“O ensino em Portugal é financeiramente atrativo”, mas o mesmo não acontece do ponto de vista intelectual. Quem o diz é o responsável para a Educação e Competências da OCDE, Andreas Schleicher, que defende que tudo começa com os líderes das escolas (a quem aponta o dedo): “Os diretores sabem todos os procedimentos, mas não são muito bons em termos de liderança pedagógica.” Para o alemão, desde cedo que os professores deviam comunicar os seus objetivos dentro da escola aos diretores e, depois, investir na sua evolução profissional. “Mas em Portugal, tornas-te professor e ficas assim o resto da vida. Não há nada em termos de perspetivas de carreira”, critica.
O sistema português precisa também de trazer para as escolas professores de outras áreas que não o ensino, porque é precisamente isso que faz um bom sistema educativo: “Julga as pessoas pela sua competência e não pelo seu percurso”. O Governo tem procurado incentivar a entrada de pessoas sem habilitação própria no ensino — mas se a decisão for tomada apenas como forma de “preencher um buraco”, o princípio é errado. É preciso é “explicar que estamos a chamar as pessoas que são as melhores na sua área”, diz o especialista formado em estatística.
Schleicher está na OCDE há mais de duas décadas e, pelo caminho, criou e implementou o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que avalia o desempenho e competências os alunos — realidade que, no caso português, piorou. Falou em Educação falou ao Observador no âmbito do 5.º aniversário da organização sem fins lucrativos Teach For Portugal, focada em diminuir a desigualdade educativa, e que, segundo Schleicher, pode contribuir para inovar verdadeiramente a educação — só que, para isso, Portugal tem de abrir portas a este tipo de colaborações.
“Devemos dar à escola um papel relevante no processo de contratação de professores”
Como classifica o desempenho escolar dos alunos portugueses?
Portugal é um dos poucos países que tem visto um aumento consistente (do desempenho dos alunos). Tem havido um declínio nos últimos anos, mas, em geral, nos últimos 20 anos, Portugal tem sido um caso de sucesso. A qualidade da educação aumentou, apesar de ainda haver espaço para melhorias. O que muitas pessoas em Portugal não apreciam é que os estudantes não estão apenas a reter o que aprendem, mas também a envolver-se na escola. E isso é muito importante no século XXI. A qualidade das relações sociais também é bastante positiva. No mundo atual precisamos de viver e trabalhar com pessoas que são diferentes de nós, e em Portugal essas qualidades são bastante bem desenvolvidas. Ao olharmos para trás, as coisas parecem estar muito melhores do que há 20 anos e isso não acontece com outros países, como França ou Alemanha, onde não temos visto grandes mudanças nos últimos anos.
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Na última edição do PISA, a Criatividade dos alunos portugueses foi positiva. Mas, em comparação com Matemática ou Ciência, os alunos tiveram piores resultados. O que é que este resultado nos diz?
Seria um erro olhar para a Criatividade e a Matemática ou Ciência como dois lados opostos no espectro. Temos de conseguir conciliar as diferentes competências e isso é importante para Portugal. Quando olhamos para a educação da Matemática, há muito foco, ainda, em ter os alunos simplesmente a reproduzir o que aprendem. Aprendem fórmulas matemáticas e equações e há muito pouco empenho na capacidade de aplicar, usar e extrapolar conhecimento. Se as aulas de Matemática forem mais focadas no pensamento matemático (ao invés de memorizar tudo) vamos também melhorar a criatividade. As duas coisas devem caminhar de mão dada. Mas, ao mesmo tempo, é importante apostar nas bases. Se os alunos não têm conhecimentos bons de literatura ou números, terão muito menos oportunidades no futuro. E aqui falamos, por exemplo, da participação no processo democrático, ou até de saber distinguir factos de opiniões.
Como podemos melhorar o desempenho dos alunos e aumentar o interesse na escola?
