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Todos os gráficos são interativos. Passe o cursor sobre as tabelas para ver mais informação. Consulte aqui os Rankings das Escolas 2025
O ranking das escolas secundárias elaborado pela Nova SBE para o Observador a partir dos dados do Ministério da Educação traça um retrato relativamente positivo do ensino secundário em Portugal. Em dois terços das escolas portuguesas, a média subiu (sobretudo graças ao Português e apesar da queda a Matemática A) e há menos escolas a registar uma média negativa. O ranking continua, sem surpresas, a mostrar um forte domínio das escolas privadas: mais de dois terços dos colégios e externatos conseguiram entrar no top 100.
No âmbito da equidade, os dados da Educação continuam a ser o espelho de um país com um grave problema de pobreza — mais de 250 escolas têm pelo menos 20% dos seus estudantes a necessitar de apoios sociais —, que afeta o desempenho escolar, mas há também dados positivos: subiu o número de escolas que conseguiram assegurar o sucesso escolar de 100% dos seus alunos carenciados, aumentou o número de escolas que têm pelo menos 90% dos seus professores nos quadros e há até um concelho que colocou três escolas (a totalidade) no top 10 da equidade.
Leia neste artigo algumas curiosidades e detalhes que resultam da leitura pormenorizada dos rankings do ensino secundário.
A média dos exames subiu em dois terços das escolas
Na maioria das 618 escolas analisadas no ranking da Nova SBE para o Observador, a nota média dos exames em 2025 subiu em relação ao ano anterior. Em 397 escolas (64,2% do total), a nota média dos exames subiu em relação a 2024, enquanto em 209 (33,8% do total) a nota média desceu. Em seis delas (0,97%), a média manteve-se exatamente igual e em seis outras não há dados para fazer a comparação.
Trata-se de uma evolução positiva em relação ao que sucedeu no ano passado, quando mais de 70% das escolas tinham visto a sua média dos exames a descer.
Este ano, a maior queda registou-se na Escola Básica e Secundária de Alfândega da Fé, que ocupa o 575.º lugar do ranking. Naquela instituição de ensino transmontana, a média dos exames de 2025 foi de 10,06 valores, quando no ano anterior tinha sido de 13,02 valores — ou seja, uma queda de 2,96 valores. No extremo oposto, a maior subida aconteceu no Colégio Didálvi, em Barcelos, o 31.º classificado no ranking, que registou em 2025 uma média de 14,73 valores nos exames, quando, no ano anterior, tinha tido uma média de apenas 11,48 valores. Foi uma subida de 3,25 valores.
De resto, o top 3 das escolas em que as notas mais subiram inclui ainda a Escola Básica e Secundária de Monte da Ola, em Viana do Castelo (com uma subida de 3,10 valores), e a Escola Básica e Secundária de Paredes de Coura (com uma subida de 2,47 valores). No top 10 das escolas com maiores subidas há seis escolas públicas e quatro privadas.
Das 209 escolas nas quais a média dos exames desceu, 168 (ou seja, 80,3%) são públicas e apenas 41 (isto é, 19,6%) são privadas. Já no universo das 397 escolas em que a média dos exames subiu, 342 (ou seja, 86,1%) são públicas, ao passo que 55 (isto é, 13,9%) são privadas.
Notas sobem a Português e descem a Matemática A
Quando olhamos concretamente para as provas de Português e Matemática A — as provas mais concorridas e também aquelas que desempenham um papel mais decisivo no acesso ao Ensino Superior —, encontramos um claro domínio das escolas privadas e podemos tirar duas conclusões: as notas subiram consistentemente a Português e desceram consistentemente a Matemática A.
Comecemos pelo Português. Nesta disciplina, o destaque vai para o Colégio Nova Encosta, em Paços de Ferreira, que ocupa o 6.º lugar no ranking geral. Naquela escola privada, os alunos tiveram uma média de 17,96 valores no exame de Português. Trata-se de uma subida significativa face aos 14,74 valores de 2024, que carimbou a subida ao primeiro lugar daquele colégio. O top 10 do Português é integralmente composto por escolas privadas. Em segundo lugar surge o Colégio Horizonte, em Vila Nova de Gaia (17,58 valores), e em terceiro o Colégio Novo da Maia (17,23 valores).
O panorama do exame de Português é marcado por uma consistente subida: das 618 escolas analisadas, 521 (isto é, 84,3%) viram a média do exame de Português subir, enquanto em apenas 75 (ou seja, 12,1%) ela desceu. Sobre as restantes 22, não há dados que permitam a comparação.
