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Alunos numa sala de aula da escola EB 23 Lourosa que proíbe os telemóveis, a propósito de uma petição que está a correr para que isso seja a regra em todas as escolas, Santa Maria da Feira, 23 de maio de 2023.  (ACOMPANHA TEXTO DE 27 DE MAIO DE 2023) JOSÉ COELHO/LUSA
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JOSÉ COELHO/LUSA

JOSÉ COELHO/LUSA

"Qualquer jovem pode estar sujeito a um processo de radicalização": como são aliciados os menores para o crime nos jogos online?

Jihadistas, separatistas ou extremistas políticos, todos os terroristas estão atentos aos jogos online, onde angariam cada vez mais jovens. GNR, PSP e PJ explicam fenómeno e deixam aviso aos pais.

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De fones na cabeça, vidrados nos pequenos ecrãs, com comandos nas mãos. Este cenário entre jovens é tão banal quanto comum e não parece esconder nenhuma anormalidade. Porém, os movimentos terroristas estão atentos à cada vez maior mobilização dos mais novos no mundo digital e aproveitam esta presença para, discreta e persuasivamente, radicalizar menores.

Se os “processos de radicalização sempre existiram”, avisa a GNR em declarações ao Observador, “à medida que os tempos foram evoluindo também estes processos se foram adaptando e acompanhando aquilo que é o desenvolvimento da sociedade”.

“Qualquer jovem pode estar sujeito a estes contactos, qualquer jovem pode ser vítima desta abordagem e deixar-se levar para um processo de radicalização”, repete ainda a PSP. Também ouvida pelo Observador, a PJ mostra-se vigilante a este fenómeno há muito referido pela União Europeia e este ano abordado no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).

Menos crimes, mas mais jovens criminosos — e cada vez mais violentos. Raio-x ao relatório de segurança interna

“A propaganda jihadista difundida online persiste como um vetor relevante da ameaça terrorista. A sua disseminação em plataformas de gaming e em redes e serviços sociais, especialmente vocacionados para um público muito jovem, concorre para a radicalização de indivíduos cada vez mais novos, incluindo pré-adolescentes, realidade também verificada em Portugal”, lê-se no documento que reúne dados sobre a criminalidade nacional.

Psicólogo entende que a pandemia originou uma "sobreutilização" das redes sociais. As redes criminosas estão atentas a este fenómeno e aproveitam os utilizadores cada vez mais jovens que são mais facilmente persuadidos a fenómenos de radicalização. 

João Faria, psicólogo clínico especializado no comportamento online, aponta os confinamentos provocados pelo coronavírus como um momento decisivo na utilização mais recorrente de aparelhos eletrónicos: “Durante a pandemia houve uma sobreutilização do digital e foi permitido abrir fronteiras em tempos e tipos de utilização que antes não existiam. Esta abertura — quer da qualidade, quer da quantidade das experiências online — tornaram este contacto, muitas vezes, problemático”.

Rui Oliveira / Global Imagens

Como são angariados os jovens?

As forças de segurança consultadas pelo Observador explicam, do início ao fim, como ocorre esta radicalização, desde o primeiro contacto entre jovem e ‘angariador’ — normalmente adulto — até à conclusão deste processo.

“Muitas vezes a primeira abordagem acontece em jogos online; é um dos principais locais onde são abordados”, explica fonte da PJ, que fala em jogos como “Roblox e Fortnite”, mas avisa que não há dados que traduzam qual o mais procurado pelos ‘angariadores’.

As dinâmicas dos jogos favorecem os recrutadores, que estabelecem confiança com os jovens e vão jogando cada vez mais com eles. Uma e outra vez, jovem e angariador estão virtualmente lado a lado as vezes necessárias até que seja estabelecida uma relação entre os dois.

"Muitas vezes a primeira abordagem acontece em jogos online; é um dos principais locais onde são abordados", avisa a PJ. Do 'gaming', o contacto passa para outras plataformas em que podem conversar livremente sobre assuntos mais violentos.

“Há todo um processo de enamoramento do jovem até ganhar um vínculo de confiança, muitas vezes com abordagens cuja estratégia não é assim tão declarada”, partilha a GNR.

