O pontificado de Leão XIV pode ter começado há pouco mais de dois meses, no passado dia 8 de maio, mas é tempo mais do que suficiente para o novo Papa ser alvo de desinformação na Internet.
Diversos utilizadores do Facebook partilharam nas últimas duas semanas a mesma mensagem, que dava conta de que o Papa Leão XIV, de 69 anos, teria anunciado que o dinheiro ilícito que existisse no Banco de Roma seria confiscado e distribuído por instituições de caridade.
Contudo, não há qualquer evidência de que Robert Francis Prevost, o primeiro papa norte-americano na história da Igreja Católica, tenha proferido uma declaração nesse sentido. Essa informação não consta do site oficial do Vaticano, nem das contas oficiais do Papa ou do serviço noticioso do Vaticano na rede social X. De igual modo, também não se encontra nenhuma referência a este tema em órgãos de comunicação social de referência ou especializados em assuntos religiosos.
Aliás, um sinal de que tal informação não é verdadeira é a alusão ao Banco de Roma, uma instituição financeira que já nem existe de forma autónoma, depois de ter sido comprado em 2007 e absorvido de forma efetiva pela UniCredit em 2010. Paralelamente, o Banco de Roma, fundado em 1880 e que passou a integrar a UniCredit 130 anos depois, era uma instituição registada em Itália, não tendo o Vaticano qualquer autoridade sobre entidades financeiras de outro Estado.
As finanças do Vaticano estão a cargo do Instituto para as Obras da Religião, mais comummente conhecido como ‘Banco do Vaticano’. Sobre esta instituição já é possível encontrar inúmeras notícias recentes, quase todas no sentido de o Papa ‘herdar’ um banco cujos últimos anos têm sido marcados por vários escândalos e polémicas, com alegações de má gestão e um grande secretismo nos seus números.
Conclusão
O Papa Leão XIV não disse que o dinheiro ilícito encontrado no Banco de Roma seria confiscado e doado a instituições de caridade. Não existem quaisquer referências nos canais oficiais de informação ou nas redes sociais do Vaticano sobre essa matéria.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.