A última parte talvez seja mais importante. Devíamos começar pela participação dos alunos na escola. Quando olhamos para os sistemas de educação mais avançados, vemos isso. A participação nasce da qualidade das relações; quando os alunos sentem que o professor os conhece, que sabe quem querem saber e que apoiam o seu percurso. Aí, sim, os alunos vão ser capazes de investir na escola. Os professores são quem mostra aos jovens o seu futuro. Em Portugal, quando os alunos sentem que os professores são rudes ou não são bons para eles, ficam muito mais ansiosos sobre o seu futuro e o seu desempenho em Matemática, por exemplo. Melhorar o desempenho a Matemática ou reduzir a ansiedade dos alunos consegue-se ao aumentar o apoio dado pelos professores. E essa é uma lição muito importante para Portugal, tem de melhorar isso. A escola é um lugar onde há uma sensação de pertença; de identidade.
Como é que os professores podem melhorar esse apoio?
Os alunos não podem ser motivados simplesmente com frases como: “Se acabares o secundário vais para a universidade.” Principalmente alunos de contextos menos privilegiados. Estes alunos talvez não saibam o que é a universidade, nem sabem por que motivo devem estudar muito desde a escola primária. Por isso, é importante que o professor não seja apenas um bom professor, mas também um bom treinador; mentor; facilitador, e, às vezes, um bom trabalhador social. Nos sistemas de educação com melhor funcionamento, como Estónia (na Europa) ou Singapura (na Ásia), os professores passam muito tempo com os alunos fora da sala de aula e é assim que se incentiva a participação. Além disto, os professores devem tornar-se mestres de estratégicas de aprendizagem efetivas, ou seja, ensinar os alunos a aprender. É fácil ensinar os alunos a calcular uma função exponencial, mas é muito mais difícil ajudá-los a entender a ideia, o conceito dessa função. Este tipo de lógica não está muito bem desenvolvido em Portugal: os alunos são muito bons nos procedimentos, nas mecânicas, mas não dominam o raciocínio. E é daí que vem a motivação.
Criar esse tipo de relacionamento entre alunos e professores é possível em Portugal? Na escola pública, para cada professor há cerca de 30 alunos. Como é que isto se faz?
Se olharmos para o rácio alunos/professores, este é bastante razoável em Portugal. Em alguns dos países mais prestigiados, as turmas são ainda maiores. No Japão costumavam ter 40 alunos e na China 55. O tipo de trabalho que se faz não tem tanto que ver com o tamanho da turma, mas com a identidade profissional do professor, ou seja, se o professor se vê como um treinador, um trabalhador social, alguém que se responsabiliza pelas vidas dos alunos. Mas isto não é fácil de fazer e é preciso criar um bom ambiente na escola, algo que depende muito das lideranças, da existência de diretores que criem uma cultura colaborativa.
Em Portugal há escolas com o mesmo diretor há anos. Devia ser definida a duração de cada mandato?
Há diferentes modelos para isso. A minha resposta vai noutro sentido: no primeiro dia, quando uma pessoa chega à escola como professor, o diretor deve perguntar o que deseja fazer com a sua vida. E, se quiser uma carreira dedicada à liderança, o diretor deve dar formação e apoio desde o primeiro dia nesse sentido. O mesmo se quiser desenvolver currículo académico numa determinada área ou acompanhar alunos com necessidades especiais. Mas em Portugal, tornas-te professor e ficas professor para o resto da sua vida. Não há nada em termos de perspetivas de carreira. E isso não torna o ensino interessante. De certa forma, podemos dizer que o ensino em Portugal é financeiramente atrativo — não é mal pago — mas intelectualmente não é atrativo.
É preciso dar aos professores uma carreira intelectualmente interessante?