Os jogos não são palco de todo o processo de radicalização, que muitas vezes tem que fugir à esfera do ‘gaming’ para prosseguir o seu trajeto de persuasão — fruto das limitações dos jogos, onde as conversas são mais limitadas e em plataformas cujo algoritmo, muitas vezes, bloqueia certas conversas.

Assim, partilham números de telemóvel e passam para o WhatsApp, Telegram ou Discord, onde podem trocar, mais livremente, mensagens sobre outros assuntos até chegarem a temas mais sensíveis. Aí, têm via aberta para abordar questões ligadas ao terrorismo, à violência e à morte.

Abordados e redirecionados às vezes para fóruns com interesses comuns, os angariadores fazem incitamento de comportamentos agressivos junto dos jovens e acabam a manipulá-los para o cometimento de crimes. A GNR, com forte ação no “domínio preventivo”, descreve uma aproximação entre angariador e jovem feita de “forma gradual”, à medida que os menores se vão “identificando com determinada ideologia”.

“Os novos tempos trazem-nos novas tendências, novos ‘modus operandi’, e as plataformas de jogos são novas tendências e diferentes abordagens para a mesma finalidade”, descreve fonte da Guarda ouvida pelo Observador, que explica que este contacto inicial também pode surgir pelas redes sociais.

Apesar de os jogos violentos estarem associados ao aumento da agressividade, o psicólogo ouvido pelo Observador nega essa relação e adianta que, muitas vezes, até se nota uma tendência contrária, em que esses jogos violentos servem de "amortecedor".

“Não é questão de se notar uma tendência ou não, tem-se vindo a massificar [o uso de redes sociais e plataformas de gaming para a radicalização] porque também se usa mais [a internet]. Os nossos jovens vivem muito para estes conteúdos digitais”, acrescenta a GNR, antevendo que, nestas situações, deverá ter um papel mais ativo a “regulação parental e o envolvimento da sociedade” para analisar os conteúdos consumidos pelas crianças.

Apesar de muitas vezes surgir uma associação entre a violência a que os jovens são expostos nos jogos e a que, alegadamente, praticam na vida real, forças de segurança não confirmam essa relação. O psicólogo João Faria vai mais longe e defende que não só esse suposto reflexo não está comprovado, como às vezes também significa o contrário: “A ciência está há muitos anos (e os media também) a tentar encontrar essa associação, mas nunca surgiu de forma consistente. Não há uma relação de causalidade. Nem sempre está associada a ideia de que quem joga jogos violentos é mais violento, aliás até há uma abordagem que diz o oposto: através da canalização da agressividade para o jogo violento, o indivíduo liberta-se desta violência e não a desloca para o mundo offline. Como um amortecedor”.

Filipe Amorim/Global Imagens

Jovens podem ser de famílias funcionais ou serem mais solitários, mas há sempre um ponto comum

Em janeiro deste ano, a Europol (Agência para a Cooperação Policial da UE) fazia uma descrição simples dos jovens procurados pelos angariadores para serem persuadidos a aliarem-se a causas radicais — que podem ser de cariz político, religioso ou separatista.

Dados da agência para 2023, os mais recentes disponíveis, mostravam que os 426 detidos por crimes relacionados com terrorismo eram predominantemente jovens, do sexo masculino e com nacionalidade de algum país da UE. Desses, 85% eram homens, com uma média de idades de 20 anos; no que diz respeito às mulheres (64 do total dos detidos), a idade média sobe para 27.

Em 2023, do total de 120 ataques, a maioria (70) foram de causas separatistas, seguido de ataques de extrema-esquerda/anarquistas (32) e de jihadistas (14). Os fundamentalistas islâmicos dominam o número de detenções, com 334 das 426 totais.

Jovens do sexo masculino predominam entre os 426 detidos por crimes relacionados com o terrorismo na União Europeia. Europol diz que alvos preferenciais têm idades entre os 8 e os 17 anos, dificuldades de integração e problemas de saúde mental.

