Pré-publicação. Sangue, fogo e muitos dragões: a épica história dos reis Targaryen /premium

22 Novembro 2018

"Sangue & Fogo" chega às livrarias na sexta-feira. É o primeiro romance de George R.R. Martin sobre o universo da "Guerra dos Tronos" em sete anos. O Observador publica dois excertos em primeira-mão.

Passaram mais de sete anos desde que George R.R. Martin publicou A Dança dos Dragões, o quinto volume das Crónicas de Gelo e Fogo, saga iniciada em 1996 com A Guerra dos Tronos. O sexto volume, Ventos de Inverno, está prometido há muito, mas Martin tem adiado consecutivamente a sua data de lançamento. Isso não significa, no entanto, que tenha deixado a história morrer. Além da série, que vai alimentando a fome dos fãs por material novo, o escritor norte-americano tem divulgado de tempos a tempos capítulos do futuro sexto volume e pequenas histórias do universo de A Guerra dos Tronos, reunidas em volumes como O Cavaleiro de Westeros e Outras Histórias. Publicou um livro de citações de Tyrion Lannister, uma novela gráfica e uma espécie de enciclopédia sobre a história dos Sete Reinos, O Mundo de A Guerra dos Tronos, escrito com Elio M. Garcia e Linda Antonsson, especialistas na obra do autor e fundadores do fansite Westeros.org, um dos primeiros sobre A Guerra dos Tronos.

Apesar da imensidão de material publicado desde 2011, Martin nunca mais voltou ao formato romance (ou a algo que se assemelhe a ele) para contar histórias do universo das Crónicas de Gelo e Fogo. Até agora. Esta semana, chega às livrarias de todo o mundo a primeira parte de ‘Sangue & Fogo’, a história dos reis Targaryen. Ainda que o autor não lhe chame um romance mas antes “história imaginária” da família real, esta é a primeira história longa que o norte-americano edita desde A Dança dos Dragões. E “longa” não é um eufemismo — a edição em língua inglesa tem perto de mil páginas, mas em Portugal a Saída de Emergência, decidiu dividi-la em duas partes, com a primeira a ter 343. É esta que sai esta sexta-feira. A segunda parte do volume I está agendada para fevereiro de 2019, confirmou fonte da editora ao Observador.

A edição portuguesa de Sangue & Fogo — A História dos Reis Targaryen  chega às livrarias esta sexta-feira

Enquanto Sangue & Fogo não chega às livrarias portuguesas (às norte-americanas chegou na terça-feira), o Observador pré-publica, em exclusivo, dois excertos da história da Casa Targaryen, que começou com a unificação dos sete reinos com Aegon I, acompanhados por duas das ilustrações que Dough Wheatley fez para o volume. 

O primeiro, retirado do terceiro capítulo do livro, “Três Cabeças Tinha o Dragão — Governação sob o Rei Aegon I”, descreve a transformação de Porto Real, que antes da primeira coroação de Aegon Targaryen era apenas uma pequena aldeia “acocorada à sombra de um castelo de aterro”, numa das cidades mais populosas dos Sete Reinos. O crescimento de Porto Real obrigou à construção da sua imponente muralha, também descrita neste excerto. Neste conta-se ainda como foi criado o conselho do rei, a Guarda Real e o cargo de Grande Meistre, ocupado inicialmente pelo Arquimeistre Ollidar. O segundo excerto, retirado do capítulo “Os Filhos do Dragão”, sobre os descendentes do primeiro rei Targaryen, conta a história do casamento de Rhaena e de Aegon, irmãos e filhos de Aenys I, e mostra como uma má decisão pode levar à queda de um governante indeciso.

A conquista de Aegon

Excerto do capítulo III

“Três Cabeças Tinha o Dragão — Governação sob o Rei Aegon I”

(Ilustração de Doug Wheatley)

Porto Real cresceu em volta de Aegon e da sua corte, nas três grandes colinas que se erguiam perto da foz da Torrente da Água Negra e em volta delas. A maior dessas colinas ficara conhecida como Colina de Aegon, e as colinas mais pequenas começaram bem depressa a ser apelidadas de Colina de Visenya e Colina de Rhaenys, esquecidos os seus anteriores nomes. O tosco forte de aterro que Aegon fizera erguer tão depressa não era grande, nem grandioso o suficiente para alojar o rei e a sua corte, e começara a expandir-se ainda antes de a Conquista ser completada. Foi erguida uma nova fortaleza, toda feita de madeira e com quinze metros de altura, com um cavernoso salão por baixo, e uma cozinha, feita de pedra e com telha do de lousa, para a eventualidade de incêndio, do outro lado da paliçada. Apareceram estábulos e depois um celeiro. Uma nova torre de vigia foi construída, com o dobro da altura da antiga. Em breve o Forte de Aegon estava a ameaçar explodir de dentro das muralhas, portanto foi erguida uma nova paliçada a cercar uma extensão maior do topo da colina, criando espaço suficiente para um quartel, um armeiro, um septo e uma torre cilíndrica.

