“Comboio turístico entre Amesterdão e Paris, desfrutem da viagem”, lê-se na descrição de um vídeo publicado em formato de reels no Facebook. O utilizador deixa ainda ofensas aos supostos imigrantes que ocupam a carruagem no transporte público.
Nas imagens, há várias pessoas deitadas por todo o chão do comboio, sem outros elementos que permitam identificar o local onde foram captadas as imagens.
Uma pesquisa inversa por frames do vídeo partilhado apresenta dezenas de resultados, incluindo relatos de que foi captado no Paquistão, mas também num percurso entre Bruxelas e Paris. Já outros levantam a hipótese de o vídeo ter sido gravado na Índia. A última opção é a que corresponde à realidade.
A primeira vez que o vídeo surge online é numa publicação de 4 de março de 2026, no Instagram. Nesse dia, o utilizador Haresh Banjare partilhava as imagens para se dirigir ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. “Estamos a caminhar para nos tornarmos líderes mundiais. Não pelo topo, mas sim para ficar atrás”, escreveu no post.
Banjare afirmou na publicação que as pessoas que apareciam no vídeo eram “forçadas a viajar como animais”, garantindo que são “cidadãos da Índia independente”.
“Apesar de pagarem o preço integral do bilhete, estas pessoas não podem ter uma viagem digna porque o nosso país é um líder mundial. Honrado primeiro-ministro Modi, é isto que o senhor define como uma nação desenvolvida?”, questiona ainda o utilizador na publicação.
Conclusão
Em suma, é falso que um vídeo que mostra várias pessoas deitadas ao longo de uma carruagem de comboio seja de imigrantes e que estes estejam a fazer uma viagem entre Amesterdão e Paris. As imagens remontam a março deste ano e foram publicadas pela primeira vez por um utilizador indiano que quis denunciar as más condições a bordo daquele transporte ferroviário na Índia.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.