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Rankings ModA 4.º ano. Melhor escola é privada, notas são mais altas a Inglês e 22% das escolas com média negativa

Em 2025, os alunos realizaram pela primeira vez as provas de Monitorização da Aprendizagem. A melhor escola pública, onde 23 estudantes foram avaliados a Português, Matemática e Inglês, é em Lousada.

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Todos os gráficos são interativos. Passe o cursor sobre as tabelas para ver mais informação. Consulte aqui os Rankings das Escolas 2025

Foi em 2025 que os alunos de 4.º e 6.º anos fizeram pela primeira vez as provas de Monitorização da Aprendizagem (ModA), cujas melhores notas se registam — tal como nos exames nacionais de 9.º e 12.º anos — nas escolas privadas. Estas provas não têm qualquer influência na nota final dos alunos, mas visam apurar as fragilidades a nível de literacia e competências com vista à eventual aplicação de medidas localizadas.

Quanto ao 4.º ano de escolaridade, o Novo Colégio Chupetão, no Porto, lidera o ranking, seguido de outra escola do Norte, o Externato Infantil Paraíso dos Pequeninos, em Santa Maria da Feira. Seguem-se duas escolas na Grande Lisboa (o Externato Príncipes de Aviz, em Cascais, e o Colégio Saint Daniel Brottier – Sede, em Lisboa) e o Externato Menino Jesus, em Coimbra. Entre estas escolas, só uma — o Paraíso dos Pequeninos — tem mais de 23 alunos do 4.º ano; o Novo Colégio Chupetão tem apenas 12. A pequena quantidade de alunos é uma constante nas escolas do 4.º ano analisadas: em média, têm 31,3 e o número mínimo de alunos para efeitos de análise, dez, verifica-se em 50 escolas. O estabelecimento desse valor mínimo levou a que 994 escolas nacionais não fossem integradas neste ranking.

A primeira escola pública desta lista, a Escola Básica de Igreja em Lousada, tem 23 alunos a frequentar o 4.º ano e atingiu 71,94 pontos em 100 de média, 17,6 pontos a mais do que a média nacional: 54,3. Em 2025, os alunos fizeram provas de Português, Matemática e Inglês. Esta última é uma disciplina rotativa, que é feita de três em três anos. Entre estas três disciplinas, 61% dos resultados foram Proficiente ou Avançado, os níveis mais elevados da escala. A Português e a Matemática, a melhor escola é o Novo Colégio Chupetão. A nível nacional, as médias das provas ModA foram positivas em 2025.

Este ranking de escolas foi feito com base nos dados oficiais divulgados pelo Ministério da Educação, e posteriormente organizados e analisados pelo Observador, em parceria com a Nova SBE. Estão incluídas escolas que realizaram pelo menos 30 provas.

Alunos do 4.º ano conseguiram melhores notas a Inglês do que a Português ou Matemática

Ano a ano, o enunciado das provas ModA é mantido sob sigilo, de forma a permitir a repetição das perguntas aos alunos para comparar os conhecimentos das turmas. Só em 2027 é que o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) irá divulgar os dados relativos a 2026 e, desta forma, permitir as primeiras comparações entre escolas. Para já, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) indicou este mês que, no 4.º ano, os resultados a Matemática tinham melhorado, bem como a Português.

As provas têm como objetivo, a Matemática, aferir dimensões como o raciocínio e comunicação e resolução de problemas, ao passo que o Português versa sobre a compreensão e a produção de textos. “Eu sei que o objetivo do Governo é manter a prova de forma a que ela possa ser utilizada outra vez no próximo ano e, portanto, podermos avaliar a evolução dos conhecimentos dos alunos relativamente ao ano anterior”, concede João Marôco, professor associado de Estatística e Métodos de Investigação do ISPA e antigo coordenador de estudos de avaliação em larga escala em Portugal. “Mas não precisa de ser toda a prova secreta. O agora EduQA, na altura IAVE, pode obviamente falar da estrutura da prova, dos critérios de cotação, de classificação e pode tornar o processo, apesar dos itens não serem públicos, transparente.”