No sopé das colinas, pontões e armazéns estavam a ser construídos ao longo das margens do rio, e mercadores de Vilavelha e das Cidades Livres amarravam os seus navios ao lado dos dracares dos Velaryon e Celtigar, onde anteriormente só se viam alguns barcos de pesca. Muito do comércio que passara por Lagoa da Donzela e Valdocaso estava agora a vir para Porto Real. Um mercado de peixe brotou ao longo da margem do rio, um mercado de tecidos entre as colinas. Surgiu uma alfândega. Um modesto septo abriu na Água Negra, no casco de uma antiga coca, seguido por um septo mais robusto feito de taipa, em terra. Depois, um segundo septo, duas vezes maior e três vezes mais grandioso, foi construído no topo da Colina de Visenya, com dinheiro enviado pelo Alto Septão. Lojas e casas brotaram como cogumelos depois de uma chuvada. Homens ricos ergueram mansões muradas nas vertentes das colinas, enquanto os pobres se aglomeravam em esquálidas cabanas de lama e palha nas zonas baixas entre elas. Ninguém planeou Porto Real. Simplesmente, cresceu… mas cresceu depressa. Aquando da primeira coroação de Aegon, ainda era uma aldeia acocorada à sombra de um castelo de aterro. Por alturas da segunda, era já uma próspera vila de vários milhares de almas. Em 10 DC, era uma verdadeira cidade, quase tão grande como Vila Gaivota ou Porto Branco. Em 25 DC, ultrapassara ambas para se tornar a terceira cidade mais populosa do reino, ultrapassada apenas por Lanisporto e Vilavelha.

Ao contrário das rivais, no entanto, Porto Real não tinha muralhas. Não precisava, segundo diziam alguns dos residentes; nenhum inimigo se atreveria alguma vez a atacar a cidade enquanto ela fosse defendida pelos Targaryen e pelos seus dragões. O próprio rei pode ter partilhado originalmente essas ideias, mas não há dúvida de que a morte da irmã Rhaenys e do dragão dela, Meraxes, em 10 DC, e os ataques contra a sua pessoa lhe deram motivos para pensar…

"Ninguém planeou Porto Real. Simplesmente, cresceu... mas cresceu depressa. Aquando da primeira coroação de Aegon, ainda era uma aldeia acocorada à sombra de um castelo de aterro. Por alturas da segunda, era já uma próspera vila de vários milhares de almas."

E no décimo nono ano Depois da Conquista, chegou a Westeros a notícia de uma ousada incursão nas Ilhas do Verão, onde uma frota pirata pilhara a Vila das Árvores Altas e levara mil mulheres e crianças como escravas, bem como uma fortuna como saque. Os relatos do ataque perturbaram grandemente o rei, que se apercebeu de que Porto Real estaria vulnerável de forma semelhante a qualquer inimigo astuto o suficiente para cair sobre a cidade quando ele e Visenya andassem por longe. Por conseguinte, Sua Graça ordenou a construção de um anel de muralhas em volta de Porto Real, tão altas e fortes como as que protegiam Vilavelha e Lanisporto. A tarefa de as construir foi atribuída ao Grande Meistre Gawen e a Sor Osmund Strong, o Mão do Rei. Para homenagear os Sete, Aegon decretou que a cidade teria sete portas, cada uma defendida por uma maciça fortificação e torres defensivas. O trabalho nas muralhas teve início no ano seguinte e continuou até 26 DC.

Sor Osmund foi o quarto Mão do Rei. O primeiro fora o Lorde Orys Baratheon, o seu meio-irmão bastardo e companheiro de juventude, mas o Lorde Orys foi feito cativo durante a Guerra de Dorne e sofreu a perda da mão da espada. Quando foi resgatado de volta, sua senhoria pediu ao rei para ser aliviado dos seus deveres.

— O Mão do Rei deve ter uma mão — disse. — Não quero que alguém fale do Toco do Rei.

De seguida, Aegon virou-se para Edmyn Tully, Senhor de Correrrio, para ocupar o lugar de Mão. O Lorde Edmyn serviu de 7 DC a 9 DC, mas quando a esposa morreu ao dar à luz, decidiu que os filhos tinham mais necessidade dele do que o reino e suplicou autorização para regressar para as terras fluviais. Alton Celtigar, Senhor da Ilha da Garra, substituiu Tully, servindo competentemente como Mão até morrer de causas naturais em 17 DC, após o que o rei nomeou Sor Osmund Strong.

O Grande Meistre Gawen foi o terceiro nesse cargo. Aegon Targaryen sempre mantivera um meistre em Pedra do Dragão, como o pai e o pai do pai tinham feito antes dele. Todos os grandes senhores de Westeros, e muitos senhores menores e cavaleiros com terras, dependiam de meistres treinados na Cidadela de Vilavelha para servir as suas casas como curandeiros, escribas e conselheiros, para criar e treinar os corvos que transportavam as suas mensagens (e para ler e escrever essas mensagens, no caso dos nobres aos quais faltavam esses conhecimentos), para ajudar os intendentes com as contas da casa e para ensinar os seus filhos. Durante a Conquista, Aegon e as irmãs tinham um meistre ao serviço de cada um, e depois o rei empregou até meia dúzia para lidarem com todos os assuntos que lhe eram apresentados.