Sim. E é por isso que a liderança é tão importante. É o diretor da escola que permite ao professor percorrer um certo percurso, que percebe quais são os teus pontos fortes e fracos e os trabalha. Em Portugal há muitas lideranças administrativas: os diretores sabem todos os procedimentos, mas não são muito bons em termos de liderança pedagógica. Os líderes da escola são também líderes pedagógicos, responsáveis pelo desenvolvimento dos seus recursos humanos. E isso é muito importante. Se sentirmos que a escola é um lugar onde podemos confiar no nosso líder, então a escola passa a ser um lugar onde sentes que tens oportunidades. Mas a capacidade de liderança não cai do céu, não se aprende em programas universitários. Tenho quase certeza de que não te tornas um bom líder ao ir para a universidade. Construir liderança fora do percurso normal do ensino é algo significativo. E, aí, organizações como a Teach for Portugal podem fazer uma grande diferença.
Que papel é que estas organizações podem ter, concretamente? E como é que o nosso sistema educativo as pode incluir mais?
Pode haver muito mais integração destas organizações no sistema português, sem dúvida. O ponto de partida tem de ser: olhar para essas organizações como catalisadoras para a inovação. O ensino é bastante monolítico: as pessoas passam por uma formação específica na universidade, depois tornam-se professoras e continuam professoras. Organizações como o Teach for Portugal podem trazer talento de outras esferas e isso é muito significativo para os alunos. Se à nossa frente estiver alguém que não tem toda a formação pedagógica esperada, mas que é bom no que ensina e que tem paixão, isso é muito importante para os jovens. E isto pode até mudar o ambiente nas escolas. Em Inglaterra, por exemplo, o Teach for England é a forma preferida das escolas para recrutar professores. Porquê? Porque essas pessoas têm um nível de motivação diferente e trazem outra perspetiva. Porque mostram que o ensino não é uma bolha isolada da sociedade.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Que competências é que estas organizações conseguem trazer para o ensino que os nossos professores não têm?
Primeiro que tudo, trazem uma espécie de “ambiente real” para os temas que são ensinados. Porque podes não te ter formado enquanto professor de Ciências, mas és um cientista. E o mesmo com um advogado. É importante trazer essa autenticidade para o ensino. Em alguns países a Biologia pode ser ensinada por um enfermeiro, ou a Física por um mecânico. E isso acaba por ser eficaz. Os jovens gostam de aprender com pessoas reais, trabalhar em problemas reais e fazer erros que têm consequências reais, criando autenticidade. É isso que a educação não tem. E, em segundo lugar — e digo isto abertamente: trazem paixão. Por vezes, falta paixão. Se um professor sair da universidade e for enviado para uma escola carenciada com muitos problemas, vai olhar para isso como um castigo e vai procurar forma de mudar. Se tivermos alguém que diga que foi para isso que se tornou professor, muda tudo. E os alunos são os primeiros a ver isso. Os alunos são os primeiros a ver se um professor está lá porque foi enviado lá ou porque quer. A escola trabalha melhor como empresa social, não como estrutura governamental ou administrativa.
O Governo está, precisamente, a tentar trazer para a escola professores que se especializaram em áreas que não o ensino, para dar resposta à falta de docentes. Mas a decisão tem sido criticada.
É tudo uma questão da narrativa construida. Se a narrativa é sobre preencher um buraco, eu não gostaria que o meu filho estudasse numa dessas escolas. Mas se quisermos explicar que estamos a chamar as pessoas que são melhores na sua área, que conhecem o que ensinam e que estão motivadas, é diferente. Em Inglaterra, por exemplo, agora que as escolas podem escolher os seus professores, estão no topo. As escolas e a sociedade descobriram rapidamente que às vezes a motivação, o interesse e o empenho têm mais peso do que a formação habitual. Precisamos de valorizar mais os professores pelo que sabem e podem fazer. Um bom sistema de ensino dever julgar as pessoas pela sua competência, não pelo seu percurso. E Portugal é bastante extremo no sentido em que os caminhos são muito limitadores. Se queres ser professor de Ciência, tens de ir por ali; se és engenheiro e perdeste alguma coisa [crédito] na universidade, não podes tornar-te professor. Este não é um bom sistema. Na Finlândia, por exemplo, no primeiro ano há uma preparação académica para te tornares um professor. No segundo ano, trabalhas nas escolas e és avaliado por outros colegas na escola. É um tipo de abordagem muito diferente. Além disto, têm oito candidatos e só um se tornará professor. É muito difícil ser professor, e a maioria das seleções acontece nas escolas com base no que consegues fazer. Olham menos para as habilidades académicas e mais para o talento e motivação. Um pouco dessa abordagem seria bom para Portugal.
