“A Dona Palmira de 106 anos, foi notícia no dia 17 de Fevereiro por ter sido vacinada contra o vírus chinês.” É assim que começa uma publicação de Facebook que, depois de resumir a história da idosa, termina com esta frase: “A Dona Palmira morreu no dia 26 de Fevereiro, 9 dias depois de ser notícia. Vou deixar assim e quem quiser que tire as suas conclusões. Quando alguém se der ao trabalho de investigar quantas pessoas morreram nos 10 dias seguintes a terem ido à pica, vão ter uma surpresa… Ou não.”

Com a formulação deste post — amplamente partilhado na rede social desde a sua publicação a 28 de fevereiro — tenta criar-se a ideia de que a morte da centenária está relacionada com a toma da vacina contra o vírus da Covid-19. Será verdade? Não há, até ao momento, qualquer evidência científica que os dois factos estejam ligados. Assim, tudo o que possa ser dito não passa de especulação.

A publicação que está a ser partilhada no Facebook

Vamos aos factos. A 9 de fevereiro, Palmira Cruz fez 106 anos. A 17 de fevereiro foi vacinada contra o vírus da Covid-19 no Pavilhão Desportivo de Coruche, onde estava montado um centro de vacinação, segundo escrevia o Notícias do Sorraia. Nesse dia, Palmira tornou-se, juntamente com Fernanda da Costa (Nelas, Viseu) a mais velha utente do Serviço Nacional de Saúde a ser vacinada. Além disso, foi a primeira pessoa a ser inoculada em Coruche.

A 26 de fevereiro, o mesmo jornal local dava notícia da sua morte: “Morreu esta sexta-feira, 26 de Fevereiro, Palmira Cruz, aos 106 anos de idade, que era a mulher mais velha no Vale do Sorraia.” Sem dar mais detalhes da sua morte, o jornal dizia apenas que a idosa morreu na sede do concelho, onde residia com a sua filha de 84 anos.

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O Observador contactou a Direção Geral de Saúde para que se pronunciasse sobre este caso concreto e também para perceber se tem sido verificada alguma relação entre pessoas vacinadas e mortes nos 9 dias seguintes, como se alega na publicação. Até à publicação deste texto, a DGS não respondeu às nossas questões.

Em vários países —Itália, Áustria, Coreia do Sul, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Noruega, Bélgica e Peru — têm sido noticiadas mortes que ocorrem depois da vacinação, o que já levou o Deutsche Welle a fazer um fact check sobre esta situação. A conclusão é que, até agora, não houve evidências científicas que ligassem os óbitos à administração do medicamento, havendo vários casos em que essa hipótese foi mesmo descartada.

Conclusão:

Enganador. Não há bases científicas para poder afirmar, com garantia, que os dois factos — a vacinação e a morte da idosa de 106 anos — estão ligados. No entanto, não sendo conhecido o resultado da sua autópsia, nem tendo sido feita qualquer investigação que prove que não há ligação entre os dois factos, também não se pode considerar que a alegação seja falsa. É, pelo menos, enganadora já que com base nos factos conhecidos não passa de especulação.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ENGANADOR

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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