Mas os homens mais sábios e eruditos dos Sete Reinos eram os arquimeistres da Cidadela, cada um dos quais representante da autoridade suprema em uma das grandes disciplinas. Em 5 DC, o Rei Aegon, sentindo que o reino poderia beneficiar dessa sabedoria, pediu ao Conclave para lhe enviar um dos seus a fim de lhe dar conselhos e poder consultá-lo em todas as questões relacionadas com a governação do reino. Foi assim criado o cargo de Grande Meistre, a pedido do Rei Aegon.

O primeiro homem a servir nessa capacidade foi o Arquimeistre Ollidar, guardião das histórias, cujo anel, bastão e máscara eram de bronze. Embora fosse excecionalmente erudito, Ollidar também era excecionalmente velho e deixou este mundo menos de um ano depois de vestir o manto de grande meistre. Para ocupar o seu lugar, o Conclave selecionou o Arquimeistre Lyonce , cujo anel, bastão e máscara eram de ouro amarelo. Este mostrou-se mais robusto do que o antecessor, servindo o reino até 12 DC, quando escorregou na lama, quebrou a anca e morreu pouco depois, após o que foi nomeado o Grande Meistre Gawen.

A instituição do pequeno conselho do rei só desabrochou por completo no reinado do Rei Jaehaerys, o Conciliador, mas não se sugere com isto que Aegon I tenha governado sem o benefício de conselhos. Sabe-se que ele consultou frequentemente os seus vários Grandes Meistres, e também os meistres da sua própria casa. Em assuntos relacionados com impostos, dívidas e rendimentos, procurou o conselho dos seus mestres da moeda. Embora conservasse um septão em Porto Real e outro em Pedra do Dragão, era mais frequente o rei escrever ao Alto Septão de Vilavelha a respeito de assuntos religiosos e fazia sempre questão de visitar o Septo Estrelado durante o seu circuito anual. Mais que qualquer uma destas pessoas, o rei contava com o Mão do Rei e, claro, com as irmãs, as Rainhas Rhaenys e Visenya.

A Rainha Rhaenys era uma grande protetora dos bardos e cantores dos Sete Reinos, fazendo chover ouro e presentes sobre aqueles que lhe agradavam. Embora a Rainha Visenya julgasse a irmã frívola, havia naquilo uma sensatez que ultrapassava o simples amor pela música. Pois os cantores do reino, no afã de conquistar os favores da rainha, compuseram muitas canções em elogio à Casa Targaryen e ao Rei Aegon, e depois partiram para cantar essas canções em todas as fortalezas, castelos e terreiros de aldeia, da Marca de Dorne à Muralha. E assim foi a Conquista tornada gloriosa junto do povo simples, enquanto o próprio Aegon, o Dragão, se transformava num rei herói.

A Rainha Rhaenys também mostrou grande interesse pelo povo e tinha especial carinho por mulheres e crianças. Uma vez, quando estava a dar audiências no Forte de Aegon, um homem foi-lhe levado por ter espancado a mulher até à morte. Os irmãos da mulher queriam vê-lo punido, mas o marido argumentava que fazer o que fez era seu legítimo direito, pois encontrara a mulher na cama com outro homem. O direito de um marido punir uma mulher em falta estava bem estabelecido em todos os Sete Reinos (exceto em Dorne). O marido fez também notar que a vara que usara para espancar a mulher não era mais grossa que o polegar, e até mostrou a vara como prova. Porém, quando a rainha lhe perguntou quantas vezes batera na mulher, o marido não conseguiu responder, mas os irmãos da mulher morta insistiam que tinha havido cem golpes.

A Rainha Rhaenys consultou os meistres e septões e depois apresentou a decisão. Uma mulher adúltera ofendia os Sete, que tinham criado as mulheres para serem fiéis e obedientes aos maridos, e por conseguinte tinha de ser punida. Como deus não tem mais de sete caras, no entanto, a punição devia consistir de apenas seis golpes (pois o sétimo seria do Estranho, e o Estranho é a face da morte). Assim, os primeiros seis golpes que o homem dera tinham sido legítimos… mas os noventa e quatro restantes haviam sido uma ofensa contra os deuses e os homens, e deviam por sua vez ser alvo de punição. Desse dia em diante, a «regra dos seis» passou a fazer parte da lei comum, juntamente com a «regra de ouro». (O marido foi levado até ao sopé da Colina de Rhaenys, onde lhe foram dadas noventa e quatro pancadas pelos irmãos da morta, usando varas do tamanho legal.)

"Apesar de ser a mais velha das três cabeças do dragão, Visenya acabaria por sobre viver a ambos os irmãos, e houve rumores de que nos seus últimos anos, quando já não conseguia brandir uma espada, se dedicara às artes negras, misturando venenos e lançando feitiços malignos."

