Uma publicação nas redes sociais atribui ao ministro da Defesa e presidente do CDS, Nuno Melo, uma afirmação polémica: supostamente, o governante teria dito que a comemoração oficial do 25 de Novembro, que ficou decidida no ano passado pela maioria de direita parlamentar, seria “apenas o início” e que também António de Oliveira Salazar deveria ter “direito a um dia de celebração”.

O protagonista da ditadura portuguesa teria, segundo as supostas palavras de Melo, sido uma “personalidade imprescindível para a resiliência” do povo português. O utilizador que partilhava, na publicação em análise, estas palavras espantava-se: “O fascismo a ser celebrado oficialmente?”

Mas nada disto é verdade. Desde logo, não só não existe qualquer registo em meios noticiosos de afirmações semelhantes de Nuno Melo — que gerariam, naturalmente, títulos e notícias de forma imediata se tivessem sido proferidas — como a suposta notícia não foi partilhada, como o grafismo sugere, pelo jornal Polígrafo.

Trata-se, na verdade, de uma partilha feita pela conta satírica “Poligráfo (Comentary)”, facilmente confundida com o jornal, até por copiar os seus grafismos. Na rede social X, a página apresenta-se assim: “Página proto-oficial do Poligráfo, o primeiro almanaque português de opinion-checking. Em nome da mentira. Todos os dias”.

Além de dizer agir “em nome da mentira”, a página reagiu em concreto a esta publicação em tom sarcástico: “Nuno Melo pensou exatamente isso e depois talvez o tenha dito”. A página costuma publicar conteúdos deste género, com frases falsas atribuídas, de forma satírica, a protagonistas políticos.

O que Nuno Melo anunciou de facto, durante um Conselho de Ministros em julho, foi a criação de uma comissão apartidária para organizar as futuras comemorações do 25 de Novembro. Na altura justificou que Portugal “cumprirá assim a sua obrigação em relação a uma data que é fundamental para a consolidação da democracia e da liberdade”: “Temos consciência de que o 25 de Novembro devolveu ao 25 de Abril o seu propósito originário”.

“O 25 de Novembro, pondo cobro à deriva totalitária, confirmou o regime democrático. Portugal terá — e muito bem — a oportunidade de celebrar com sentido de justiça e gratidão a liderança nos planos militar e político daqueles que tornaram tudo possível”, garantiu. Depois, assegurou que a nova comissão não vai colidir “em nada” com a comissão que está a organizar as comemorações do 25 de Abril. “O 25 de Novembro confirma o 25 de Abril. Uma e outra data são igualmente muito importantes”.

Conclusão

Nuno Melo nunca proferiu estas afirmações, que foram na realidade escritas e partilhadas por uma página satírica nas redes sociais.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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