Vencedores

Rui Rio

“Rui Rio fala depois de António Costa.” A mensagem que chegou aos jornalistas, vinda da assessoria de imprensa do PSD, fala por si: os vencedores ficam para o fim. Rui Rio foi, de facto, o último líder partidário nacional a reagir aos resultados da Madeira e apareceu sorridente e triunfal. Desvalorizou por completo o facto histórico de o PSD ter perdido a maioria absoluta na Madeira e preferiu valorizar o facto de o PSD ganhar na Madeira há 43 anos consecutivos. Sem deixar margem para dúvidas, Rio assumiu que uma coligação de governo entre PSD e CDS é mais do que certa. Na Madeira, claro. Em jeito de piada, ainda ironizou que “claro que era bom que o voto útil funcionasse no continente da mesma maneira que funcionou na Madeira”, mas “cada eleição é uma eleição”. Agora, se é bom dar o pontapé de saída para a campanha oficial das legislativas com uma vitória no bolso? Lá isso é. A campanha eleitoral das legislativas arranca oficialmente esta segunda-feira.

Miguel Albuquerque

O resultado prova que Miguel Albuquerque nunca será um “Jardim II”. Há quatro anos conseguiu segurar a maioria absoluta por um deputado e agora acabou mesmo por perder essa maioria. Para continuar a governar é obrigado a engolir um sapo chamado CDS, que na Madeira, ao contrário do continente, sempre foi oposição. Mesmo com um PS forte a nível nacional e a ter o melhor resultado de sempre na região, Albuquerque consegue continuar presidente do Governo regional por mais quatro anos. A Madeira continua laranja.

Assunção Cristas

Assunção Cristas surgiu na reação às eleições madeirense com um sorriso de “Borgen”, a famosa série dinamarquesa. Isto porque a solução madeirense faz lembrar a política naquele país escandinavo: o CDS desceu de sete para três deputados na Assembleia Regional, mas coube ao partido escolher se o PSD continuava a liderar o governo regional. Mesmo reduzindo a representação parlamentar para menos de metade, o CDS consegue ir para o governo. Assunção Cristas ganha balanço para as legislativas e até disse a um jornalista “não estar a perceber bem a pergunta” quando foi questionada sobre a hipótese de haver uma coligação PS-CDS na Madeira. Algo que no país só aconteceu com Soares e Freitas numa solução que durou apenas sete meses. Cristas impôs a sua autoridade e disse logo que, embora “respeite a autonomia do CDS-Madeira”, a discussão de governação no arquipélago é para ser feita à direita. Ponto final parágrafo. Se Costa tinha uma obsessão com a Madeira, Cristas conseguiu chegar ao “arco da governação” madeirense antes do PS. Primeiro dia oficial de campanha nacional, primeira vitória.

Vencidos

António Costa

A frase não deixou rigorosamente nenhuma margem para dúvida: na sua intervenção, António Costa informou os jornalistas que teve “oportunidade de felicitar Rui Rio e Miguel Albuquerque” pela vitória. E nem por um segundo levou a sério a hipótese de uma mega-geringonça na Madeira, que juntasse o CDS, e que Paulo Cafôfo levantou no seu discurso no Funchal. O líder do PS conseguiu tirar a maioria absoluta ao PSD e lembrou que “cada eleição é uma eleição”, mas isso, como diria alguém, é “poucochinho” para quem queria começar já este domingo uma caminhada triunfal para o voto nas legislativas daqui a duas semanas.

Paulo Cafôfo

Foi uma derrota com gostinho de vitória. Mas uma derrota, ainda assim. O PS tinha apostado as fichas todas em Paulo Cafôfo para pintar, finalmente, a Madeira de cor de rosa, mas faltou-lhe “um bocadinho assim”. Cafôfo chegou a aparecer à frente de Miguel Albuquerque em algumas sondagens, e a verdade é que o PS teve um crescimento brutal em termos de representação parlamentar na Madeira, passando de 5 deputados para 19, mas a direita (PSD+CDS) continua a ser maioritária. No discurso de reação aos resultados, Paulo Cafôfo apareceu sorridente, a falar num “resultado histórico” para o PS e a lançar um desafio aos partidos da oposição, para que se juntem ao PS para afastar o PSD do poder. O recado era sobretudo para o CDS, e também para o JPP: juntos, PS, CDS e JPP formariam maioria. Mas esse cenário é muito improvável, já que tudo indica que o CDS se junte ao PSD para governar. Resultado: Paulo Cafôfo fica sem nada, já que abdicou do mandato que tinha na câmara do Funchal.

Jerónimo de Sousa

Depois de perder um dos dois deputados regionais que tinha, Jerónimo de Sousa apareceu na sede do PCP com uma longuíssima lista de supostos responsáveis pelo mau resultado eleitoral. Aqui vai ela (ganhe fôlego): houve uma “operação ao longo de meses” para “animar uma bipolarização artificial”; houve “sondagens encomendadas”; houve “uma imensa disparidade de meios”; houve um esforço de “descredibilização por parte da comunicação social”; e até houve uma tentativa de “confusão com os símbolos de outros partidos”. O PCP parece estar de regresso à mentalidade de cerco.

Catarina Martins

O Bloco ficou a 88 votos da CDU — e essa foi a diferença entre ter um deputado regional ou não ter nenhum. Mas pior do que a aritmética é o simbolismo político. O BE perdeu a pouca influência que tinha na região e parte agora para o primeiro dia oficial de campanha para as legislativas com a imagem de Catarina Martins na sede do partido, em Lisboa, a dizer, com ar desanimado: “O Bloco teve um mau resultado. Falhámos o nosso objetivo”.

André Silva

Se havia expectativa de que o fenómeno PAN se refletisse na Madeira, então a expectativa foi furada. O PAN teve 1,46% (2.095 votos) e ficou atrás do Bloco de Esquerda que, com 2.489 votos, também não conseguiu eleger nenhum deputado.