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FÁBIO PINTO/OBSERVADOR

FÁBIO PINTO/OBSERVADOR

Sérgio Pereira. Banco de Portugal não é suficiente como central de informação sobre créditos

O diretor-geral do ComparaJá, portal de comparação de produtos financeiros, defende a criação de uma agência privada de informação de créditos. Só assim se poderá conceder eficientemente crédito.

Embora tenha trabalhado em projetos de consultoria na banca e nos seguros no Médio Oriente, em nações como o Barém e o Catar, Sérgio Pereira nunca antes se tinha cruzado com as finanças pessoais. Em 2015, mergulhou nesse mundo quando fundou o ComparaJá.pt, um portal de informação e comparação de produtos financeiros.

As primeiras ferramentas do ComparaJá – sobre cartões de crédito e crédito pessoal – mostraram a Sérgio Pereira a lentidão do processo de financiamento. A Central de Responsabilidades de Crédito, gerida pelo Banco de Portugal, faculta pouca informação às entidades credoras, diz, em entrevista ao Observador, o diretor-geral do ComparaJá.

Os escritórios do ComparaJá estão a crescer, não só porque o negócio avança mas, também, porque Sérgio Pereira convenceu o CompareEuropeGroup, o grupo britânico que controla a plataforma portuguesa, a localizar o seu centro europeu de marketing e operações em Lisboa. As contratações continuam ao ritmo da expansão europeia.

Apesar de o crédito malparado de particulares estar em máximos quando o ComparaJá foi lançado em 2015, optaram por arrancar com comparadores de cartões de crédito e de crédito pessoal. Porquê?
O grupo ao qual pertencemos – o ComparaJá.pt faz parte do CompareGlobalGroup – já tinha lançado este tipo de plataforma noutros países. Na altura, tinha muita experiência à volta destes dois produtos em particular. Percebemos as dificuldades de lançar comparadores no mercado – na obtenção de dados – e, juntamente com o facto de o cartão de crédito e o crédito pessoal ter passado, nos anos anteriores, por uma fase muito baixa, decidimos ser uma boa aposta.

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Os portugueses têm uma dificuldade acrescida na análise de propostas de crédito?
O ComparaJá.pt quer ser uma plataforma de referência em vários produtos financeiros, não só no crédito pessoal e no cartão de crédito. Queremos lançar o crédito à habitação, o crédito automóvel, o seguro automóvel, telecomunicações. Optámos pelos produtos mais fáceis de lançar e, em conjunto, tínhamos a expectativa de que o mercado ia aumentar neste ano e nos próximos anos.

Disse que o ComparaJá está inserido num grupo mundial de comparadores financeiros. Como estão os consumidores portugueses de produtos financeiros quando se compara com os dos outros países?
Cada mercado é muito diferente. Sem dúvida que existe muita procura dos portugueses por este tipo de produto, mas a probabilidade de obter crédito é mais baixa do que noutros países.

“A probabilidade de obter crédito é mais baixa [em Portugal] do que noutros países.”

Porquê?
Devido a vários fatores, como as dificuldades das instituições de crédito em segmentar os clientes. Quando comparamos com outras instituições na Finlândia, na Dinamarca ou na Bélgica, há uma componente online muito mais forte, em que conseguem captar o pedido do cliente mais rapidamente e conseguem fazer a primeira análise muito mais rapidamente. Temos o exemplo da Finlândia, em que uma instituição de crédito consegue financiar alguém em quatro horas. Nesses países, em quatro a 24 horas, conseguem fazer a análise e financiar uma pessoa, se acharem que tem viabilidade.

O que falta em Portugal para atingir essa velocidade e ultrapassar as dificuldades?
Em Portugal, agora, falamos em cinco dias e o mais comum é demorar duas a três semanas. A grande dificuldade é não haver um credit bureau, informação partilhada e centralizada de acesso fácil para perceber se o cliente tem o perfil adequado para obter o crédito.

A Central de Responsabilidades de Crédito (CRC), que é gerida pelo Banco de Portugal, não é suficiente?
O que a CRC oferece é uma indicação de valor de prestação mensal e se [o cliente bancário] tem alguma prestação em atraso. Não oferece mais informações em torno do cliente. Todas as instituições pedem comprovativos de vencimento, de morada, de IBAN, documentos e extratos bancários para poderem fazer uma análise muito profunda. Faz-se no crédito à habitação, em que a análise é muito profunda. Mas, no crédito pessoal, faz-se esta análise à mesma, embora seja para montantes mais pequenos e prazos mais pequenos. O analista que gasta meia hora ou uma hora numa análise é ineficiente. Nos outros países, são os credit bureau que fazem a recolha de informação através de várias centrais de informação pública e privada. Depois, conseguem vender essa informação, já trabalhada. É o scoring, um rating para as instituições financeiras trabalharem.

