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Todos os gráficos são interativos. Passe o cursor sobre as tabelas para ver mais informação. Consulte aqui os Rankings das Escolas 2025
Este ano, as cinco melhores escolas do 3.º ciclo voltam a ser só privadas, mas a maioria mudou. Só uma instituição, o Colégio de Nossa Senhora do Alto, em Faro, se mantém no top 5 com uma subida de duas posições: saltou do quarto para o segundo lugar. Todas as outras caíram vários lugares e o anterior líder, o Colégio Novo da Maia, que por dois anos manteve o primeiro lugar, recuou para o 17.º lugar. A lista é atualmente encabeçada pelo Externato As Descobertas, em Lisboa, que em 2024 não foi além da 9.ª posição. A sua média global subiu quase seis pontos percentuais, ainda que tenha realizado um dos menores números de provas (mais dez do que as 20 exigidas nos critérios de entrada no ranking).
Saíram do topo o Grande Colégio Universal (agora em 6.º lugar, ocupava o 2.º em 2024); a Escola de Música São Teotónio (36.º lugar, estava em 3.º); e o Colégio Nossa Senhora do Rosário (11.º lugar, estava em 5.º).
Em terceiro lugar encontra-se o Colégio Didálvi, que estava em 114.º no ano de 2024, com 47 provas realizadas. Este ano, foram feitas apenas mais duas, mas a média aumentou 14,41 pontos percentuais, no que foi o maior crescimento do top 5. Logo a seguir, surge o Colégio de Nossa Senhora da Conceição (na 31.ª posição em 2024); e depois o Externato das Escravas Sagrado Coração de Jesus (19.ª posição em 2024). As três instituições situam-se na zona norte do país (Barcelos, Guimarães e Porto).
A liderança dos privados e do Norte não surpreende, diz Rodrigo Queiroz e Melo, diretor executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP). “A competição nos alunos no final do secundário para acesso ao ensino superior no Norte é muito maior do que no resto do país”, enquadra Rodrigo Queiroz e Melo. É possível, acrescenta, que este fenómeno vá recuando também para o final do 3.º ciclo.
A competição nos alunos no final do secundário para acesso ao ensino superior, no Norte, é muito maior do que no resto do país. E é possível pensarmos que esse fenómeno vai recuando também para o final do terceiro ciclo
Das cinco melhores escolas, só o colégio de Faro desceu a média geral, ainda que menos de um ponto percentual. Todas subiram a média à disciplina de Português e apenas uma, o Colégio de Nossa Senhora do Alto, baixou a Matemática (menos 1,76 pontos percentuais).
A primeira instituição pública do 3.º ciclo no top 50 continua a ser uma artística, mas já não é a Escola Artística do Conservatório de Música do Porto, que desceu 23 posições. É preciso chegar ao 43.º lugar para encontrar a segunda instituição pública e a primeira de ensino regular: trata-se da Escola Básica Francisco Torrinha, no Porto.
Para os rankings foram analisadas 1.181 escolas. Mais de metade conseguiram subir a média (633 escolas, ou seja, 53,6%). No entanto, em 2024, altura em que foram recolhidos dados de 1.188 escolas (apenas mais sete do que agora), 846 instituições tinham conseguido aumentar a prestação dos alunos. Para a vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), este pode ser um sinal dos constrangimentos que as escolas têm enfrentado, como a falta de professores e a demora em colocá-los. “Isso tem uma consequência. Não se pode esperar melhores resultados quando as condições não estão a melhorar de um ano para o outro”, diz Magda Costa.
A nível nacional, as médias foram todas positivas: a geral subiu de 54,7% para 55,1%, ao passo que Matemática aumentou de 50,6% para 52,1% mas Português desceu, de 58,8% para 58,2%.
Este ranking foi feito com base nos dados oficiais que o Ministério da Educação disponibilizou aos meios de comunicação social. Foram depois organizados e analisados pelo Observador, em parceria com a Nova SBE. Tal como nos dois últimos anos, a lista incluiu instituições públicas e privadas que realizaram no mínimo 20 exames nacionais.
Melhor escola pública desce no ranking, que continua liderado por uma artística
Nesta lista volta a ser uma escola artística a figurar como a primeira instituição pública no top 50 do ranking, mas houve uma troca de lugares. Em 2024, estava à frente a Escola Artística do Conservatório de Música do Porto, seguida da Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, que volvido um ano chega à posição de topo das públicas.