Mencionou que em Inglaterra as escolas podem escolher os seus próprios professores. As escolas portuguesas deviam ter mais autonomia para fazer o mesmo?
Eu acho que é algo bom, mas isso requer uma grande capacidade de gestão de recursos humanos nas escolas. Não devemos ir para extremos: ou o Governo contrata ou as escolas contratam. O Governo deve fazer a seleção final, mas devia ser dado um papel mais relevante à escola nesse processo, o diretor devia um papel na contratação/recrutamento para que pelo menos possa ver as pessoas que querem estar naquela escola e expressar a sua opinião. Às vezes, precisamos de pessoas que se encaixem no contexto/realidade, que se encaixem no meio ambiente social da sua escola, que se relacionem com os pais e alunos. A contratação inteiramente pelas escolas pode ser demais, mas acho que devemos dar à escola um papel relevante no processo.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
“A pior combinação é alargar a tecnologia nas escolas sem construir as bases”
Sobre tecnologia aplicada à educação, como é que esta inclusão pode ser feita? Em Portugal há escolas em que o wi-fi não funciona, por exemplo. E alunos sem acesso a computadores.
As competências digitais mais importantes não exigem tecnologia para serem ensinadas. Exemplo disso é o teste PISA, onde olhámos para a literatura digital: o melhor medidor foi o número de alunos que já leram livros com mais de 100 páginas. Ao lermos um livro deste tamanho, temos de construir uma representação mental de algo que é complexo, temos de analisar personagens, opiniões. Estas são competências valiosas na era digital. Há muito que podemos fazer para dar aos alunos habilidades cognitivas, sociais e emocionais para criar contextos significativos através da tecnologia. Portanto, podemos ter wi-fi, mas não ter competências digitais. A pior combinação possível é alargar a tecnologia nas escolas sem construir as bases para isso primeiro. E os resultados do PISA em Portugal mostram que isso está em falta no país, porque muitos jovens não conseguem distinguir opiniões de factos. Depois, devemos introduzir a tecnologia como forma de aumentar a criatividade e minimizar o uso consumidor. Em Portugal, por exemplo, o uso do telemóvel tem um impacto muito negativo na aprendizagem, nos resultados social e emocionais e na satisfação com a vida.
O Governo já recomendou o fim do uso de telemóveis nas escolas…
O uso estrutural da tecnologia pode ser bom — alguns professores são bons a fazê-lo — mas o uso de aparelhos para fins pessoais na escola tem uma influência muito negativa. As escolas precisam de encontrar uma forma de dar a volta à questão. Não se deve pôr tanta ênfase na tecnologia, mas mais na disposição e capacidade cognitiva, social e emocional implícita. A tecnologia requer que te consigas gerir a ti mesmo, é muito viciante, tens de tomar boas decisões, gerir o teu tempo e atenção. E isso não é fácil, especialmente nos jovens. Então, como professor, esse é o ponto de partida: criar bases. E depois introduzir tecnologia, que é algo com grande potencial. Há oportunidades incríveis hoje em dia, mas devemos começar com a pedagogia e não com a tecnologia.
Na última edição da PISA foram avaliadas as competências de pensamento criativo — que já abordámos. O que podemos esperar na próxima edição?