A emergência de pessoas cada vez mais jovens neste meio levou a Europol a classificar esta “tendência geral em todos os espectros ideológicos” como uma “preocupação crescente”. As redes terroristas definem como principais alvos para angariação para as suas causas “os menores vulneráveis” que são depois “aliciados nas plataformas online e manipulados através de coerção psicológica”.

“Nas redes sociais, os angariadores analisam o comportamento dos utilizadores e visam, deliberadamente, menores que mostrem sinais de vulnerabilidade. Os alvos preferenciais têm idades entre os 8 e os 17 anos, especialmente da comunidade LGBTQ+, de minorias raciais e que tenham problemas de saúde mental. As comunidades de autoajuda ou de apoio a jovens afetados por questões mentais são terreno fértil para a identificação de vítimas”, descreve a Europol.

João Faria esclarece que, por passarem por um “período de desenvolvimento do cérebro”, os jovens estão mais vulneráveis, não tendo, muitas vezes, “capacidade de inibir impulsos”. Afastados das “figuras parentais” e próximos “dos seus pares”, são mais fáceis de persuadir.

Ao fraco discernimento, pode associar-se uma má integração escolar e outro aspeto considerado “crucial” pela GNR: “o fraco envolvimento familiar”. Reunidas estas condições, há uma maior probabilidade de se iniciar um processo de radicalização.

“As razões que levam os jovens a aderir a estes grupos têm toda a sua génese nas fragilidades de personalidade que eles possam ter, mas depende de jovem para jovem. Uns têm dificuldades de inserção, ou sentem-se pouco aceites pelos seus pares, ou, enfim, sentem-se pouco valorizados e precisam de um grupo com que se identifiquem. Em determinadas características pode existir um evento traumático nas suas vidas que os possa levar, eventualmente, a aderir a estes grupos”, acrescenta a PSP.

PJ diz que há sempre um ponto em comum entre os menores aliciados: "são jovens que passam muitas horas online".

A PJ ressalva que estes jovens — muitas vezes desacompanhados pelos progenitores, que desconhecem a atividade dos filhos no mundo digital — podem vir de contextos sociais completamente diferentes — “há jovens de famílias perfeitamente enquadradas e funcionais”, contrariando a ideia comum de que “seriam provenientes apenas de famílias disfuncionais”. Verifica-se apenas um único ponto em comum entre todos os menores aliciados: “o número de horas que passam online, são jovens que passam muitas horas online”.

Num recente manual sobre “Ecrãs e Tecnologias Digitais”, a Ordem dos Psicólogos recomenda que as crianças, a partir dos 11 anos, não passem mais do que três horas por dia em frente a ecrãs. “[A partir ds 11 anos] mantém-se uma recomendação entre duas a três horas por dia, podendo os adultos/as, enquanto pais, mães ou cuidadores/as, ajudar os jovens a incluir as atividades com ecrãs (por exemplo, videojogos, ver filmes ou outros conteúdos) no seu dia-a-dia”, descreve a ordem no texto publicado em maio de 2024, com números sustentados em dados partilhados pela Organização Mundial de Saúde, a Academia Americana de Pediatria e a Associação de Psicologia Americana.

“Qualquer jovem pode estar sujeito a estes contactos, qualquer jovem pode ser vítima desta abordagem e deixar-se levar para um processo de radicalização e, por isso, nós procuramos, sem qualquer tipo de estigma ou preconceito, procurar entre todas as camadas sociodemográficas, económicas, culturais, linguísticas, étnicas, etc., detetar jovens com fragilidade”, remata a PSP, lembrando que a ação das forças de segurança se estende a todos os jovens, independentemente da origem.

TIAGO HENRIQUE MARQUES/LUSA

Da prevenção à articulação entre diferentes forças de segurança: como reagem as autoridades?

A proliferação de jovens em organizações criminosas (de natureza terrorista ou não), não é um fenómeno indiferente às autoridades. A criminalidade grupal e juvenil tem aumentado exponencialmente desde a pandemia e regista os valores mais altos dos últimos anos — em 2024 foram registados 7279 crimes praticados em grupo (o valor mais alto dos últimos dez anos) e 2062 crimes cometidos por jovens (perto do valor recorde de 2117, em 2015).