Esta última escola artística subiu 15 posições. Apresenta uma média de 3,85 em 5 valores, uma descida de algumas décimas face ao valor do ano anterior (3,96). Nos exames nacionais, os alunos melhoraram a Português (mais 2 pontos percentuais), mas pioraram a Matemática (menos 5,57 pontos percentuais). É, no entanto, a escola do top 3 de públicas que realizou menos exames (84).
Ao contrário de 2024, em segundo lugar das públicas surge uma instituição do ensino regular e não artístico. Trata-se da Escola Básica Francisco Torrinha, no Porto, que tem uma média de 3,73. Ocupa a 43.ª posição no top 50 de escolas com as melhores notas: uma subida de 72 posições, que se sustenta no aumento de 5,07 pontos percentuais de um ano para o outro.
As três primeiras posições das melhores públicas ficam completas novamente com uma escola de ensino artístico especializado: a Escola Artística do Conservatório de Música do Porto. Desceu 23 posições e tem uma média de 3,66.
De notar que até ao ano anterior era preciso esperar pelo 74.º lugar para se encontrar uma escola pública regular. Ocupava-o, nessa altura, a Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim (em 2025 desceu para 120.º). No novo ranking, basta descer até à 43.ª posição. “É um bom sinal”, descreve Rodrigo Queiroz e Melo. Explica que o mais importante é olhar para o caso concreto de cada escola e que estes rankings funcionam como “um instrumento de gestão muito importante” para as escolas perceberem a sua evolução. “[É essencial] para que uma escola que, por exemplo, subiu imenso a Matemática possa ter uma conversa com o grupo da Matemática e dizer: “Olhem, parabéns, estão a trabalhar bem”. E o inverso também, ir ter com o grupo da Matemática e dizer: “O que é que se está a passar?”, diz.
Também é possível olhar para as cinco piores escolas classificadas no ranking, todas públicas, como noutros anos. Há duas repetentes: a Escola Básica Pintor Almada Negreiros, em Lisboa; e a Escola Básica da Trafaria, em Almada. Apesar de continuarem no fim da lista, foram as únicas das cinco no fundo da tabela a melhorar a média em 2025. Subiram, respetivamente, 5,13 e 6,34 pontos percentuais, sendo que no primeiro caso aumentou o número de exames realizados e no segundo baixou. Contudo, as médias mantêm-se negativas.
Ao contrário de 2024, nem todas as piores classificadas são da Área Metropolitana de Lisboa. Há uma do Porto — a Escola Básica e Secundária de Miragaia — e outra de Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança — a Escola Básica Guerra Junqueiro.
Em último lugar na lista — o 1.181.º — surge a Escola Básica do Miradouro de Alfazina, Monte de Caparica, em Almada, com uma média de 1,96 (desceu quase 4 pontos percentuais). Estava anteriormente em 1.168.º, tendo de 2024 para 2025 realizado apenas menos um exame. De notar que é uma subida face à pior média registada em 2024 (1,75).
Anteriormente, estavam nas últimas posições a Escola Básica Maria Keil, em Loures (1.165.º lugar em 2025); a Escola Básica do Alto do Lumiar (1.166.º); e a Escola Básica do Bairro Padre Cruz (1.170.º).
No total, 53,6% das escolas subiram a sua média geral. Ao analisar apenas os estabelecimentos privados, o mesmo aconteceu com 58 das 171 escolas (33,9%). Já 575 escolas das 1.010 públicas (56,9%) subiram a média.
Menos escolas com média superior a 4. Três escolas onde a média mais subiu são públicas
Nos rankings de 2025 apenas 12 escolas, todas privadas, alcançaram uma média igual ou superior a 4, quando no ano anterior eram 33. Cinco conseguiram subir a nota geral: o Externato As Descobertas (Lisboa); o Colégio Didálvi (Barcelos); o Colégio de Nossa Senhora da Conceição (Guimarães); o Externato das Escravas Sagrado Coração de Jesus (Porto); e o Colégio Santo André (Mafra). As outras sete escolas com médias iguais ou superiores a 4 desceram face aos resultados de 2024.
A Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, é a que das instituições públicas tem a média mais elevada, sem ainda chegar aos 4 valores (3,85).
No sentido inverso, apenas duas escolas — a Escola Básica do Miradouro de Alfazina, em Almada, e a Escola Básica e Secundária de Miragaia, no Porto — tiveram uma nota inferior a 1,99 valores.
Nos últimos anos, a tendência tem sido de diminuição: em 2023 eram 20 escolas, e em 2024 eram 14. Em 2025, em 98,8% das escolas (1.167), a média situa-se entre os 2 e os 3,99 valores, uma subida face aos 96% de 2024.
