para trás e parecia estar a olhar para um ponto elevado algures atrás de mim. Era como se não conseguisse estabelecer contacto visual. Precisava de se divorciar da influência inibitória da realidade para completar a sua confissão.

– Envolvi-me muito com algumas das raparigas. Fazíamos planos para o futuro. Conversávamos sobre como seria a nossa vida juntos. Íamos ver casas, com um agente imobiliário… e ficávamos mesmo entusiasmados. – Fechou os olhos e voltou a abri-los.

– Então queria deixar a sua mulher…

– Não, nunca.

– Nesse caso, o que estava a fazer? Porque levava essas mulheres a ver casas?

– Nunca quis deixar a Yasmin. É como se… com estas acompanhantes… – Calou-se e pensei que ia acrescentar “É só um jogo”. Mas os seus lábios fecharam-se e cerrou os dentes.

– Com que frequência fez esse tipo de coisas?

– Muitas vezes.

– Sim, mas quantas?

– Não me lembro.

Eu tornara-me um inquisidor, e a rapidez do meu interrogatório estava a deixá-lo pouco à vontade.

Para apreciar a ficção, o leitor tem de suspender a descrença e entrar num mundo de frágil artifício. Qualquer peculiaridade estilística tem o potencial de interferir com a cumplicidade voluntária do leitor. Uma frase pouco fluida, linguagem estranha ou uma insinuação acidental podem arrancar o leitor à história e torná-lo consciente de que não está realmente a observar a Terra do espaço, ou à caça de uma grande baleia branca, mas sim sentado numa sala a ler um livro. A psicoterapia, tal como a ficção, requer uma imersão total. Ali levantou a cabeça da almofada e franziu ligeiramente a testa. Eu arrancara-o ao “fluir” da história, e demorei algum tempo a recuperar a sua confiança.

A conversa que se seguiu foi hesitante e fragmentada. Mesmo assim, começou a surgir um retrato mais completo.

– O sexo era um meio para um fim, uma forma de me aproximar. Quando era mais novo, o sexo era o mais importante, mas as coisas mudaram. Comecei a querer mais. São tão bonitas, algumas das acompanhantes. Olhamos para elas e pensamos… o sexo não chega. Queremos mais.

Ali não era realmente viciado em sexo. Era viciado em namoro. As refeições à luz de velas, as flores, os presentes extravagantes – colares, pérolas e diamantes –, olhos nos olhos, os dedos a tocarem-se sobre a mesa, o som de violinos, uma rosa sobre a toalha branca – o ritual elaborado do romance. Mas ainda havia outra camada na psicopatologia de Ali, mais uma revelação, uma surpresa final.

– Não é que eu me apaixone por elas – disse. – Na verdade, gosto é que elas se apaixonem por mim.

"Não é que eu me apaixone por elas – disse. – Na verdade, gosto é que elas se apaixonem por mim"
Frank Tallis em "O Romântico Incurável"

Depois do sexo e dos restaurantes e dos presentes e das fantasias partilhadas e das visitas a casas, os esforços dele eram, por vezes, recompensados com uma declaração de amor. Era isto que ele mais desejava: a sensação de alguém se apaixonar por ele. Quando ouvia a palavra “amo-te” pronunciada com sinceridade, a relação cumprira o seu objetivo. Para alcançar o mesmo prazer, tinha de repetir todo o processo com outra mulher.

– Alguma delas tentou encontrá-lo?

– Fui sempre cuidadoso. Cobri o meu rasto.

A bioquímica do amor é complexa, mas sabemos que a excitação sentida quando potenciais amantes se encontram coincide com a libertação de feniletilamina; o desejo sexual é alimentado pela testosterona; e os sentimentos de proximidade e união feliz estão associados à oxitocina. Quando uma pessoa está excitada, a dopamina – por vezes chamada de molécula do prazer – espalha-se pelo cérebro a partir do topo do tronco cerebral, alterando a reatividade dos neurónios em várias regiões, principalmente nos centros de recompensa. Suspeito que Ali estava viciado em todas estas “drogas” endógenas. Porém, era a combinação bioquímica subjacente ao sentimento de ver alguém apaixonar-se por ele que lhe dava mais prazer.

A adição presta-se facilmente a analises reducionistas. Ideias como dependência química e necessidade crescente (causada pela tolerância) parecem muito apropriadas; contudo, cada viciado é um indivíduo único. Existem muitos fatores psicológicos, tais como historial de aprendizagem, estilo de pensamento, impulsividade e vulnerabilidade às alterações de humor, que interagem entre si de formas complexas. Um entendimento a ambos os níveis – bioquímico e psicológico – enriquece a compreensão do comportamento aditivo e da sua manutenção. Depois de Ali ter feito esta sua última revelação, eu tinha inúmeras perguntas.

Seria a sua adição ao opiáceo de “alguém se apaixonar por mim” uma forma de automedicação para uma dor que ainda não me revelara? Retiraria também prazer de manipular e enganar a esposa e as mulheres que se apaixonavam por ele? Como conseguia sentir afeto genuíno pela mulher enquanto, ao mesmo tempo, a traía numa escala tão colossal? Seria um narcisista ou um sádico não assumido? Como é que este problema se desenvolvera ao longo do tempo?

No fim da nossa terceira sessão, Ali levantou-se e dirigiu-se à porta. Aí, parou e virou-se para mim. Isto é apenas especulação da minha parte, mas pareceu-me que ele estava a fazer uma avaliação. Teria sido sensato revelar tanto?

– Onde vai? – perguntei.

– Agora? – Adivinhou o que eu estava a pensar e riu-se. – Não… não vou procurar uma prostituta. Não sou assim tão doido.

– Vemo-nos para a semana?

– Sim, até para a semana. – Sorriu e saiu.

Ali iniciara uma relação comigo, consentira em pagar um determinado valor pelos meus serviços e fizera-me revelações íntimas que sugeriam que eu conquistara a sua confiança. Contudo, assim que a minha preocupação com o seu bem-estar se tornou explícita, desapareceu. Tratara-me tal como uma das suas acompanhantes. Um bocadinho pior, na verdade, porque era um paciente particular e nunca me pagou. Ali não compareceu na consulta seguinte e não respondeu às minhas mensagens telefónicas. Por fim, o número de telefone dele foi desligado.

Alguns anos antes, ao fim de um longo dia passado numa clínica de hospital muito movimentada, sentei-me ao lado de um colega que olhava, através do seu reflexo no vidro da janela, para uma paisagem urbana e cinzenta de telhados e chaminés. Era evidente que o seu dia fora tão duro e emocionalmente esgotante como o meu.

Levantou o queixo e disse:

– Qual é a diferença entre visitar um psicoterapeuta e visitar uma prostituta?

– Não sei – respondi. – Qual é?

– Depois de estar com a prostituta, pelo menos uma pessoa sente-se melhor.

ilustração de Maria Gralheiro.
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