Nas redes sociais tem sido recuperada uma história com vários anos, onde se pode ler uma alegada carta de Albert Einstein, escrita para a sua filha, em que o cientista diz que a verdadeira “força universal” é o amor. Partilhada centenas de vezes em várias línguas, a longa missiva dedica-se a justificar a força do amor e a ideia de que é uma “força extremamente poderosa para a qual a ciência até agora não encontrou uma explicação formal”.

“É uma força que inclui e governa todas as outras, existindo por trás de qualquer fenómeno que opere no universo e que ainda não foi identificada por nós. Esta força universal é o amor”, pode ler-se numa das passagens.

No início da carta, seria pedido que se aguardasse o tempo suficiente para que a sociedade estivesse preparada para a informação: “Quando propus a teoria da relatividade, muito poucos me entenderam e o que agora vou revelar, para que transmita à humanidade, também chocará o mundo, devido à sua incompreensão e preconceitos. Peço ainda que aguarde todo o tempo necessário anos, décadas, até que a sociedade tenha avançado o suficiente para aceitar o que explicarei de seguida.”

De seguida surge toda uma dissertação sobre o amor e sobre o facto de ser uma força que “tudo explica” e que “dá sentido à vida”. E onde há comparações científicas, frisando que “o amor é gravidade, porque faz com que as pessoas se sintam atraídas umas pelas outras”, que “o amor é potência, pois multiplica (potencia) o melhor que temos, permitindo assim que a humanidade não se extinga em seu egoísmo cego”, mas também que o amor é “a variável que temos ignorado por muito tempo, talvez porque o amor provoca medo, sendo o único poder no universo que o homem ainda não aprendeu a dirigir a seu favor”.

Alegadamente, esta carta terá sido doada à Universidade Hebraica de Jerusalém juntamente com outras encontradas por familiares de Albert Einstein, mas segundo a AFP, que fez uma pesquisa no arquivo, não há qualquer missiva que coloque o amor como força universal.

Mais do que isso, o curador da coleção, Roni Grosz, confirmou ao mesmo órgão que não só a carta não existe no arquivo como não foi escrita por aquele que é considerado um dos maiores génios da Humanidade. “A carta mencionada é uma total falsificação”, frisou, acrescentando que o facto de a mesma continuar a circular na internet sem qualquer confirmação oficial “é um forte indicador de que não se trata de um documento autêntico”.

Conclusão

Não é verdade que Albert Einstein tenha escrito uma carta à sua filha onde fala sobre a teoria do amor e onde a chega a compará-la à teoria da relatividade. Nos arquivos dos documentos pertencentes ao físico não existe qualquer missiva idêntica à que está a ser partilhada nas redes sociais há vários anos. Além disso, o curador e conhecedor da obra de Einstein confirmou que não se trata de um documento assinado pelo matemático, o que comprova que as afirmações que circulam nas redes sociais são falsas.

Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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