A Rainha Visenya não partilhava do amor da irmã pela música e as canções. Não era destituída de humor, no entanto, e manteve durante muitos anos o seu próprio bobo, um corcunda hirsuto chamado Lorde Cara de Macaco, cujas palhaçadas a divertiam muito. Quando ele sufocou até à morte com um caroço de pêssego, a rainha adquiriu um macaco e vestiu-o com a roupa do Lorde Cara de Macaco.

— O novo é mais esperto — costumava dizer.

No entanto, havia escuridão em Visenya Targaryen. À maior parte do mundo apresentava a face amarga de uma guerreira, severa e implacável. Mesmo a sua beleza tinha um certo gume, diziam os admiradores. Apesar de ser a mais velha das três cabeças do dragão, Visenya acabaria por sobre viver a ambos os irmãos, e houve rumores de que nos seus últimos anos, quando já não conseguia brandir uma espada, se dedicara às artes negras, misturando venenos e lançando feitiços malignos. Alguns até sugerem que pode ter sido matadora de parentes e regicida, apesar de nunca nenhuma prova ter sido apresentada em suporte de tais calúnias.

Seria uma cruel ironia se fosse verdade, pois na juventude ninguém fez mais do que ela para proteger o rei. Por duas vezes, Visenya brandiu Irmã Escura em defesa de Aegon quando ele foi emboscado por assassinos dorneses. Ora desconfiada, ora feroz, não confiava em ninguém além do irmão. Durante a Guerra de Dorne, habituou-se a usar uma cota de malha de dia e de noite, mesmo sob a roupa de corte, e insistiu com o rei para que fizesse o mesmo. Quando Aegon recusou, Visenya ficou furiosa.

— Mesmo com Fogonegro na mão, não és mais que um homem — disse-lhe — e eu não posso estar sempre contigo. — Quando o rei fez notar que tinha guardas à sua volta, Visenya puxou por Irmã Escura e cortou-lhe a bochecha, tão depressa que os guardas não tiveram tempo para reagir. — Os teus guardas são lentos e preguiçosos — disse. — Podia ter-te matado tão facilmente como te cortei. Precisas de proteção melhor. — O Rei Aegon, sangrando, não teve alternativa a concordar.

Muitos reis tinham campeões para os defenderem. Aegon era o Senhor dos Sete Reinos; por conseguinte, devia ter sete campeões, decidiu a Rainha Visenya. E assim nasceu a Guarda Real; uma irmandade de sete cavaleiros, os melhores do reino, com mantos e armaduras do mais puro branco, sem qualquer propósito além de defender o rei, dando as suas vidas pela dele se necessário. Visenya usou como modelo dos seus votos os da Patrulha da Noite; tal como os corvos de mantos negros da Muralha, as Espadas Brancas serviam de forma vitalícia, abdicando de todas as terras, títulos e bens terrenos para viverem uma vida de castidade e obediência, sem qual quer recompensa além da honra.

Tantos foram os cavaleiros que se apresentaram como candidatos à Guarda Real que o Rei Aegon pensou em organizar um grande torneio a fim de determinar quais deles eram os mais valorosos. Visenya, contudo, não quis ouvir falar de tal ideia. Fez notar que ser um cavaleiro da Guarda Real exigia mais do que mera perícia com as armas. Não correria o risco de colocar homens de lealdade incerta em volta do rei, independentemente de quão bem se saíssem num combate corpo a corpo. Iria escolher os cavaleiros pessoalmente.

Os campeões que selecionou eram jovens e velhos, altos e baixos, de cabelo escuro e claro. Vinham de todos os cantos do reino. Alguns eram filhos mais novos, outros herdeiros de casas antigas, que abdicavam da herança para servir o rei. Um era um cavaleiro andante, outro nascera bastardo. Todos eram rápidos, fortes, perspicazes, hábeis com a espada e o escudo e devotados ao rei. São estes os nomes dos Sete de Aegon, tal como estão escritos no Livro Branco da Guarda Real: Sor Richard Roote; Sor Addison Hill, Bastardo de Campodemilho; Sor Gregor Goode; Sor Griffith Goode, seu irmão; Sor Humfrey, o Saltimbanco; Sor Robin Darklyn, dito PiscoEscuro; e Sor Corlys Velaryon, Senhor Comandante. A história confirmou que Visenya Targaryen escolheu bem. Dois dos seus sete originais viriam a morrer a proteger o rei e todos serviriam com valor até ao fim da vida. Muitos homens valentes seguiram as pegadas deles desde então, escrevendo os nomes no Livro Branco e envergando o manto branco. A Guarda Real permanece sinónimo de honra até aos dias de hoje.

Os Filhos do Dragão

Excerto do capítulo IV

“Os Filhos do Dragão”

(Ilustração de Doug Wheatley)

Em 41 DC, Aenys Targaryen cometeu um erro desastroso, anunciando a sua intenção de dar a mão da filha Rhaena em casamento ao irmão, Aegon, herdeiro do Trono de Ferro.

