Uma imagem que acompanha uma publicação feita a 16 de novembro no Facebook alega que Dallas Jones, analista político e um dos gestor da campanha presidencial de Joe Biden, foi preso por fraude eleitoral após ter “recolhido milhares de boletins e votado com a identidade de pessoas sem abrigo, idosos e mortos”.

Mas uma pesquisa reversa pela fotografia em causa, e que supostamente mostra a detenção de Dallas Jones, comprova que, na verdade, a imagem é da detenção do ator norte-americano Cuba Gooding Jr. em 2019 por agressão sexual. A fotografia é uma captura de ecrã do vídeo que mostra o artista a ser levado pelas autoridades em Nova Iorque e publicado, por exemplo, pelo site TMZ.

Em causa estava o encontro entre Cuba Gooding Jr., a namorada Claudine De Niro e uma mulher num hotel em junho do ano passado. De acordo com esta mulher, o ator da série “Empire” terá tocado nas coxas e nos seios dela sem permissão, no momento em que ela se sentou entre os dois membros do casal. O caso deu origem a seis acusações de agressão sexual e nada tem a ver com fraude eleitoral nas eleições a 3 de novembro.

De resto, não há indicações de qualquer tipo de sabotagem nas últimas votações nos Estados Unidos. É a própria Agência de Cibersegurança e Segurança Infaestrutural, fundada por Donald Trump em 2018 que, num comunicado com outros órgãos governamentais dedicados ao mesmo assunto, confirmou que “não há evidências de que qualquer sistema de votação excluiu ou perdeu votos, alterou votos ou foi de alguma forma comprometido” e que “as eleições de 3 de novembro foram as mais seguras da história americana”.

De facto, houve uma petição assinada por republicanos em Harris — um condado de Houston, Texas, onde Dallas Jones era empresário antes de assumir a direção política da campanha democrata — que tentava impedir que se ampliasse o prazo para a votação antecipada e os locais onde ela poderia ser efetuada. Um dos signatários era um ex-investigador do FBI que acusava Dallas Jones e outras três pessoas de recolher votos ilegalmente em Harris.

A petição foi rejeitada e todas as alegações de que Dallas Jones teria sido detido por crimes desta natureza foram negadas pelo próprio, que, numa entrevista ao The New York Times, comentou que aquelas declarações eram “afirmações fabricadas, sem fundamento” e garantiu: “Não fui preso”.

Jodi Silva, porta-voz do Departamento de Polícia de Houston, avançou à Agence France-Presse que nem Dallas Jones foi detido, nem haveria acusações de fraude eleitoral contra ele em investigação. Douglas Ray, advogado dos quatro acusados em questão, também respondeu à AFP:

“Não tenho conhecimento de que alguém tenha sido preso ou de que haja uma investigação para além dos auto designados ‘investigadores’, cujas declarações juramentadas foram acrescentadas a este pedido de liminar (que foi indeferido). No que me diz respeito, essas alegações são fantasiosas“.

Conclusão

É falso que o diretor político da campanha presidencial de Joe Biden, Dallas Jones, tenha sido detido por suspeita de ter participado num esquema de fraude eleitoral. A fotografia na publicação viral mostra, isso sim, a detenção de um ator norte-americano por acusações relacionadas com assédio sexual. Nem Dallas Jones foi detido, nem há indicações de fraude eleitoral generalizada nas eleições norte-americanas de 3 de novembro.

Assim, de acordo com a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook

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