Há uma agência de informação de crédito em Portugal, a Credinformações. Porque não está massificada esta solução?
No ranking do Banco Mundial do Doing Business, Portugal situa-se na 23.ª posição do total. Dentro desse ranking há dez componentes, como facilidade em obter eletricidade, facilidade em montar um negócio, etc., mas também a facilidade de obter crédito. É nessa componente de facilidade de obter crédito que Portugal se situa na 97.ª posição. Essa componente está divida em dois subfatores: o primeiro é se o mercado tem características para pedidos de crédito eficientes e para a resolução de problemas de incumprimentos; o segundo é o acesso a informação extensa, atualizada e completa. É neste último que o mercado falha. Em 2010, a CRC detinha uma quota de mercado de 67,1% do mercado de credit bureau. Em 2015, o credit bureau público tinha uma quota de 100%. Não sei porquê, mas não temos credit bureau privados em Portugal a apoiar tanto crédito a famílias e particulares mas também a empresas. A média europeia de quota de mercado de credit bureau públicos situa-se nos 23%. Há uma diferença muito grande.

Acesso ao crédito
O Banco Mundial calcula que Portugal está na 97.ª posição na facilidade de obter crédito.
País Posição
Nova Zelândia 1.ª
Colômbia 2.ª
Ruanda 2.ª
Estados Unidos da América 2.ª
Afeganistão 97.ª
Bélgica 97.ª
Brasil 97.ª
Irão 97.ª
Portugal 97.ª
Eritreia 185.ª
Iémen 185.ª
Jordânia 185.ª
Líbia 185.ª
São Tomé e Princípe 185.ª
Fonte: Doing Business 2016, Banco Mundial

Num artigo que escreveu para a revista “Exame Informática” fez algumas previsões sobre o futuro da banca portuguesa. Incluiu, por exemplo, um seguro automóvel pago ao quilómetro, um seguro de saúde indexado à atividade física e crédito à habitação aprovado em 30 segundos. Não respondeu, no entanto, a uma coisa: a tecnologia levará os produtos e serviços financeiros a ficarem mais baratos?
A tecnologia, sem dúvida alguma, irá facilitar e reduzir os custos de processamento e de transações nos créditos. Nesse sentido, [o preço] irá reduzir-se. Obviamente, não sei como no futuro as Euribor se irão comportar, as taxas de risco do país se irão comportar, até o mercado imobiliário, o que poderá ter muito impacto. Quando falamos noutros produtos, como telecomunicações e seguro automóvel, vejo um impacto mais direto da tecnologia a reduzir, em média, os custos. Uma das coisas que tentamos fazer é ajudar as pessoas a encontrar o produto certo. Muitas vezes, as pessoas estão a procurar um seguro automóvel e, por não conhecerem bem as características que podem escolher, podem tomar uma decisão errada. Aqui, o ComparaJá poderá facilitar. Temos outro exemplo muito concreto: as pessoas vêm ter connosco e pensam que o crédito pessoal é a melhor solução para si, mas querem crédito para educação. Nesse caso, informamos as pessoas: “Vá a esta página, porque é dedicada a crédito para formação.” As taxas de juro são diferentes e há condicionantes – é preciso mostrar a certidão de registo e ter certas notas –, mas, em termos de TAEG [taxa anual de encargos efetiva global], é muito mais atrativo.

Qual seria a primeira coisa que mudaria na maneira como se faz banca em Portugal?
Todos os setores estão em turbulência com a tecnologia. Temos os exemplos das agências de viagens, dos comparadores de voos, dos hotéis com o Airbnb, Uber nos táxis. O setor financeiro tem resistido. Acompanho muito as startups em Inglaterra e na Alemanha: o N26, o Tandem e o Atom. São novos bancos que atacam o mercado de maneira diferente, com custos operativos muito mais baixos. Estão a oferecer produtos mais interessantes para a nova geração. Na banca, em Portugal, há uma necessidade de melhorar a eficiência de processos e reduzir custos. Os bancos não estão a dar o retorno necessário. Vêm ainda mais ameaças, novas instituições financeiras que podem captar quota de mercado de uma forma bastante rápida.

“Os bancos não estão a dar o retorno necessário”, avisa Sérgio Pereira.

FÁBIO PINTO/OBSERVADOR

Disse que o ComparaJá avançará para comparadores de crédito à habitação, de crédito automóvel, de seguro automóvel e de telecomunicações. Quando?
O crédito à habitação é importante. O mercado está a crescer. Mas os próximos dois produtos a serem lançados serão o seguro automóvel – gostaríamos de o poder lançar até ao final do ano – e telecomunicações, banda larga. O que queremos montar é um simulador em que uma pessoa consegue, em poucos passos, simular qual o pacote de telecomunicações que gostaria de ter: só banda larga; banda larga, TV e telefone fixo; pode incluir também telemóvel ou banda larga móvel.