A princesa tinha dezoito anos, o príncipe quinze. Eram chegados desde a infância, companheiros de brincadeira quando eram novos. Embora Aegon nunca tivesse reclamado um dragão seu, ascendera aos céus por mais de uma vez com a irmã, montado em Fogonírico. Esguio, bonito e todos os anos mais alto, muitos diziam que Aegon era a imagem precisa do avô quando este fora da mesma idade. Três anos de serviço como escudeiro tinham-lhe aguçado a perícia com a espada e o machado, e era geralmente visto como o melhor jovem lanceiro de todo o reino. Nos últimos tempos, muitas jovens donzelas tinham deitado os olhos ao príncipe, e Aegon não era indiferente aos encantos delas. «Se o príncipe não for casado em breve», escrevera o Grande Meistre Gawen à Cidadela, «Sua Graça poderá em breve ser obrigado a lidar com um neto bastardo.»

A Princesa Rhaena também tinha muitos pretendentes mas, ao contrário do irmão, não encorajava nenhum. Preferia passar os dias com os irmãos, os cães e os gatos e a mais recente favorita, Alayne Royce, filha do Senhor de Pedrarruna… uma rapariga rechonchuda e pouco atraente mas tão querida que Rhaena a levava por vezes a voar no dorso de Fogonírico, tal como fazia com o irmão Aegon. Era mais frequente, porém, Rhaena subir aos céus sozinha. Após o décimo sexto dia do seu nome, a princesa declarou-se mulher feita, «livre para voar para onde me apeteça». E realmente voava. Fogonírico foi visto em paragens tão longínquas como Harrenhal, Tarth, Pedrarruna, Vila Gaivota. Sussurrouse (embora nunca tenha sido provado) que em um desses voos Rhaena entregou a flor da sua virgindade a um amante plebeu. Um cavaleiro andante, segundo uma história; outras chamaram-lhe cantor, filho de ferreiro, septão de aldeia. À luz dessas histórias, alguns sugeriram que Aenys pode ter sentido necessidade de ver a filha casada assim que possível. Independentemente da verdade de tal conjetura, aos dezoito anos Rhaena estava certamente em idade de casar, sendo três anos mais velha do que a mãe e o pai eram aquando do seu casamento.

Dadas as tradições e práticas da Casa Targaryen, uma união entre os dois filhos mais velhos deve ter parecido ao Rei Aenys o caminho óbvio. O afeto entre Rhaena e Aegon era bem conhecido, e nenhum levantou qual quer objeção ao casamento; na verdade, há muitos factos a sugerir que ambos podiam já contar com precisamente tal parceria desde que começaram a brincar juntos nos quartos de crianças de Pedra do Dragão e da Fortaleza de Aegon.

A tempestade que recebeu o anúncio real apanhou-os a todos de surpresa, embora os sinais de aviso fossem bastante claros para aqueles que tivessem inteligência suficiente para os ler. A Fé perdoara, ou pelo menos ignorara, o casamento do Conquistador com as irmãs, mas não estava disposta a fazer o mesmo com os seus netos. Do Septo Estrelado veio uma virulenta condenação, denunciando o casamento de irmão com irmã como uma obscenidade. Quaisquer crianças nascidas de uma tal união seriam «abominações aos olhos dos deuses e dos homens», proclamou o Pai dos Fiéis, numa declaração que foi lida por dez mil septões ao longo de todos os Sete Reinos.

Aenys Targaryen era tristemente famoso pela sua indecisão mas aqui, confrontado com a fúria da Fé, mostrou-se rígido e obstinado. A Rainha Viúva Visenya avisou-o de que tinha apenas duas alternativas: ou abandonava o casamento e arranjava outros noivos para o filho e a filha, ou montava no dragão Mercúrio para voar até Vilavelha e queimar o Septo Estrelado em volta da cabeça do Alto Septão. O Rei Aenys não fez nem uma coisa nem a outra. Em vez disso limitou-se a insistir.

No dia do casamento, as ruas junto ao Septo da Lembrança — construído no topo da Colina de Rhaenys e batizado em honra da rainha caída do Dragão — estavam ladeadas por Filhos do Guerreiro envergando reluzentes armaduras prateadas, a tomar nota de cada um dos convidados do casamento à medida que eles iam passando a pé, a cavalo ou em liteiras. Os nobres mais sensatos, talvez já a contar com isso, tinham-se mantido afastados.

Aqueles que vieram testemunhar a ocasião viram mais que um casamento. No banquete após a cerimónia, o Rei Aerys agravou as suas falhas de discernimento ao conferir o título de Príncipe de Pedra do Dragão ao herdeiro presuntivo, o Príncipe Aegon. Perante essas palavras, um silêncio caiu no salão, pois todos os presentes sabiam que esse título tinha até aí pertencido ao Príncipe Maegor. Na mesa elevada, a Rainha Visenya ergueu-se e saiu da sala a passos largos sem a licença do rei. Nessa noite, montou em Vhagar e regressou a Pedra do Dragão, e está escrito que, quando o dragão passou em frente da lua, a orbe ficou vermelha como o sangue.

