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As sessões com cães, para doentes em cuidados paliativos, internados ou em ambulatório (e respetivos familiares) são uma das atividades de apoio psicológico nesta sala do IPO-Porto
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As sessões com cães, para doentes em cuidados paliativos, internados ou em ambulatório (e respetivos familiares) são uma das atividades de apoio psicológico nesta sala do IPO-Porto

MARIA JOÃO GALA/OBSERVADOR

As sessões com cães, para doentes em cuidados paliativos, internados ou em ambulatório (e respetivos familiares) são uma das atividades de apoio psicológico nesta sala do IPO-Porto

MARIA JOÃO GALA/OBSERVADOR

Tranquilizar a cabeça quando se alivia o sofrimento no corpo. O apoio psicológico a doentes em cuidados paliativos

No IPO do Porto há um espaço, que não parece um hospital, para apoio psicológico aos doentes com cancro e seus familiares - onde se realizam também atividades para aliviar medos e angústias.

Às segundas-feiras à tarde, a sala é ocupada com uma sessão com cães. Desta vez, são dois, Zazu e Heartie. Desinfetados à entrada da Unidade de Cuidados Paliativos do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, os animais atravessam o corredor. Vários profissionais de saúde já os conhecem e fazem-lhes fests, há doentes que sorriem à passagem. Até que entram num novo lugar. É um espaço amplo, tranquilo, com sofás coloridos, plantas naturais, luz do sol a entrar por várias janelas, quatro gabinetes mais reservados decorados com a mesma simplicidade. É ali que é dado apoio psicológico, que há sessões Reiki duas vezes por semana e uma sessão mensal de autocuidado para doentes em cuidados paliativos, internados e em ambulatório, seus familiares e profissionais de saúde.

Horas antes, as psicólogas fazem uma visita aos quartos da unidade, a maior e mais antiga do país, para divulgar e convidar para a atividade com os cães — a equipa de enfermagem também faz esse trabalho. Aparece quem quer, quem consegue, vão alguns, que pedem reserva e resguardo de si, não querem exposição pública. A senhora Ermelinda, internada, doente oncológica com demência, está de unhas pintadas e turbante na cabeça. Não falha nenhuma sessão. “Já papaste tudo? Já chega por agora”, pergunta depois de dar biscoitos a Zazu e fazer-lhe imensas festas.

Teresa Martins faz e recebe mimos do Zazu. Cuidadora do pai há 16 meses, sabe que precisa de apoio psicológico e por isso vai às consultas regularmente e já assistiu a uma sessão de autocuidado

MARIA JOÃO GALA/OBSERVADOR

Zazu e Heartie são da Ânimas, associação que treina e cede gratuitamente cães de assistência, em intervenções clínicas e sociais, e que oferece a atividade em regime de voluntariado. Zazu, um golden retriver de pêlo amarelo e Heartie um border collie preto e branco, interagem com quem ali está. É a primeira vez que Ana Homet experimenta a sessão, tem dois cães em casa, gosta e pondera voltar a esta atividade que alivia o stress e a ansiedade e promove o bem-estar.

Ana está agora num momento de repouso depois de dois ciclos de quimioterapia. Daqui a dias faz uma TAC, depois tem consulta para avaliar se é ou não necessário iniciar mais um período de tratamentos. Já fez 32, intercalados com três meses de repouso. As suas sessões de quimio duram cinco a seis horas. Aproveita esse tempo para fazer tricot, a camisola laranja que tem vestida foi feita pelas suas mãos. Por vezes, quando tem de esperar, senta-se na sala luminosa e arejada para pegar nas agulhas e nas lãs. “É um foco de tranquilidade”, diz. É ali que também faz Reiki uma vez por semana e que tem apoio psicológico quando precisa.

A equipa de apoio psicossocial tenta ajustar o que os doentes desejam no momento presente, o que é realmente importante agora, o que desejam alcançar, o que é possível fazer. Os objetivos são constantemente adaptados às circunstâncias atuais.  