“Sem essa informação, nós estamos cegos. Um simples número por si só não nos diz nada. Nós precisamos de ter informação, por exemplo, para olhar para a percentagem de acertos em cada item das provas, em cada domínio que avaliamos”, explica o perito. “E mesmo que os itens viessem simplesmente nomeados como item, sem vermos qual era a pergunta e qual era a resposta, era possível fazer uma análise detalhada e perceber este ano quais é que são os itens ou domínios onde os alunos têm mais dificuldades.”

A escola pública que mais se destacou nestas provas foi a Básica de Igreja em Figueiras, Lousada, onde 23 alunos do 4.º ano obtiveram uma média de 71,94 pontos em 100. Seguem-se a Escola Básica de Orjariça, em Torres Vedras (71,91) e a Escola Básica de Vila Boa do Bispo, no Marco de Canaveses (71,35). No Português, distinguiu-se a Escola Básica de Areias, em Vale de Cambra (70,05), ao passo que a Escola Básica de Laborim de Baixo obteve o melhor resultado a Matemática com os seus 75,36 pontos. Finalmente, a melhor pública a Inglês foi a Escola Básica n.º 1 de Frazão, em Paços de Ferreira (82,47 pontos).

Ao considerar as escolas com maiores percentagens de classificações mais elevadas — Proficiente e Avançado —, todos os alunos em 17 estabelecimentos escolares obtiveram essa nota nas provas. Há mais escolas (71) onde 100% dos alunos conseguiram as classificações mais elevadas a Matemática, do que a Português (37). Quanto à disciplina em que os alunos conquistaram a média mais elevada, é a Inglês, a disciplina rotativa de 2025, que os alunos mais se destacam: 60,6 pontos de média.

Para a presidente da Associação Portuguesa de Professores de Inglês (APPI), os resultados não são uma surpresa. “É nossa convicção que tem a ver com o facto de se tratar de níveis de iniciação, associados à aquisição de competências linguísticas elementares, nomeadamente ao reconhecimento de vocabulário familiar e à compreensão de expressões simples, para além de, atualmente, haver um contacto maior, no dia a dia, com a língua inglesa”, adianta Sónia Ferreirinha ao Observador. “De referir, ainda, o crescente investimento dos docentes de Inglês destes níveis de ensino no desenvolvimento do seu conhecimento científico-pedagógico.”

A nota a Inglês ficou quase dez pontos acima de Português (51,44), uma diferença entre línguas também expectável. “A literacia em Português exige uma competência crítica, analítica e de reflexão que é natural da língua materna. Por outro lado, a literacia em Inglês no 1.º ciclo está muito focada na comunicação funcional, no quotidiano e no uso prático da língua. Os alunos não sabem ‘mais’ Inglês; respondem é a estímulos de literacia que, nesta faixa etária, são muito mais imediatos e ajustados à realidade digital e global em que os alunos se desenvolvem”, afirma a professora de Inglês. “Além disso, os níveis de exigência são diferentes, tendo em conta também o número de horas de aprendizagem de cada uma das disciplinas.”

Já a média de Matemática (51,1) deixa preocupações. “Se já no 4.º ano estamos com metade dos nossos alunos aos 9, 10 anos com sérias dificuldades a Matemática, imagine o que acontece quando estes alunos passarem pelo ensino secundário e entrarem no Ensino Superior e eventualmente vão ter de escolher cursos”, aponta João Marôco. “É muito preocupante se nós no 4.º ano já temos metade das nossas crianças com dificuldades basilares a Matemática. Mais uma vez, a gravidade destes 50% depende do nível de dificuldade e do nível de exigência da prova que nós não conhecemos”, frisa, referindo-se ao sigilo das provas ModA.