Olhando agora para a média geral, verifica-se um aumento em 633 escolas, ou seja, em mais de metade das instituições. Em 2024, tinham sido 846, sendo que nesse ano tinham sido analisadas mais sete escolas. “A diminuição do número de escolas que melhoram as médias constitui um sinal de alerta”, considera o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Filinto Lima alerta, contudo, contra uma visão “simplista” dos rankings. Considera que a pergunta decisiva não é apenas quantas escolas pioraram: “É esta: estamos a conseguir garantir que todos os alunos chegam ao final do 9.º ano com as competências essenciais para prosseguir os estudos com sucesso?”
As três primeiras escolas onde a média mais subiu são públicas: a Escola Básica Sá Couto, em Espinho (23,26 pontos percentuais); a Escola Básica do Couço, em Coruche (21,20 pontos percentuais); e a Escola Básica Dr. Abranches Ferrão, em Seia (15,60 pontos percentuais). “Isso é ótimo”, sublinha Rodrigo Queiroz e Melo. A explicação tanto pode ser uma mudança de professor que surtiu melhor efeito ou uma medida implementada nesse ano letivo ou em anteriores e que permitiu aos alunos criar boas bases. É por isso que os rankings são um instrumento essencial, defende: “Mesmo que para o público em geral os resultados não variem muito, para as escolas os resultados dão ótimas indicações de gestão pedagógica”.
As três escolas mencionadas têm mais de 75% de professores nos quadros: a Sá Couto conta com 84,6% dos docentes nesta condição. É preciso olhar para a sexta posição para encontrar a instituição privada, o Colégio Didálvi, com a maior subida de média: 14,41 pontos percentuais.
Passando aos dados relativos aos exames de Português, 660 escolas desceram a média nesta disciplina (55,88% das instituições de ensino). Quanto às provas de Matemática, a média desceu em 502 escolas (42,51% das instituições de ensino). Em 2024, 782 tinham descido a Português e 151 a Matemática.
A escola com a maior quebra na média das provas finais a Português foi a Escola Básica Guerra Junqueiro, em Freixo de Espada à Cinta (-20,38 pontos percentuais), e a que mais subiu foi a Escola Básica Sá Couto, em Espinho (13,76 pontos percentuais).
Quanto à Matemática, a escola que mais desceu a média foi o colégio privado Bernardette de Jesus Romeira, em Olhão (-32,20 pontos percentuais), e a que mais subiu foi novamente a Escola Básica Sá Couto (32,59 pontos percentuais).
Equidade. Primeiro lugar é de colégio em Leiria que baixou média em 2025
Também são disponibilizados dados sobre as escolas onde se verificou um melhor desempenho escolar dos alunos mais carenciados. O ranking de equidade, que o Observador analisou em parceria com a Nova SBE, é baseado no indicador do InfoEscolas (2023/24) e vários dados de contexto, que só existem para as escolas públicas do continente. Os privados no ranking de equidade, que têm contratos de associação com o Ministério da Educação, não disponibilizam dados sobre a percentagem de alunos com Apoio Social Escolar (ASE). Está disponível, no entanto, a percentagem de alunos com ASE que concluíram o curso nos três anos previstos, pelo que os colégios são também contabilizados para a lista.
Em primeiro lugar da lista está precisamente uma escola privada, seguida por duas públicas. Trata-se do Colégio Dr. Luís Pereira da Costa, em Leiria (968.º lugar do ranking global), seguido da Escola Básica de Lousada Este, em Lousada (598.º), e da Escola Secundária Frei Rosa Viterbo, em Sátão (217.º).
Olhando para as questões de equidade: 94,74% dos alunos com Ação Social Escolar (ASE), ou seja, apoiados pelo Estado, deste colégio que tem contrato de associação com o Ministério da Educação completaram o 3.º ciclo de ensino básico em três anos. Em 2024, a instituição não entregou os dados necessários para que figurasse no ranking da equidade. Este ano enviou dados, mas não indicou o número de alunos com ASE. Serão pelo menos 15, já que esse é o valor mínimo para que uma instituição seja considerada no ranking de equidade.
Em 2025, a taxa de retenções desta escola fixou-se nos 9% (acima da média entre as escolas que figuram neste ranking, de 7,44%) e no geral, as notas dos exames fixaram-se nos 48,23% (ou seja, 2,56 valores). Das três escolas, só o colégio baixou a média face a 2024, ainda que menos do que um ponto percentual.