Aconteceu-lhe tudo demasiado rápido, depressa demais. Era professora de Inglês e Francês, tinha acabado de entrar na reforma com planos para aproveitar o tempo e viajar. Sentiu uns sintomas esquisitos, fez análises no dia seguinte, chegaram os resultados e a notícia de que tinha um tumor no fígado, inoperável, os canais biliares entupidos, um caso raro. Foi em julho de 2023. Dias depois, o confronto com a realidade. Três semanas após o duro diagnóstico, estava internada. Foram tempos difíceis vividos na ansiedade do que viria a seguir. “É o medo, é o desconhecido, olhava para o espelho e não era eu e isso abala-nos.” Tomava medicação para dormir, andava ansiosa, não saía à rua. “Custou-me imenso, o início é muito difícil, só quem passa por isto é que sabe.”

Alexandrina Coelho nunca tinha assistido à sessão com os cães naquele espaço, onde vem habitualmente para as consultas de psicologia. Fica admirada e sensibilizada da interação com o Zazu, que não se acanha em pedir mimos e festas por quem passa, em pousar a cabeça nos colos, abanando a cauda. Alexandrina lembra-se dos seus cães que já morreram, o mais recente, o Júnior, partiu pouco depois do diagnóstico da doença no pâncreas, pulmões, fígado e ossos. “A veterinária disse que ele sentiu quando se descobriu o meu problema, nunca mais quis comer.”

Quatro dias depois do Natal de 2023, Alexandrina Coelho soube o que se passava dentro de si, depois de se ter sentido mal, ter ido para o hospital, ter feito exames e biópsias. “A gente pensa que só acontece aos outros, cada qual com a sua batalha.” Anda a ser seguida no IPO do Porto, nos tratamentos de quimioterapia, consultas nos cuidados paliativos, cuidados oncológicos, na nutrição, e na psicologia. “Aí falo de tudo, não é só da doença. Tanto me rio como choro.” Ana Paula, a cunhada, veio com ela. Por vezes, acompanha-a ao IPO, está muito presente na vida de Alexandrina. “No início, foi um choque, tivemos de ser fortes”, diz, ao lembrar do momento em que a família recebeu a notícia.

O sentido de vida ajustado ao momento presente

Desde abril do ano passado que o IPO do Porto tem este espaço para dar apoio psicossocial e proporcionar bem-estar emocional a doentes em cuidados paliativos, em internamento e em ambulatório, seus familiares e profissionais de saúde. Resulta de um protocolo assinado com a Fundação “la Caixa”. Antes disso, há três anos, o número de profissionais da área psicossocial foi reforçado para aumentar a capacidade de resposta, no âmbito do Programa Humaniza – Apoio Integral a Pessoas com Doenças Avançadas, da mesma fundação. Neste momento, a equipa tem duas psicólogas e uma assistente social.

Débora Peres Filipe é uma das psicólogas. Antes das sessões, vai aos quartos divulgar as atividades e convidar doentes e familiares que estão com eles. Os de ambulatório são informados nas consultas de psicologia. “As atividades têm um caráter psicoterapêutico e muito sensorial, promovem o relaxamento e a sensação de bem-estar para melhorar a qualidade de vida, tendo em conta o período que estão a viver”, sublinha. Desde setembro do ano passado, 140 doentes e familiares participaram no Reiki, 135 nas sessões com cães, 56 nos momentos de autocuidado.

Débora Peres Filipe, psicóloga da equipa de apoio psicossocial dos cuidados paliativos, lida com questões como desmoralização e luto antecipado, em fases difíceis de progressão da doença dos utentes

Maria João Gala

O contexto é bastante específico e o suporte psicológico e emocional é pensado em pessoas que estão numa fase avançada da doença. Há situações para gerir, como a desmotivação, desmoralização, luto preparatório no doente, essa angústia face à morte, e luto antecipatório no cuidador. “Estamos a falar de doentes, na maior parte deles, que veem o seu sentido de vida colocado em causa nesta fase, qual o sentido para a sua experiência, qual o sentido para a sua existência. O que tentamos promover, em termos de acompanhamento psicológico, é o sentido de vida ajustado às vivências atuais, àquilo que é importante para a pessoa agora, o que é que deseja alcançar agora, o que é possível, a criação de objetivos mais ajustados às circunstâncias atuais, que significados podemos dar”, explica Débora Peres Filipe.