O controlo do terrorismo começa no domínio preventivo, antes de ser detetado um possível indício de radicalização. Para isso, contribui, em grande medida, o programa da Escola Segura, articulado pelo ministério da Administração Interna e pelo ministério da Educação e coordenado por PSP e GNR.

“A Escola Segura tem um papel muito importante para tentar compreender melhor o problema, mas aqui a GNR deixa de trabalhar de forma isolada, ou seja, nós aqui temos o envolvimento do que é a comunidade educativa do que são as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ). Do que é o apoio na área da saúde, em matéria de saúde mental, é importante avaliar todos estes pareceres”, decifra a GNR.

GNR e PSP atuam a montante do problema, usufruindo da proximidade com os jovens para detetar, antecipadamente, potenciais sinais de radicalização dos menores. "Trabalhamos inseridos na sociedade e naquilo que deve ser uma participação ativa. Informamos sobre os indicadores de alerta e envolvemos a sociedade no seu todo", descreve a GNR

“Todos os nossos polícias que integram as equipas do programa Escola Segura vão adquirindo formação, quer para detetar indícios de comportamentos de quem está a entrar num processo de radicalização, quer para conhecer as diferentes fases desse processo. E isso permite que os nossos polícias — presencialmente nas interações que fazem diariamente com os alunos, ou através de testemunha de terceiros — possam numa fase precoce detetar estes casos”, completa a PSP.

A GNR destaca a sua atuação “a montante” de todo o problema, tentando identificar os indicadores de alerta. Ainda assim, recorda que a prevenção destes fenómenos só é possível com consonância com uma “cidadania ativa das pessoas que devem estar atentas” — sejam pais, amigos, professores ou outros membros da comunidade escolar.

“Trabalhamos inseridos na sociedade e naquilo que deve ser uma participação ativa. Informamos sobre os indicadores de alerta e envolvemos a sociedade no seu todo para estarem proativos, despertos e partilharem esse conhecimento connosco, nisto que é o domínio da sinalização e da prevenção”, acrescenta fonte militar.

No âmbito da Escola Segura, a proximidade com os alunos e jovens permite às forças de segurança identificar mais facilmente qualquer sinal de radicalização. Muitas vezes, são os próprios militares ou polícias que detetam o comportamento estranho de determinado menor e identificam algum envolvimento criminoso.

“Há indicadores que não têm necessariamente que estar relacionados com processos de radicalização, mas que estão necessariamente relacionados com perturbações que um adolescente está a ter naquele momento”, alerta a GNR.

Reportagem sobre violência nas escolas com equipa da PSP

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Quando um jovem é sinalizado, é iniciado um “acompanhamento maior” e dá-se uma “monitorização preventiva do ciberespaço para identificar e eliminar dúvidas relativamente a comportamentos” radicais. Encontrados indicadores compatíveis com a probabilidade de haver uma associação a organizações terroristas, e compreendido o grau em que se encontra essa radicalização, o caso é partilhado entre as várias forças de segurança, cabendo a investigação destes assuntos à PJ.

Neste momento, surge também a Unidade de Coordenação Antiterrorista (UCAT), órgão de partilha de informações no âmbito do combate ao terrorismo e que reúne diversas forças e serviços de segurança nacionais. Nesta unidade é centralizado todo o tema da radicalização, em estreita articulação entre todas as forças de segurança nacionais e internacionais, dada a natureza transfronteiriça do terrorismo.

A GNR frisa que qualquer pessoa que contacte com um jovem que apresente “indicadores de alerta” se deve sentir impelida a falar com as autoridades sobre esses casos, recordando que estes sinais nem sempre se traduzem numa radicalização, mas quase sempre refletem outros problemas sociais que merecem igual atenção.

Ouvido pelo Observador, João Faria defende o respeito pelo limite de idade exigido pelas redes sociais — facilmente contornável — como uma boa forma de travar a entrada de jovens em organizações criminosas, uma vez que a sua angariação seria mais complicada.

