Depois de o Porto acolher o Primavera Sound, Lisboa recebe o seu primeiro grande festival de música do ano. A quarta edição do MEO Kalorama arranca esta quinta-feira, 19 de junho, e prolonga-se até sábado, dia 21, no Parque da Bela Vista, em Lisboa.
O recinto vai funcionar entre as 16 horas e as três da manhã. Os bilhetes diários estão disponíveis por 55€, sendo que o passe geral que garante o acesso aos três dias fica por 105€. Os restantes pacotes e descontos, bem como todas as informações úteis necessárias, podem ser consultados no site oficial do festival. Saiba, no entanto, que os ingressos terão de ser trocados por pulseiras na chegada ao evento.
Em relação aos acessos, vários transportes serão reforçados e também haverá descontos nos preços para quem tiver um bilhete para o MEO Kalorama. Toda a informação sobre transportes está disponível numa página específica.
Quanto à música, o MEO Kalorama volta a apostar num cartaz diverso com uma grande percentagem de artistas internacionais, tanto músicos em auge de carreira (como FKA Twigs, Damiano David ou Jorja Smith) como outros mais consagrados, com percursos sólidos e mais estabelecidos, como é o caso de The Flaming Lips, Pet Shop Boys, Róisin Murphy ou Scissor Sisters.
Uma das principais tendências na evolução da música popular das últimas décadas, também fruto da globalização, reflete-se nesta programação. São muitos os artistas presentes que desafiam as convenções e os géneros musicais tradicionais e padronizados para mesclarem elementos pop, rock, eletrónica ou jazz, com muitos híbridos a assumirem diferentes formas e a apresentarem-se nos diferentes palcos do Parque da Bela Vista. Eis um possível roteiro para os três dias de MEO Kalorama.
QUINTA-FEIRA, 19 DE JUNHO
Father John Misty
Palco MEO, 20h35
Tem sido um nome frequente nos festivais portugueses ao longo dos últimos anos, o que também tem ajudado a sedimentar um público local. O que os portugueses ainda não ouviram ao vivo foi o aclamado álbum Mahashmashana, editado no ano passado, que Father John Misty apresenta agora na Bela Vista. Um disco introspetivo que reflete sobre identidade, luminoso e maduro, e que foi amplamente elogiado pela crítica. Será a primeira oportunidade para escutar em primeira mão, em carne e osso, canções como I Guess Time Just Makes Fools of Us All, She Cleans Up ou Josh Tillman and the Accidental Dose. Mas também não irão faltar os temas que na última década tornaram Father John Misty num dos músicos contemporâneos mais relevantes do espetro indie e folk rock.
Pet Shop Boys
Palco MEO, 22h44
É preciso recuarmos 15 anos para a última apresentação dos Pet Shop Boys na região de Lisboa — e mesmo assim estamos a ser generosos, porque aconteceu no Super Bock Super Rock do Meco. Com mais de quatro décadas de carreira, os britânicos Neil Tennant e Chris Lowe trazem a sua pop embebida em música de dança ao palco principal do MEO Kalorama. As canções em destaque serão as de Nonetheless (2024), mas não será exagero dizer que o alinhamento promete fazer uma viagem pelo seu vasto percurso, composto por muitos álbuns e músicas. Afinal, êxitos como West End Girls, Always On My Mind, It’s a Sin ou Go West são verdadeiramente incontornáveis.
L’Impératrice
Palco San Miguel, 0h25
Têm estado num sério caso de romance com o público português. Os franceses L’Impératrice foram, em 2024, os protagonistas de um dos concertos mais badalados e vibrantes do Vodafone Paredes de Coura (onde se estrearam no nosso país em 2022). No ano anterior, já se tinham apresentado perante uma multidão no Super Bock Super Rock. Desta vez, é no MEO Kalorama que fazem a festa com as suas canções pop dançáveis, envoltas em batidas eletrónicas nu-disco, que se têm revelado realmente contagiantes. A grande mudança é que, no ano passado, Flore Benguigui deixou o papel de vocalista, abandonando a banda por uma série de divergências; tendo sido substituída por Maud “Louve” Ferron.