Cenário diferente verifica-se em Matemática A. Neste caso, mantém-se o domínio dos privados, já que o top 10 do exame de Matemática A continua a ser dominado pelos colégios. O primeiro classificado é o Externato Senhora do Carmo, situado em Lousada, que no ranking geral ocupa a 33.ª posição. Ali, a média do exame de Matemática A foi de 17,72 valores, uma subida de 1,8 valores em relação ao exame de 2024. Contudo, esta escola é a exceção à regra: no resto do top 10, todas as escolas viram a sua média do exame de Matemática A descer em relação a 2024.
Aliás, essa foi a tendência geral em todo o país. De entre as 618 escolas analisadas, em 500 (isto é, 80,9% do total) a nota do exame de Matemática A desceu, ao passo que apenas subiu em 99 (ou seja, 16%) escolas. Sobre as restantes 19, não há dados que permitam estabelecer uma comparação direta.
25% das escolas do top 100 são de Lisboa e Porto
Um total de 50 concelhos surge representados no top 100 dos exames nacionais de 2025 nas escolas secundárias portuguesas. É uma ligeira redução da representatividade geográfica em relação a 2024, quando este top contava com a presença de 53 concelhos.
Não surpreende que Lisboa, a capital e o concelho mais populoso do país, seja aquele que conta com mais entradas no top 100: são 16 as escolas lisboetas nesta lista (mais duas do que em 2024), das quais apenas três são públicas e 13 são privadas.
Segue-se o Porto, em segundo lugar, com nove escolas no top 10, das quais duas são públicas e sete privadas. Vila Nova de Gaia e Cascais, com quatro escolas cada uma, ocupam o terceiro lugar.
Quase 65% das privadas analisadas entraram no top 100
No ranking das escolas secundárias feito pela Nova SBE para o Observador, foram analisadas 618 escolas, das quais 517 são públicas e 101 privadas. Mas a distribuição destas escolas na tabela está longe de ser uniforme. Na verdade, quando olhamos para as primeiras 100 classificadas, 65 são privadas e apenas 35 são públicas. Isto significa que 64,4% de todas as escolas privadas analisadas pelo ranking se encontram no top 100.
Olhando concretamente para o top 10, ele é integralmente composto por escolas privadas. O ranking ordenado exclusivamente a partir das notas dos exames nacionais é liderado pelo Grande Colégio Universal (Porto), cujos alunos obtiveram uma média de 16,81 valores nos exames. Segue-se o Colégio Nossa Senhora do Rosário (Porto), com uma média de 16,56 valores. Em terceiro lugar estão, ex aequo, o Colégio Efanor, em Matosinhos, que no passado chegou a liderar sistematicamente o top, e o Colégio Horizonte (Vila Nova de Gaia), ambos com 16,38 valores.
Este já era o cenário no ranking do ano passado, referente aos exames de 2024, com um top 10 integralmente composto por escolas privadas e com o Grande Colégio Universal a liderar a tabela com uma média de 16,84 valores.
Há menos escolas com média negativa do que em 2024
O número de escolas nas quais a média dos exames nacionais foi negativa desceu em 2025 para 25, ou seja, 4,05% das 618 escolas analisadas no ranking feito pela Nova SBE para o Observador. No ranking do ano passado, elaborado a partir dos exames de 2024, um total de 31 escolas tinham tido uma média negativa nos exames nacionais, representando 5,03% do total das escolas analisadas.
Este indicador tem sofrido variações significativas. Por exemplo, em 2023, apenas dez escolas (ou 1,66% do total) tinham tido uma média de exames nacionais abaixo dos 9,5 valores, o limiar considerado para a aprovação ou reprovação num exame nacional.
Isto significa, ainda assim, que a esmagadora maioria das escolas portuguesas registou média positiva nos exames nacionais. No fundo da tabela dos exames de 2025 surge, pelo segundo ano consecutivo, a Escola Secundária da Baixa da Banheira, situada no concelho da Moita. Ali, os alunos tiveram em média 7,64 valores — uma distância de 9,17 valores para o primeiro classificado do ranking.
Em mais de 250 escolas, pelo menos 20% dos alunos são carenciados
Uma vez que os rankings tradicionais servem apenas para ordenar as escolas com base na nota média obtida pelos seus alunos nos exames nacionais, não são especialmente úteis para analisar a capacidade das escolas para funcionarem como elevador social, já que arriscam deixar de fora múltiplas variáveis fundamentais para compreender o sucesso e o insucesso escolar — incluindo a situação socioeconómica de cada aluno, a escolaridade dos pais e características específicas de cada escola (como a crónica ausência de professores que afeta mais determinadas partes do país do que outras ou o número de alunos por turma).
