Durante alguns anos, uma adansonia (ou baobá), conhecida por todos como a ‘árvore da vida’, foi amplamente publicitada como sendo a árvore mais velha do mundo. No seu interior funcionava, inclusivamente, um bar. Falamos da Sunland Baobab, na África do Sul. Em 1993, os donos da fazenda com o mesmo nome (Sunland) decidiram utilizar o tronco da árvore para fazer um bar e rapidamente a tornaram numa atração turística. Acreditava-se que tinha cerca de seis mil anos mas, com a morte da árvore e o estudo do tronco, esse facto foi desmentido.

Publicação no Facebook sobre suposta árvore com seis mil anos

A Sunland Baobab foi abatida em 2017, depois de o tronco se ter partido pela segunda vez em dois anos (em 2016, um terço do tronco abateu e, em 2017, o que restava acabou por se ter dividido ao meio, levando ao seu abate). Tinha 22 metros de altura e uma circunferência de 47 metros. Era o diâmetro do tronco, de 10,64 metros, que permitia a existência de um bar no interior da árvore. A copa era bem maior, chegando a atingir um diâmetro de 30,2 metros.

[No vídeo, é possível constatar o estado em que a Sunland Baobab ficou em 2016, quando parte do tronco abateu]

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E foi o abate da árvore que permitiu calcular a sua real idade. Ao contrário dos cerca de 6.000 anos que lhe apontavam, calcula-se que a árvore da vida de Sunland tinha cerca de 1.060 anos. Os cálculos foram feitos através dos níveis de carbono presentes no tronco da árvore.

No que diz respeito à longevidade, e ainda que sejam árvores de enorme porte, as baobá estão longe de ser as árvores mais velhas no planeta terra. Segundo o livro de recordes do Guinness a árvore desta espécie que mais anos viveu foi a ‘Panke Baobab’ no Zimbabué: 2.450 anos.

E isso faz dela a árvore mais antiga no mundo? Não. Também de acordo com o mesmo livro de recordes, a árvore mais velha alguma vez documentada foi a ‘Prometheus’, nos Estados Unidos da América. Estima-se que tinha cerca de 5.200 anos quando foi acidentalmente cortada no Monte Wheeler, no Nevada. Donal Rusk Currey foi um professor de geologia norte-americano que acabou por ficar na história por ter sido responsável pelo corte da árvore, em 1964.

Em causa, um pinuslongaeva, onde foi possível contar 4.867 anéis. Considerando que o local onde se encontrava pode ter condicionado o crescimento da árvore, os especialistas consideraram uma idade aproximada de 5.200 anos na data em que foi cortada, um recorde que consta dos livros do Guinness e que até hoje ainda não foi quebrado.

Atualmente, o recorde para a árvore mais velha ainda viva também pertence à mesma espécie de pinheiro. Chama-se ‘Methuselah’ e pode ser encontrada nas Montanhas Brancas, na Califórnia. Em 1957, estimava-se que tivesse já 4.800 anos, tendo em 2020 atingido os 4.852 anos, segundo o livro de registos.

Conclusão

Não é verdade que a árvore na fotografia possa ser a mais velha do mundo, com 6.000 anos. Não há, até ao momento registo de alguma árvore que tenha vivido tanto tempo. O recorde da árvore mais velha do mundo é da Prometheus, que viveu cerca de 5.200 anos e, atualmente, a árvore mais velha ainda viva é a Methuselah que se estima que possa ter já mais de 4.800 anos. Na imagem da publicação, uma árvore da vida, que não foi possível determinar qual seja, é possível negar que se trate de uma árvore com seis mil anos, já que a árvore dessa espécie, registada, que mais anos viveu tinha 2.450 anos, no Zimbabué.

Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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