A vacinação em Portugal continua a decorrer um pouco por todo o país, mas, nas redes sociais, surgem várias publicações que mantêm o tom de desconfiança relativamente a uma das armas disponíveis de combate à Covid-19.

Publicação viral pega numa citação virante Gouveia e Melo e adiciona-lhe informações falsas.

Numa delas, publicada no passado dia 2 de abril, é possível ver uma imagem do vice almirante Gouveia e Melo, coordenador do plano de vacinação contra o novo coronavírus, com a seguinte citação: “Não tomarei a vacina enquanto não tiver a certeza de que grande parte dos portugueses, na sua maioria, estão vacinados. E se for convocado para tal, vou pensar, com três estrelas já ninguém me obriga a vacinar”. Esta citação — que está dentro da imagem — é, de facto, verdadeira e foi publicada numa entrevista do vice-alamirante à Agência Lusa. Na notícia, quando questionado sobre se Gouveia e Melo já teria tomado a vacina, o coordenador da task-force foi “perentório na recusa”.

Há, no entanto, um acrescento à citação dentro da publicação, em que Gouveia e Melo terá dito: “Morram os outros, morram em vez de mim”. Trata-se de uma frase falsa — que torna a publicação igualmente falsa — já que não há registo que o vice-almirante alguma vez tenha utilizado a expressão que utilizador escreve no corpo de texto da publicação.

Esta frase não pode ser encontrada nem na entrevista do coordenador da vacinação em Portugal ao DN/Lusa, nem em qualquer dos seus discursos públicos. O que Gouveia e Melo tem dito vai em sentido contrário: de defesa da vacina contra a Covid-19. Aliás, noutra entrevista ao jornal Público/ Renascença, o próprio admite que “não tomar a vacina tem um risco quase mil vezes superior a tomar”. Portanto, reforça a importância desta medida e da tarefa que aceitou em fevereiro deste ano.

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Na reunião de Infarmed da última semana, Gouveia e Melo garantiu ainda que será adotada uma “nova estratégia” de vacinação que passará por administrar uma média de 97 mil vacinas por dia. Ou seja, tendo em conta o contexto e aquilo que disse, que foi depois partilhado nas redes sociais, não se pode depreender que o vice-almirante desconfie da vacinação contra a Covid-19.

Conclusão

O vice-almirante Gouveia e Melo, coordenador da task-force responsável pelo processo de vacinação em Portugal, não recusou ser vacinado em qualquer altura. Disse, sim, numa entrevista à Agência Lusa que, num contexto em que grande parte dos portugueses não estejam ainda vacinados, o próprio não aceitará ser vacinado. Por isso, só depois. Por outro lado, não é verdade que o vice-almirante tenha dito a seguinte frase: que “morram os outros, morram antes de mim”. Essa citação surge na publicação original, sem fontes creditadas. Também não é possível encontrá-la em qualquer entrevista que Gouveia e Melo tenha dado ou nos seus discursos públicos.

Segundo a escala de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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