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Rankings ModA 6.º ano. Alunos saíram-se melhor a Matemática, melhor escola pública é artística e a liderança cabe às privadas

No primeiro ano em que os alunos fizeram as provas de Monitorização da Aprendizagem, metade das escolas obtiveram médias negativas.

Todos os gráficos são interativos. Passe o cursor sobre as tabelas para ver mais informação. Consulte aqui os Rankings das Escolas 2025

No primeiro ano em que as provas de Monitorização da Aprendizagem dos 4.º e 6.º anos se realizaram, as melhores notas foram atribuídas em escolas privadas. E, se no caso das provas do primeiro ciclo, a melhor escola se localiza no Porto, no segundo a liderança ficou do outro lado do rio Douro: foi conquistada pelo Colégio de Nossa Senhora da Bonança, com uma média de 63,80 pontos em 100.

Já o segundo lugar pertence ao Externato As Descobertas, em Lisboa (63,57), a mesma cidade do Colégio Moderno (62,43) que ocupa a quarta posição. O top 5 é completado pelo Colégio Moderno de S. José, em Vila Real (3.º lugar, onde estudam apenas 11 alunos, com 62,84 pontos), e pela Escola de Música São Teotónio, em Coimbra (5.º, com nota média de 62,41).

Entre as primeiras cinco escolas, todas privadas, é o Colégio Moderno que tem um maior número de alunos: 125. A primeira escola pública a surgir na lista, em 8.º lugar, é a Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga; o ensino regular só surge no 37.º lugar, que é ocupado pela Escola Básica e Secundária Quinta das Flores, em Coimbra. A primeira tem uma média de 61,98 pontos e a escola de Coimbra, de 59,35 pontos.

Em 2025, os alunos testaram os seus conhecimentos de Português, Matemática e História e Geografia de Portugal; à semelhança do que ocorre no 4.º ano, a terceira disciplina é rotativa e, em 2026, foi Inglês. Só voltará a ser História em 2029. Apesar de não terem qualquer influência na nota final dos alunos, as provas ModA visam apurar as fragilidades a nível de literacia e competências com vista à aplicação de medidas localizadas.

Este ranking de escolas foi feito com base nos dados oficiais divulgados pelo Ministério da Educação, e posteriormente organizados e analisados pelo Observador, em parceria com a Nova SBE. Estão incluídas 1.097 escolas (96,3% do total nacional) que realizaram pelo menos 30 provas e que têm um número mínimo de dez alunos.

Melhor escola pública é de ensino artístico. Matemática foi a disciplina com notas mais elevadas

Nas provas ModA, são avaliadas competências de compreensão de textos e produção escrita, bem como raciocínio matemático, resolução de problemas e utilização de conceitos numéricos e geométricos. Para permitir uma comparação fiel ano a ano, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) mantém o enunciado sob sigilo para os diferentes alunos serem confrontados com as mesmas questões. Como o ano de 2025 foi o primeiro em que as provas se realizaram, ainda não é possível fazer análises comparativas entre escolas; porém, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) indicou este mês que, entre os alunos do 6.º ano, as médias de Português e Matemática subiram de 2025 para 2026.

A melhor escola pública é de ensino artístico. Em 2025, o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, onde 47 alunos realizaram provas, obteve uma média de 61,98 e 86% dos seus alunos alcançaram as classificações mais altas: Proficiente ou Avançado. Nesta escola, a melhor média foi a de Matemática: 65,91 pontos, quando a de Português se fixou nos 60 pontos e, a História e Geografia de Portugal, não passou dos 60,07.

O facto de uma escola artística se impor logo no 6.º ano “pode ser simplesmente o resultado do estatuto socioeconómico e cultural das famílias e dos recursos favorecedores da aprendizagem que os alunos têm em casa”, considera João Marôco, professor associado de Estatística e Métodos de Investigação do ISPA e antigo coordenador de estudos de avaliação em larga escala em Portugal. “Mas pode também ser o resultado de um esforço e de um treino cognitivos e da plasticidade neuronal que se desenvolve quando um aluno está a aprender uma linguagem nova, que é a linguagem da música. São tudo hipóteses que precisam de muito mais investigação.”

A Escola Básica e Secundária Quinta das Flores (Coimbra), a primeira escola pública de ensino regular, também conquistou a sua melhor média a Matemática: os alunos obtiveram uma média de 62,17 pontos, superior à de Português (58,17) e História (57,74).

E a nível nacional? Os resultados revelam que os alunos ficaram a pouco de uma média positiva: situou-se nos 49,8 pontos, sendo que 48% dos resultados foram Proficiente ou Avançado. A disciplina a que os estudantes portugueses se saíram melhor foi Matemática (51,3 de média nacional), seguida de História (49,6) e de Português (48,6).

No extremo oposto, são públicas e na Grande Lisboa as três escolas com piores resultados nas provas ModA do 6.º ano. Na Escola Básica Carlos Paredes, na Póvoa de Santo Adrião e onde estudam 185 alunos, registou-se uma média global de 35,12 pontos em 100. Nesta escola, como a nível nacional, as melhores notas registaram-se a Matemática (46,07), não a Português (36,94) nem a História e Geografia de Portugal (24,33).