The Flaming Lips
Palco MEO, 1h30
Depois de mais de 40 anos de carreira e passagens pelo Primavera Sound, Paredes de Coura e Sudoeste, os The Flaming Lips estreiam-se em Lisboa com este concerto no MEO Kalorama. Os norte-americanos — conhecidos pelo seu pop rock experimental, psicadélico e alternativo — lançaram em 2020 o seu último álbum, American Head. Mas o que se espera para este espetáculo, como quase sempre acontece nos casos de bandas com várias décadas de carreira, é sobretudo um best of do seu percurso. Por isso, espere ouvir clássicos como Do You Realize??, Yoshimi Battles the Pink Robots, Pt. 1 ou She Don’t Use Jelly.
SEXTA-FEIRA, 20 DE JUNHO
MAQUINA.
Palco San Miguel, 18h40
Uma das maiores sensações da música portuguesa alternativa e emergente dos últimos anos serão sem dúvida os MAQUINA.. Habituámo-nos a vê-los nas programações dos clubes e salas independentes, dos pequenos festivais de música espalhados pelo país, nos palcos apertados e intimistas sem grandes fronteiras entre banda e público. Desta vez, apresentam-se num dos maiores festivais de Lisboa, num palco grande, para tocarem o seu rock dançável — por vezes musculado, com nuances punk ou psicadélicas — que se materializou nos discos PRATA (2024) e DIRTY TRACKS FOR CLUBBING (2023). Uma descarga de energia elétrica movida a distorções de guitarra, percussões maquinais e linhas de baixo pujantes.
Model/Actriz
Palco San Miguel, 20h35
De Brooklyn para Chelas. Os Model/Actriz são autores de uma música urgente, muitas vezes explosiva, que combina a energia do rock e do punk com elementos da música eletrónica, num combinado noisy que promete agitação — sobretudo ao vivo, já que as performances da banda são intensas. Em contraste, o vocalista Cole Haden usa frequentemente a voz de forma melódica, com um timbre suave, sussurrando e declamando as letras, muitas vezes incluindo referências e temáticas queer. Depois de vários anos a fazerem um circuito de clubes e a editar em formatos discretos, apresentaram-se definitivamente com Dogsbody (2023), a que deram seguimento este ano com Pirouette.
Scissor Sisters
Palco MEO, 23h50
É um regresso há muito esperado por muitos fãs. Fundados no circuito noturno gay de Nova Iorque no início dos anos 2000, os Scissor Sisters fizeram furor com a sua mistura de pop, rock (muitas vezes com elementos glam) e música de dança. I Don’t Feel Like Dancing, Let’s Have A Kiki ou I Can’t Decide são só alguns dos exemplos que os fizeram viajar pelo mundo, conquistando milhares e milhares de fãs. Em 2012, pouco tempo depois de lançarem o seu quarto álbum, Magic Hour, anunciaram que iriam fazer um hiato por tempo indefinido, colocando a atividade da banda em pausa. O regresso só foi anunciado no ano passado, com o pretexto da celebração dos 20 anos do seu homónimo disco de estreia, embora nem todo o grupo tenha suspendido o hiato. Ana Matronic e Paddy Boom preferiram não se reunir com os companheiros Jake Shears, Babydaddy e Del Marquis. Seja como for, 13 anos depois, os Scissor Sisters estão de volta a Portugal com os seus êxitos de sempre.
Róisin Murphy
Palco San Miguel, 0h55
Três anos depois, Róisin Murphy está de volta ao MEO Kalorama com um álbum que ainda não apresentou em terras portuguesas. A artista irlandesa de 51 anos, que se tornou conhecida como metade dos Moloko nos anos 90, vem apresentar a sua Hit Parade (2023). Esta é uma pop dançável, uma música relativamente exploratória e conceptual, que tanto pode ir beber ao disco como ao jazz ou à música eletrónica. Contemporânea e marcadamente a viver no presente, ainda assim Murphy não desaponta os mais nostálgicos que queiram ouvir um Sing It Back.