Para responder a essa falha na análise, o Ministério da Educação tem também divulgado dados que permitem estabelecer um ranking paralelo, baseado em indicadores de equidade. Na prática, um ranking que permite medir a capacidade das escolas de estimular os alunos mais carenciados a concluir com sucesso o ensino secundário, independentemente do ponto de partida de cada um.
Esses dados também permitem traçar um retrato da situação das escolas públicas portuguesas, uma vez que a informação sobre os apoios da Ação Social Escolar diz respeito exclusivamente ao ensino público. O ranking preparado pela Nova SBE tem dados sobre os apoios sociais num total de 481 escolas públicas nacionais. De entre elas, só em oito escolas é que a percentagem de alunos que recebem apoios é de zero — o que significa que na esmagadora maioria (473, ou seja, 98,3% do total) há alunos carenciados a necessitar de receber apoios ao abrigo do programa da Ação Social Escolar.
Em sete escolas, a percentagem de alunos que recebem apoios é superior a 50%. Destaca-se a Escola Básica e Secundária do Centro de Portugal, no concelho de Vila de Rei, onde 67% dos alunos recebem apoios sociais. Em segundo lugar nesta tabela surge a Escola Básica e Secundária Abel Botelho, em Tabuaço, com 64% dos alunos objeto de apoios sociais. A Escola Secundária da Baixa da Banheira, na Moita, que figura em último lugar no ranking dos exames nacionais, é também uma das escolas com maior percentagem de alunos carenciados — 56% dos seus estudantes recebem apoios — e uma das escolas onde mais alunos chumbam (44% dos seus estudantes reprovaram no 12.º ano).
Estas escolas têm tido também dificuldades em obter bons resultados no ranking da equidade. Tomando ainda como exemplo o caso da Escola Secundária da Baixa da Banheira, a percentagem de alunos com apoio social que conseguiram concluir o ensino secundário com sucesso em três anos ficou 12,14 pontos percentuais abaixo do que seria esperado considerando a média nacional de escolas cujos alunos têm um perfil semelhante.
Num país onde, segundo dados de 2025, 15,4% da população vivia em risco de pobreza e 9,5% em risco de pobreza persistente, havia em 2025 um total de 251 escolas em que pelo menos 20% dos alunos recebiam apoios sociais — ou seja, 52,2% das escolas sobre as quais há dados. Trata-se de uma situação pior do que a retratada pelos rankings do ano passado, segundo os quais mais de metade das escolas tinha uma percentagem de alunos a receber apoios sociais abaixo dos 20%.
Todas as três escolas secundárias de Chaves entram no top 10 da equidade
Olhando para o top 10 do ranking da equidade — isto é, as dez escolas secundárias portuguesas que foram mais eficazes a promover um percurso escolar de sucesso entre os alunos mais carenciados — há um aspeto que salta imediatamente à vista: a presença de três escolas do concelho de Chaves. Todas as escolas secundárias do ensino regular do concelho chegaram àquela lista, com pontuações muito significativas neste ranking.
A Escola Secundária Dr. Júlio Martins ocupa, aliás, o primeiro lugar do ranking. Com uma média de 11,76 valores nos exames nacionais feitos pelos seus alunos, esta escola tem 25% dos seus estudantes abrangidos pelos apoios da Ação Social Escolar. Desses, 96% conseguiram concluir o ensino secundário nos três anos regulares — uma percentagem que ficou 26,79 pontos percentuais acima do que seria esperado, quando a escola é comparada com outras escolas com alunos de perfil semelhante. No ranking tradicional, esta escola ficou na 323.ª posição.
Em quinto lugar no ranking da equidade surge a Escola Secundária Dr. António Granjo, também no concelho de Chaves. Esta escola, onde os alunos tiveram em média 11,84 valores nos exames nacionais, figura em 312.º lugar no ranking global, mas surge entre as melhores no que toca à equidade. Com 24% dos seus alunos apoiados pela Ação Social Escolar, esta escola conseguiu que 94% destes estudantes carenciados chegassem ao fim do secundário em três anos, uma percentagem 22,99 pontos percentuais acima da média das escolas com alunos de perfil comparável.
Chaves também encerra o top 10 da equidade, com a Escola Básica e Secundária Fernão de Magalhães a ocupar a décima posição do ranking, apesar do seu 227.º lugar no ranking tradicional com uma média de 12,17 valores nos exames nacionais. Ali, 28% dos alunos recebem apoios da Ação Social Escolar — e 95% deles concluíram o ensino secundário nos três anos. É uma percentagem 21,62 pontos acima do que seria esperado pela média das escolas comparáveis.