"Na mesa elevada, a Rainha Visenya ergueu-se e saiu da sala a passos largos sem a licença do rei. Nessa noite, montou em Vhagar e regressou a Pedra do Dragão, e está escrito que, quando o dragão passou em frente da lua, a orbe ficou vermelha como o sangue."

Aenys Targaryen não pareceu compreender até que ponto pusera o reino contra si. Pensando em reconquistar os favores do povo, decretou que o príncipe e a princesa fariam uma viagem régia pelo reino, lembrando sem dúvida as aclamações que o tinham recebido em todos os lugares que visitara durante as suas viagens. Talvez mais sensata que o pai, a Princesa Rhaena pediu-lhe licença para levar o dragão Fogonírico com eles, mas Aenys proibiu. Como o Príncipe Aegon ainda não montara um dragão, o rei temia que os nobres e os comuns pudessem julgar o filho pouco viril se vissem a mulher sobre o dorso de um dragão e ele num palafrém. O rei cometera erros grosseiros de avaliação do estado de espírito no reino, da piedade do povo e do poder das palavras do Alto Septão. Desde o dia da sua partida, Aegon, Rhaena e a escolta foram escarnecidos por multidões de Fiéis, fossem para onde fossem. Em Lagoa da Donzela, não se encontrou um único septão disposto a proferir uma bênção no banquete que o Lorde Mooton organizou em sua honra. Quando chegaram a Harrenhal, o Lorde Lucas Harroway recusou-se a deixá-los entrar no castelo, a menos que concordassem em reconhecer a filha Alys como a verdadeira e legítima esposa do tio. Ao recusar, os príncipes não ganharam nenhuma amizade junto dos piedosos, mas uma noite fria e húmida passada em tendas perto das altíssimas muralhas do poderoso castelo do Harren Negro. Numa aldeia nas terras fluviais, vários Pobres Companheiros chegaram ao ponto de arremessar torrões de terra ao casal real. O Príncipe Aegon puxou pela espada para os punir e teve de ser contido pelos seus próprios cavaleiros, pois a comitiva do príncipe estava em grande inferioridade numérica. Contudo, isso não impediu a Princesa Rhaena de ir a cavalo até junto deles e dizer:

— Vejo que sois destemidos quando enfrentais uma rapariga a cavalo. Da próxima vez que eu vier, estarei montada num dragão. Atirai-me terra nessa altura, peço-vos.

Noutros pontos do território as coisas iam de mal a pior. O Septão Murmison, Mão do Rei, foi expulso da Fé em punição por ter celebrado a cerimónia nupcial proibida, após o que o próprio Aenys pegou na pena para escrever ao Alto Septão, pedindo que Sua Alta Santidade voltasse a acolher «o meu bom Murmison» e explicando a longa história de casamentos entre irmão e irmã da antiga Valíria. A resposta do Alto Septão foi tão venenosa que Sua Graça empalideceu ao lê-la. Longe de ceder, o Pastor dos Fiéis dirigiu-se a Aenys como «Rei Abominação», declarando-o pretendente e tirano, sem qualquer direito a governar os Sete Reinos.

Os Fiéis estavam à escuta. Menos de quinze dias depois, quando o Septão Murmison estava a atravessar a cidade na sua liteira, um grupo de Pobres Companheiros saiu numa correria de uma viela e fê-lo em pedaços com os machados. Os Filhos do Guerreiro começaram a fortificar a Colina de Rhaenys, transformando o Septo da Lembrança na sua cidadela. Com a Fortaleza Vermelha ainda a anos de ficar completa, o rei decidiu que a sua residência no topo da Colina de Visenya era demasiado vulnerável e fez planos para partir para Pedra do Dragão com a Rainha Alyssa e os filhos mais novos. Essa precaução revelou-se sensata. Três dias antes da data marcada para a partida, os Pobres Companheiros escalaram os muros da residência e introduziram-se no quarto do rei. Só a atempada intervenção da Guarda Real salvou Aenys de uma morte ignóbil.

Sua Graça estava a trocar a Colina de Visenya pela Visenya propriamente dita. Em Pedra do Dragão, a Rainha Viúva cumprimentou-o com uma frase famosa:

— Sois um tolo e um fracote, sobrinho. Julgais que algum homem se teria atrevido a falar assim ao vosso pai? Tendes um dragão. Usai-o. Voai até Vilavelha e transformai aquele Septo Estrelado noutro Harrenhal. Ou dai-me autorização e deixai-me assar este piedoso palerma por vós. — Aenys não quis ouvir falar de tal coisa. Em vez disso mandou a Rainha Viúva para os seus aposentos na Torre do Dragão Marinho e ordenou-lhe que aí permanecesse.

Em finais de 41 DC, a maior parte do território estava profundamente mergulhada nas convulsões de uma rebelião aberta contra a Casa Targaryen. Os quatro falsos reis que tinham surgido após a morte de Aegon, o Conquistador, agora pareciam outros tantos tontos afetados quando com parados com a ameaça que esta nova revolta constituía, pois estes rebeldes julgavam-se soldados dos Sete, a combater uma guerra santa contra uma tirania ímpia.