No extremo oposto, também são públicas as escolas cuja média foi menor: a Escola Básica do Bairro do Armador, em Lisboa (37,46), a Escola Básica dos 1.º, 2.º e 3.º Ciclos com Jardim de Infância da Vila de Rabo de Peixe, nos Açores e a Escola Básica da Quinta da Princesa, Loures (ambas com 38,17).

São 573 as escolas (22%) que obtiveram uma média inferior a 50 pontos nas provas ModA. A escola com a pior nota a Matemática foi a Escola Básica do Bairro do Armador (Lisboa, 33,14) e a Português, foi a Escola Básica Bernardim Ribeiro (Odivelas, 24,76).

É em Viana do Castelo que ficam dez das 15 melhores escolas do ranking da equidade. Mas esta só pode ser calculada por agrupamento

Pela primeira vez, o ranking das escolas contém dados sobre a equidade — o indicador que revela os estabelecimentos escolares onde se verificou um melhor desempenho escolar dos estudantes mais carenciados — do 1.º e 2.º ciclos. Contudo, os dados de contexto devem ser lidos não escola a escola, mas relativamente ao agrupamento, porque a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) só os disponibiliza relativamente aos alunos do 3.º ciclo e o ranking usa os dados relativos à escola desse ciclo do agrupamento. Por isso, no ranking de equidade do 1.º ciclo, há vários dados (como a percentagem de alunos com Ação Social Escolar) que surgem iguais entre várias escolas do mesmo concelho, porque dizem todos respeito à escola do 3.º ciclo (que, em muitos casos, é a única) do agrupamento.

Com esta nota prévia, o estabelecimento que surge em primeiro lugar é a Escola Básica do Sudeste de Baião, que pertence ao Agrupamento de Escolas com o mesmo nome. Na escola básica, estudam 22 alunos, que obtiveram uma média de 53,98 pontos nas provas ModA. A escola, que fica em Santa Marinha do Zêzere, obteve ainda uma média de 52,4 pontos a Matemática, superior à de Português (52,1), e ambas positivas. Dois terços (66,7%) dos resultados nas provas ModA conseguiram as classificações mais altas: Proficiente ou Avançado. No ranking geral, esta escola situa-se na 1.302.ª posição. Apesar de existir outro centro escolar do 1.º ciclo no mesmo agrupamento, este não realizou provas suficientes para ser integrado no ranking.

De seguida, surgem dez escolas do concelho de Viana do Castelo, que partilham a mesma posição: a 2.ª na tabela. Nove delas pertencem ao Agrupamento de Escolas de Monte da Ola, e uma, ao Agrupamento de Escolas da Abelheira.

No Agrupamento de Escolas de Monte da Ola, 10% dos estudantes são de origem estrangeira, cujos pais são atraídos pelo emprego na indústria e serviços do concelho. É o agrupamento com mais alunos do concelho, relata Manuel Vitorino, vereador da Educação da Câmara de Viana do Castelo, ao Observador: são 2.200. Todos os anos, a autarquia investe 188 mil euros para permitir que os seus 10.777 alunos tenham acesso gratuito a atividades desportivas e culturais “integralmente pagas pelo município”, como, por exemplo, natação no 1.º ciclo ou teatro e cinema, através de protocolos com o Centro Dramático de Viana, o Teatro Noroeste. Para o vereador, dar a todos as mesmas experiências favorece o desempenho escolar dos alunos mais carenciados.

Neste ranking do 4.º ano só figuram escolas públicas. Em 68% (1.233) das 1.812 escolas que compõem este ranking da equidade, registou-se 0% de retenções: nenhum aluno chumbou o 4.º ano. Ao considerar o ranking geral, entre as 2.128 escolas que disponibilizaram esses dados, houve 0% de chumbos em 84,7% das escolas.

Voltando à equidade, no fim da tabela surgem duas escolas do Agrupamento de Escolas de Eixo, em Aveiro. Na primeira, a Escola Básica de Azurva, verificou-se 10% de retenções no 4.º ano; já na Escola Básica de Eixo, foram 3%.

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