Há uma publicação viral no Facebook que mostra o que parecem ser máscaras comunitárias, com as siglas da Louis Vuitton estampadas, a serem vendidas por 1.680 euros. Mas a imagem é falsa: a Louis Vuitton está de facto a produzir máscaras para ajudar a combater a pandemia de Covid-19, mas são descaracterizadas e estão a ser distribuídas gratuitamente pelos profissionais de saúde. A marca de luxo francesa não está a vender estas máscaras ao público.

O post que está a ser partilhado no Facebook e que é falso

Em comunicado publicado na página da LVMH — o grupo empresarial que junta a Louis Vuitton com a Moët et Chandon, a Hennessy e a Christian Dior, por exemplo —, a 15 de março, a marca anunciou que o negócio estava a preparar as fábricas para produzir “quantidades substanciais” de gel hidroalcoólico.

Seis dias depois, a 21 de março, a Louis Vuitton declarou que iria “ajudar a solucionar a falta de máscara cirúrgica que a França enfrenta atualmente” comprando 10 milhões de máscaras — sete milhões das quais cirúrgicas, as restantes FFP2  — todas as semanas, durante um mês, à China.

Na primeira situação, o grupo francês esclareceu que o gel hidroalcoólico iria ser entregue “gratuitamente” às autoridades. E, no segundo anúncio, também: “Bernard Arnault permitiu à LVMH financiar toda a primeira semana de entregas, no valor de cinco milhões de euros”. O investimento das restantes três semanas seriam da responsabilidade do governo francês.

Mais recentemente, a Louis Vuitton fez duas publicações nas redes sociais, entre 8 e 10 de abril, dando conta de que tinha reorganizado alguns dos seus ateliers em França para “produzir centenas de milhares de máscaras não-cirúrgicas” pelas mãos de artesãos voluntários. Ou seja, é verdade que a marca de luxo está a produzir máscaras.

No entanto, nada têm a ver com as máscaras que surgem na publicação falsa: são totalmente brancas, semelhantes a máscaras cirúrgicas, e não se vê em nenhum lugar o símbolo da Louis Vuitton. Além disso, as publicações também esclarecem que as máscaras foram “doadas” — não vendidas — aos profissionais de saúde.

O facto de as máscaras comunitárias terem sido produzidas sem qualquer símbolo da Louis Vuitton e entregues gratuitamente aos trabalhadores na linha da frente nega por completo a imagem da publicação em causa. De resto, uma busca no Google permite encontrar imagens semelhantes, manipuladas para acrescentar às máscaras, que não são da Louis Vuitton, uma etiqueta com preços na ordem dos milhares. Todas são falsas.

Conclusão

A Louis Vuitton está, de facto, a produzir máscaras não cirúrgicas, mas elas estão a ser gratuitamente distribuídas pelos profissionais de saúde que combatem a Covid-19 na linha da frente. Essas máscaras são completamente brancas, ou seja, não estão caracterizadas com o símbolo da marca de luxo. Aliás, o produto que surge na fotografia não é da Louis Vuitton e a etiqueta com o preço é o resultado de uma manipulação da imagem.

Assim,de acordo com o sistema de classificação do Observador este conteúdo é:

ERRADO

De acordo com a classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota 1: Este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook.

Nota 2: O Observador faz parte da Aliança CoronaVirusFacts / DatosCoronaVirus, um grupo que junta mais de 100 fact-checkers que combatem a desinformação relacionada com a pandemia da COVID-19. Leia mais sobre esta aliança aqui.

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