Nas redes sociais está a circular a teoria de que a comunicação social não noticiou, para esconder, o chumbo da imunidade parlamentar de Joana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda.
A decisão foi tomada pela comissão parlamentar de Transparência e Estatuto dos Deputados, na última terça-feira, depois de a maioria dos partidos ter se recusado a levantar a imunidade parlamentar de Joana Mortágua. Mais do que isso, o veredito foi confirmado em plenário, no dia seguinte.
No documento revelado pela agência Lusa é explicada a recusa do levantamento da imunidade parlamentar de Joana Mortágua salientando que as declarações foram proferidas na sua qualidade de deputada. “O levantamento da imunidade parlamentar à senhora deputada Joana Mortágua prejudica os fins do instituto e a salvaguarda institucional do órgão de soberania, na medida em que se reporta a factos ocorridos durante e devido ao seu mandato parlamentar, podendo ser entendido como um meio para perturbar o exercício do mandato”, revela a nota.
Em causa estão declarações a propósito da crise na Global Media, que levaram Luís Bernardo, consultor de comunicação e ex-assessor do primeiro-ministro José Sócrates, a processar a deputada por difamação e ofensa a organismo, serviço ou pessoa coletiva. Devido a esta participação, o Tribunal Central de Instrução Criminal pediu à Assembleia da República o levantamento da imunidade parlamentar da deputada, por considerar estar “fortemente indiciado” a prática de “crime de difamação, com publicidade e calúnia”. Na altura, a bloquista disse que Luís Bernardo estava envolvido num “jogo de gangsters na entrada de capital em empresas deste país”.
Ora, a acusação nas redes sociais é de que a comunicação social escondeu a informação — o que não é verdade. Não só a agência Lusa, que chega à maioria dos órgãos de comunicação social, divulgou essa notícia, como esses meios a publicaram de seguida. Foi o caso do Observador aqui, da RTP neste link, da SIC aqui, da Lusa através deste link ou do Now aqui. Estes são apenas exemplos, pelo que não se confirma a alegação.
Conclusão
É falso que a comunicação social tenha ignorado ou escondido o facto de o Parlamento ter recusado o levantamento da imunidade da deputada do Bloco de Esquerda Joana Mortágua. Vários órgãos de comunicação social relevantes no país noticiaram o caso, até porque a agência Lusa teve acesso ao parecer e revelou-o. Conclui-se portanto que houve, sim, várias notícias sobre a decisão.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.