Segundo uma série de publicações nas redes sociais, há “vídeos perturbadores” que mostram, nas redes sociais, uma “multidão pró-Palestina” que está a comemorar o ataque contra judeus em Bondi Beach, na Austrália, que matou 15 pessoas.

“Esta foi uma das várias comemorações repugnantes presenciadas em todo mundo após esse horror”, lê-se na legenda do vídeo aqui em análise, gravado, como se acrescenta, em Manchester. “Se a sua causa celebra mortes de inocentes, ainda acredita que é legítima?”, atira a mesma publicação.

Mas o vídeo não só não corresponde a uma celebração do ataque em Bondi Beach como foi, na verdade, gravado vários meses antes, pelo que não poderia ter qualquer relação com esse momento.

Uma pesquisa pela origem das imagens revela que estas já foram postas a circular centenas de vezes com uma identificação errada. A primeira vez que as imagens surgem online é a 8 de junho deste ano, registando um momento de protestos em Manchester (é possível ver a identificação da paragem de metro Market Street, na cidade britânica).

Nesse momento, uma série de pessoas vestidas e com a cara tapada com keffiyeh (lenço tradicional usado como sinal de apoio à causa palestiniana) lançavam gritos de apoio à população palestiniana, mas também o polémico slogan “do rio até ao mar” (defendendo que o território do Rio Jordão ao Mar Mediterrâneo é palestiniano, o que implicaria a expulsão dos israelitas e o fim da solução dos dois Estados).

Se nestas publicações de junho se divulgavam estes vídeos criticando os manifestantes, outras publicações do mesmo dia mostram a “manifestação pacífica” que ocorreu nas ruas, com centenas de pessoas a percorrerem as ruas com faixas onde se liam lemas como “fim à ocupação israelita”.

Ora, o ataque em Bondi Beach só aconteceu a 14 de dezembro, quando dois atacantes — pai e filho —, aparentemente inspirados pela ideologia do estado islâmico, abriram fogo sobre centenas de pessoas que celebravam o Hanucá, matando pelo menos quinze delas.

Conclusão

O vídeo em causa não mostra uma celebração do ataque em Bondi Beach. Na verdade, foi divulgado a 8 de junho, seis meses antes do ataque de dezembro, durante uma manifestação pró-Palestina nas ruas de Manchester, no Reino Unido.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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