Estamos a trabalhar em algo que chamamos de aprendizagem no mundo digital. Isto é a capacidade de direcionar a nossa própria aprendizagem no mundo digital, ou seja, os alunos definirem os seus próprios objetivos de aprendizagem, monitorizarem o seu progresso e sentirem-se confortáveis. O meu sonho futuro para o PISA e para a avaliação que é feita é que acabe o divórcio entre aprendizagem e avaliação. Em Portugal, isto é facilmente visível: é pedido aos alunos que acumulem aprendizagem durante 9, 10, 12 anos. E depois dizemos-lhes para virem fazer um exame e dizerem tudo o que aprenderam, sempre num ambiente forçado. Esse tipo de avaliação torna a aprendizagem e o ensino superficial. O volume de matéria que os alunos em Portugal aprendem é muito maior do que em muitos países da OCDE, mas a profundidade da aprendizagem é muito pequena. E isso é o resultado do sistema de exames que testam pequenos pedaços de informação. O divórcio entre aprendizagem e avaliação é o problema que afeta tanto a educação aqui como em outros lugares.
Qual é a solução?
O futuro está em integrar a aprendizagem e a avaliação. Este ano, no PISA, temos uma componente em que não avaliamos apenas se a tarefa está bem ou mal, mas também o processo, a forma como se chegou lá. E, por isso, a tecnologia deve estar presente, mas não visível para os alunos. A primeira vez que vi isto em ação foi em 2018, antes da pandemia, em Shanghai. Os professores estavam a ensinar caligrafia às crianças, algo muito difícil porque têm de aprender 4 mil caracteres. É imenso! Portanto, os alunos desenhavam os caracteres na mesa, com pincel e tinta, e dentro das mesas tinham scanners integrados. Em cima da mesa, os alunos tinham um telemóvel que lhes dava feedback em tempo real sobre a qualidade do seu trabalho. Ou seja, os alunos não tinham que esperar três dias até que o professor tivesse corrigido os trabalhos. E o professor não tinha 55 exercícios para avaliar. Aí, ter 55 alunos na turma deixa de ser um problema. Além disto, a integração de feedback contínuo também é algo muito motivador para os alunos… Porque é que os jovens gostam de jogar jogos? Por causa da avaliação constante da sua prestação.
Devíamos implementar isto no nosso sistema escolar?
Sim. Há muitas oportunidades para fazer a aprendizagem mais pessoal, até para alunos com necessidades especiais. As aulas, às vezes, não são um bom ambiente para eles. Ou até mesmo para alunos com deficiências físicas. Eu vejo um potencial enorme para tornar a sua aprendizagem mais pessoal, adaptava e interativa.
Mas para isso precisaríamos de um investimento maior na educação?
Sim, mas não acho que o custo associado seja um argumento válido. Porque os custos são pequenos comparado com o que se investe em pessoal atualmente.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Sobre alunos com necessidades educativas especiais, em Portugal não há profissionais suficientes para dar resposta. Esta tecnologia, adaptada a estes alunos, tornaria a realidade mais fácil?
A ideia de que um professor tem de procurar ajuda para conseguir dar resposta a alunos com necessidades especiais não é boa. Contratar mais e mais especialistas em escolas também não. E há um exemplo negativo em Inglaterra. Há 15 anos os professores queixavam-se muito disso e de que tinham muita carga de trabalho e disseram que precisavam de ajuda/apoio. Naquela época, o Governo aceitou. Era o Governo de Tony Blair. Colocou um monte de dinheiro na educação e cada sala de aula recebeu um professor de apoio. Só que, 15 anos depois, os professores continuam a queixar-se da mesma carga de trabalho e disseram que a educação se tornou menos atrativa. Porquê? Porque sentem que não se conseguem conectar com os alunos. E os alunos com necessidades especiais deixaram de ver o professor, porque está sempre “entregue” àquela pessoa específica. Portanto, não sei se esta será uma boa abordagem. Acho que a melhor abordagem é dar aos professores mais tempo para estar com os alunos fora da sala de aula, talvez menos horas de ensino, mais tempo para se relacionarem com os alunos. Talvez a curto prazo isto resolva um problema. Mas a longo prazo vai criar maior distância entre professores e alunos. E também cria uma mentalidade em que os professores pensam: “Há este problema, mas já pedi a alguém para lidar com isso e eu não tenho qualquer responsabilidade.”