Enquanto não avançam, a concorrência aumenta. Há portais que são claramente concorrentes, como o Compare o Mercado, que já inclui, além dos cartões de crédito e do crédito pessoal, seguros, planos de poupança e crédito automóvel. Consideram outras instituições, como a Deco Proteste, que também tem comparadores de produtos financeiros, e os meios de comunicação social que fazem análises a esses produtos, como o Observador, vossos concorrentes?
Não, de maneira nenhuma. O CompareGlobalGroup está focado em fazer comparações de produtos financeiros. Quem visita o nosso site está à procura deste produto e quer saber mais. Quer tomar uma decisão informada e ponderada. Também desenvolvemos bastante conteúdo para as pessoas estarem a par: para saberem sobre o IMI no crédito à habitação ou sobre a franquia do seguro automóvel. Temos este conteúdo para gerar uma comunidade à nossa volta, como um KuantoKusta, um Booking.com ou um Momondo.

Ainda não existe um comparador de produtos financeiros dominante. O ComparaJá.pt tem ambição de ser o número um. Queremos ser uma marca reconhecida a nível nacional. Temos o apoio de um grupo. Já contamos com 20 colaboradores. Estamos a crescer. Podemos ser complemento a uma Deco, que tem uma visão mais alargada. Obviamente, tem alguns canais nas mesmas áreas, mas, sem dúvida, a tecnologia nas suas ferramentas são um pouco mais limitadas. Limitam-se a fazer comparações bianuais, se não estou em erro, em cinco ou seis critérios para as pessoas perceberem. No entanto, não vão ter acesso a um preço real a que podem adquirir naquele momento. Na nossa plataforma, por exemplo no seguro automóvel, a pessoa fará uma simulação, obterá um preço real e poderá, naquele momento, fazer a aquisição do produto.

Quantos utilizadores tem o ComparaJá?
Por mês, temos cerca de 80 mil visitas.

Qual é o objetivo?
O nosso objetivo é o de ter uma notoriedade de praticamente 100%. Queremos que, a médio prazo, todos os portugueses conheçam o ComparaJá, que façam uma comparação no ComparaJá antes de comprar um produto.

É possível saber quanto poupam, em média, ao usar a plataforma?
É muito difícil saber exatamente. Pode-se poupar até mil euros num crédito pessoal de dez mil euros no prazo de 24 meses. Depende se a pessoa consegue ser aprovada na oferta mais competitiva.

Se procurar por esse crédito de dez mil euros a 24 meses, o ComparaJá indica que a Oney tem a oferta mais económica. O que acontece depois de preencher os dados pessoais que pedem?
Entramos em contacto com a pessoa e tentamos ajudar a pessoa a obter o crédito.

Por telefone ou por correio eletrónico?
Telefonicamente ou por e-mail. O ComparaJá é uma plataforma independente, imparcial e gratuita para o utilizador. Quando uma pessoa deixa os seus contactos, tentamos facilitar a comunicação entre o utilizador e a instituição de crédito. É por aí que somos remunerados.

Como ganham dinheiro?
São as entidades. É exatamente como uma Booking.com ou Trivago. São as instituições que pagam pelo reencaminhamento de um contacto.

Quanto ganham por esse reencaminhamento?
Depende muito do tipo de relação. Muitas vezes é só reencaminhar o contacto. Outras vezes, recolhemos mais dados para a instituição. Focamos em ser um site completamente imparcial e independente, mas temos uma parte comercial em que tentamos obter alguma receita para mantermos os 20 colaboradores.

Os 20 colaboradores trabalham para o ComparaJá, mas têm nos vossos escritórios colaboradores dos comparadores estrangeiros.
Exatamente. Eu propus à equipa do CompareEuropeGroup montar o centro europeu de marketing e operações em Lisboa. Concluíram que Portugal faria muito sentido, não só porque seria fácil atrair talento de outros países – dado o nosso clima, praia, comida –, mas também em termos de custos seria mais atrativo montar o centro em Lisboa do que em Londres, por exemplo. Desde outubro do ano passado que temos em Portugal o hub de marketing e operações para todos os nossos países europeus. Portugal foi o segundo país europeu depois da Dinamarca e, desde então, lançámos na Finlândia, Bélgica e Noruega. Temos equipas dedicadas a esses países a trabalhar cá em Portugal. Temos oito ou nove nacionalidades a trabalhar em conjunto nos nossos escritórios. Contamos com quase 50 pessoas só nessa área do CompareEuropeGroup.

Continuam a contratar?
Continuamos a contratar. O plano é continuar a expandir na Europa. Ao adicionarmos mais países ao portefólio, vamos criar equipas para esses países. Ao mesmo tempo, vamos aumentar as equipas de todos os países, conforme o crescimento que tiverem e o lançamento de novos canais.

Pelos anúncios de emprego, procuram maioritariamente jovens talentos. Os despedimentos na banca são uma boa fonte de recursos humanos para o ComparaJá e para o CompareEuropeGroup?
Sem dúvida. São bem-vindos a concorrer. Procuramos, neste momento, mais pessoas na área de customer service e de conteúdos.

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