As intervenções são direcionadas, para avaliar e intervir. Patrícia Oliveira, psicóloga da equipa, refere que é preciso atenção aos pensamentos, aos medos e ansiedades, angústias e aflições, destes doentes. “Falamos do sofrimento existencial, um sofrimento completo, abarcando várias dimensões ao nível da identidade, da espiritualidade. Uma das estratégias, muito utilizadas na Psicologia, é o relaxamento através da respiração e muitos dos nossos doentes não podem fazer inspirações profundas. Precisamos de trabalhar outras estratégias de base mais sensorial para promover esse relaxamento, esse aumento dos níveis de bem-estar”. Como é o caso das sessões com cães.

“As atividades têm um caráter psicoterapêutico e muito sensorial, promovem o relaxamento e a sensação de bem-estar para melhorar a qualidade de vida, tendo em conta o período que estão a viver”, diz a psicóloga Débora Peres Filipe. 

São momentos que permitem alguma socialização e até uma identificação pela experiência comum que estão a viver. “O doente sai do quarto para um espaço agradável, para um contexto em que vem interagir com um animal, que é uma vivência do dia a dia. Há um momento de simbiose e de ligação emocional profunda”, diz Débora Peres Filipe. A ansiedade diminuiu, o corpo descontrai. “E isso é levado para as horas seguintes, os doentes levam estas sensações consigo.

Há doentes que saem dos quartos, há outros que vêm de casa. Sentam-se, conversam, interagem. Catarina Cascais, da Ânimas, é psicóloga e traz o Zazu, conversa com quem ali está, por vezes, há histórias de vida que vêm à tona, os cães que têm ou tiveram, as saudades de casa, a família. O Zazu é muito dado a mimos. “Os cães não têm os nossos estereótipos, eles não julgam, não sabem que as pessoas estão doentes. Os cães tratam-nos com uma normalidade que, por vezes, lhes falta.” Nestes momentos, não há uma intervenção estruturada, adequa-se ao que vai acontecendo, as conversas que se desenrolam. “O que é importante para estas pessoas é uma comunicação honesta.” E os cães dão isso. Catarina Cascais percorre a sala com o Zazu e tem histórias que guarda, que não esquece, nestas sessões que, realça, “são um ambiente emocional seguro para os doentes.”

As sensações de relaxamento físico e emocional das sessões com cães prologam-se no tempo, são levadas para os quartos ou para casa

MARIA JOÃO GALA/OBSERVADOR

E isso sente-se. Margarida Alvarenga, enfermeira na unidade de cuidados paliativos, especialista em função de gestão, trabalha há 32 anos no IPO do Porto. Fala do lugar onde tudo acontece e da dimensão emocional. “O espaço físico, em si, é agradável, as pessoas podem estar sozinhas ou com os seus familiares e, no fundo, saírem um bocadinho do ambiente hospitalar. Com este espaço, que não parece um hospital, podem deslocar-se um bocadinho não só do ambiente, mas até das rotinas, dos barulhos, que tem um internamento.” Além do físico, há a parte interior. “A novidade, muitas vezes, também ajuda as pessoas a libertar-se um bocadinho e a saírem do mote doença, do mote ‘estou pior’, do mote ‘sou um fardo para os outros’.”

A enfermeira destaca os benefícios que as atividades trazem aos doentes internados. Nota uma certa sensação de leveza quando regressam ao quarto. “É uma realidade diferente de qualquer espaço, permite concretizar coisas aos doentes que eles, à partida, achavam que não era possível: casamentos, festejar as bodas de ouro, aniversários, coisas completamente diferentes do que acontecem numa unidade hospitalar.” Tudo isso faz toda a diferença, vai além da parte física, é bem-vindo ao seu trabalho. “Dá-me ferramentas para também poder ajudar.”