FKA Twigs
Palco MEO, 2h
É uma dos nomes grandes desta edição do festival. Passados 10 anos da sua única atuação em Portugal — no Primavera Sound, no Porto — a artista britânica traz a Lisboa a sua pop vanguardista e autoral, muitas vezes envolvida em elementos eletrónicos. No início deste ano lançou o aclamado terceiro álbum, Eusexua, inspirado no imaginário do techno e das raves, das subculturas urbanas que borbulham nas margens da sociedade. FKA Twigs transporta esse universo clubbing para o campo da pop, não o desvirtuando, mas pegando nessa matéria-prima para orquestrar uma música original e autêntica que a tem distinguido. As suas performances também têm sido bastante elogiadas, até porque, antes de lançar uma carreira em nome próprio na música, a londrina de 37 anos era bailarina na comitiva de outros artistas.
SÁBADO, 21 DE JUNHO
Yakuza
Palco San Miguel, 17h35
A par dos MAQUINA., os Yakuza são outra banda portuguesa que se tem notado pela fusão de géneros musicais e pelo virtuosismo ao vivo. Em palco, são um autêntico portento, levando o jazz em velocidade hiper-sónica numa viagem que tanto vai ao sabor do rock como às texturas e ambiências da eletrónica. Música urbana, inspirada pelo frenesim da cidade de Lisboa e pelas zonas da classe trabalhadora onde têm origem (a Penha de França e a Picheleira), que no contacto com o público ainda adquire um espírito punk, rebelde e descomprometido. Lançaram em 2024 o segundo álbum, que os leva agora a um dos maiores festivais da cidade.
BadBadNotGood
Palco San Miguel, 19h55
Não há melhor forma de continuar o terceiro e último dia de MEO Kalorama do que com os BadBadNotGood. Se o novo jazz londrino tem inspirado músicos de todo o planeta a cruzarem a tradicão do género com elementos da eletrónica, do rock ou do hip hop — do outro lado do Atlântico esta banda canadiana tem-se esforçado no mesmo sentido, sobretudo nos cruzamentos com o hip hop. Conhecidos pelas suas colaborações com rappers e pelos métodos hip hop que implementam na sua produção musical, também são virtuosos do jazz e ao vivo demonstram todas essas valências. Com quatro concertos nos últimos oito anos em Portugal, desta vez regressam a Lisboa para apresentar Mid Spiral, um disco de três partes editado no ano passado que ainda não tinha sido tocado por cá.
Jorja Smith
Palco MEO, 23h25
Diva do R&B e neo-soul britânico, Jorja Smith é um dos grandes destaques deste MEO Kalorama. Pela terceira vez em Portugal, faltava apresentar o seu mais recente disco, falling or flying (2023), que no ano seguinte teve direito a uma versão deluxe e a uma “reimaginação”, com reinterpretações de várias das faixas do álbum. Aos 28 anos, no auge da sua carreira e com referências que vão do cancioneiro afro-americano às subculturas urbanas inglesas, Jorja Smith promete um dos maiores espetáculos deste ano no Parque da Bela Vista.
Damiano David
Palco MEO, 1h55
As sugestões para o MEO Kalorama deste ano terminam, como não podia deixar de ser, com o concerto de Damiano David, outro dos cabeças de cartaz desta edição. O italiano de 26 anos tornou-se conhecido como o vocalista dos Måneskin, a banda de rock que conquistou a Eurovisão em 2021 e que depois se tornou num inesperado fenómeno global por mérito próprio. No ano passado, Damiano David lançou-se a solo com os singles Silverlines e Born with a Broken Heart, que haveriam de culminar no álbum Funny Little Fears, já editado este ano. A sua primeira digressão em nome próprio passa então por Lisboa nesta noite de 21 de junho, sendo que, no trajeto a solo, o músico tem optado por sonoridades mais suaves e pop.