Numa declaração de apoio ao candidato presidencial que lidera o Chega começaram a circular fotografias nas redes sociais em que se lê “Eu voto André Ventura” e “Portugueses primeiro”. Vários deputados, dirigentes e simpatizantes deram o mote e numa página de Facebook surgiram fotografias de figuras públicas como Pedro Passos Coelho, Cristiano Ronaldo, Lili Caneças, Jorge Jesus ou Herman José.

Vamos por partes. Em primeiro lugar, Pedro Passos Coelho, que foi um dos nomes mais citados da primeira volta das eleições presidenciais e resolveu não declarar apoio a nenhum dos onze candidatos que foram a votos. Para esta segunda volta vai manter-se em silêncio e já o comunicou. “Não desejo fazer qualquer comentário ou declaração sobre as eleições presidenciais”, escreveu o ex-líder do PSD e do Governo em resposta a uma pergunta escrita da agência Lusa.

Quanto a Lili Caneças, até ao momento, não fez qualquer intervenção ou declaração pública para endossar o voto em André Ventura. A socialite foi uma das apoiantes de João Cotrim Figueiredo na primeira volta das eleições presidenciais, tendo-o descrito como “o homem dos 3 C: Coerente, Combativo, Convicto”.

No caso de Herman José também não há qualquer indicação pública sobre a pessoa que apoia na segunda volta das presidenciais. Nem nas redes sociais nem em órgãos de comunicação social fidedignos o humorista disse que iria apoiar Ventura. Recorde-se que em 2020, quando o Chega estava longe dos números que atingiu nos últimos anos, Herman José disse publicamente, numa entrevista na RTP, que achava “interessantíssimo” que o líder do Chega existisse e que é “essencial que a democracia tenha espaço para ter os seus ‘André Ventura'”. Aliás, nas stories do Instagram usou até o mesmo design de André Ventura para dizer “Eu voto em Claudia Nayara”. O apoio surgiu depois de ter sido notícia que a cantora foi submetida a uma cirurgia de urgência.

Relativamente a Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus nenhum tem declarações de voto públicas em André Ventura, nem nas redes sociais nem na comunicação social. O internacional português já fez várias publicações depois de ser conhecido o resultado da primeira volta, mas nenhuma sobre as eleições presidenciais portuguesas. No fim do ano passado, o Observador publicou um Fact Check sobre uma alegada ligação entre Ronaldo e Ventura, quando circulava a tese de que o jogador teria dito que convidava o presidente do Chega para almoçar porque têm “muita coisa em comum”. Provou-se que não era uma frase que Ronaldo tivesse dito, pelo menos em público.

Das figuras em causa, nenhuma delas expressou publicamente qualquer sentido de voto em André Ventura, sendo que o nível de mediatismo de todas levaria a notícias nos órgãos de comunicação social ou, pelo menos, a atenção redobrada nas redes sociais — como aconteceu quando Lili Caneças apoiou Cotrim. Ainda assim, politicamente, o endosso mais relevante, independentemente da pessoa a quem o faz, é o de Pedro Passos Coelho.

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Conclusão

A publicação em causa é falsa e dá conta de sentidos de voto que não foram tornados públicos pelos próprios, nem em redes sociais nem na comunicação social. Até ao momento nem o antigo primeiro-ministro, nem os artistas e os protagonistas do futebol em causa vieram a público declarar o endosso, pelo que as fotografias não são verídicas.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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