Na penúltima posição, encontra-se a Escola Básica Patrício Prazeres, seguida da Escola Básica do Alto do Lumiar, ambas em Lisboa e, respetivamente, com uma média de 37,56 e 38,64 pontos em 100. Quanto a disciplinas, a Português o Alto do Lumiar obteve a nota mais baixa (32,32) e, a Matemática, foram a Escola Básica Maria Keil e a Escola Básica Patrício Prazeres (ambas com 38,67).

No quarto e quinto lugares das escolas com piores notas, estão a Escola Básica Maria Keil, em Loures e a Escola Básica das Olaias, em Lisboa.

Não é já para o ano, quando forem possíveis comparações, que as provas ModA vão permitir ter informação valiosa sobre a evolução dos estudantes, avisa João Marôco. “A vantagem destas provas ModA era exatamente elas não variarem de ano para ano e assim conseguíamos perceber se a percentagem de reprovações deste ano é superior à do ano passado e se os conhecimentos dos alunos estão em regressão. Mas precisamos de uma série temporal mais longa (três a cinco anos) antes de podermos fazer estas comparações de os alunos piorarem ou melhorarem.”

Em escola privada de Coimbra, 98% dos alunos tiveram a melhor classificação nas provas. Metade das escolas com negativa

Apesar de o Colégio de Nossa Senhora da Bonança (Vila Nova de Gaia) liderar o ranking geral, a situação muda ao considerar a prova ModA de Português, em que o primeiro lugar pertence a outra escola privada da mesma cidade: o Colégio Novo da Maia – Polo de Gaia. Nesta escola que ficou na 19.ª posição da lista geral, a média nesta disciplina foi de 62,69 pontos. A Matemática, os alunos ficaram com 62,31. Ao ter em conta esta última prova, a primeira posição é do Colégio João Paulo II, em Vila Real, onde os alunos obtiveram 68,07 de média e todos obtiveram as classificações mais elevadas (Proficiente ou Avançado).

No país, só uma escola conseguiu mais de 95% dos resultados Proficiente ou Avançado: a Escola de Música São Teotónio (97,5), em Coimbra, onde 27 alunos fizeram a prova ModA do 6.º ano em 2025 e que é privada. A escola pública com maior percentagem de classificações mais elevadas é a Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga (86%). O ensino regular surge com a Escola Básica Vasco da Gama, em Lisboa (85,2%).

Ao olhar para as médias inferiores a 50 pontos, verificaram-se em mais de metade (50,5%) das escolas nacionais (554).

Equidade. Não houve retenções em 36% das escolas do ranking

Pela primeira vez, o ranking das escolas contém dados sobre a equidade — o indicador que revela os estabelecimentos escolares onde se verificou um melhor desempenho escolar dos estudantes mais carenciados — do 1.º e 2.º ciclo. Contudo, os dados de contexto devem ser lidos não escola a escola, mas relativamente ao agrupamento, porque a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) só os disponibiliza relativamente aos alunos do 3.º ciclo e o ranking usa os dados relativos à escola desse ciclo do agrupamento. Por isso, no ranking de equidade do 2.º ciclo, como no do 1.º, verificam-se vários empates entre escolas do mesmo agrupamento porque há vários dados (como a percentagem de alunos com Ação Social Escolar) que surgem iguais entre estabelecimentos, porque dizem todos respeito à escola do 3.º ciclo (que, em muitos casos, é a única) do agrupamento.

Contudo, no 2.º ciclo, há menos empates do que no 1.º, porque o número de escolas do 2.º ciclo por agrupamento é menor. Com esta nota prévia, agrupamentos do Alentejo e do Norte dividem entre si os quatro primeiros lugares do ranking da equidade quanto aos alunos do 6.º ano, seguidos de um agrupamento na Moita (Península de Setúbal).

Nesta lista, que indica as escolas onde se verificou um melhor desempenho escolar dos alunos mais carenciados refletido na conclusão do 3.º ciclo no tempo previsto (dois anos), as primeiras três posições pertencem a três agrupamentos de escolas públicas: a Escola Básica e Secundária de São Sebastião ( Agrupamento de Escolas de Mértola), a Escola Básica e Secundária Leonardo Coimbra – Filho (Agrupamento de Escolas Leonardo Coimbra, Porto) e a Escola Básica de São Pedro da Cova (Agrupamento de Escolas de São Pedro da Cova, Gondomar). Contudo, só na escola alentejana é que a média das provas ModA é positiva: 52,41 pontos, contra os 40,31 da escola portuense e os 49,24 da escola em Gondomar.

Entre as três primeiras na equidade, é na escola do Porto que se verifica a maior percentagem de alunos retidos no 6.º ano: 4%. No topo deste ranking, na Básica e Secundária de São Sebastião não se verificaram retenções no 6.º ano, o que também se verificou em 36% das escolas no ranking da equidade que apresentaram estes dados (1.029).

E qual é a melhor disciplina na escola do topo do ranking de equidade? Matemática (54,76), seguida de História e Geografia de Portugal (51,58) e de Português (50,91). Na primeira prova, 72,7% dos alunos da Escola Básica e Secundária de São Sebastião obtiveram as classificações mais altas. Quanto ao ranking geral, esta escola encontra-se na 270.ª posição.

O primeiro estabelecimento privado a surgir na lista da equidade é o Externato de Vila Meã, em Amarante, onde 104 alunos fizeram as provas ModA do 6.º ano. Aqui, a média global é de 50,12 pontos, com a Matemática a colher as melhores notas (52,42). No ranking geral, Vila Meã ocupa a 526.ª posição.

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