Entre 2022 e 2024 foram atendidos 1369 novos doentes e realizadas mais de 2500 consultas. No mesmo período, foram atendidos 1328 novos familiares, com 2147 consultas realizadas. Nas 2010 consultas de luto registadas nesses dois anos, foram atendidos 247 novos familiares.

Quando entrou no espaço, único no país, pela primeira vez, Alexandrina Coelho ficou admirada. “O que é isto?”, perguntou. “Tanto sossego e uma paz.” Ana Paula, a cunhada, tem a mesma opinião. “Ninguém diz que estamos num hospital, é muito agradável para as pessoas doentes que precisam de ter algum acompanhamento.”

Aos sábados de manhã, Alexandrina e Ana Paula tomam o pequeno-almoço juntas e vão ao ginásio. “Sem me dizer nada, inscreveu-me e comprou-me o kit completo. Faço ginástica, ioga, pilates, máquinas, caminhadas”, diz Alexandrina. São bastante próximas, muito amigas, os dias ficam mais leves quando se juntam. “Sou muito positiva, tenho muita força, não me deixo ir abaixo, tenho momentos em que vou, tento motivos para isso, mas tento esquecer. Tenho momentos em que choro, e tenho de chorar, faz parte, não é fácil. Nas fases de muita tristeza, faço caminhadas, limpo gavetas e armários.” Alexandrina não gosta de estar parada.

“Neste momento, já não penso na doença, durmo imenso, sinto-me bem”

Teresa Martins está de baixa médica para assistência à família, cuida do pai que tem um cancro no intestino, diagnosticado há 16 meses. Foi operado e está em casa. “Não consigo deixar o meu pai com ninguém”, confessa. A notícia da doença deixou-a emocionalmente fragilizada. Entretanto, numa cirurgia, detetaram nódulos no fígado do pai. “Entrei em pânico, vi a morte do meu pai.” Teresa vai falando com o psiquiatra que insistiu para também ser acompanhada na psicologia no IPO. Aceitou a sugestão. Precisa desse apoio regular para desabafar, contar o que lhe dói, organizar-se internamente. “Tenho falado de coisas que nunca falei com ninguém, para me tratar, para me preparar para a morte do meu pai.” A partilha tem tido efeito. “Saio mais aliviada, a vivenciar o que é esperado, a consciência de um facto que ando a prever há algum tempo.”

As conversas com a psicóloga são intensas. “Sonho muito com a morte do meu pai.” Tudo muito nítido. “Consigo ver o porteiro, a entrada, o piso, a cama, as máquinas a que está ligado, e a minha mãe diz que é terminal. Acordo aos gritos, é horrível”, desabafa. A mãe morreu há anos. Já lhe explicaram o significado desse pesadelo. “A minha mãe está a preparar-me para a morte do meu pai, uma ajuda espiritual para a perda do meu pai.” Teresa sofre com esse dia. Uma vez por mês, vem à consulta e psicologia e já assistiu uma sessão de autocuidado. “Achou ótimo, achei maravilhoso.”

Para a psicóloga Patrícia Oliveira (à esquerda), o sofrimento emocional merece toda a atenção. A enfermeira Margarida Alvarenga nota uma certa leveza nos doentes que saem dos quartos

Maria João Gala

O espaço não é um pormenor. “Quando cheguei aqui pensei que estava num hotel, não cheira a hospital, depois é o silêncio, o tom de voz. É uma tranquilidade para a minha alma, aqueles dois beijos e aquele abraço quando chego.” O sofrimento emocional não desaparece de um mês para o outro. Teresa Martins sabe os nomes de todos os que acompanham o seu pai e a si no IPO, desde que entra na portaria. “Aqui sinto que não estou sozinha, sinto que tenho aqui a minha família.”