No top 3 segue-se, pelo segundo ano consecutivo, a E.B. de Lousada Este. Nesta escola, 35,2% dos alunos têm ASE, uma diminuição de 9,2 pontos percentuais face ao ano anterior. A média geral é de 54,05% (2,81 valores), ou seja, abaixo da média nacional (55,1%). Verifica-se uma taxa de 0% de retenções, o que acontece em outras 27o escolas, incluindo a que fecha o top 3 da lista de equidade. Tanto na escola de Lousada Este como no estabelecimento escolar que se segue, 100% dos alunos com ASE concluíram o terceiro ciclo no tempo previsto.
Em terceiro lugar está, então, a Escola Secundária Frei Rosa Viterbo — na 217.ª posição do ranking global. Tem uma média geral de 61% (3,12 valores), ficando assim acima da média nacional.
Tal como tem acontecido pelo menos nos dois últimos anos, as três escolas onde os alunos com mais dificuldades económicas conseguem melhores resultados de equidade situam-se no Norte e no Centro do país.
O ranking da equidade compara a percentagem de percursos de sucesso numa certa escola (isto é, quantos alunos com Ação Social Escolar completaram a sua formação no tempo esperado de três anos) e o desempenho de alunos com perfil semelhante a nível nacional. Um total de 984 instituições entregou dados sobre o número de alunos com ASE, sendo a Escola Básica e Secundária Abel Botelho, em Tabuaço, a que tem uma maior percentagem de estudantes com este apoio (80%).
Saíram do topo do ranking de equidade a Escola Básica Infante D. Pedro, em Buarcos, na Figueira da Foz, e a Escola Básica de Eiriz, em Baião. Nenhuma destas aparece sequer no ranking de equidade, não tendo disponibilizado dados sobre esta matéria.
Sucesso escolar de alunos mais carenciados volta a descer
Em 2025, apenas 39 escolas viram 100% dos seus alunos carenciados completarem o terceiro ciclo no tempo previsto. São 4,65% das 837 escolas analisadas. A tendência tem sido de diminuição nos últimos dois anos: em 2023 foram 81 escolas, e em 2024 já só foram 46. Magda Costa, da Confap, considera que estes dados podem ser um sinal preocupante. “A escola tem que ter sempre como objetivo final ser um elevador social. O facto de estarmos a assistir a um decréscimo de alunos carenciados a concluírem o seu percurso escolar deve preocupar-nos a todos enquanto sociedade”, sublinha. Acrescenta que é preciso uma análise mais aprofundada para perceber o que está na origem.
Questionado também sobre estes dados, Filinto Lima volta a alertar que “devemos atribuir aos rankings uma valoração muito relativa, não ficando muito triste por um lugar baixo, nem sobremodo satisfeitos pela boa classificação obtida”. “A nossa obrigação é trabalhar diariamente para e com todos — todos, todos — os alunos, promovendo as melhores e mais úteis aprendizagens para o ensino superior e para a vida”.
O presidente da ANDAEP destaca três medidas para melhorar o desempenho escolar de alunos com dificuldades económicas. Por um lado, identificar as dificuldades no 1.º e no 2.º ciclos, antes de se acumularem no 3.º ciclo e pensar em estratégias para as combater. Por outro lado, reforçar o acompanhamento dos alunos em maior risco de retenção — apoio tutorial, recuperação das aprendizagens e apoio linguístico quando necessário — desde o 1.º ciclo. Por fim, perceber que agrupamentos conseguem melhores resultados com alunos de contextos socioeconómicos semelhantes e identificar as práticas que explicam essas diferenças.
Em 11 escolas menos de 50% dos alunos apoiados pela ASE chegaram ao fim do 9.º ano de escolaridade em três anos. São menos cinco instituições do que em 2024. À semelhança dos dois últimos anos, não há escolas com taxas de 0% neste indicador.
A lista dos rankings de equidade termina com a Escola Básica e Secundária de Mães d’Água, na Amadora, onde apenas 30,43% dos alunos com ASE terminaram o 3.º ciclo no tempo esperado. Nesta instituição, mais de um quarto dos alunos têm apoio do Estado. Foram realizadas 64 provas, que resultaram numa média global de 41,59% (2,30 valores). Esta instituição está em 1.138.º lugar do ranking global de 1.181 escolas, tendo melhorado a média global e à disciplina de Matemática, mas piorado a Português.
A escola substitui a Básica e Secundária D. João V, também na Amadora, que nos dois anos anteriores esteve no fundo da lista. Esta instituição pública subiu da última posição de equidade para a 775.ª. Se em 2024, 33,33% dos alunos com ASE tinham chegado ao fim do 9.º ano de escolaridade em três anos, esse número subiu agora para 59,09%, apesar de o número de estudantes apoiados se ter mantido praticamente inalterado.