Circula nas redes sociais uma publicação que alega que a bebida energética Red Bull é de tal modo forte que é capaz até de partir o vidro de um carro.

“Teste de resistência do vidro de um carro contra o energético Redbull, deve-se reconhecer que é forte…Wow?!”, lê-se na publicação, que acompanha um vídeo em que é possível ver alguém a despejar uma lata daquela bebida energética em cima do vidro de um carro — que se parte durante o processo.

Uma pesquisa na internet conduz a centenas de publicações semelhantes. Na verdade, a ideia de que o Red Bull é capaz de quebrar o vidro de um carro tornou-se uma espécie de piada recorrente na internet, havendo dezenas de publicações, em diferentes línguas, a propagar a mesma teoria.

Trata-se, porém, de uma publicação falsa que se tornou viral, em língua portuguesa, a partir do Brasil.

O mito de que o Red Bull é capaz de partir vidros de carros já foi desmontado em ocasiões anteriores por meios de comunicação especializados em fact-checking. A teoria parece ter surgido nas redes sociais como forma de promover a ideia de que a bebida energética é — passe a redundância — tão energética que é capaz até de quebrar um vidro.

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O vídeo em causa nesta publicação é um dos mais conhecidos desta tese, mas também já foi desmontado, por exemplo, por Wanderson Castilho, um conhecido perito brasileiro em segurança da informação e em crimes digitais habitualmente consultado pela imprensa de referência do país.

Num vídeo que publicou no seu canal de YouTube, Castilho explica que o vídeo tem duas fragilidades que apontam para a sua falsidade: por um lado, o impacto surge a partir de dentro, como se o vidro tivesse sido partido a partir do interior do carro (por exemplo, com um martelo), tanto que os pedaços saltam para fora do carro; por outro lado, o som da quebra do vidro não está exatamente alinhado com o momento em que a janela se parte, o que parece indicar que se trata de imagens editadas.

Um outro vídeo mostra como, em circunstâncias normais, o vidro de um carro não se parte caso seja molhado com Red Bull.

Através de uma pesquisa na internet, é possível encontrar um grande número de referências à “lenda urbana” de que o Red Bull parte vidros de carros — e até múltiplos vídeos que se propõem comprovar a teoria e criar a crença coletiva entre os utilizadores das redes sociais. Muitos desses vídeos mostram a bebida energética a ser despejada sobre um toalhete de papel colocado em cima do vidro do carro — o que poderá esconder uma eventual ação a partir do interior da viatura.

Não há qualquer sustentação científica que valide a ideia de que o Red Bull pode quebrar vidros de carros.

Alguns utilizadores da internet apontam, porém, uma possível explicação: um choque térmico. É do conhecimento comum que um forte choque térmico pode levar à quebra de vidros. Há até um alerta habitual nos países mais frios: se o seu carro ficar coberto de gelo ou neve, não deve usar água quente para o limpar. Se o fizer, há o sério risco de o vidro quebrar devido ao choque térmico.

Não é, por isso, de excluir que alguns dos vídeos que alegam mostrar o poder destrutivo da bebida energética tenham sido gravados com recurso a vidros gelados e a líquidos quentes.

Conclusão

Não é verdade que despejar Red Bull sobre o vidro de um carro resulte na quebra do vidro. Trata-se de um mito amplamente difundido na internet, possivelmente com o objetivo de enaltecer as capacidades energéticas da bebida, mas falso. Já foi desmontado por peritos e meios de comunicação, mas persiste na internet. A única explicação com alguma validade científica seria a do choque térmico: um líquido quente sobre um vidro gelado tem o potencial de provocar a quebra do vidro, razão pela qual não se deve limpar um carro coberto de neve com água quente. Mas não se trata de uma particularidade especial do Red Bull.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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