Apenas seis escolas asseguraram o sucesso de todos os alunos carenciados
O ranking da equidade permite-nos extrair mais dados interessantes sobre o desempenho das escolas. Se olharmos em absoluto para a taxa de sucesso (cumprir o ciclo de estudos em três anos e ter positiva nos exames finais) dos alunos carenciados das secundárias portuguesas, em vez de atentarmos apenas na comparação com a média, encontramos apenas seis escolas que conseguiram alcançar os 100%. Trata-se do dobro do número do ano passado (quando apenas três escolas o conseguiram), mas de um número inferior ao de há dois anos (12 escolas tiveram este sucesso de 100% em 2023).
Trata-se da Escola Secundária D. Afonso Sanches (Vila do Conde), da Escola Básica e Secundária de Escariz (Arouca), da Escola Secundária Quinta das Palmeiras (Covilhã), da Escola Básica e Secundária Dr. Machado de Matos (Felgueiras), da Escola Básica e Secundária de Celorico de Basto e da Escola Básica e Secundária Miguel Torga (Sabrosa). Nestas seis escolas, 100% dos alunos carenciados conseguiram cumprir o secundário em três anos e obter positiva nos exames finais.
E não se pense que são anomalias estatísticas provocadas pelo baixo número de exames ou pela reduzida percentagem de alunos carenciados: nestas escolas o número de provas realizadas oscilou entre os 91 (Sabrosa) e os 396 (Covilhã) e são escolas em que a percentagem de alunos apoiados varia entre os 18% (Covilhã) e os 44% (Arouca e Celorico de Basto). No fundo da tabela, encontramos 25 escolas em que a percentagem de alunos carenciados que conseguiram completar o secundário nos três anos regulares ficou abaixo de 50%.
Número de escolas com pelo menos 90% de professores nos quadros mais do que quadruplicou
Foi mais um arranque de ano letivo clássico em Portugal, marcado pelo já crónico problema da falta de professores nas escolas públicas. No início de setembro, a Fenprof denunciava 2.650 horários por preencher nas escolas nacionais e o ministro da Educação, Fernando Alexandre, reconhecia que o país continuará a ter falta de professores “durante alguns anos”. Duas semanas depois, no arranque do ano letivo, a mesma federação de professores destacava que dois terços das escolas do país estavam afetadas pelo problema. E, já em outubro, o ministro da Educação avançava a possibilidade de os licenciados poderem começar a dar aulas antes de terem o mestrado ou a profissionalização, para tentar combater a falta de docentes.
Ainda assim, o ranking deste ano mostra uma evolução positiva neste âmbito. Se, no ano passado, apenas nove escolas tinham pelo menos 90% dos seus professores nos quadros, este ano este número subiu significativamente para 43. A Escola Básica e Secundária Dr. José Leite de Vasconcelos, em Tarouca (que ficou em 459.º no ranking global, com uma média de 11,17 nos exames), lidera esta tabela: ali, 98% dos professores pertencem aos quadros da escola. Em segundo lugar surgem, ex aequo, três escolas. Uma delas é a Escola Secundária de Tondela, com 95% dos professores nos quadros, que ficou em 245.º lugar no ranking global, com uma média de 12,09 nos exames. Era esta a escola que liderava a tabela dos professores nos quadros no ano passado. Também com 95% de professores nos quadros encontram-se a Escola Secundária Adolfo Portela (Águeda) e a Escola Secundária D. Dinis (Coimbra).
No fundo da tabela, surgem várias escolas da Área Metropolitana de Lisboa — a região cronicamente mais afetada pela falta de professores, explicada em parte pela dificuldade em atrair docentes para dar aulas na região devido aos elevados preços da habitação. A Escola Secundária de Camarate, no concelho de Loures, é a última classificada desta tabela, com apenas 43% dos seus professores nos quadros. Em penúltimo surge a Escola Secundária Fonseca Benevides, no concelho de Lisboa, com 51%, e em antepenúltimo a Escola Básica e Secundária Dr. Azevedo Neves, no concelho da Amadora, com 54%.
Na lista dos dez últimos classificados neste indicador, volta a surgir a Escola Secundária da Baixa da Banheira, no concelho da Moita, a última classificada do ranking geral, onde apenas 56% dos professores pertencem aos quadros. O fundo da tabela quanto à percentagem de professores que integram os quadros inclui várias escolas que também figuram no fim do ranking das notas dos exames.