“[Os limites de idades das redes sociais] não surgem por acaso, são fruto de informação cruzada com direitos humanos e que se fossem respeitadas colocariam populações mais vulneráveis, mais protegidas. Se fossem respeitados não existiram utilizadores com menos de 13 anos no TikTok, o que não se verifica. Se fosse cumprido à risca, o WhatsApp, que funciona também como plataforma de angariação destes movimentos, só estaria a ser utilizado por jovens a partir dos 16 anos, que já têm mais maturidade”, defende.

Não sendo esta “uma medida realista”, como o perito em comportamento online diz, o principal fator de proteção acabam por ser os adultos que estão envolvidos na vida destes jovens, que devem ter um “papel ativo de supervisão” na identificação dos sinais relevantes “que decifrem que algo não está bem com estas crianças”.

João Relvas/LUSA

A que sinais devem os pais — e restantes educadores — estar atentos?

Fechados no seu mundo digital, é fácil aos jovens esconderem a atividade online e passarem despercebidos à supervisão dos pais. Ainda assim, autoridades nacionais e europeias, bem como especialistas no comportamento juvenil, deixam avisos sobre atitudes que podem evidenciar uma possível radicalização (ou também relevantes indicadores de dificuldades sociais).

“Se nós não sabemos o que um jovem está a consumir no telemóvel, muitas vezes estes indicadores são o único aspeto que pode levar à deteção de um problema”, entende a GNR.

A Europol elenca uma série de comportamentos a ter em conta: secretismo sobre a atividade online (escondendo ecrãs quando são abordados, ou com várias contas anónimas); isolamento; interesse em conteúdos violentos; mudanças na linguagem usada; identificação com novos símbolos; demasiado tempo em plataformas online; tentativas de esconder automutilação; interação com contactos desconhecidos; comunicações encriptadas; exposição a conteúdo violento.

“Pais, auxiliares e educadores devem estar devidamente informados e encorajados a permanecer vigilantes, à procura de sinais e informando as autoridades se acharem que alguém pode ser vítima de uma radicalização”, escreve a agência de segurança europeia.

A GNR alerta ainda para o aumento do comportamento agressivo para com os pais e amigos, uma redução súbita do aproveitamento escolar, pedidos mais frequentes de dinheiro emprestado e distúrbios alimentares — sinal tido como importante e que reflete, não diretamente o envolvimento criminoso, mas a exteriorização física de que algo não está bem com estes jovens. Já a PSP fala na adoção de símbolos no vestuário, ou tatuagens nos mais velhos, como indicadores de associação criminosa.

"Pais, auxiliares e educadores devem estar devidamente informados e encorajados a permanecer vigilantes, à procura de sinais e informando as autoridades se acharem que alguém pode ser vítima de uma radicalização", alerta a Europol

As autoridades reforçam a importância de denunciar estes crimes, mesmo por parte dos progenitores: “Estar a dizer a um pai que quando descobre que o filho pode estar envolvido nestas situações deve procurar a polícia se calhar não é fácil, mas pelo menos deve procurar algum apoio psicológico para o jovem”, justifica a PJ, que assume que na quase totalidade das vezes, os pais tomam conhecimento destas situações concretas quando são alertados pelas autoridades.

“Às vezes as crianças têm caras de anjinhos, mas depois online têm comportamentos completamente distintos do que aparentam na vida real”, resume a PJ.

João Faria descreve uma “banalização da violência”, fruto do contacto constante com situações agressivas através das redes sociais. Para combater esta “distorção da perceção”, é essencial o papel dos educadores — seja a família ou a escola — para “não normalizar estas condutas e imprimir o caráter negativo e promover um ajustamento social mais adequado”.

“Qualquer jovem que tenha uma experiência sentida como preocupante, o que vai manifestar habitualmente é uma enorme ansiedade se alguém vê o conteúdo do seu dispositivo. É muito expectável que estes jovens usem os ‘smartphones’ de forma mais encoberta, se alguém se aproxima manifestam ansiedade e tentam imediatamente esconder o visor, não trazem os telemóveis nos momentos em que estão publicamente com outras pessoas. Existe uma noção de que aquilo que está a ser acedido tem o seu perigo, e isto tanto se aplica a este movimento de radicalização, como para as experiências de ciberbullying, de intimidação, ou de vitimização — são indicadores globais de uma relação negativa com o digital”, conclui o psicólogo.

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