Dúzias de piedosos senhores de todos os Sete Reinos fizeram soar o grito da revolta, arreando os estandartes do rei e declarando apoio ao Septo Estrelado. Os Filhos do Guerreiro capturaram as portas de Porto Real, o que lhes deu controlo sobre quem entrava ou saía da cidade, e afastaram os homens da inacabada Fortaleza Vermelha. Milhares de Pobres Companheiros lançaram-se à estrada, forçando viajantes a declarar se estavam «com os deuses ou com a abominação» e protestando junto a portas de castelos até os senhores destes aparecerem para denunciar o Rei Targaryen. Nas terras ocidentais, o Príncipe Aegon e a Princesa Rhaena foram forçados a abandonar a viagem real e a abrigar-se no castelo de Paço de Codorniz. Um emissário do Banco de Ferro de Bravos, enviado de Vilavelha para negociar com Martyn Hightower, o novo Senhor da Torralta e voz de Vilavelha (tendo o pai, o Lorde Manfred, morrido algumas luas antes), escreveu para casa dizendo que o Alto Septão era «o verdadeiro rei de Westeros, em tudo menos em nome».

A chegada do novo ano foi encontrar o Rei Aenys ainda em Pedra do Dragão, doente de medo e indecisão. Sua Graça não tinha mais de trinta e cinco anos de idade, mas disse-se que parecia um homem de sessenta anos, e o Grande Meistre Gawen relatou que era frequente recolher-se à cama com as tripas soltas e cãibras estomacais. Quando nenhuma das curas do Grande Meistre se mostraram eficazes, a Rainha Viúva tomou a saúde do rei a seu cargo, e Aenys pareceu melhorar durante algum tempo… mas sofreu um súbito colapso quando lhe chegou a notícia de que milhares de Pobres Companheiros tinham cercado Paço de Codorniz, onde o filho e a filha eram «hóspedes» relutantes. Três dias mais tarde, o rei estava morto.

Tal como o pai, Aenys Targaryen, o Primeiro do Seu Nome, foi entregue às chamas no pátio de Pedra do Dragão. Ao seu funeral assistiram os filhos Viserys e Jaehaerys, com doze e sete anos, respetivamente, e a filha Alysanne, com cinco. A viúva, a Rainha Alyssa, cantou uma endecha por ele e foi o seu amado Mercúrio quem acendeu a pira, embora tenha ficado registado que os dragões Vermithor e Alaprata acrescentaram fogo ao dele. A Rainha Visenya não esteve presente. Antes de se ter passado uma hora após a morte do rei, já ela montara em Vhagar e voara para leste, através do Mar Estreito. Quando regressou, o Príncipe Maegor vinha com ela, montado em Balerion.

Maegor desceu em Pedra do Dragão apenas durante tempo suficiente para reclamar a coroa; não a ornamentada coroa de ouro que Aenys preferira, com as suas imagens dos Sete, mas a coroa de ferro incrustada de rubis vermelhos como sangue, do pai de ambos. A mãe colocou-lha na cabeça e os nobres e cavaleiros lá reunidos ajoelharam quando ele se proclamou Maegor da Casa Targaryen, o Primeiro do Seu Nome, Rei dos Ândalos, dos Roinares e dos Primeiros Homens, Senhor dos Sete Reinos e Protetor do Território.

"Maegor desceu em Pedra do Dragão apenas durante tempo suficiente para reclamar a coroa; não a ornamentada coroa de ouro que Aenys preferira, com as suas imagens dos Sete, mas a coroa de ferro incrustada de rubis vermelhos como sangue, do pai de ambos."

Só o Grande Meistre Gawen se atreveu a levantar objeções. Segundo todas as leis da sucessão, disse o idoso meistre, leis que o próprio Conquistador reafirmara após a Conquista, o Trono de Ferro devia passar para o filho do Rei Aenys, Aegon.

— O Trono de Ferro será do homem que tiver a força para o conquistar — respondeu Maegor. E ali mesmo decretou a execução imediata do Grande Meistre, cortando pessoalmente a velha cabeça grisalha de Gawen com um único golpe de Fogonegro.

A Rainha Alyssa e os filhos não estavam disponíveis para ser testemunhas da coroação do Rei Maegor. Ela levara-os de Pedra do Dragão meras horas após o funeral do marido, fazendo a travessia até ao castelo do senhor seu pai na vizinha Derivamarca. Quando foi informado, Maegor encolheu os ombros… e depois retirou-se com um meistre para a Sala da Mesa Pintada, a fim de ditar cartas a senhores grandes e pequenos espalhados por todo o reino.

