O anúncio da escolha pela NFL do cantor portorriquenho Bad Bunny para encabeçar o famoso espetáculo do intervalo do Super Bowl — a final do campeonato de futebol americano —, em 2026, teve um impacto imediato nos Estados Unidos, mas também nas redes sociais, às quais chegaram os primeiros rumores e tentativas de propagação de informações falsas.

Uma dessas histórias que começou a ser partilhada em diversas publicações no Facebook foi a de que a Coca-Cola teria ameaçado boicotar o Super Bowl devido à escolha de Bad Bunny. Na base desse rumor estava uma frase alegadamente atribuída ao CEO da empresa de bebidas, James Quincey: “Vou encerrar o meu patrocínio ao Super Bowl se eles deixarem o Bad Bunny atuar no intervalo”.

Contudo, essa frase não foi publicamente proferida por Quincey. Além disso, uma pesquisa online devolve resultados que a atribuem igualmente a outras figuras do mundo dos negócios, como Elon Musk. Em paralelo, a conhecida empresa norte-americana nunca fez qualquer publicação sobre o tema nas suas contas oficiais nas redes sociais nem divulgou quaisquer comunicados desde o anúncio da escolha de Bad Bunny para o Super Bowl, no dia 28 de setembro.

A informação foi já também desmentida por outras plataformas de verificação de factos, como a Verifica.Efe ou o Reuters Fact Check, que questionou diretamente a empresa, recebendo em resposta a informação de um porta-voz da Coca-Cola de que se tratava de um “boato falso e completamente inventado na Internet“.

O mesmo porta-voz reiterou à Reuters que a empresa nem sequer é uma das entidades patrocinadoras do Super Bowl. Aliás, o espetáculo de intervalo terá em 2026 o patrocínio da Apple.

O rumor terá ganhado tração nas redes sociais e em publicações online, depois de se multiplicarem reações públicas negativas junto do setor mais conservador da sociedade americana ou politicamente alinhado com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou a escolha de Bad Bunny. Trump chegou a descrever a designação do cantor portorriquenho para o espetáculo como “absolutamente ridícula” e outras vozes próximas da administração fizeram eco das críticas.

Benito Antonio Martínez Ocasio, o verdadeiro nome de Bad Bunny, terá suscitado o desagrado entre os republicanos mais conservadores, não só por cantar em espanhol e não em inglês, mas também por tecer duras críticas à repressão sobre a imigração nos Estados Unidos, com as campanhas efetuadas pelos agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement). Foi, aliás, pelo receio de que fãs seus pudessem ser alvos destes agentes que acabou por deixar os EUA fora da sua última tournée de espetáculos.

Conclusão

É falso que a Coca-Cola tenha ameaçado boicotar a atuação do cantor portorriquenho Bad Bunny no espetáculo de intervalo do Super Bowl. A empresa norte-americana não é uma das entidades patrocinadoras da final do campeonato de futebol americano e não fez qualquer anúncio oficial sobre o tema.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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