Os efeitos na saúde mental e no bem-estar emocionais vão sendo visíveis para a equipa de psicologia nessa intervenção global, de atividades, consultas, acompanhamento médico. “Sabemos que, de facto, a pessoa que vem à consulta, ao longo do seu acompanhamento psicológico, vai experienciando níveis de melhoria, melhor capacidade de adaptação à sua doença, consegue, de alguma forma, fazer o melhor ajuste daquilo que é a doença para o fim da sua vida, consegue melhorar o seu padrão de comunicação com a sua família”, adianta Débora Peres Filipe.

Teresa vai falando com o psiquiatra, que insistiu para que ela também fosse acompanhada na psicologia no IPO. “Tenho falado de coisas que nunca falei com ninguém, para me tratar e para me preparar para a morte do meu pai. Saio mais aliviada, a vivenciar o que é esperado, a consciência de um facto que ando a prever há algum tempo.”

O efeito de suporte das atividades em grupo são essenciais, sustenta Patrícia Oliveira, até para “a capacidade de gestão das emoções e do comportamento.” Margarida Alvarenga recorda os pequenos nadas que se tornam momentos únicos de desejos concretizados para quem está internado. Como levar uma doente a ver o mar, molhar os pés e comer um gelado. Como levar um homem a ver um jogo de futebol, estar no relvado junto aos jogadores, voltar feliz e morrer nessa madrugada. Segundo a enfermeira, a escuta ativa é fundamental, saber ler nas entrelinhas, concretizar coisas simples que não podem esperar. “Naquele dia, o doente existe de manhã.”

Na psicologia, de 2022 a 2024, foram atendidos 1369 novos doentes, feitas 4184 intervenções e 2580 consultas. No mesmo período, foram atendidos 1328 novos familiares, 2147 consultas realizadas e 3681 intervenções. Nas 2010 consultas de luto registadas nesses dois anos, foram atendidos 247 novos familiares. O grupo de expressão e suporte para profissionais de saúde que trabalham com doença avançada, grupo psicoeducativo, vai continuar depois de uma sessão exploratória em dezembro, numa periodicidade mensal. O objetivo é partilhar dificuldades, angústias, problemáticas diárias, o impacto do trabalho em si e no seu bem-estar. Em perspetiva, está o arranque de grupos psicoterapêuticos para doentes, familiares, e pessoas em luto.

Alexandrina Coelho (sentada), com cancro metastizado, faz programas com a cunhada, Ana Paula. Ana Homet, em repouso depois de dois ciclos de quimioterapia, vai às sessões de Reiki todas as semanas

Maria João Gala

Ana Homet sabia que tinha de procurar ajuda até para não deixar esmorecer o espírito positivo que sempre sentiu dentro de si. Desde novembro, que tem apoio psicológico. “Tranquilidade é o que é preciso nestes casos, a tranquilidade é essencial.” Fala de tudo, não precisa de saca-rolhas. “Tudo serve para a psicóloga fazer perguntas e, até pode não parecer, mas tem tudo a ver. Pergunta como tem passado e, a partir daí, vamos falando do que vai aparecendo”, conta.

Ana Homet tem 67 anos, mora na Maia, tem cuidado com a alimentação, dedica-se ao tricot e seus pontos mais complexos, mais miudinhos. Depois dos ciclos da quimioterapia, sente-se mais cansada, afirma que é o único efeito. “O cansaço resolve-se, deito-me e descanso.” O cabelo não lhe caiu, decidiu cortá-lo mais curto. “Acho que tenho um bom organismo. Tenho uma doença crónica, que tem de andar sempre controlada, ainda não estou completamente bem fisicamente, há alturas em que posso estar mais debilitada.” Garante que não sente revolta, nem raiva, tão-pouco perde tempo a pensar se é uma questão de injustiça. “Neste momento, já não penso na doença, durmo imenso, sinto-me bem. E aqui é o melhor sítio onde podia estar.”

Mental é uma secção do Observador dedicada exclusivamente a temas relacionados com a Saúde Mental. Resulta de uma parceria com a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e com o Hospital da Luz e tem a colaboração do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Psicólogos Portugueses. É um conteúdo editorial completamente independente.

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