Uma centena de corvos levantou voo nesse dia. No dia seguinte, Maegor também levantou voo. Montado em Balerion, atravessou a Baía da Água Negra até Porto Real, acompanhado pela Rainha Viúva Visenya montada em Vhagar. O regresso dos dragões desencadeou motins na cidade, quando centenas de pessoas tentaram fugir e se depararam com as portas fechadas e trancadas. Os Filhos do Guerreiro controlavam as muralhas da cidade, os fossos e pilares daquilo que viria a ser a Fortaleza Vermelha, e a Colina de Rhaenys, onde tinham transformado o Septo da Lembrança na sua fortaleza. Os Targaryen içaram os estandartes no topo da Colina de Visenya e chamaram todos os homens leais para se congregarem a eles. Foram milhares os que o fizeram. Visenya Targaryen proclamou que o filho Maegor viera para ser seu rei.

— Um verdadeiro rei, do sangue de Aegon, o Conquistador, que foi meu irmão, meu marido e meu amor. Se algum homem questionar o direito do meu filho ao Trono de Ferro, pois que prove com o corpo o que afirma.

Os Filhos do Guerreiro não demoraram a aceitar o desafio. E lá cavalgaram pela Colina de Rhaenys abaixo, setecentos cavaleiros cobertos de aço prateado e liderados pelo seu grão capitão, Sor Damon Morrigen, dito Damon, o Devoto.

— Não troquemos palavras — disse-lhe Maegor. — As espadas decidirão esta questão. — Sor Damon concordou; os deuses concederiam a vitória ao homem cuja causa fosse justa, disse.

— Que cada lado tenha sete campeões, como se fazia na Ândalos de antigamente. Conseguis encontrar seis homens para se porem ao vosso lado? — Pois Aenys levara a Guarda Real para Pedra do Dragão e Maegor estava sozinho.

O rei virou-se para a multidão.

— Quem quer vir pôr-se ao lado do seu rei? — gritou. Muitos viraram a cara com medo ou fingiram não ter ouvido, pois o valor dos Filhos do Guerreiro era conhecido de todos. Mas por fim houve um homem que se ofereceu: não um cavaleiro, mas um simples homem de armas que chamava a si mesmo Dick Feijão.

— Sou um homem do rei desde que era rapaz — disse. — Tenciono morrer como um homem do rei.

Só então o primeiro cavaleiro avançou.

— Este feijão humilha-nos a todos! — gritou. — Será que não há aqui verdadeiros cavaleiros? Não haverá aqui homens leais? — Quem falou foi Bernarr Brune, o escudeiro que tinha matado Harren, o Vermelho, e fora armado cavaleiro pelo Rei Aenys em pessoa. O seu escárnio levou outros a oferecer as espadas. Os nomes que Maegor escolheu estão escritos em letras grandes na História de Westeros: Sor Bramm de Cascanegra, um cavaleiro andante; Sor Rayford Rosby; Sor Guy Lothston, dito Guy, o Glutão; e Sor Lucifer Massey, Senhor de Bailepedra.

Os nomes dos sete Filhos do Guerreiro também nos chegaram. Foram eles: Sor Damon Morrigen, dito Damon, o Devoto, Grão Capitão dos Filhos do Guerreiro; Sor Lyle Bracken; Sor Harys Horpe, dito Harry Cabeça da Morte; Sor Aegon Ambrose; Sor Dickon Flowers, o Bastardo de Abelheira; Sor Willam, o Vagabundo; e Sor Garibald das Sete Estrelas, o cavaleiro septão. Está escrito que Damon, o Devoto, dirigiu uma prece, suplicando ao Guerreiro para conferir força aos braços dos seus. Depois, a Rainha Viúva deu a ordem de início. E a luta começou.

Dick Feijão foi o primeiro a morrer, abatido por Lyle Bracken meros instantes depois do início do combate. Depois disso, os relatos diferem marcadamente. Um cronista diz que quando o monumentalmente gordo Sor Guy, o Glutão, sofreu um golpe na barriga, os restos de quarenta tartes semi-digeridas derramaram-se para o exterior. Outro afirma que Sor Garibald das Sete Estrelas cantou um hino enquanto combatia. São vários os que nos dizem que o Lorde Massey cortou o braço de Harry Horpe. Num dos relatos, o Harry Cabeça da Morte atirou o machado de guerra para a outra mão e enterrouo entre os olhos do Lorde Massey. Outros cronistas sugerem que Sor Harys simplesmente morreu. Alguns dizem que a luta se prolongou durante horas, outros que a maior parte dos combatentes estava caída e moribunda em meros momentos. Todos concordam que grandes feitos foram realizados e poderosos golpes foram trocados, até que o fim foi encontrar Maegor Targaryen sozinho contra Damon, o Devoto, e Willam, o Vagabundo. Ambos os Filhos do Guerreiro estavam gravemente feridos  e Sua Graça tinha Fogonegro na mão, mas, mesmo assim, o combate foi renhido. No momento em que caía, Sor Willam desferiu contra o rei um terrível golpe na cabeça que lhe rachou o elmo e o deixou sem sentidos. Muitos julgaram Maegor morto até que a mãe lhe tirou o elmo quebrado.

— O rei respira — disse ela. — O rei vive. — A vitória era sua.

ilustração de Raquel Martins.

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